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CULTURA

10 dicas para o Carnaval não atrapalhar as aulas de seu filho

Para além dos bailes na escola, o Carnaval ocupa a salas de aula e mostra que a cultura popular pode - e deve - estar no conteúdo curricular do seu filho


17/02/2014 11:13
Texto Mariana Queen
Educar
Foto: Claudia Marianno
Muitos colégios aproveitam a data para abordar o folclore, a música, as artes plásticas e toda a produção cultural do carnaval

Carnaval é uma delícia. Mas não pode atrapalhar a aprendizagem do seu filho. Se a escola substituir as aulas por uma festa, você tem o direito de reclamar. Ou pior: se a escola simplesmente cancelar as aulas, você não só pode como deve reclamar. Os 200 dias letivos a que seu filho tem direito não podem ser trocados apenas por um "oba-oba". 

"Estávamos cansados de ver as crianças simplesmente pulando no salão", diz Rosana Gomes de Faria Mello, coordenadora de eventos do Colégio Nossa Senhora da Ressureição, em São Paulo . Ela conta que, abordando o Carnaval de forma divertida e educativa ao mesmo tempo, conseguiu reduzir - e muito! - as faltas no período. "Hoje os alunos praticamente não faltam mais na sexta-feira que antecede o feriadão", afirma.

Em muitas escolas, a festa é conteúdo para as aulas, e, ao invés de ser apenas um momento de descontração para os alunos (ou um pretexo para "matar aula"), mostra que é possível aprender brincando, dançando e cantando. "O Carnaval é um conteúdo de aprendizagem como qualquer outro, faz parte do currículo. Não trocamos um conteúdo por outro", diz Maria Andrade Antonieta Giovedi, diretora da Educação Infantil do Colégio Oswald Andrade, em São Paulo.   

Samba, bateria, desfiles, marchinhas, maracatus, sambas de roda, afoxés, frevo, entrudo, blocos de rua. Essas são algumas das manifestações da cultura popular brasileira que encontram no período do Carnaval o espaço certo para ocupar as salas de aula. Associadas ao conteúdo escolar, essas atividades mostram para os alunos valores culturais e históricos do Brasil que vão muito além do Carnaval mostrado na TV.

Para além das fantasias e máscaras solicitadas pelas instituições de ensino, será que o valor simbólico do Carnaval é realmente percebido e transmitido para o seu filho? Pensando nos temas culturais que envolvem o carnaval no Brasil, faz parte da aprendizagem escolar desmistificar lendas associadas ao Carnaval e matar a curiosidade dos alunos com relação aos seus símbolos culturais e históricos. Mas como fazer com que a comemoração do Carnaval não comprometa a aprendizagem dos alunos? Leia abaixo algumas dicas para transformar o Carnaval em conteúdo educativo de verdade, e não apenas em uma festa sem siginificado.

 

Para ler, clique nos itens abaixo:
Abordar os aspectos históricos do Carnaval
O Carnaval diz muito sobre a história do Brasil e da antiga sociedade europeia. Segundo algumas correntes, o Carnaval teria como marco inicial os cultos agrários de povos antigos como os egípcios, persas, fenícios e gregos. As comemorações marcavam o início da primavera, quando os povos dançavam ao redor de fogueiras, usando máscaras e adereços para a garantia de uma boa colheita. A festa só surgiu como verdadeira prática pagã (sem crença religiosa) no Império Romano. Depois, foi incorporada ao calendário católico pela Igreja e chegou ao Brasil junto à colônia portuguesa. Aqui a comemoração foi encorpada pelas manifestações culturais dos negros escravos, a grande massa popular no Brasil do século 19. Todo esse conteúdo histórico pode ser transmitido em aula para os alunos.
Ensinar o conteúdo de forma lúdica
Atividades relacionadas à expressão corporal, como danças e manifestações culturais, e trabalhos de leitura histórica e literária são alguns exemplos de possíveis conteúdos para estudo e pesquisa. "Misturar a história ao lúdico fantasioso é um exercício possível", diz Rosangela Francischini, coordenadora do Núcleo de Estudos Sócio-Culturais da Infância e Adolescência da Universidade de Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). "O Carnaval permite que as crianças aprendam de forma lúdica", completa.
Passar noções de coletividade
Adriana Freyberger, doutora em Educação pela USP, conta que a maioria das atividades propostas nas escolas no período do Carnaval têm como desafio desenvolver nas crianças percepções de coletividade. Para ela, é possível transformar os espaços de ensino tradicional em ambientes livres, com jogos corporais e espaços para a imaginação. "É possível transformar os espaços do parque, das salas e as áreas livres em espaços de jogos e brincadeiras, subvertendo seus usos e transformando a Educação séria na educação do riso, da alegria e do prazer em aprender", diz.
Envolver a família nas atividades
O período do Carnaval é bastante propício para promover uma maior aproximação da escola e da família. Os professores podem propor parcerias simples, como uma pesquisa em família sobre a comemoração ou uma lição de casa criativa para as crianças. Na Te Arte Criatividade Infantil, as professoras incentivam os adultos a contarem aos pequenos as histórias do Carnaval de suas épocas.

