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SEGUNDO IDIOMA

To be or not to be?

Com o avanço da globalização, os colégios bilíngues do Rio de Janeiro se tornaram uma opção ainda mais interessante - mas não para todas as crianças


Veja Rio

08/12/2009 12:49

Texto
Patrick Moraes

Foto: Getty Images
Foto: escola

Segundo o diretor da Escola Alemã Corcovado, aprender dois idiomas ao mesmo tempo ajuda a desenvolver o cérebro

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Criadas originalmente para abrigar os filhos de estrangeiros, as escolas bilíngues se transformaram em objeto de desejo das famílias cariocas que podem pagar por elas. Não é difícil entender as razões de tal fascínio. Estudar numa instituição desse tipo traz, de fato, vantagens evidentes para a criança. Entre elas:

  • fluência em dois ou três idiomas,
  • currículo adequado para ingressar em universidades do exterior
  • rede de amigos espalhada pelo mundo.

Para quem busca uma educação globalizada, dificilmente há alternativa melhor. Estima-se que metade dos alunos formados nesses colégios deixe o Rio de Janeiro em busca de um diploma lá fora. Nem sempre, porém, é o melhor caminho. Tudo vai depender de algumas escolhas que serão feitas mais adiante, como a carreira e a decisão de sair ou não do país. Se a ideia dos pais é simplesmente proporcionar o domínio de uma língua estrangeira, existem maneiras mais baratas e com menos, digamos, efeitos colaterais. "Nosso objetivo não é o vestibular ou o Enem, e sim o Bac, o exame de ingresso nas universidades francesas", esclarece Jean Stephan, diretor do Liceu Molière. "Aqui vamos prepará-los de acordo com nossa cultura."

Celebrado como trunfo no mundo de hoje, o ensino predominante em língua estrangeira traz, por exemplo, algumas dificuldades para os alunos que desejam cursar uma faculdade no Brasil. No Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), apenas a Escola Alemã Corcovado e a Suíço-Brasileira costumam aparecer entre as vinte melhores da cidade. As outras se saem pior. No último teste realizado, a Escola Americana cravou apenas a 115ª posição entre os colégios cariocas. Tal desempenho provoca uma situação inusitada. Muitas vezes, o estudante é obrigado a fazer aulas de reforço para passar no vestibular. Isso se deve em grande parte à proposta das escolas. Desde o jardim de infância, as aulas em português são poucas, geralmente limitadas a matérias como geografia e história do Brasil. Em alguns estabelecimentos, nem elas são ministradas em português. Na Escola Britânica, todo o conteúdo é oferecido em inglês. "Estudos comprovam: aprender dois idiomas ao mesmo tempo ajuda a desenvolver o cérebro", defende o diretor brasileiro da Corcovado, Valdir Rasche.

Com duas meninas prestes a entrar em idade escolar, o empresário Fabiano Niederauer e a estilista Luciana Saiter vivem um dilema. "O contato com a cultura europeia, a disciplina rígida e os bons relacionamentos nos atraem", afirma Niederauer. "No entanto, é preciso levar em consideração o custo alto e a preparação para os vestibulares, não tão forte quanto poderia ser." O dinheiro é uma questão importante na equação. Matricular a criança em uma escola bilíngue exige um bom investimento. As mensalidades vão de 1 200 a 4 800 reais. Além disso, a maioria cobra o pagamento de uma taxa de admissão, camuflada sob o título de "despesas" ou "ingresso na associação de pais". O montante pode variar de 6 500 a 17 688 reais - o francês Liceu Molière, em Laranjeiras, é o único que não a cobra. "Nossa mão de obra é extremamente especializada", afirma Everardo Candido da Silva, diretor administrativo-financeiro da Escola Suíço-Brasileira. "Um terço de nossos professores vem da Suíça. Tem gente com salário de 10 000 reais."

Apesar das dúvidas, as escolas crescem de forma consistente. Hoje, o universo de matriculados já chega a 5 000 - e quase dois terços desse total são brasileiros. A expansão tem acontecido rapidamente. Na última década, a Escola Britânica somou à tradicional sede de Botafogo as filiais na Urca e na Barra da Tijuca. É a maior de todas, com 1 770 alunos. A Suíço-Brasileira também ganhou novo fôlego ao trocar, em 2005, uma inóspita construção em Santa Teresa, cercada de favelas, por um prédio novo na Barra: passou de 140 para 420 estudantes. Pelo lado dos estudantes do exterior, o crescimento econômico do país deu uma forcinha. Para atender à demanda dos empregados da indústria petrolífera no norte do estado, a Escola Americana abriu, no ano passado, uma filial em Macaé. Quarenta alunos já estão matriculados, somando-se aos 830 da sede, na Gávea. "A Copa do Mundo e a Olimpíada vão atrair mais estrangeiros para cá e aumentar a procura por nossas escolas", acredita a diretora de admissão da Escola Americana, Caren Addis. Para quem vem de fora, faz todo o sentido. Os pais brasileiros, porém, precisam pensar bem antes de fazer a escolha.

Para ler, clique nos itens abaixo:
Escola Alemã Corcovado
Processo de seleção - Da educação infantil até o 2º ano do ensino fundamental há entrevista com pais e candidatos. No 2º ano são feitos também testes de português e alemão. A partir do 3º ano, acrescentam-se provas de matemática e, depois do 6º ano, de inglês Matrícula - De outubro. Para 2010, não há mais vagas Taxa de admissão - 6 500 reais, com desconto para irmãos Mensalidade - De 1 220 a 1 429 reais
Escola Suíço-Brasileira
Processo de seleção - Entrevista com pais e candidatos, que ainda são submetidos a testes de alemão ou francês, português, matemática, história, geografia e ciências Matrícula - O ano inteiro. Os alunos podem ingressar em qualquer época Taxa de admissão - 10 000 reais Mensalidade - De 1 700 a 2 900 reais
Liceu Molière
Processo de seleção - Entrevista com os pais e avaliação do nível de francês e português do candidato Matrícula - A partir de dezembro Taxa de admissão - Não há. A matrícula custa 245 reais Mensalidade - 1 343 reais
Escola Britânica
Processo de seleção - Entrevista com pais e candidatos. Na educação infantil, a criança é observada numa sessão de convivência. No ensino fundamental são feitos também testes de lógica, leitura, inglês, português e matemática Matrícula - O ano inteiro. Os alunos podem ingressar em qualquer época Taxa de admissão - 17 688 reais Mensalidade - De 2 911 a 3 533 reais
Escola Americana
Processo de seleção - Entrevista com os pais e depois testes de inglês e português Matrícula - O ano inteiro. As aulas começam em setembro e se encerram em junho Taxa de admissão - 11 152 reais Mensalidade - De 2 171 a 4 873 reais

 

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