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Aproveitamento Escolar

Aprender a refletir desde cedo. Coisa boa!

Discutir desde cedo questões que levem à reflexão estimula o raciocínio


01/11/2008 14:07
Texto Vinícius De La Rocha
Bons-Fluidos
Foto: Dreamstime
menino pensando
Exercitar a reflexão possibilita a compreensão mais ampla e mais crítica da realidade

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Essas questões, que nos acompanham a vida inteira, agora voltam a ser discutidas nos primeiros anos da escola. Por um lado, aprendemos a pensar. Por outro, também a sentir: música é outra disciplina que deve reconquistar a sala de aula.

Numa mesa de bar, amigos conversam animadamente sobre viagens e livros, entre os assuntos do cotidiano, quando um deles discorre sobre as escolhas que precisamos fazer ao longo da vida, as opções de caminhos, o sentido das coisas ou algo mais abstrato. Nesse momento, alguém diz: "Ah, lá vem ele filosofar!" Essa, com certeza, não é uma cena nova para você. Então, para os filósofos de botequim, a boa notícia: as disciplinas de filosofia e so¬ciologia serão novamente obrigatórias nas três séries do ensino médio em todas as escolas do país. Serão duas horas semanais de cada uma delas. Mas o aluno não ficará mais tem¬po em sala de aula por causa disso. As matérias serão redimensionadas no currículo escolar de acordo com o projeto pedagógico de cada colégio.

A data para isso começar a vigorar é incerta, pois o projeto será submetido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim, as idéias dos filósofos alemães Friedrich Nietzsche e Immanuel Kant, além do francês Jean-Paul Sartre, entre outros, poderão voltar às salas de aula. O mesmo destino terá o sociólogo francês Émile Durkheim e os alemães Max Weber e Karl Marx. Numa época em que tudo anda rápido demais, inclusive o pensamento, nada melhor do que voltar a "pensar a vida", aprender isso em sala de aula e ter um espaço determinado para refletir, mesmo que por obrigação.

A filosofia e a sociologia foram abolidas do currículo do ensino médio durante o regime militar (1964-1985) e substituídas pela educação moral e cívica e OSPB. "A exclusão das disciplinas teve caráter político: ficaria mais difícil entender ‘quem somos e para onde vamos’. Foi um atraso e temos que recuperar o tempo perdido", acredita Helena Sporleder Côrtes, professora da Faculdade de Educação da PUC-RS.
De acordo com a versão final do texto do projeto de lei, já aprovado pelo Senado, o estudo dessas matérias contribui para a formação de pessoas livres porque, além da abertura para a reflexão dos temas da lógica, da política, da ética e da existência, possibilita a compreensão mais ampla e mais crítica da realidade contemporânea. Para Helena Côrtes, a necessidade de incentivar a reflexão entre os alunos é um dos principais pontos da volta dessas matérias às escolas. "Atualmente, com o avanço da tecnologia, são poucos os que param para pensar, que interagem entre si. É tudo virtual. O adolescente tem várias comunidades no Orkut para bate-papo, mas não conversa em casa com seu irmão, com seus pais e, às vezes, nem com seus próprios amigos. A filosofia e a sociologia seriam espaços disciplinares no ensino médio para exercitar a reflexão, tão ausente no mundo moderno", destaca.

Outra disciplina que vem por aí para enriquecer o estudante é a música. Em agosto, o presidente Lula sancionou o projeto de lei que torna obrigatório o ensino de música em todas as escolas do país (válido tanto para o ensino fundamental como para o médio). "Esse ensino é essencial para o desenvolvimento da sensibilidade do aluno, para sua percepção de mundo e para ampliar seus horizontes", diz Helena Côrtes.

Para ler, clique nos itens abaixo:
Formando professores-filósofos
Diante das novidades, há um ponto de discussão: Lula vetou o artigo que previa que os professores de música tivessem formação na área. Quanto às outras disciplinas, será que existem professores suficientes de filosofia e sociologia no país? Maria Márcia Sigrist Malavasi, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, afirma que é preciso capacitar profissionais para esse fim. "O que não podemos é, por não ter mestres, voltar a ter uma política de exclusão dessas matérias. É possível capacitá-los em pouco tempo, em parceria com boas universidades, por meio de cursos de especialização." E é o que já ocorre no departamento de filosofia da PUC-RS. De acordo com o professor Sérgio Asardi, está em andamento na faculdade gaúcha a segunda edição do curso de especialização no ensino da filosofia. O projeto de lei pressupõe um período de adaptação, durante o qual professores não licenciados em filosofia poderão lecionar no ensino médio.

Países como Estados Unidos e França colocam o ensino da filosofia e da sociologia no currículo escolar. Eles utilizam o programa Filosofia para Crianças, do filósofo e educador americano Matthew Lipman. Por aqui, o professor Sérgio Asardi acredita que podemos nos inspirar nos modelos externos, mas precisamos construir nossa maneira de ensinar a filosofia. Só assim conseguiremos filosofar mais entre amigos - no botequim e fora dele.

 

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