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DESENVOLVIMENTO

A importância da arte para as crianças pequenas

Desenhar, pintar com os dedos, brincar com massinha ajudam (e muito) no desenvolvimento das crianças


09/03/2015 15:31
Texto Gabriela Stocco
Educar
Foto: Aline Casassa
Foto: Uma criança que desenha 15 minutos por dia chega à escrita mais facilmente
Uma criança que desenha 15 minutos por dia chega à escrita mais facilmente

Toda criança gosta de desenhar, certo? Com lápis de cor, tinta guache ou na areia, os pequenos de todos os países, épocas e classes sociais desenham suas casas, famílias e plantas, e, depois, mostram o resultado, orgulhosos, mesmo que sejam apenas alguns rabiscos. Desenhar é uma característica importante do ser humano. Tudo começou na época em que o homem vivia nas cavernas e passou a desenhar nas paredes os animais e as atividades que faziam parte de sua vida. "Indo ou não à escola, é natural que uma criança desenhe, porque o desenho já existia antes mesmo da criação da escola", explica a neurocientista e antropóloga Elvira Souza Lima.

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As crianças que vivem em tribos e até mesmo as que tem deficiências visuais desenham, já que fazer traços com um lápis ou com o dedo e um pouco de tinta estimula o tato. Elvira Souza Lima afirma que mesmo que o desenho pareça um rabisco, para a criança, é uma narrativa, uma forma de contar uma história. Além disso, o movimento que as mãos e braços fazem ao desenhar são muito importantes para treinar o corpo e o cérebro para a próxima etapa: escrever.

A escrita nada mais é do que desenhar letras e juntá-las em palavras para criar significados. "Para escrever, usamos 21 áreas do cérebro, e algumas delas são desenvolvidas com o desenho", afirma Elvira. "Uma criança que desenha por 15 minutos todos os dias chega às letras naturalmente, já que o movimento para fazer uma letra de mão (letra cursiva) ou de forma (letra bastão) vem do desenho", ela diz.

Assim, uma criança que desenha bastante pode evitar dificuldades com a caligrafia quando estiver aprendendo a escrever. Mas Elvira alerta que as crianças não precisam parar de desenhar para aprender a escrever. As duas atividades podem continuar lado a lado. Ela destaca que, para desenvolver os movimentos que ajudam na escrita, a melhor escolha é o desenho livre. Ligar pontos, preencher ou colorir desenhos prontos é divertido e pode fazer parte das brincadeiras das crianças, mas é importante que ela treine seus próprios traços livres, com retas e curvas.

Brincar com massinha de modelar, argila e criar esculturas com sucata também é importante, pois ajuda a desenvolver a noção de espaço e profundidade. Elvira sugere que, pelo menos uma vez por semana, a criança brinque com algo relacionado à geometria espacial, como fazer castelinhos com bloquinhos de madeira ou montar cenários com caixas de sapato para a historinha de seus bonecos.

No Colégio Hugo Sarmento, em São Paulo, as artes plásticas, como desenho, pintura e escultura, fazem parte do currículo desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Segundo Patrícia Vasconcellos e Rosana Nunes, coordenadoras da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do colégio, as expressões artísticas de diversas culturas, como arte indígena, africana e grega, são destacadas. A vida e a obra dos artistas também despertam interesse nos alunos e inspiram suas próprias produções.

"A arte, ao longo da vida estudantil, tem um papel fundamental na construção de um indivíduo crítico, fornecendo-lhe experiências que o ajudem a refletir, desenvolver valores, sentimentos, emoções e uma visão questionadora do mundo que o cerca", afirmam as coordenadoras.

Já a artista e educadora Stela Barbieri destaca: "Para as crianças não existe separação em os campos da arte, como música e pintura. Elas percebem o mundo com todos os sentidos". Para ela, que é assessora de artes da escola Vera Cruz, em São Paulo, e foi curadora das ações educativas da Bienal de Arte de São Paulo, a relação da criança com a arte não acontece apenas na escola. Ela explica que a criança participa de situações em que a relação com a arte acontece naturalmente, como conhecer as texturas em uma feira e os aromas na cozinha, ou brincar no quintal. "O contato com a arte não precisa ser apenas escolarizado", diz.

Como seu filho pode explorar as artes plásticas em cada idade:

Para ler, clique nos itens abaixo:
De zero a dois anos
O desenho é um processo natural da espécie humana, mas não adianta tentar apressá-lo. Nessa fase o bebê ainda não desenvolveu a visão e a coordenação motora suficientemente para desenhar. No entanto, os pais podem desenhar para a criança e explicar os significados a ela, já que o contexto é importante para atrair sua atenção. Tenha lápis e giz de cera mais gordinhos em casa para quando seu filhote começar a mostrar a vontade de desenhar. Tenha cuidado com objetos pequenos e pontiagudos e tenha apenas materiais atóxicos.
De três a seis anos
Essa é a fase em o desenho é mais importante para as crianças. A diversidade de materiais é muito importante. Tenha em casa vários tipos de papeis, de vários tamanhos, cores, formatos e texturas. Papeis grandes, no formato A3, dão maior possibilidade de movimento para as mãozinhas. O papel craft (ou pardo) tem textura diferente, mais áspera, e pode ser pendurado na parede. O lápis de cor é prático e faz menos sujeira, mas é duro. Materiais mais maleáveis, como aquarela, tinta guache, pincéis ou mesmo pintura com os dedos permitem movimentos diferentes e devem ser mais usados. Desenhar em suportes diferentes, como areia, terra ou tecido também ajuda a treinar os movimentos. Fazer colagens com sementes, pequenos galhos e folhas secas pode ser muito divertido e coloca a criança em contato com a natureza. Massinha de modelar, argila podem render esculturas que serão boas lembranças. Ao fazer brinquedos de sucata com seu filho, aproveite para explicar a importância da reciclagem para o meio ambiente.
A partir do seis anos
Quando a criança é alfabetizada, vai usar tudo o que aprendeu com os desenhos para escrever as letras. Mas ela não precisa e nem deve parar de desenhar. Os desenhos agora ganham outro significado. A criança pode ouvir uma música ou ler um livro sem ilustrações e, em seguida, fazer desenhos para mostrar como imagina os personagens e os cenários. Ela também pode ter um caderninho de desenho, onde cria suas próprias histórias, personagens ou histórias em quadrinhos.

 

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