Nas escolas em que a festa de Carnaval é levada para as ruas (vale a calçada em frente à instituição de ensino ou mesmo o estacionamento), a interação com os pais e com a comunidade do entorno se torna mais fácil. Porém Rosangela Francischini, coordenadora do Núcleo de Estudos Sócio-Culturais da Infância e Adolescência da Universidade de Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), lembra que "as atividades pedagógicas são de responsabilidade dos professores e os pais são apenas convidados".
Tratar de diferenças culturais
Um tema interessante para ser tratado nesse período sãos as diferenças culturais. Existe Carnaval em outros países? Como é a festa ao redor do mundo? Na creche da USP, as diferentes nacionalidades dos pais (alunos, funcionários e professores da universidade) contribuem para boas histórias. Lá os alunos ficam sabendo como são as comemorações em diferentes países, tudo graças à participação dos pais dos alunos.
Falar de religião de uma maneira diferente
A história do Carnaval como conhecemos hoje está relacionada à história do cristianismo. A festa antecede a quaresma, que é um período de 40 dias de sacrifício dentro do calendário judaico-cristão. Porém, no Brasil, a comemoração ganhou contornos diferentes, relacionando-se às culturas populares indígenas e africanas desde a época do Império (século 19).

A coordenadora de Estudos Sócio-Culturais da Infância e Adolescência da UFRN, Rosangela Francischini, destaca que a festa é ligada ao calendário religioso, mas tem caráter profano. Esse vínculo com a religião permite uma abordagem do catolicismo e de suas influências no Brasil. "O Carnaval atual tem relação com o passado, quando a Igreja Católica teve a necessidade de converter as manifestações pagãs realizadas no Império Romano. É importante mostrar essa virada da sociedade", diz Duarte Magalhães Barbalho, mestre em Educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora e professor de História no Coluni (Escola de Aplicação da Universidade Estadual de Viçosa), em Minas Gerais.

Outras religiões também podem ser abordadas quando se fala de Carnaval. Na Creche\Pré-escola Central Coseas (Coordenadoria de Assistência Social e Saúde) USP, a professora Cris Mara Corrêa costuma apresentar diversos ritmos aos seus alunos durante o carnaval. Ela afirma que consegue trabalhar com músicas de candomblé, por exemplo. "Não é uma adoração aos cultos, só estou dizendo a eles [alunos] que existe esta e aquela manifestação cultural. As crianças precisam ter referências. Eu estou falando para elas o que existe no mundo, e não como elas devem pensar", conta.
Explorar o folclore regional
No período que antecede a festa, além do caráter pedagógico de se ensinar para os alunos o valor da diversidade cultural brasileira, o Carnaval permite a exploração do folclore regional do país. Mencionar a existência de manifestações como o maracatu, o frevo, o bumba-meu-boi, o samba de roda e a festa de Parintins no Amazonas é proporcionar aos estudantes uma viagem por diversos "Brasis". Rosana Gomes de Faria Mello, coordenadora de eventos do Colégio Nossa Senhora da Ressurreição, em São Paulo, conta que a cada ano a escola aborda o carnaval de um Estado brasileiro. Em 2011, é a vez de os alunos falarem sobre a festa de carnaval de Parintins, no Amazonas, a partir do tema "[Boi] Caprichoso versus [Boi] Garantido". "Encontramos um tema para estimular a pesquisa e transmitir a história da Amazônia para os alunos. Vamos tirar proveito da pesquisa pedagogicamente, num trabalho multidisciplinar", conta a coordenadora.

