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Essa é a resposta que seu filho terá que dar nos próximos anos a uma pergunta básica para o futuro dele: fala inglês? Adquirir competência nesse idioma é um processo que começa cada vez mais cedo. A escola está fazendo a parte dela?


Claudia

30/09/2009 18:14

Texto
Paulo de Camargo

Foto: Stock
Foto: segundo idioma

"Infelizmente, apenas uma minoria das escolas acredita que o inglês é uma matéria como qualquer outra"

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The book is on the table. Não há expressão que caracterize melhor o ensino de inglês nas escolas ao longo das últimas décadas. Um ensino cosmético, excessivamente baseado em regras gramaticais e poucos resultados, que levou gerações inteiras de crianças e jovens a buscar uma formação complementar em cursos livres - muitas vezes, também ineficientes. Mas isso vem mudando rapidamente. O domínio do inglês como segunda língua - e, se possível, de pelo menos mais um terceiro idioma - já é mais do que um pré-requisito para a inserção no mercado de trabalho. Na verdade, a língua inglesa é um instrumento de navegação na cultura contemporânea globalizada. É hora de falar, escrever e pensar em inglês, com fluência e segurança, e é bom investigar se a escola de seu filho está cuidando disso. Pois aí vai a má notícia: é quase certo que não está. "Infelizmente, apenas uma minoria das escolas acredita que o inglês é uma matéria como qualquer outra. Capricham na matemática, na química, mas não assumem a segunda língua como uma responsabilidade própria", acredita o consultor Paulo Sérgio Rezende, que há mais de uma década implanta projetos de aprimoramento do ensino de idiomas em diversas escolas paulistas. "Em algumas boas instituições, há uma tendência de melhoria, mas em geral isso é ainda muito incipiente", acrescenta Lizika Goldcheleger, gerente acadêmica da Cultura Inglesa, que desenvolveu um programa de parceria que hoje chega a 40 escolas paulistas.


Leia também:

-Vale a pena as crianças terem aulas em outro idioma e carga horária maior para falar uma segunda língua impecavelmente?

-Nada destrói um currículo como a expressão "inglês básico". Hoje, os bons empregos exigem fluência em idiomas estrangeiros

