Seu filho quer entrar para a escolinha de futebol, mas você acha muito melhor colocá-lo na natação? Sua filha anda louca para fazer teatro e você acredita que aulas de desenho seriam mais apropriadas? Quando se trata de preencher os horários fora da escola com atividades, muitos pais ficam na dúvida sobre o que oferecer e quanto ocupar das horas vagas da garotada. A verdade é que, na escolha de um ou mais cursos, não existe regra fixa. O único mandamento a que os pais devem obedecer na hora de matricular o filho é justamente não se prender a nenhum padrão, respeitando, na medida do possível, as necessidades e vontades individuais. “O adulto deve apresentar um leque de opções e deixar que a criança manifeste suas preferências”, diz Rebeca Lescher Nogueira de Oliveira, psicopedagoga da Colméia, instituição que oferece diversos cursos. Opinião semelhante tem outra especialista em desenvolvimento infantil, a pedagoga e psicopedagoga Vânia Carvalho Bueno de Souza, da Clínica de Diagnóstico em Aprendizagem. “Primeiro, é preciso pensar nas características daquela pessoa, no perfil da criança. Depois, levar em conta que, na escola, o aluno já tem acesso a atividades físicas e artísticas, e avaliar se não o estará sobrecarregando.”
A fonoaudióloga e psicóloga Diná Hubig é mãe de Carolina e Júlia, ambas com 13 anos. Desde que as filhas eram pequenas, ela percebeu que tinham necessidades bem diferentes. “A Carolina sempre foi agitada, precisa gastar energia e desenvolveu um bom ouvido musical, por isso pratica esportes de quadra e toca bateria”, conta. “Em compensação, a Júlia gosta de desenhar e tem um traço muito bonito, então estuda desenho. Também faz aulas de piano, que ela mesma escolheu”, diz Diná. A única atividade que as duas meninas já tiveram em comum foi natação, esporte que se dispuseram a fazer.
Se crianças têm suas particularidades, cada uma também tem o seu momento. Há fases em que ficar em casa pode ser mais saudável do que cumprir uma agenda lotada de compromissos. Isso ocorre, por exemplo, quando o rendimento escolar está aquém do esperado, o que pode ser sinal de estresse. Os pais precisam ficar atentos para perceber quando puxar o freio. “Existem crianças que não dão conta de muitas atividades e se tornam indivíduos estressados, que acabam precisando de tratamento”, explica Vânia. Alguns sintomas de estresse são fadiga exagerada, desânimo, choro e sono durante o dia. “Já atendi meninos e meninas para os quais meu diagnóstico foi simplesmente parar, ficar em casa. Se você ultrapassar os limites da criança, as atividades viram uma sobrecarga e perdem o seu propósito”, diz a psicopedagoga Rebeca.
Outro cuidado que os adultos precisam ter é evitar a supervalorização da área escolhida pelo filho. Caso um garoto leve jeito para música e decida aprender violão, isso não significa que tenha de virar um Chico Buarque. “Não podemos definir coisas que ainda não estão definidas”, opina Maria Lúcia Cruz Suzigan, pedagoga e orientadora musical. Da mesma forma, os pais devem ficar atentos para não tolher o talento da criança para determinada prática por supor que ela não tem pendor. “A gente não pode discriminar ninguém. A aprendizagem da música na infância, por exemplo, não tem restrições. É como aprender a ler e escrever: todo mundo deve ter acesso, apesar de apenas alguns se tornarem jornalistas, escritores ou poetas”, compara Maria Lúcia.
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