"Você vai pra escola? Assim, depois de velha?" Foi o que Rosa Maria de Andrade, 47 anos, dona de casa em Blumenau, SC, ouviu dos amigos e parentes quando contou sobre o seu retorno às salas de aula, aos 43 anos. O convite tinha partido de Marco Antônio, seu filho caçula. O maior desafio de Rosa foi estudar na mesma sala que a de Marco, ao lado de outros jovens de 15 anos. Realmente parecia loucura, mas o sonho do diploma venceu o medo. "Eu quero ser formada", pensou a dona de casa, que, em janeiro de 2005, tornou-se a aluna tia Rosa.
Não poder estudar
Quando tinha 14 anos, ao completar o oitavo ano de estudo, seu pai a proibiu de continuar a estudar. Ele dizia que sua filha não iria estudar à noite. Na época, só o colegial era nesse período. Rosa ficou muito triste, pois sonhava em ser professora. Mas fazer o quê? Seguiu a vida.
Casou-se aos 17 anos e aos 21 já era mãe de dois filhos. Aos 28 teve Marco Antônio. Na educação que deu aos filhos, a escola sempre esteve em primeiro lugar. A regra era: ir para a aula, tirar boas notas e ser um aluno dedicado. “O meu sonho sempre foi vê-los com profissão e o diploma na parede”, diz Rosa sobre os três filhos que seguiram esse caminho.
Aulas de reforço aos fins de semana
Em seu retorno aos estudos, no primeiro dia de aula, Rosa entrou na sala sob olhares de jovens curiosos. Segundo ela, até os professores estranharam uma aluna tão grandinha sentada na primeira carteira. Alguns deles já tinham sido seus professores antes, pois a dona de casa já tinha estudado naquela mesma escola quando criança. Seria estranho voltar para a escola depois de adulta. "Confesso que senti um frio na barriga, mas, ufa, deu tão certo! Fui acolhida por todos os amiguinhos do Marco Antônio, sem exceção". Aliás, o apoio de seu filho foi o mais importante. E ele enchia a boca para apresentar Rosa como sua mãe.
Ela teve que se esforçar em dobro para acompanhar o ritmo da garotada. Disciplinas como biologia, informática e inglês eram novidade e deram trabalho. Por isso, a aluna mais velha da turma fez aulas de reforço com o filho aos fins de semana. O marido de Rosa participou de sua aprendizagem indo às reuniões de pais e mestres, e recebendo os boletins da esposa. "E ai de mim se cogitasse faltar na aula! Ele puxava a minha orelha, acredita?".
• Formada e homenageada!
Todo esforço de Rosa foi recompensado na formatura, em janeiro de 2009. Na hora em que recebeu o diploma, os 60 jovens formandos levantaram e gritaram: "Tia Rosa, tia Rosa". "Imagina a minha emoção! Chorei, chorei, chorei!". A grande aluna também foi homenageada por uma professora: "A tia Rosa é a prova de que nunca é tarde para lutarmos pelos nossos sonhos. Temos orgulho de tê-la como nossa aluna". "Lindo, né?", diz a aluna que se emociona só de lembrar desse dia.
"Sou uma nova tia Rosa depois do diploma", conta a recém formada, que antes parecia viver numa caixinha de fósforos e agora tem um mundo de possibilidades. Desde então, Rosa dá aulas de catequese para jovens e começou um curso de teologia. Ela também pretende fazer faculdade de Pedagogia, e sabe que consegue.
O incentivador
"Fiquei ansioso com a entrada da minha mãe na escola, mas sabia que ela daria conta do recado. Dito e feito: ela conquistou a turma toda. Aprendemos a separar os papéis: em casa, mãe e filho, na escola, companheiros. Ela levou bem o acordo até eu me envolver com uma menina. Aí mostrou o seu lado de mãe protetora e ficou enciumada. Mas só no começo".
"Ajudei em tudo que pude, mas o diploma é resultado só do esforço dela. Tenho muito orgulho da minha mãe. Ela vai longe!"
Marco Antônio, 19 anos, filho da tia Rosa
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