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HISTÓRIA

Educação no Brasil Colônia

10 coisas que você provavelmente não sabia sobre a Educação no Brasil-Colônia


08/06/2009 15:32
Texto Bruna Nicolielo
Educar
Foto: Wikimedia Commons
Foto: Brasil
No Brasil Colonial até as brincadeiras entravam para o currículo dos pessoas
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A história da Educação brasileira, ou pelo menos, da Educação Brasileira pós-descobrimento, começa com a chegada dos primeiros jesuítas, em 1549. Estes religiosos da Companhia de Jesus chegam ao Brasil com o objetivo de converter os índios ao cristianismo. São peças fundamentais no processo de aculturação imposto por Portugal na colonização do Brasil. E, no ensejo de propagar a fé católica, de quebra, ensinam aos nativos saberes básicos, como ler e contar. "Entender a lógica da cultura indígena era fundamental para o sucesso do projeto de aculturação que os jesuítas encabeçavam", explica Maria Lucia Hilsdorf, professora e pesquisadora do Departamento de Filosofia da Educação da USP. 

Nesta reportagem, selecionamos 10 fatos curiosos sobre a Educação no período colonial.

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Os indiozinhos aprendiam com o pajé
Antes dos jesuítas, os pequenos indiozinhos - principalmente os tupis-guaranis - eram instruídos pelos adultos de suas aldeias. Em algumas tribos, o pajé era responsável pela transmissão de valores culturais.
2. Os idiomas nativos eram a principal barreira no ensino
Ofayé, mequém, karapanã...Já ouviu falar? A lista de línguas indígenas vai muito além do tupi-guarani e era a primeira barreira na conversão dos índios, junto com os costumes da gente local. Por isso, os jesuítas passaram a morar em aldeias indígenas. Foi o jeito que eles encontraram de entender como realmente funcionavam a vida e as tradições dos índios.
3. As escolas não tinham nada a ver com as que conhecemos
Nas aldeias, os jesuítas ergueram as chamadas casas de meninos, espaço onde crianças e jovens índios aprendem português ou espanhol -- também havia jesuítas espanhóis em terra brasilis. Esses ambientes podem ser considerados as primeiras escolas do país. Nada parecido com o conceito contemporâneo de escola. Era uma escola muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Ou quase isso. Um grupo de 4 ou 5 alunos se reunia em torno de um professor em precárias construções de taipa. "No século XVI, não existe escola como conhecemos hoje, com prédio, espaço físico", diz a historiadora Diana Vidal, coordenadora do NIEPHE (Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em História da Educação), ligado à USP.
4. Brincadeiras entravam no currículo
Nas casas de meninos, os índios aprendiam profissões e operações mentais básicas como contar. Meninas aprendiam a tear. Atividades lúdicas como o teatro e o canto eram usadas para catequizar crianças e adolescentes e de quebra, para ensinar. Assim, os jesuítas conseguiam entreter as crianças. Já os adolescentes se aborreciam rápido e davam no pé.
5. O nomadismo dos índios era um empecilho
Além da língua, outro aspecto da cultura indígena atrapalhava a regularidade do projeto de educação dos jesuítas: o nomadismo. "Era comum que os jesuítas saíssem para uma viagem e ao voltar, constatavam que os índios tinham se mudado, sem deixar qualquer vestígio", afirma Maria Lucia Hilsdorf. As índias também não davam trégua. "Levavam crianças menores para o interior da mata, a fim de tirá-las da influência dos jesuítas".
6. Os primeiros colégios do Brasil eram jesuítas
Apesar dos tropeços, a Educação dos índios seguia. E começava a ficar cada vez mais cara. Era preciso vesti-los, alimentá-los e comprar remédios. "Sem dinheiro, os jesuítas tiveram de assumir a Educação dos brancos também" explica Diana Vidal. A proposta partiu da Coroa Portuguesa, que responsabilizou os jesuítas pela criação dos colégios. O primeiro foi criado na Bahia, em 1564. Depois, em 1585, Olinda e Rio de Janeiro ganham seus colégios. Esses colégios, mais estruturados que as escolas de meninos eram internos e recebiam órfãos portugueses e filhos da elite colonial. "É possível que um ou outro índio também conseguisse estudar em um deles", diz Maria Lucia Hisdorf. Tudo dependia de dedicação e interesse, já que não era preciso pagar mensalidades.
7. Faculdade, só na Europa
Depois de até 11 anos de estudo, os estudantes podiam cursar a universidade - mas em Portugal, o pá, porque ainda não existiam escolas de ensino superior no Brasil. Poucos alunos faziam isso, já que estudando no colégio os alunos aprendiam a ler, o que era suficiente para sua atuação em sociedade no século XVI.
8. As salas não eram separadas por idade
Nos colégios, ao contrário das casas de meninos, a idade não importava tanto. O que contava mesmo na divisão das salas era o conhecimento. Nos colégios, a pedagogia jesuítica se consolidou. O método? Repetição, memorização e provas periódicas. O aluno anotava a lição em seu caderno, enquanto o professor fazia seus apontamentos.
9. Professores eram raros
Apesar de mais organizadas, os colégios sofriam com problemas semelhantes aos das casas de meninos. Um exemplo: a falta de professores. Eles demoravam para chegar ao país, ou morriam em naufrágios a caminho da colônia. Outros desapareciam em um passeio (algumas tribos indígenas eram antropófagas, esqueceu?). A vida dos alunos não era bolinho. E a vida dos professores não ficava atrás.
10. O Padre Anchieta fez a primeira gramática brasileira
O padre Anchieta, um dos jesuítas mais conhecidos da época, relatou sua dura rotina em carta enviada à metrópole. Sua maior queixa era as poucas horas de sono, causadas pela preparação das tarefas do dia anterior. Em tempos de escrita à pena, ele precisava escrever, uma a uma, a cópia que cada aluno usaria na lição do dia seguinte. Além de dedicar-se à alfabetização dos filhos dos europeus e dos índios, o missionário ainda estudou com afinco a língua tupi e formulou a primeira gramática brasileira, a Artes de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil, impressa em 1595, em Coimbra, Portugal.

 

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