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ENSINO SUPERIOR

Como avaliar um curso superior?

Especialistas dão dicas para definir qual, entre as muitas faculdades que existem, vale a pena cursar


Manequim

17/11/2006 19:13

Texto
Kátia Calsavara

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Foto: Para evitar muita tecnologia e pouco conteúdo, a dica é prestar atenção no corpo docente

Para evitar muita tecnologia e pouco conteúdo, a dica é prestar atenção no corpo docente

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De­pois de pas­sar pe­lo pro­ces­so de es­co­lha da car­rei­ra, é pre­ci­so de­fi­nir ­qual a me­lhor fa­cul­da­de. Não fal­tam ofer­tas de cur­sos, com os pre­ços ­mais va­ria­dos. Alguns têm qua­li­da­de du­vi­do­sa. Por is­so, desa­vi­sa­dos cor­rem o ris­co de gas­tar seu di­nhei­ro – e al­guns ­anos de ­sua vi­da – em instituições pouco res­­pei­ta­das no mer­ca­do de tra­ba­lho. O pro­fes­sor Fer­nan­do Jo­sé de Al­mei­da, da ­área de pós-gradua­ção em edu­ca­ção da PUC, acre­di­ta que o me­lhor não é es­co­lher a fa­cul­da­de pe­la pro­fis­são, e sim pe­lo ti­po de for­ma­ção que ela po­de proporcionar. “Ana­li­se se a es­co­la pos­sui pro­du­­ção cien­tí­fi­ca, se par­ti­ci­pa ati­va­men­te da his­tó­ria do ­país, se tem pro­fes­so­res de for­ma­ção con­sis­ten­te”, diz Al­mei­da.

Visitar as fa­cul­da­des e ver o mu­ral, ­saber quais são as dis­ci­pli­nas, as ati­vi­da­des e ­quem são os profes­so­res também é fundamental. “Principalmente, con­ver­se com ­quem já fez”, aconselha Al­mei­da. Para o coor­de­na­dor do cur­si­nho Eta­pa, Car­los Eduar­do Bin­di, ou­tro fa­tor im­por­tan­te é sa­ber se a institui­ção fa­ci­li­ta a vi­da do alu­no. “Fu­ja de cur­sos que dei­xam a vi­da do es­tu­dan­te mui­to sim­ples. ­Eles cos­tu­mam ofe­re­cer uma for­ma­ção de bai­xa qualida­de e não pre­pa­ram pa­ra o mer­ca­do de tra­ba­lho. Quem ba­ta­lha ­mais du­ran­te a gra­dua­ção e tem seu de­sem­pe­nho bem ava­lia­do, em ge­ral, sai mais bem pre­pa­ra­do e com ­mais con­di­ções pa­ra en­fren­tar a vi­da pro­fis­sio­nal”, diz Bin­di.

Pa­ra a pro­fes­so­ra do de­par­ta­men­to de psi­co­lo­gia da USP, Yvet­te Pi­ha, não há fa­cul­da­de boa ou ­ruim. “Exis­tem alu­nos que en­tram na me­lhor faculdade da ­área e não apro­vei­tam o cur­so”, diz. Ou se­ja, quem faz a fa­cul­da­de é o alu­no, com seu em­pe­nho, in­do ­atrás de ­seus in­te­res­ses. “A se­le­ção acontece nas au­las, nos primeiros anos. Se o alu­no não acom­pa­nha o an­da­men­to das ma­té­rias e vai mal nas pro­vas, lo­go de­sis­te. O auto-gerenciamen­to den­tro de uma fa­cul­da­de é o que ­mais im­por­ta”, diz. Ela afir­ma ain­da que não se deve es­co­lher o cur­so ape­nas pela in­fra-es­tru­tu­ra: “Há lugares em que os alu­nos só as­sis­tem às au­las com ­seus lap­tops, pa­gam as ­mais al­tas men­sa­li­da­des e por is­so ­acham que es­tão fa­zen­do o me­lhor curso”.

Pa­ra evi­tar mui­ta tec­no­lo­gia e pou­co con­teú­do, a di­ca é pres­tar aten­ção no cor­po do­cen­te. Per­gun­te se os professores pos­suem mes­tra­do ou doutora­do. E, an­tes de tu­do, ve­ri­fi­que se a ins­ti­tui­ção é cre­den­cia­da pe­lo MEC. “Con­fi­ra as úl­ti­mas no­tas que a fa­cul­da­de ob­te­ve no pro­vão”, acon­se­lha Naér­cio Mene­zes, pro­fes­sor do de­par­ta­men­to de eco­no­mia da FEA-USP, que in­di­ca aos alu­nos en­trar no si­te do Instituto Na­cional de Es­­tudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) so­bre ava­lia­ção do en­si­no su­pe­rior (www.edu­ca­cao ­su­pe­rior.­inep.gov.br). “Vi­si­tar o si­te das faculdades tam­­­bém aju­da. Ali de­vem cons­tar in­for­ma­ções so­bre as no­tas ob­ti­das nas úl­ti­mas ava­lia­ções e tam­bém so­bre a in­fra-estru­tu­ra ofe­re­ci­da, co­mo bi­blio­te­cas, la­bo­ra­tó­rios, com­pu­ta­do­res”, diz o coor­de­na­dor do cur­si­nho Anglo, Al­ber­to Francisco do Nas­ci­men­to.

Evi­te, ain­da, ­guiar-se ape­nas pe­las fa­cul­da­des e cur­sos que es­tão “na mo­da”. “A de­ci­são de­ve ser basea­da nas ap­ti­dões e não na cons­ta­ta­ção de que um da­do cur­so tem no­ta de cor­te me­nor, é ­mais ‘ba­da­la­do’ ou ga­ran­te em­pre­go”, diz o antropólogo Mar­co A. Oli­vei­ra, diretor da OBI Consultores & Editores. Oli­vei­ra res­sal­ta que a pro­mes­sa de se­gu­ran­ça ou de uma ocu­pa­ção ren­tá­vel não de­ve nortear a es­co­lha da fa­cul­da­de por­que não há como ter cer­te­za do ti­po de ocu­pa­ção que se te­rá no futu­ro. 


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