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PARTICIPAÇÃO

10 razões para apostar em trabalhos em grupo

Trabalhando em equipe, o estudante aprende a ouvir e a se posicionar. Mas é preciso tomar cuidado para que a atividade não perca o sentido pedagógico


18/02/2013 13:33
Texto Camilo Gomide e Bruna Nicolielo
Educar
Foto: Marcella Briotto
Foto: Bella Swan - Crepúsculo
O trabalho em grupo desenvolve a sociabilidade
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O que é um trabalho em grupo para você? Se a resposta for "trabalho em grupo é a melhor maneira de alguém trabalhar por você" ou "um jeito terrível de você ter de trabalhar por 10" é hora de rever o seu conceito. Isabella Marie Swan e suas amigas diletas sabem dividir tarefas e trabalhar em equipe para chegar a um bom resultado final. Se a Bella pode, você também. Quer ver? 

O trabalho em grupo é uma oportunidade de construir coletivamente o conhecimento. "Por meio dessa prática, o aluno se relaciona de modo diferente com o saber. É um momento de troca, em que a criança ou adolescente se depara com diferentes percepções", explica Stella Galli Mercadante, diretora de ensino fundamental do Colégio Vera Cruz, em São Paulo. Não é de hoje que os educadores valorizam o trabalho em grupo como estratégia importante para o aprendizado. Os estudos sobre desenvolvimento intelectual do psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky, no início do século XX, atribuíram um papel preponderante às relações interpessoais no processo de aquisição do conhecimento. "Ao longo do século passado, pensadores como Piaget, Vigotsky e Paulo Freire mostraram que a aprendizagem depende de uma ação de mão dupla. E essa interação não se resolve pela mera passividade", diz Luis Carlos de Menezes, educador da Universidade de São Paulo. Daí a importância do trabalho em grupo.

Trabalhando em equipe, o estudante exercita uma série de habilidades. Ao mesmo tempo em que estuda o conteúdo das disciplinas, ele aprende a escolher, a avaliar e a decidir. "Nesse tipo de tarefa, treina-se a capacidade de ouvir e respeitar opiniões diferentes", explica Stella Galli. A lista ainda inclui saber argumentar e dividir tarefas - competências essenciais para a vida adulta. "Ao crescer, o jovem vai ter de conviver com pessoas diferentes dele", explica Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice, de São Paulo. "O preparo para vida depende de saber se comunicar, ouvir, respeitar interlocutores e isso só se aprende fazendo", completa Luis Carlos de Menezes, educador da Universidade de São Paulo.

Se a prática é aplicada nos anos iniciais da escola, as crianças aprendem a trabalhar coletivamente e a escutar seus pares desde cedo. Assim, desenvolvem sua autonomia. "Trabalhos em grupo aqui no Vértice começam a partir do segundo ano do fundamental I. Eles se estendem até o ensino médio", explica o diretor Adilson Garcia. Para ser proveitoso, esse tipo de tarefa pede estratégias adequadas para cada faixa etária, além de planejamento. "O professor deve saber qual é o objetivo do trabalho e, em função disso, dar orientações e propor o tipo de grupo. Terminada a atividade, deve fazer uma avaliação", afirma Stella Galli, do Vera Cruz. Ela defende que o trabalho em grupo deve acompanhar outros tipos de tarefas, como produções individuais. "Cada atividade tem um objetivo distinto. Os alunos podem redigir em dupla ou em trio, mas têm de trabalhar individualmente também". Segundo a educadora, o trabalho individual é apropriado quando a atividade serve para avaliar o grau de aprendizagem do aluno ou se o professor quer que o aluno faça uma atividade direcionada ao seu grau de aprendizagem específico, já que nesse caso o estudante pode consultar apenas seu próprio repertório. O trabalho em grupo, por sua vez, é mais adequado quando a temática é abrangente, o que exige divisão de tarefas e problematização dos estudantes.

Consultamos pedagogos e diretores para saber quais as vantagens do trabalho em grupo e a que elementos os pais e os próprios estudantes devem prestar atenção para esse tipo de tarefa seja produtiva. 

Nossos consultores: 
-Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice;
-Luis Carlos de Menezes, educador da Universidade de São Paulo;
-Maria Cristina Scavazza, pedagoga e mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP;
-Stella Galli Mercadante, diretora de ensino fundamental do Colégio Vera Cruz.

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Reunir pessoas diferentes
O trabalho em grupo pode estimular o convívio de alunos que nem sempre são amigos. Basta que os grupos de trabalho sejam divididos por sorteio ou por indicação do professor. Assim, os diferentes são estimulados a conviver. O resultado pode ser maiores atritos. E isso é positivo para o desenvolvimento do aluno, já que grupos homogêneos não apresentam vantagens pedagógicas. "Saberes em diferentes níveis ajudam o educador trazer à cena a questão da colaboração", diz Stella Galli Mercadante, diretora de ensino fundamental do Colégio Vera Cruz, em São Paulo.

