Há uma década, computador em escola brasileira era, quando muito, privilégio de elite. Seu uso praticamente se restringia a processar textos, e a internet ainda tinha gosto de novidade. Hoje, esses recursos são os mais básicos de uma enorme gama de opções. Mais cedo ou mais tarde, contudo, eles estarão em toda a rede de ensino.
Fazer parte dos novos tempos não depende apenas de equipamentos modernos. A interação que eles permitem pede uma revisão dos métodos tradicionais de ensino. Quanto mais se mantiverem os hábitos que relegam o aluno a um papel meramente receptor, menos diferença a tecnologia fará no aprendizado. Em muitas escolas, os computadores ficam, durante a maior parte do tempo, confinados a salas que só se abrem para aulas de informática, sem se incorporar ao projeto pedagógico. É como deixar trancados os livros da biblioteca ou limitar seu uso ao processo estrito de alfabetização.
Em geral, crianças e jovens sabem aproveitar por conta própria as oportunidades oferecidas pelo mundo digital, ainda que – claro – com propósitos recreativos. Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, a maioria de usuários da rede no país é jovem. Alguns professores ficam constrangidos diante dessa desenvoltura, mas não há razão para isso. “O que o estudante quer é ser orientado e ouvido, e não provar que entende mais de computador”, diz Léa Fagundes, do Laboratório de Estudos Cognitivos do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O papel do professor, portanto, é dar um sentido ao uso da tecnologia, produzir conhecimento com base em um labirinto de possibilidades. “O computador trouxe novas situações de aprendizagem que o professor deve gerenciar”, diz Silvia Fichmann, daEscola do Futuro da Universidade de São Paulo. É possível, por exemplo, estimular o raciocínio lógico com jogos virtuais. Ou criar páginas na internet para a garotada publicar seus textos.
Nesta reportagem, você vai conhecer experiências de inclusão digital nas escolas, em três estágios de complexidade. Identifique-se, inspire-se e inclua-se!
1) No nível inicial, alunos e professores exploram aos poucos os recursos das máquinas, por meio de jogos e produção de textos e desenhos, além de pesquisas em sites de busca.
2) No nível intermediário, usam-se ferramentas da internet para fazer programas de rádio ou comunicar-se com outras escolas.
3) No nível avançado, a turma constrói produtos com a ajuda de instrumentos como o kit para robótica ou o software para CDs multimídia.
Leia também: Como fazer um laboratório de informática
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