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Laurentino Gomes: por que estudar História hoje?

Laurentino Gomes é jornalista e autor dos livros 1808, sobre a fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro, e 1822, sobre a Independência do Brasil. Confira a opinião dele sobre a importância do estudo da História.


18/01/2012 12:54
Texto Equipe Educar para Crescer
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Foto: Alexandre Battibugli
Para Laurentino, o interesse cada vez maior pela história tem relação com o período de democracia vivido pelo Brasil

Estudar História ajuda a entender o Brasil de hoje. Uma sociedade que não estuda História não consegue entender a si própria porque desconhece as razões que a trouxeram até aqui. E, se não consegue entender a si mesma, provavelmente também não estará preparada para construir o futuro de forma organizada e estrutura. É quase impossível compreender o Brasil de hoje sem estudar a vinda da corte de D. João para o Rio de Janeiro e a influência decisiva que esse acontecimento teve na Independência em 1822. Quase todas as nossas características nacionais, todos os nossos defeitos e virtudes, já estavam presentes lá. O estudo de História é, portanto, fundamental para a construção do Brasil dos nossos sonhos.

1808 1808: a chegada da Família Real ao Brasil
Entre no especial que fizemos em conjunto com Laurentino Gomes e entenda a importância do ano de 1808 para o nosso país.

 
O interesse pela História é um fenômeno inteiramente novo na sociedade brasileira e se reflete nas listas de vendas dos livros sobre o tema, que nunca foram tão expressivas. Curiosamente, esse interesse coincide com outra grande novidade no Brasil de hoje: o exercício continuado da democracia por 26 anos, sem rupturas. É a primeira vez em que todos os brasileiros estão sendo chamado a participar da construção nacional. E o estudo de História é uma ferramenta imprescindível nesse trabalho de construção coletiva. Portanto, os brasileiros estão olhando o passado em busca de explicações para o país de hoje e como forma de se preparar para a construção do futuro. E a História serve para isso mesmo. A resposta a esse fenômeno exige a soma de esforços entre professores, jornalistas, historiadores acadêmicos, pesquisadores independentes, escritores - ou seja, quem tiver alguma contribuição a dar deve se pronunciar. Os brasileiros estão pedindo isso. Precisamos ser generosos com esses novos leitores de História. Temos de usar uma linguagem didática, acessível, de fácil entendimento.

Minha contribuição ao estudo da História do Brasil é de linguagem. Na pesquisa dos meus livros, eu uso a técnica da reportagem, mas tomo sempre como referência as fontes acadêmicas autorizadas. Ou seja, não tento reinventar a roda nem desautorizar o que os historiadores já produziram na academia. A novidade é que procuro observar os acontecimentos e personagens sob a ótima do jornalismo. O texto é sempre construído com base nas lições que a literatura ensina para capturar e encantar os leitores. Portanto, minha fórmula combina jornalismo e literatura. Um bom escritor precisa ter a habilidade de escolher as palavras para contar uma estória ou transmitir uma ideia. Procuro usar elementos pitorescos da história para atrair a atenção do leitor. Isso explica, por exemplo, os subtítulos dos dois livros. Esse recurso bem humorado é usado com o propósito de provocar o interesse do leitor, como se faz, por exemplo, num título de capa de revista ou numa manchete de jornal.

Meu objetivo ajudar os professores na difícil tarefa de despertar nos estudantes o interesse pela História. Tento facilitar a vida desses estudantes escrevendo em estilo jornalístico, simples e agradável. Importante, no entanto, é não deixar que o livro se limite à caricatura e ao pitoresco. O conteúdo tem de oferecer um mergulho mais profundo ao leitor, mas sem dificultar a linguagem. Essa é uma linha tênue e perigosa. Se o autor ficar só na superfície e na banalidade, o livro não oferecerá contribuição alguma, será irrelevante, especialmente na área da Educação. Se, ao contrário, der um mergulho muito profundo, não conseguirá prender a atender desse leitor menos especializado. Mas entendo também que esse é o desafio permanente do bom jornalista e do bom escritor.

 


 

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