Qualquer autor de novela em busca de inspiração para uma nova trama deveria conhecer a história da atriz Aparecida Petrowky, a Sandrinha de Viver a Vida. A vida da moça renderia um folhetim capaz de bater recordes de audiência. Ela nasceu em 21 de julho de 1982, filha da adolescente Glória, de 14 anos. Pouco tempo após o parto, foi adotada pela educadora Vera. Aos cinco anos, a mãe biológica tornou-se sua babá. Unidas, as três viveram juntas até 1999, quando a mãe adotiva morreu vítima de câncer de mama.
"Sempre tive o privilégio de ter duas mães", reconhece a atriz. Em 2001, mais um drama: Waldier, pai de Aparecida, morreu de infarto. No entanto, embora a vida pessoal de Aparecida tenha sido atipicamente conturbada, ela nunca perdeu o foco nos estudos. "Estudei no Instituto de Educação Sarah Kubistchek em Campo Grande (RJ) e fiz o ginásio e o segundo grau nível profissional técnico como normalista (formação de professores)", explica.
Empenhada, formou-se em fisioterapia pela Universidade Castelo Branco, artes cênicas pela Faculdade da Cidade e ainda fez curso de shiatsuterapeuta (técnica oriental de medicina) em Londres, onde trabalhou em uma clínica por dois anos. Mas por que uma atriz decidiu estudar fisioterapia? "Quando criança, tinha uma vizinha idosa que não conseguia andar. Disse a ela que teria uma profissão capaz de ajudar as pessoas a andar novamente", explica a carioca. Em entrevista ao Educar Para Crescer, a atriz fala sobre lembranças do tempo de colégio, o período em que morou em Londres para estudar e como enxerga a Educação no Brasil.
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- Apesar da vida pessoal movimentada, você nunca abandou os estudos. O que a fez seguir em frente?
- Aparecida Petrowky: A minha vida movimentada foi basicamente em prol da minha própria formação como pessoa. Fiz esportes diversos, principalmente natação, balé, artes marciais, dança contemporânea e ginástica olímpica. Passei mais tempo da minha juventude nas instituições de ensino do que em casa (risos). Acho que eu era uma criança hiperativa. Minha mãe, Vera, era educadora e trabalhava na secretaria do mesmo colégio em que estudei e me formei. Portanto, além de esportes, os livros aguçavam a minha curiosidade. Após a morte dela, continuo lendo, mas com menos frequência, pois o trabalho e a responsabilidade tomam mais o meu tempo hoje em dia.
- Por que uma atriz decidiu estudar fisioterapia?
- Aparecida Petrowky: Quando criança, tinha uma vizinha idosa que não conseguia andar. Disse a ela que teria uma profissão capaz de ajudar as pessoas a andar novamente. Como fisioterapeuta, não posso escolher meus pacientes (ela já atendeu celebridades, como a atriz Letícia Birkheuer). Minha função é atender quem precisa.
- Para sua formação, o que significou morar em Londres?
- Aparecida Petrowky: Mesmo já tendo estudando a língua, fui atualizar meu inglês. Trabalhei, estudei e me formei como shiatsuterapeuta (técnica oriental de medicina) em uma clínica de Londres. Fiquei lá por cerca de dois anos. Já saí do Brasil com o emprego batalhado por três meses. Foi uma das mais gratificantes experiências da minha vida não só por conhecer outra cultura, mas por ter aprimorado o meu currículo profissional. Espero ter outra oportunidade de me aperfeiçoar fora do país.
- Quais suas principais lembranças dos tempos de escola?
- Aparecida Petrowky: As amizades que fiz no tempo do colégio permanecem até hoje, como uma grande família. Ainda participo da vida dos meus amigos e, consequentemente, els torcem muito por mim também.
- Existe algum episódio marcante dos tempos de colégio?
- Aparecida Petrowky: Descobri que sabia me defender sozinha quando ainda estava na terceira série e um menino do colégio muito briguento resolveu implicar comigo. Não me lembro ao certo o motivo, mas sei que ele queria me bater na saída da escola e contou isso para todo mundo. Morri de medo de ir embora, mas não teve jeito e precisei encarar. Por sorte, eu sabia defesa marcial. Não o machuquei, mas mostrei para ele que as aparências enganam. As excursões do colégio também eram maravilhosas. Fomos ao jardim zoológico, museus, como o da Quinta da Boa Vista (RJ), visitamos fazendas para ter contatos com animas, descobrir plantas... Era ótimo!!!
- Seus pais costumavam participar de suas atividades escolares?
- Aparecida Petrowky: Muito, principalmente a minha mãe. Ela estudava comigo para as provas. Nas pesquisas, me ajudava indicando algumas referências. Nos trabalhos de artes, ela também me auxiliava a fazer recortes e colagens.
- Qual é a importância dos estudos para sua formação profissional?
- Aparecida Petrowky: Além de nos integrar moralmente e etnicamente na sociedade, o estudo forma cidadãos, fazendo com que descubramos os nossos deveres e direitos. Com essa base e responsabilidade, podemos alcançar espaço no mercado de trabalho. O aperfeiçoamento nos estudos, congressos e cursos foram fundamentais para que hoje eu me sinta capaz de desempenhar muito bem a minha profissão.
- Quais eram suas matérias prediletas na escola?
- Aparecida Petrowky: Física, química, geografia, artes e história.
- O que mudaria no ensino?
- Aparecida Petrowky: Isso é muito relativo, pois mudar algo, como a agilidade no ensino, não depende só da nossa vontade. De forma geral, nossos governantes deveriam investir mais em Educação.
- Como imagina a escola ideal?
- Aparecida Petrowky: Na escola ideal, todos teriam direito ao ensino de forma completa. Afinal, algumas (ou talvez muitas) deixam a desejar, limitando o conhecimento do aluno ou até mesmo desestimulando o aprendizado. As horas de aula poderiam ser bem preenchidas, incluindo noções básicas de saúde, higiene e economia para todas as séries. Aliás, os alunos, principalmente os mais carentes, poderiam repassar esse aprendizado aos seus pais. E, para completar, claro, passeios ao ar livre com as turmas. É uma pena que hoje em dia, com tanta violência, essa opção seja limitada.