Preste atenção: Ao alternar os parceiros de trabalho, todo aluno experimenta papéis diferentes, que estimulam a habilidade de ter mais jogo de cintura para defender suas ideias e aceitar as dos outros. "Uma criança tímida pode se tornar líder nesses casos", afirma Adilson Garcia, diretor do Vértice.
2. Dividir e planejar tarefas
O grupo cria uma interdependência positiva com o compartilhamento de tarefas. E aprende a colaborar. Mas, para isso, precisa planejar. No Vértice, em São Paulo, os professores reforçam a necessidade de muito planejamento. "Desde pequenos insistimos para que o grupo gaste mais com o planejamento do que com a execução. É muito importante estabelecer metas, lidar com prazos, não pode deixar solto" explica O diretor Adilson Garcia.

A diretora do Vera Cruz, Stella Galli Mercadante, também defende o monitoramento dos alunos. "O professor deve fazer atendimento aos grupos no decorrer da atividade. Esse não é o momento que o professor pode fazer outra coisa. É hora de acompanhar", explica. Para ela, o professor deve avaliar o andamento da atividade, observando critérios como cooperação e empenho.

Preste atenção: Sinal vermelho se a divisão de tarefas se confundir com fragmentação da aprendizagem e a repetição do tradicional modelo "cada um faz um pedaço". "O trabalho em grupo deve ser mais que apenas uma divisão de tarefas a serem cumpridas. Para garantir uma unidade, um todo coerente, o mais indicado é apresentar o conteúdo a ser estudado sob forma de uma situação-problema para não fragmentar o conhecimento, que será construído por meio da pesquisa e discussão entre os alunos", diz Maria Cristina Scavazza, pedagoga e mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP.
3. Aprender a argumentar
Ao permitir que opiniões conflitantes venham à tona, o trabalho em grupo faz com que os alunos aprendam a se expressar de forma mais articulada e defendam seus argumentos. Convém lembrar que, num debate entre os alunos, os conflitos podem catalisar a aprendizagem. "Eles começam a se posicionar e falar com mais desenvoltura", diz Adilson, do Vértice.

Preste atenção: Assuntos abrangentes e complexos são mais bem aproveitados se o debate é ampliado. Nesses casos, cabe ao professor assumir o papel de mediador.
4. Ouvir a opinião dos outros
Os trabalhos em grupo são uma oportunidade de construir coletivamente o conhecimento. Isso envolve, necessariamente, trocar impressões e se deparar com diferentes opiniões sobre o encaminhamento da atividade proposta. "Assim, o aluno aprende que deve considerar a opinião do outro e se posicionar", explica Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice. Nesta escola paulistana, os grupos são montados aleatoriamente ou direcionados por professores, em função dos perfis dos estudantes. "Permitimos panelinhas, mas estimulamos a rotatividade". As escolhas livres, baseadas em afinidades, porém, não podem ser uma regra constante. "Os alunos devem entender o objetivo da proposta a realizar, daí a importância das escolhas intencionais", explica Stella Galli Mercadante, do Vera Cruz. Quando o professor divide o trio de amigos inseparáveis e os coloca em grupos diferentes, ele estimula o papel do aluno como produtor de conhecimento. Afinal, ao trabalhar com pessoas de círculos pouco familiares, cada uma delas tem muito a apresentar aos outros, assim como a ouvir.

Preste atenção: Para que o trabalho em grupo não vire uma "gracinha pedagógica" e perca o sentido, o professor precisa estar bem preparado. "Uma aula participativa precisa ser mais bem preparada do que uma expositiva. Não resolve nada largar a moçadinha solta. Tem de pautar o trabalho e ver o que os grupos estão fazendo, entrar no meio, conferir o que está acontecendo", orienta Luis Carlos de Menezes, educador da USP e colunista da revista Nova Escola.
5. Respeitar e ser tolerante
Ao mesmo tempo em que o aluno aprende a expressar a sua opinião, ele começa a ouvir a opinião alheia com mais respeito. "O estudante descobre, na prática, que, trabalhar em clima de cordialidade é muito mais produtivo", afirma Adilson Garcia, do Vértice. Gente intolerante, que acredita que de nada vale trabalhar com quem sabe o mesmo - ou menos - desperdiça uma ótima oportunidade para aprender a trabalhar valores sociais como o respeito e cooperação e a tolerância. "Dessa maneira, os alunos aprendem a conviver uns com os outros", explica Stella Galli, do Vera Cruz. Para ela, o professor deve assumir o papel de mediador na condução desse tipo de atividade. "Cabe ao docente lidar com as situações para desenvolver essas competências".

