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LITERATURA

Martinho da Vila: "Tenho muitas semelhanças com Machado de Assis"

O músico, que é candidato a ocupar uma vaga na Academia Brasileira de Letras, fala do que pode ser feito pela Educação do Brasil


23/03/2010 11:19
Texto Marina Azaredo
Educar
Com oito filhos e sete netos, o músico deve lançar dois CDs em 2010

Martinho José Ferreira nasceu em Duas Barras, no Estado do Rio de Janeiro, em 1938. Filho de lavradores de uma fazenda, foi para o Rio de Janeiro com apenas 4 anos. Em 1964, entrou para a escola de samba de Vila Isabel. E acabou virando Martinho "da Vila". Sua carreira de cantor profissional começou em 1969, com o LP intitulado Martinho da Vila. Logo tornou-se um dos mais respeitados artistas brasileiros, além de um dos maiores vendedores de disco no Brasil.

Com oito filhos e sete netos, o músico deve lançar dois CDs em 2010: um com a particpação dos filhos e outro com as principais canções de Noel Rosa, em comemoração ao centenário do nascimento do sambista, que cresceu na mesma Vila Isabel de Martinho. Outro projeto recente de Martinho é entrar na Academia Brasileira de Letras (ABL). Autor de dez livros, como A Rainha da Bateria, A Serra do Rola-moça e A Rosa Vermelha e o Cravo Banco, ele é um dos candidatos a ocupar a cadeira que pertencia ao bibliófilo José Mindlin, morto em 28 de fevereiro.

Na entrevista a seguir, Martinho da Vila dá a sua opinião sobre a qualidade da Educação no Brasil, fala de suas semelhanças com Machado de Assis e conta como surgiu a ideia de concorrer a uma vaga na ABL. "Achava que apenas escritores com formação acadêmica poderiam ser aceitos, mas me explicaram que, acima de tudo, a Academia é um lugar para se debater ideias." Confira a entrevista:

Para ler, clique nos itens abaixo:
Como você vê a Educação no Brasil?
Martinho da Vila: Acho que está melhorando. O índice de analfabetismo caiu. Mas ainda há muito a ser feito.
O que ainda preciso ser feito?
Martinho da Vila: Quando falamos de Educação, estamos falando de cultura também. É preciso que a cultura chegue nas pequenas cidades, nos pequenos povoados. Há lugares que não têm cinema, teatro, biblioteca. Isso precisa mudar.
O que você gosta de ler?
Martinho da Vila: Gosto muito de Machado de Assis. Tenho muito em comum com ele. Nós dois nascemos na favela, somos negros e filhos de lavadeira. Mas não sou um machadiano daqueles que estudam a fundo a obra, que estão sempre tentando descobrir se Capitu traiu Bentinho ou não.
O que despertou o seu gosto pela leitura?
Martinho da Vila: Eu me interessei por literatura justamente por causa de Machado de Assis e da escola de samba.
Como surgiu a ideia de se candidatar para uma vaga na Academia Brasileira de Letras?
Martinho da Vila: Sou amigo de alguns membros da Academia, e eles querem que eu me torne membro. A princípio, declinei. Achava que apenas escritores com formação acadêmica poderiam ser aceitos, mas me explicaram que, acima de tudo, a Academia é um lugar para se debater ideias. Então acabei aceitando. Há muita gente por trás de mim. Se for aceito, músicos, sambistas, gente da favela, entre outros, se sentirão representados.


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