Na Escola de Aplicação da Universidade Estadual de Viçosa, o professor Duarte Guimarães diz que também já conseguiu trabalhar com seus alunos manifestações como o maracatu, frevo e afoxé no período de carnaval. "Teve até uma turma que pesquisou e apresentou a dança e a música do afoxé Filhos de Gandhi [grupo tradicional da Bahia]", conta.
Trabalhar gêneros e sexualidade
A partir do caráter lúdico das fantasias, até mesmo questões de gênero podem ser tratadas com os estudantes. Afinal, a divertida brincadeira de se fantasiar do outro sexo (menino como menina e vice-versa) pode gerar debates interessantes sobre o papel e comportamento social do sexo alheio, como sugere o professor Duarte Guimarães, Escola de Aplicação da Universidade Estadual de Viçosa: "O Carnaval é a festa em que o invertido é permitido, ninguém censura. Na nossa escola, os alunos se fantasiam e invertem os papeis sem nenhum tipo de caricatura que ofenda. Eu trabalho a questão de gênero e o combate à homofobia em atividades lúdicas carnavalescas", conta.
Valorizar a música brasileira
Chiquinha Gonzaga, Braguinha (também conhecido como João de Barro), Ary Barroso, Noel Rosa, Lamartine Babo e Irmãos Valença são alguns dos mais importantes compositores populares do Brasil do século 20. O Carnaval é um bom período para apresentar artistas como esses às crianças. Um intercâmbio entre a época dos pais e dos filhos pode ser conseguido a partir da apresentação de compositores populares brasileiros nas aulas. "Uma vez, uma aluna minha, de 2 anos, disse para a mãe 'eu gosto de Babo'. A mãe entendeu só depois que a filha estava falando de Lamartine Babo. Mãe e filha passaram um mês ouvindo Lamartine Babo no carro, na volta da escola", conta Cris Mara Corrêa, professora de dança da Creche\Pré-escola Central Coseas (Coordenadoria de Assistência Social e Saúde) USP, que costuma mostrar marchinhas para os seus alunos, sempre passando referências sobre seus autores.
Incentivar a abordagem interdisciplinar
Não é só história, religião ou música que podem ser abordados no carnaval. No Colégio Renovação, em São Paulo, a questão mercadológica e social do Carnaval é abordada em aulas de matemática e filosofia. "Nas aulas de matemática, já trabalhamos com cálculos usando os gastos de escolas de samba. Existe toda uma indústria por trás do carnaval que poucas pessoas abordam. Há uns cinco anos já fazemos um projeto grande falando disso", conta a vice-diretora Claudia Barattela.

Na Educação Infantil, além de trabalhos de colagem com elementos típicos do Carnaval (purpurina, serpentina, confete), vale explorar a transformação do espaço para alimentar a imaginação e a criatividade das crianças. Doutora em Educação pela USP, Adriana Freyberger indica a montagem de cenários nas áreas de parquinho junto com as crianças. Vale criar cantos, cabanas e, se possível, algumas salas temáticas, com espumas para brincadeiras corporais e jogos que estimulem o movimento. Como conteúdo das aulas, as marchinhas podem ser utilizadas no processo de alfabetização dos pequenos. Também é possível ensinar e aprender literatura tendo como pano de fundo o Carnaval. Os momentos de estudos literários podem ser transformados em aulas de estudo do gênero textual "marchinhas de carnaval".

 

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