Preste atenção: Opiniões divergentes não são necessariamente ruins para o trabalho. "Ao compartilhar conhecimento, surgem conflitos que podem ajudar a melhorar a qualidade do aprendizado", diz Maria Cristina Scavazza, pedagoga e mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP.
6. Dar espaço para todos
Em trabalhos em grupo, é importante dar oportunidades para todos os estudantes, mesmo os mais tímidos. Nesse tipo de atividade, é comum que estudantes extrovertidos e falantes roubem a cena, deixando os mais inibidos de lado. Já os tímidos, ao evitarem o crivo dos outros, confrontam-se com mais dificuldades. Se aproveitarem a oportunidade de trabalhar coletivamente, podem exercitar sua confiança e resolver suas dúvidas dialogando com seus pares - os colegas - sem sentir o peso da relação professor/aluno. "No trabalho coletivo acontece uma troca horizontal entre os alunos. No caso da relação professor - aluno, a troca é assimétrica, verticalizada", explica Maria Cristina Scavazza, pedagoga e mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP. Para Adilson Garcia, diretor do Vértice, uma alternativa para quebrar o modelo de forte/fraco da sala e fazer com que todos tenham voz é montar grupos só com tímidos. "Eles acabam se soltando mais, o resultado é muito bom", diz.

Preste atenção: Agrupar alunos com o mesmo perfil é diferente de organizá-los por rendimento. "O professor deve agrupar alunos com diferentes níveis de conhecimento sobre um determinado conteúdo para que possa ocorrer troca, ajuda efetiva para atingir avanços e consolidar aprendizagens", diz Maria Cristina Scavazza, pedagoga e mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP. No que se refere à participação igualitária de todos, ela frisa que é papel do professor indicar a existência de uma perspectiva horizontal entre os alunos. "O professor deve ajudar os integrantes a raciocinar nesta perspectiva, ajudando os alunos a relacionar conhecimentos e informações uns com os outros para atingir a resposta".
7. Refletir
Quem nunca parou para pensar e até mudou de opinião em uma conversa diante de um argumento consistente? Da mesma forma, é a síntese das opiniões e das dúvidas, e a reflexão que ambas suscitam que permite a aprendizagem em um trabalho em equipe. No Vértice, os alunos são estimulados pelo professor a avaliar seu rendimento ao final da tarefa. "Esse é o espaço para resolver os problemas", diz o diretor Adilson Garcia. Dessa forma, podem fazer uma auto-avaliação e refletir sobre sua participação.

Preste atenção: Ao reunir pessoas diferentes em um mesmo grupo é natural que haja discórdia. Por isso, os pais devem prestar atenção no trabalho do professor, que precisa mostrar aos alunos como desentendimentos podem ser prejudiciais ao exercício proposto. "O docente deve apontar aos alunos como as brigas atrapalham o andamento da tarefa. Os alunos devem refletir sobre isso", diz Adilson Garcia, diretor do colégio Vértice.
8. Lidar com os problemas (e resolvê-los)
A partir da interação com seus pares e dos prováveis conflitos que surgem daí, o aluno aprende a trabalhar na resolução de problemas, uma competência imprescindível para o século XXI. "Para isso, os alunos criam e testam hipóteses, reconstroem raciocínios e estabelecem inter-relações entre os tópicos da tarefa", explica Stella Galli Mercadante, do Vera Cruz.

Preste atenção: O professor deve começar expondo os temas a tratar, discutir as linhas gerais de sua proposta e iniciar os trabalhos. Em seu planejamento, também precisa prever orientações sobre a administração do tempo dedicado à tarefa.
9. Treinar para a vida adulta e para a vida em sociedade
O trabalho em grupo exercita habilidades úteis para toda a vida. Afinal, no trabalho e nas relações interpessoais, saber ouvir, respeitar e se comunicar de forma clara é imprescindível. "O preparo para vida depende dessas competências", afirma Luis Carlos de Menezes. "Ao crescer, o jovem vai ter de conviver com pessoas diferentes dele", explica Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice, de São Paulo. A construção da autonomia é outro ponto a ser desenvolvido.

Preste atenção: Se trabalhos em grupo são aplicados a partir dos primeiros anos da escola, desde cedo os alunos aprendem a escutar seus colegas e refletir sobre suas opiniões.
10. Aumentar a autocrítica
Examinar atentamente os próprios atos, considerando erros e acertos, também é um baita aprendizado para a vida. Esse treino ocorre se o aluno for estimulado a se autoavaliar depois da execução de um trabalho coletivo. "Assim terá chances de corrigir erros e aprimorar seus conhecimentos", explica Stella Galli Mercadante, do Vera Cruz.

Preste atenção: Nos casos de autoavaliação na conclusão, os trabalhos em grupos possibilitam o exercício da autocrítica, mas estudantes muito exigentes devem ser estimulados a ser mais flexível com seus erros e acertos. "É impressionante observar como a avaliação dos alunos muitas vezes é mais rigorosa do que a dos próprios professores", explica Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice.

 

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