No maior vestibular do país, o da Fuvest, 122 177 candidatos (sem contar os treineiros) acabaram de enfrentar o processo seletivo e estão à espera da publicação do resultado, no dia 9 de fevereiro: apenas 10 652 ganharão uma vaga na Universidade de São Paulo.
Isso significa que nove em cada dez candidatos terão de enfrentar o dilema de matricular-se em outra instituição - em geral, uma faculdade particular - ou adiar o sonho e tentar novamente no próximo ano. Mesmo para quem as mensalidades exorbitantes das instituições particulares não são impedimento, essa é uma decisão difícil. Com a ajuda de professores e coordenadores de cursos preparatórios, VEJA elaborou um guia para ajudar o vestibulando a sair dessa encruzilhada.
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Para ler, clique nos itens abaixo:
- Vale a pena tentar de novo: logo após o primeiro vestibular, no ano de conclusão do ensino médio
- O que dizem os professores: o aluno que acaba de concluir o ensino médio sem ter feito cursinho pré-vestibular não precisa se desesperar com a reprovação; ao contrário do cursinho, o ensino médio não é dirigido primordialmente para o vestibular. "Os professores do curso preparatório abordam com mais ênfase os assuntos que costumam cair nas provas dos processos seletivos", diz Renato Ribas Vaz, diretor do Curso Positivo, no Paraná.
- Quando o candidato já fez um ano de cursinho
- O que dizem os professores: recorrer ao cursinho pela segunda vez tem suas vantagens: reforça os conhecimentos adquiridos e aperfeiçoa o raciocínio. Além disso, o primeiro vestibular serve como treino. "O aluno estará mais seguro e terá maior chance de sucesso na segunda tentativa", diz Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice, de São Paulo. "O ideal é começar a faculdade até os 25 anos", diz Alberto Francisco do Nascimento, coordenador de vestibular do Anglo, em São Paulo. "Antes disso, o jovem pode tentar o curso almejado na universidade pública com tranquilidade." Os especialistas recomendam, porém, que o aluno não exceda três tentativas.
- Quando a universidade pública oferece o curso com perfil mais adequado para o objetivo profissional do candidato
- O que dizem os professores: em algumas áreas, o mesmo curso tem perfis distintos em universidades diferentes. Um exemplo: o curso de pedagogia pode ser mais voltado para a área de gestão, sendo portanto indicado a quem pretende abrir uma escola. Ou pode valorizar a formação acadêmica e atender melhor, assim, a quem prefere atuar na área de pesquisa ou coordenação pedagógica. "Escolher o curso que mais se encaixa nos seus objetivos é o primeiro passo para seguir o caminho planejado para a carreira", diz Alessandra Venturi, coordenadora-geral do Cursinho da Poli, em São Paulo.
- Vale a pena investir na universidade particular: quando ela é renomada e o curso escolhido é reconhecido no mercado
- O que dizem os professores: algumas faculdades particulares oferecem cursos tão bons ou até melhores que seus equivalentes em instituições públicas. "Em geral, as universidades públicas são imbatíveis nas áreas de ciências e tecnologias. Em áreas como administração, economia e direito, porém, há cursos de graduação de altíssima qualidade, e muito bem cotados no mercado, em instituições privadas", diz Alberto do Nascimento.
- Quando o aluno apresenta um histórico de fraco rendimento escolar, que se refletiu no resultado do vestibular
- O que dizem os professores: é preciso ser realista na autoavaliação. "O aluno que sempre apresentou baixo rendimento dificilmente conseguirá, de uma hora para outra, sobressair em um vestibular concorrido", diz Adilson Garcia. "Falhas seguidas, nesse caso, podem afetar sua autoestima".
- Quando o jovem não demonstra espírito de luta e força de vontade
- O que dizem os professores: em geral, isso acontece porque o sonho com a universidade de renome é menos do aluno e mais dos pais. "É preciso ter em mente que um vestibular concorrido exige muita dedicação do candidato. Se ele não for o principal interessado, estará desmotivado para enfrentar mais um ano de estudos", diz Alessandra Venturi. Sendo assim, a universidade particular pode ser o melhor caminho.
- Quando o candidato tem perfil ansioso, com episódios de branco por nervosismo
- O que dizem os professores: "Os bloqueios na hora da prova podem se repetir e agravar-se a cada tentativa", diz Rui Alves, diretor de ensino do Colégio e Curso pH, no Rio de Janeiro. Se, mesmo assim, o aluno optar por insistir na universidade pública, os especialistas têm duas dicas: buscar a ajuda de um psicólogo para aprender a controlar o nervosismo ou matricular-se na faculdade privada e, no fim do ano, tentar novamente o vestibular. "Ter uma vaga garantida minimiza a tensão do aluno durante a prova", diz Alves.
- A faculdade é só o começo
- Frequentar uma universidade renomada não é garantia de uma carreira de sucesso. Dois profissionais extremamente bem-sucedidos, que não cursaram faculdade de primeira linha, dizem o que faz a diferença:
João Armentano, arquiteto, 47 anos
Formação: Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes (SP)
"A arquitetura exige criatividade e curiosidade - duas habilidades natas que não se aprendem em sala de aula. Durante a faculdade, fiz um rodízio entre os melhores escritórios de arquitetura de São Paulo e os tornei a minha grande escola. Mantive também um bom relacionamento com antigos colegas de trabalho que, com o tempo, se tornaram parceiros. Persistência é outra característica de peso para o meu sucesso. Quando comecei, eu e Roberto Migotto, meu sócio na época, fazíamos do quarto dele nosso escritório. Sem telefone, ligávamos para os clientes do orelhão e dizíamos que o escritório estava em reforma. Com o tempo, mais clientes foram surgindo. Hoje, graças ao nosso esforço, temos carreiras bem-sucedidas".
Francisco Cembranelli, advogado e promotor, 49 anos
Formação: Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), de São Paulo
"Conheço muita gente que saiu de instituições de prestígio e não chegou a lugar algum, seja por falta de talento, seja por falta de dedicação - ou as duas coisas juntas. Eu sempre priorizei a busca pelo conhecimento. Tenho uma biblioteca com mais de 6 000 livros, muitos deles comprados em sebos e livrarias que trabalham com obras fora de catálogo. Eles me dão subsídios para estudar certos casos e são importantes para entender a evolução do direito ao longo dos anos. Um bom profissional não pode exercer sua função como um robô. Ele precisa ter dedicação, talento e, acima de tudo, gostar do que faz. Esses são fatores que, somados a uma dose de sorte, o levam a um patamar elevado".