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Cecília Dassi defende o fim do vestibular

Para a atriz e estudante de 22 anos, atual sistema de ingresso nas universidades é injusto com os bons alunos


07/04/2010 17:32
Texto Marina Azaredo
Educar
Foto: Cecília Acioli
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Além de atriz, Cecília Dassi é estudante de Psicologia. Clique na foto para ver mais imagens.
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Aos sete anos, a gaúcha Cecília Dassi deixou a sua terra natal para ser atriz no Rio de Janeiro e encantou o Brasil no papel da doce Sandrinha, da novela Por Amor. Desde então, vem conquistando papéis cada vez mais importantes na TV. Hoje, aos 20 anos, está no ar em Viver a Vida, interpretando a sedutora Clarisse, que namora um homem bem mais velho do que ela.

Ao chegar no Rio, Cecília teve de trocar de escola algumas vezes para encontrar uma em que se adaptasse, mas nem por isso teve uma queda no seu desempenho. "Sempre fui estudiosa, tirava boas notas e só fui ficar em recuperação no segundo ano do Ensino Médio. Mas também nunca fui do tipo obsessiva", conta ela, que hoje concilia o trabalho como atriz com os estudos: está cursando Psicologia na Universidade Estácio de Sá.

Na entrevista a seguir, Cecília conta como foi a sua época de escola, opina sobre a Educação no Brasil, dá dicas para quem tem de trabalhar e estudar ao mesmo tempo e sugere mudanças no vestibular. "Eu mudaria essa técnica de admissão na faculdade. Um aluno que tirou notas ótimas a vida inteira e tem um currículo cheio de cursos e atividades extra-curriculares não merece passar pelo stress do vestibular", diz a atriz.

Para ler, clique nos itens abaixo:
Onde você estudou? Você era boa aluna?
Cecília Dassi: Sou gaúcha e vim morar no Rio de Janeiro aos sete anos. Mudei de colégio quando vim para cá. Dois anos depois, mudei de bairro e novamente de colégio. Cerca de um ano e meio, depois mudei novamente de colégio, pois não estava feliz lá e, finalmente, encontrei o colégio onde fiquei até me formar. Sempre fui estudiosa, tirava boas notas e só fui ficar em recuperação no segundo ano do Ensino Médio. Mas também nunca fui do tipo obsessiva.
Algum professor marcou sua vida escolar?
Cecília Dassi: Vários professores marcaram minha vida, e o legal é que cada um marca de um jeito. Um por ser muito querido, outro por uma identificação instantânea e muitas vezes até meio sem explicação, outros por terem me ensinado alguma coisa muito importante, alguns por terem conseguido me explicar algo que eu tinha dúvidas há muito tempo... O fato é que o tempo não tem relação nenhuma com a importância. Às vezes, um professor substituto, que deu aula duas ou três vezes, marca mais do que um que ficou um ano ou até mais.
Como os seus pais participavam da sua vida escolar?
Cecília Dassi: Eles sempre foram muito abertos para ajudar com meus deveres e em tudo o que eu precisasse. Nunca me cobraram as melhores notas da turma. Apenas exigiam dedicação, comprometimento e me ensinavam o quanto a escola era importante. Eu entendia e me dedicava.
É possível conciliar os estudos com o trabalho na TV?
Cecília Dassi: Eu falo por experiência própria que dá, sim. É claro que, em algumas épocas, principalmente temporadas de provas, ficamos muito cansados, e é mais difícil para nós do que para os nossos colegas que só vão pra casa para ver desenho, brincar e dormir. Mas, quando a criança gosta do que faz, vale a pena.
Você gosta de ler?
Cecília Dassi: Amo ler. Leio muito e a única coisa que não gosto de ler são biografias. Elas me dão sono, acho que é por não ter aquele enredo emocionante que causa uma ansiedade, aquela vontade de ler o dia inteiro. Fora isso, leio suspenses, romances, adoro livros policiais, como os de Sidney Sheldon e J.D Robb. Mas ultimamente tenho evitado ler dramas, porque sempre me fazem sofrer muito, chorar horrores. Aí não dá, né?
Como você vê a Educação no Brasil?
Cecília Dassi: A Educação é precária, em todos os sentidos e setores. Há muitos profissionais não capacitados, formando cidadãos cada vez menos capacitados, já que é um círculo vicioso. Acho que é fundamental que se pare de diminuir o nível de exigência ao invés de aumentar o nível da aula. Se a prova da OAB aprova muito pouca gente, eles optam por diminuir o nível de exigência da prova em vez de melhorar as aulas, capacitar melhor os profissionais. Isso não faz sentido. Mas é um reflexo do que acontece nas salas de aula diariamente.
O que você mudaria na escola?
Cecília Dassi: Acho que seria importante ensinar coisas básicas e úteis para o dia a dia. Tanto homens quanto mulheres deveriam aprender a costurar uma roupa que rasgou, a trocar um pneu de carro, técnicas de primeiros socorros, lições de cidadania. Certas coisas se perderam no meio do desespero do "preciso passar no vestibular". Aliás, eu, com certeza, mudaria essa técnica de admissão na faculdade: um aluno que tirou notas ótimas a vida inteira e tem um currículo cheio de cursos e atividades extra-curriculares não merece passar pelo stress do vestibular. Muitas vezes, por causa da pressão e do nervosismo, esses alunos acabam nem conseguindo passar.
Qual é a importância de estudar sempre?
Cecília Dassi: Manter o cérebro em ação, manter-se atualizado, ativo. Quando não estou estudando, sinto como se estivesse trabalhando com metade do meu potencial.


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