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ENSINO PÚBLICO

Giulia Gam: "As escolas devem incluir atividades ligadas à arte"

A atriz relembra sua educação e fala sobre o ensino público atual


18/10/2012 15:26
Texto Renata Telles
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Foto: Cintia Sanchez
Foto: Ao educar seu filho Theo, Giulia procurou unir a música, o esporte e a língua
Ao educar seu filho Theo, Giulia procurou unir a música, o esporte e a língua

Com 25 anos de carreira, Giulia Gam é sucesso absoluto na dramaturgia. Já participou de dezenas de novelas, filmes e peças de teatro. No ar em Amor Eterno Amor como a redatora-chefe de uma revista, a atriz se divide entre as gravações da trama e a peça infantil Pedro e o Lobo, em cartaz no Teatro Tuca, zona oeste de São Paulo. Apesar da vida corrida, Giulia não descuida da educação do filho Theo, 13, fruto do casamento com o jornalista Pedro Bial. Para ela, participar de todas as fases da criança na escola é essencial. “Vou a reuniões, converso, incentivo a leitura... Procuro passar a educação que tive para ele”, diz. Quando criança, Giulia estudou no colégio Lourenço Castanho, em São Paulo. Os pais não cobravam a maior nota da turma, mas a atriz precisava mostrar interesse em aprender. “Nunca fiquei em recuperação”, lembra. Para ela, a educação no Brasil seria melhor se o governo desse maior estrutura às escolas públicas e incluísse atividades ligadas à arte e ao esporte. Confira a entrevista!

Para ler, clique nos itens abaixo:
Como foi sua educação, tanto em casa quanto na escola?
Giulia Gam: Minha mãe se formou em Psicologia numa época em que as mulheres eram educadas para casar e ter filho. Já meu pai cursou Engenharia. Eles se preocupavam muito com a minha Educação, por isso estudei em um colégio intelectual, o Lourenço Castanho, em São Paulo. A escola tinha todo um incentivo no maternal, primário, fases fundamentais para a formação de uma criança. Por exemplo: para chegar às fórmulas de física, os professores mostravam o céu e vinha toda a história de Galileu... Fora do colégio, meu pai me levava ao cinema, ao teatrinho, andávamos na Bienal... Era um mundo muito natural para mim.
Seus pais participavam da sua vida escolar?
Giulia Gam: Claro! Se eu precisasse de ajuda, lá estavam meus pais. Eles participavam da lição de casa, ficavam por dentro das minhas notas. Nunca fiquei de recuperação. A média final, aliás, não era uma preocupação, o importante era a vivência, o raciocínio, o esforço, você precisava mostrar interesse.
Por que muita gente não gosta de ler ou frequentar a escola?
Giulia Gam: Toda a questão vem de casa, o filho é dos pais e alguém precisa incentivá-lo a estudar. Os pais são a referência principal. Não adianta você mandá-lo ler se você não faz isso. Não dá para obrigar, o ideal é atrair! O Theo (filho do casamento com o jornalista Pedro Bial) passou pelos videogames, sim, mas foi superincentivado a ler. Meu pai mandava pacotes com 10 livros pelo correio todas as férias junto com uma cartinha. O Theo aguardava ansioso, ficava feliz... Era uma maneira de incentivar. Depois eu sentava com ele e líamos, fazíamos comentários...
Qual a sua opinião sobre a Educação no Brasil?
Giulia Gam: A escola pública é uma judiação, eles não conseguem segurar a atenção do aluno, não tem estrutura. O ideal é buscar estimulo, se um professor for bacana o aluno vai se apaixonar. Esses estudantes não terão condições de passar num vestibular mais tarde. O que acontece? O aluno de classe média que estudou em colégios particulares a vida inteira garante a vaga numa universidade pública!
O que seria necessário mudar?
Giulia Gam: Não há interesse em mudar. O Brasil tem dinheiro, capacidade, mas rouba até de hospitais. O que precisamos fazer é pressionar o estado e o governo a dar mais atenção e incentivar a sociedade a participar de trabalhos voluntários. Quando há eventos culturais em comunidades, por exemplo, as pessoas assistem, gostam! Ou seja, o interesse da população existe.
Como seria a escola dos seus sonhos?
Giulia Gam: Uma escola que dê total atenção à criança. O lugar precisa ter a sensibilidade de ensinar, o aprendizado precisa ser interessante. Tudo isso integrado a preocupação com a comida. As crianças poderiam passar grande parte do dia na escola e ter uma alimentação saudável, fornecida pelo colégio. O importante também é ter suporte afetivo. Nada cresce sem amor, pode ser cachorro, planta... As atividades da escola devem incluir ainda arte e esporte, principalmente arte. É uma peça de 30 minutos, um passeio no museu, um espetáculo de dança, o aluno tem referência rápida e o efeito é super positivo.
Como educou seu filho Theo?
Giulia Gam: Eu procurei unir a música, o esporte e a língua. Você precisa descobrir o talento do seu filho, algo que ele curta. O Theo é apaixonado por surfe, mas passou por vários esportes até se achar. Ele também adora tocar violão e o inglês, claro, não tem como tirar das atividades. A escola dele também acompanhou todas as fases e deu suporte psicológico.

 

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