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CIÊNCIAS

10 maneiras de aproveitar um dia no parque ou na praça

Dicas espertas para quem vai passar as férias com as crianças em sua própria cidade


29/06/2011 16:33
Texto Marion Frank
Educar
Foto: Dreamstime
parque
Um dia no parque ou na pracinha pode levar à descoberta de muitos conceitos de Ciências

Ser criança é ser curiosa - e cabe aos pais a tarefa de saciar essa necessidade de saber tudo e agora. Durante as férias, quando o não ter o que fazer parece aumentar a ânsia de descobrir o mundo, a ideia é oferecer um tipo de lazer que não apenas satisfaz a curiosidade como também estimula o raciocínio infantil: passeios em praças ou parques.

São lugares cheios de mistérios - basta deixar a criança solta para as perguntas surgirem às dezenas, por que isto existe aqui e não ali, como foi que isso cresceu e aquilo morreu, por que os seres vivos são assim e não de outro jeito etc. Questões que remetem ao universo científico e vão exigir explicações sobre o como e o porquê. Tantas podem ser as perguntas que os pais ficam vez por outra sem graça de não saber responder, chegando a lamentar não ter deixado a criança jogando, quieta, videogame em casa.


Mas aí está a ocasião para participar ativamente da educação do seu filho. Ninguém é obrigado a saber tudo, por isso, pai e mãe devem aproveitar a dúvida e propor uma pesquisa na internet ou uma ida à biblioteca atrás dos livros adequados. A criança vai se encantar com essa parceria garantem as especialistas Andrea Nunes Vaz Pedroso (Botânica) e Maria Isabel Iorio Soncini (Biologia e Ciências). São delas, aliás, as dicas de como aproveitar a ida ao parque ou à praça para se divertir, informando.

