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APROVEITAMENTO ESCOLAR

E depois da aula?

Desenho, música, futebol, inglês... Defina, junto com seu filho, o que é mais apropriado para fazer fora do horário do colégio


Manequim

10/10/2008 14:55

Texto
Suzana Dias

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Foto: Os pais devem res­pei­tar as neces­si­da­des e von­ta­des indi­vi­duais

Os pais devem res­pei­tar as neces­si­da­des e von­ta­des indi­vi­duais

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Seu filho quer ­entrar para a esco­li­nha de fute­bol, mas você acha muito ­melhor colocá-lo na nata­ção? Sua filha anda louca para fazer tea­tro e você acre­dita que aulas de dese­nho ­seriam mais apro­pria­das? ­Quando se trata de preen­cher os horá­rios fora da ­escola com ati­vi­da­des, mui­tos pais ficam na ­dúvida sobre o que ofe­re­cer e ­quanto ocu­par das horas vagas da garo­tada. A ver­dade é que, na esco­lha de um ou mais cur­sos, não ­existe regra fixa. O único man­da­mento a que os pais devem obe­de­cer na hora de matri­cu­lar o filho é jus­ta­mente não se pren­der a ­nenhum padrão, res­pei­tando, na ­medida do pos­sí­vel, as neces­si­da­des e von­ta­des indi­vi­duais. “O ­adulto deve apre­sen­tar um leque de ­opções e dei­xar que a ­criança mani­feste suas pre­fe­rên­cias”, diz ­Rebeca Les­cher ­Nogueira de Oli­veira, psi­co­pe­da­goga da Col­méia, ins­ti­tui­ção que ofe­rece diver­sos cur­sos. Opi­nião seme­lhante tem outra espe­cia­lista em desen­vol­vi­mento infan­til, a peda­goga e psi­co­pe­da­goga Vânia Car­va­lho Bueno de Souza, da Clí­nica de Diag­nós­tico em Apren­di­za­gem. “Pri­meiro, é pre­ciso pen­sar nas carac­te­rís­ti­cas ­daquela pes­soa, no per­fil da ­criança. ­Depois, levar em conta que, na ­escola, o aluno já tem ­acesso a ati­vi­da­des físi­cas e artís­ti­cas, e ava­liar se não o ­estará sobre­car­re­gando.”

A fonoau­dió­loga e psi­có­loga Diná Hubig é mãe de Caro­lina e Júlia, ambas com 13 anos. Desde que as ­filhas eram peque­nas, ela per­ce­beu que ­tinham neces­si­da­des bem dife­ren­tes. “A Caro­lina sem­pre foi agi­tada, pre­cisa gas­tar ener­gia e desen­vol­veu um bom ­ouvido musi­cal, por isso pra­tica espor­tes de qua­dra e toca bate­ria”, conta. “Em com­pen­sa­ção, a Júlia gosta de dese­nhar e tem um traço muito ­bonito, então ­estuda dese­nho. Tam­bém faz aulas de piano, que ela mesma esco­lheu”, diz Diná. A única ati­vi­dade que as duas meni­nas já tive­ram em comum foi nata­ção, ­esporte que se dis­pu­se­ram a fazer.

 

Sem exageros

Se crian­ças têm suas par­ti­cu­la­ri­da­des, cada uma tam­bém tem o seu ­momento. Há fases em que ficar em casa pode ser mais sau­dá­vel do que cum­prir uma ­agenda lotada de com­pro­mis­sos. Isso ­ocorre, por exem­plo, ­quando o ren­di­mento esco­lar está aquém do espe­rado, o que pode ser sinal de ­estresse. Os pais pre­ci­sam ficar aten­tos para per­ce­ber ­quando puxar o freio. “Exis­tem crian­ças que não dão conta de mui­tas ati­vi­da­des e se tor­nam indi­ví­duos estres­sa­dos, que aca­bam pre­ci­sando de tra­ta­mento”, ­explica Vânia. ­Alguns sin­to­mas de ­estresse são ­fadiga exa­ge­rada, desâ­nimo, choro e sono ­durante o dia. “Já ­atendi meni­nos e meni­nas para os quais meu diag­nós­tico foi sim­ples­mente parar, ficar em casa. Se você ultra­pas­sar os limi­tes da ­criança, as ati­vi­da­des viram uma sobre­carga e per­dem o seu pro­pó­sito”, diz a psi­co­pe­da­goga ­Rebeca.

Outro cui­dado que os adul­tos pre­ci­sam ter é evi­tar a super­va­lo­ri­za­ção da área esco­lhida pelo filho. Caso um ­garoto leve jeito para ­música e ­decida apren­der vio­lão, isso não sig­ni­fica que tenha de virar um Chico Buar­que. “Não pode­mos defi­nir coi­sas que ainda não estão defi­ni­das”, opina Maria Lúcia Cruz Suzi­gan, peda­goga e orien­ta­dora musi­cal. Da mesma forma, os pais devem ficar aten­tos para não ­tolher o ­talento da ­criança para deter­mi­nada prá­tica por supor que ela não tem pen­dor. “A gente não pode dis­cri­mi­nar nin­guém. A apren­di­za­gem da ­música na infân­cia, por exem­plo, não tem res­tri­ções. É como apren­der a ler e escre­ver: todo mundo deve ter ­acesso, ape­sar de ape­nas ­alguns se tor­na­rem jor­na­lis­tas, escri­to­res ou poe­tas”, com­para Maria Lúcia.


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