Depois de passar pelo processo de escolha da carreira, é preciso definir qual a melhor faculdade. Não faltam ofertas de cursos, com os preços mais variados. Alguns têm qualidade duvidosa. Por isso, desavisados correm o risco de gastar seu dinheiro – e alguns anos de sua vida – em instituições pouco respeitadas no mercado de trabalho. O professor Fernando José de Almeida, da área de pós-graduação em educação da PUC, acredita que o melhor não é escolher a faculdade pela profissão, e sim pelo tipo de formação que ela pode proporcionar. “Analise se a escola possui produção científica, se participa ativamente da história do país, se tem professores de formação consistente”, diz Almeida.
Visitar as faculdades e ver o mural, saber quais são as disciplinas, as atividades e quem são os professores também é fundamental. “Principalmente, converse com quem já fez”, aconselha Almeida. Para o coordenador do cursinho Etapa, Carlos Eduardo Bindi, outro fator importante é saber se a instituição facilita a vida do aluno. “Fuja de cursos que deixam a vida do estudante muito simples. Eles costumam oferecer uma formação de baixa qualidade e não preparam para o mercado de trabalho. Quem batalha mais durante a graduação e tem seu desempenho bem avaliado, em geral, sai mais bem preparado e com mais condições para enfrentar a vida profissional”, diz Bindi.
Para a professora do departamento de psicologia da USP, Yvette Piha, não há faculdade boa ou ruim. “Existem alunos que entram na melhor faculdade da área e não aproveitam o curso”, diz. Ou seja, quem faz a faculdade é o aluno, com seu empenho, indo atrás de seus interesses. “A seleção acontece nas aulas, nos primeiros anos. Se o aluno não acompanha o andamento das matérias e vai mal nas provas, logo desiste. O auto-gerenciamento dentro de uma faculdade é o que mais importa”, diz. Ela afirma ainda que não se deve escolher o curso apenas pela infra-estrutura: “Há lugares em que os alunos só assistem às aulas com seus laptops, pagam as mais altas mensalidades e por isso acham que estão fazendo o melhor curso”.
Para evitar muita tecnologia e pouco conteúdo, a dica é prestar atenção no corpo docente. Pergunte se os professores possuem mestrado ou doutorado. E, antes de tudo, verifique se a instituição é credenciada pelo MEC. “Confira as últimas notas que a faculdade obteve no provão”, aconselha Naércio Menezes, professor do departamento de economia da FEA-USP, que indica aos alunos entrar no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) sobre avaliação do ensino superior (www.educacao superior.inep.gov.br). “Visitar o site das faculdades também ajuda. Ali devem constar informações sobre as notas obtidas nas últimas avaliações e também sobre a infra-estrutura oferecida, como bibliotecas, laboratórios, computadores”, diz o coordenador do cursinho Anglo, Alberto Francisco do Nascimento.
Evite, ainda, guiar-se apenas pelas faculdades e cursos que estão “na moda”. “A decisão deve ser baseada nas aptidões e não na constatação de que um dado curso tem nota de corte menor, é mais ‘badalado’ ou garante emprego”, diz o antropólogo Marco A. Oliveira, diretor da OBI Consultores & Editores. Oliveira ressalta que a promessa de segurança ou de uma ocupação rentável não deve nortear a escolha da faculdade porque não há como ter certeza do tipo de ocupação que se terá no futuro.
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