Para ler, clique nos itens abaixo:
A comunhão entre os seres vivos
No passeio pela área verde, chame a atenção do seu filho para as diferentes espécies de plantas, árvores e flores, cada uma de um formato, um tamanho e uma cor. Mostre como tudo está interligado e "conversa" um com o outro, ou seja, onde tem planta, tem inseto, onde tem árvore com fruto, tem passarinho e assim por diante. É o modo de a biodiversidade dizer que ninguém vive sozinho, do formigueiro ao arbusto, no planeta Terra.
O fantástico ciclo da vida
Leve seu filho para perto de um canteiro de plantas e observe como há borboletas voando por entre os galhos. Qual a razão? É que as borboletas depositam ovos na parte de trás das folhas, uma espécie de defesa natural contra os predadores - do lado interno da folha, as bolinhas brancas ficam praticamente imperceptíveis. No seu desenvolvimento, a borboleta passa por várias fases, do ovo ela vai crescendo, a seguir, dentro de um casulo, depois se torna lagarta até alcançar a forma de borboleta. A esse processo de mudanças dá-se o nome de metamorfose - e é importante que os pais despertem a atenção infantil para essa série de transformações, o ciclo da vida, bastando para tanto realçar a variedade de espécies de borboleta voando por entre as plantas.
O modo de sobreviver de quem é mínimo
Há um bichinho que a criança adora encontrar, o tatuzinho de jardim - aquele que se protege virando uma bola ao ser tocado. Pois bem, quando é mesmo que o tatuzinho sai da toca e anda por aí? Aliás, onde é que fica a toca dele? Essas perguntas podem ser respondidas num zás durante o passeio pelo parque (ou pela praça). Tatuzinhos não têm proteção contra a perda de água, por isso, eles só conseguem sobreviver onde existe umidade. É também por essa condição que eles vivem em ambientes protegidos da luz - daí a preferência de se acomodar entre pedras, nos cantos do jardim. Onde tem folha e galho caídos, também há possibilidade de se encontrar tatuzinhos. O que prova que até mesmo o ser mais diminuto conhece intuitivamente o modo de sobreviver em meio à natureza.
Um indicador de ambiente preservado
Quem tem o olhar cultivado, sabe enxergar os sinais que indicam estar o parque ou a praça que se visita "vendendo saúde". Veja o caso do líquen, espécie de mancha esbranquiçada, amarelada ou azulada presente em tronco. ou rocha. Parece um único ser, mas é na verdade uma associação de seres, fungos e algas que vivem tão juntos, a associação entre eles é tão estreita que cada um não conseguiria sobreviver isoladamente. Acontece que o líquen é indicador de qualidade de ar - se a atmosfera de um determinado ambiente estiver poluída, ele não será encontrado nesse lugar. Faça, portanto, seu filho procurar líquen e confirmar (ou não) a qualidade do ar que vocês respiram.
A prova de que tudo está em movimento.
Durante o passeio pelo parque, faça uma pausa, deitando na grama ao lado do seu filho. E proponha um passatempo, olhar as nuvens. Chame a atenção para o modo como elas se modificam, o vento provocando formas diferentes a todo instante - um jeito simples e direto de mostrar como tudo se modifica sobre a Terra.
O quanto vale perguntar
É bem provável que você ouça questões específicas sobre as nuvens e o vento, como é que elas se formam, de onde é que surge esse vento e por aí afora. Mais: no parque, é bem capaz que exista um lago, o que pode lhe servir para estimular o interesse da criança sobre a origem dessa água, será que a água que cai com a chuva é a mesma que se encontra no lago etc. Quase sempre você não terá informação suficiente para responder na hora, por isso, faça a sugestão ao seu filho de pesquisar na internet na volta para casa. São temas instigantes que merecem serem conhecidos em detalhe.
O conhecimento de quem cuida da natureza
Algo legal de se fazer nesse passeio é conversar com quem cuida diariamente da praça ou do parque, os chamados "cuidadores". É uma riqueza enorme bater papo com eles, afinal, são eles que sabem tudo sobre o que vive nessas áreas verdes, de planta a bicho. Em metrópoles como São Paulo, por exemplo, há uma equipe de biólogos para orientar o trabalho diário dos "cuidadores" de parques como o Ibirapuera e o Villa Lobos. Mas, se esse tipo de serviço não existir na sua cidade, procure se aproximar do jardineiro - a informação que ele tem sobre o reino vegetal vai seguramente interessar seu filho.
Brincando de caça ao tesouro
Muitos animais se mimetizam, ou seja, aprendem a se esconder na natureza para não serem descobertos por seus predadores. Bicho-pau, por exemplo. Ele se parece com o galho de uma árvore até na textura. Existe a barata-joaninha que tem, acredite, a mesma aparência de uma graciosa joaninha. Que tal propor a brincadeira de caçar esses "tesouros"? Outra opção é o fungo orelha-de-pau, de tons alaranjados. Ele sempre será encontrado junto ao que está em decomposição, caso de troncos e galhos caídos. É ali que ele sobrevive porque se alimenta desse tipo de matéria - ou seja: o fungo orelha-de-pau ajuda a decompor e a finalizar outro ciclo de vida na natureza, o que merece ser destacado para a criança no fim do jogo.
O respeito à vida
Use a visita ao parque para deixar evidente ao seu filho a importância que toda forma de vida exerce sobre a que lhe é mais próxima, de como todos os seres vivos dependem dos demais. Porque se o parque for asfaltado, apenas para citar um exemplo, vai com isso eliminar o lugar úmido e sombreado que é o preferido pelo tatuzinho para morar. Esse contato com os seres vivos de um parque ajuda a criar um vínculo de apreço a qualquer forma de vida desde tenra idade
O direito a ter mais informação
A visita ao parque pode despertar tamanha curiosidade no seu filho que ele vai querer saber mais. Será então o caso de você programar outro tipo de passeio, caso esteja morando em São Paulo, indo atrás de endereços especializados. Por exemplo, a Estação Ciência da USP (www.eciencia.usp.br), no bairro da Lapa, que reproduz toda sorte de experimentos, caso da eletricidade; o Parque de Ciência e Tecnologia da USP ou Parque Cien Tec (www.parquecientec.usp.br), perto do Zoológico, na Água Funda, outra opção para experiências científicas ao vivo; e o Instituto Astronômico e Geofísico da USP (www.iag.usp.br), na Cidade Universitária, onde é possível a observação dos planetas e das estrelas.


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