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. O que caracteriza um bom ensino de inglês?
Assim como em outras questões ligadas à educação, não se pode avaliar o conteúdo oferecido hoje com base no que os adultos aprenderam na infância - quando o professor fazia correlações entre o português e o inglês como se o aprendizado fosse simplesmente uma questão de vocabulário. Mudaram os objetivos e também as estratégias. Saber inglês implica, em primeiro lugar, expressar com fluência ideias progressivamente mais complexas, tanto oralmente como por escrito. Por isso, as modernas estratégias de aprendizagem de idiomas focam nas habilidades de comunicação e tentam aproximar a língua do cotidiano propondo atividades interativas e colocando o aluno como protagonista, e não apenas um receptor de conhecimentos. No modelo desenvolvido por Paulo Sérgio Rezende, os professores produzem semanalmente os materiais a ser utilizados, que incorporam situações ocorridas em sala de aula, como o início de namoro dos jovens.
2. Quando começar as aulas?
Uma tendência recente do ensino de idiomas é começar cada vez mais cedo. Os avanços da neurociência vêm indicando que o cérebro infantil está especialmente pronto para absorver novas linguagens antes dos 9 anos, numa fase apelidada de "janela de oportunidades". Mas não há consenso entre os educadores sobre a adequação de se antecipar esse processo do ponto de vista pedagógico - ou seja, ainda que o cérebro esteja preparado, há quem acredite que a imersão muito cedo pode trazer atrasos na aprendizagem da língua materna. De todo modo, há propostas consistentes que vão de uma familiarização inicial e precoce com as sonoridades do inglês por meio de atividades lúdicas até o ensino bilíngue, que viveu um verdadeiro boom nos últimos dez anos nas capitais.
3. Como as escolas dão o inglês aos pequenos?
Em diversas boas escolas, são cada vez mais freqüentes os programas criados para a educação infantil e para os primeiros anos do ensino fundamental, uma espécie de iniciação em que o inglês aparece como idioma exclusivo em situações como o lanche, o almoço e em brincadeiras. As gradações são diferentes. No Colégio Ítaca, em São Paulo, por exemplo, as aulas começam no 2º ano do ensino fundamental, e não se trabalha com escrita, mas principalmente com músicas, jogos, recortes e brincadeiras. Algumas escolas, como a paulistana Móbile, embora não sejam bilíngues, oferecem uma programação extra opcional de imersão na língua inglesa já na educação infantil. Por fim, existem as escolas bilíngues, em que as propostas são bem mais intensivas. Na Stance Dual, também na capital paulista, as crianças entre 2 e 4 anos têm contato exclusivamente com a língua inglesa. Só a partir daí introduz-se o português, explica a coordenadora Helena Miascovsky.
4. E a Educação Fundamental como trabalha a língua?
Para os maiores, alguns colégios brasileiros fecharam um convênio com a universidade americana Texas Tech University, criando uma espécie de high school no Brasil. O acordo possibilita a dupla titulação, com a equivalência das matérias cursadas aqui e complementação com disciplinas do currículo americano, como história, política e técnicas de argumentação oral. Introduzido pelo Colégio Leonardo Da Vinci, de Vitória, esse convênio vigora em três colégios paulistanos - o Dante Alighieri, o Pentágono e o Magno. "É um curso com uso intensivo da língua, que exige que o aluno pense em inglês o tempo todo", explica Roger duPen, um dos docentes. Os resultados se mostraram interessantes. A capacidade de argumentar conquistada nas aulas permitiu que a ex-aluna Julia Vasconcellos, de Vitória, hoje com 24 anos, saísse do curso de direito para uma empresa de consultoria tributária internacional. "Tinha de compreender textos mais complexos e defender pontos de vista oralmente e por escrito para a análise de contratos", lembra.
5. Qual a importância do ensino da língua inglesa?
"O inglês deixou de ser um diferencial e passou a ser pré-requisito. Fluência não é só desejável, mas necessária", diz a jovem advogada Julia Vasconcellos, de Vitória. Não à toa, falar e escrever corretamente em inglês tornou-se o calcanhar de Aquiles para muitos executivos. Uma pesquisa realizada recentemente pela consultoria de recursos humanos Catho Online com 16 mil profissionais constatou que menos de um quarto admite fluência na língua e apenas 7% conseguem escrever. "O inglês continua sendo o principal idioma utilizado no mundo dos negócios, por isso começa a ser exigido em diversos níveis de cargo", diz a consultora de carreiras Rosemary Bethancourt, da Catho, em São Paulo.
6. O que um bom trabalho de inglês requer?
Um bom trabalho de inglês requer dedicação. Nas escolas onde o ensino é mais efetivo, os alunos têm pelo menos três aulas semanais. Na rede pública, existe também a consciência da importância de aprender a língua, mas a carga horária ainda é bem menor. O inglês é introduzido no 6º ano do ensino fundamental e permanece até o final do ensino médio, com duas aulas semanais, sendo que os professores enfatizam a leitura e interpretação de texto. Os alunos também produzem textos simples, como cartas de apresentação, de olho no futuro mercado de trabalho. Segundo a Secretaria da Educação, os cursos incorporam ainda a preocupação de tornar o ensino mais próximo da realidade do estudante. No mundo contemporâneo, esse é um fator que favorece a aprendizagem. Os jovens de hoje estão um passo à frente, e nem é pelas facilidades da genética.
7. Orkut, Facebook, Twitter podem ajudar no aprendizado?
Sim, às voltas com Orkut, Facebook, Twitter e tantas outras redes de relacionamento, os estudantes são inseridos em um oceano virtual onde o barco é o inglês. "Aprender esse idioma tem muito mais sentido para eles, pois fazem uso desse conhecimento ao assistir filmes, navegar na internet, jogar videogames e participar de redes sociais", assegura Claudia Amorim, coordenadora de ensino de inglês da Escola Móbile, em São Paulo. Seus alunos de 6º ano entram em contato com parceiros virtuais na Finlândia e finalizam um ano de trabalho colaborativo com uma vídeo conferência em tempo real com alunos desse país. Afinal, a melhor forma de avaliar o aprendizado de inglês é a fluência e o desempenho em situações reais de conversação. Existem também referenciais externos que avaliam o domínio da língua por estudantes de qualquer idade. São os exames de proficiência, realizados por universidades e outras instituições, como o First Certificate of English ou o Test of English as a Foreign Language (Toefl). "Todos podem aprender, mas precisam saber que esse não é um processo simples nem rápido", diz Paulo Sérgio Rezende. Para ele, independentemente da situação, dos materiais ou da escola, o principal é admitir que será preciso dedicar-se, estudando com frequência - e, sempre, ter um bom professor.

 

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