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ESPORTES

As lições dos Jogos Olímpicos

As crianças podem aprender muito com a Olimpíada. E não são só regras esportivas


25/01/2014 16:27
Texto Luiz Maciel
Educar
Foto: Maurício Melo
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"A Olimpíada é um tema transversal, porque se apropria de muitos outros assuntos de interesse além do esporte"

Aprendizado com diversão. Quem se dispõe a assistir aos Jogos Olímpicos de olhos atentos não apenas na competição, mas em tudo o que ela envolve, pode aprender muito também sobre cultura, história, geografia, matemática, física e biologia. Realizada de quatro em quatro anos, a Olimpíada é o maior evento esportivo mundial. A última, que aconteceu de 27 de julho a 12 de agosto de 2012 em Londres, reuniu mais de 10 mil atletas de duas centenas de países na disputa de medalhas em 36 modalidades. E foi uma preciosa oportunidade de transformar a transmissão esportiva pela televisão em uma grande - e divertida - sala de aula.

A professora Kátia Rubio, especialista em psicologia do esporte, usa o termo "educação olímpica" para descrever a experiência - e tem até um livro sobre o assunto. "A Olimpíada é um tema transversal, porque se apropria de muitos outros assuntos de interesse além do esporte", afirma. "Lembrar que os jogos começaram a ser disputados ainda na Antiguidade, na Grécia, é uma aula de história. Da mesma forma, a apresentação das delegações na cerimônia de abertura é um riquíssimo painel da nossa diversidade cultural, mostrando os valores e tradições de cada país. E quando abordamos os limites de cada esporte e os efeitos do doping, estamos falando de processos biológicos", observa.

A cerimônia de abertura é um momento que remete naturalmente à história, pois sempre faz referência aos gregos e a edições anteriores da Olimpíada. É um bom momento, portanto, para explicar aos pequenos o que foi a civilização grega e porque ela ainda influencia as sociedades modernas. Estudantes do Fundamental II e do Ensino Médio irão se beneficiar se seus pais ou professores se lembrarem de histórias de edições passadas da Olimpíada que tiveram implicações políticas, como os jogos de Munique (1972), afetados pela guerra entre palestinos e israelenses; os jogos de Moscou (1982), boicotados por vários países, entre eles os EUA, por causa da Guerra Fria; a Olimpíada de Berlim (1936), com a qual Adolf Hitler tentou demostrar a superioridade do povo alemão, mas que teve como mais célebre medalhista um atleta negro (Jesse Owens, EUA); e os jogos de Sydney (2000), os primeiros a trazer as Paraolimpíadas (para atletas deficientes) logo ao final da competição regulamentar. Os exemplos são inúmeros.

Para Irineu Loturco Filho, diretor técnico do Núcleo de Alto Rendimento (NAR) do Grupo Pão de Açúcar, que prepara atletas brasileiros de ponta (inclusive olímpicos), dois grandes ensinamentos para as crianças vêm com a Olimpíada. "O primeiro é o idealismo", diz. "O esporte é feito de heróis, já que o atleta é um idealista, alguém que normalmente começou de forma humilde e se sacrificou por anos para mudar a sua vida e a de sua família", explica. O segundo grande aprendizado é o da disciplina, de acordo com Irineu. "A alta perfomance do atleta só se obtém com muita disciplina, com o cuidado excessivo em todas as áreas. Para as crianças, fica o exemplo de que a disciplina é importante também para as tarefas do dia a dia, como estudar, obedecer às regras em casa, na escola e na sociedade", conta. É algo que entra na formação do caráter, e ninguém precisa ser atleta olímpico para se beneficiar desse ensinamento. "No meio do esporte, a cobrança, a necessidade de sempre melhorar e o conceito de disciplina ajudam o jovem a se abster de riscos que sempre o rondam, como o álcool, as drogas e a violência." Outra lição que vem dos esportes, mas dos coletivos, como vôlei, futebol e provas de revezamento, é a importância de cumprir corretamente o seu papel e fazer o melhor para que o companheiro também consiga obter o máximo resultado.

Na sala de aula, a Olímpiada vai além do exemplo de heroísmo e coletividade e adquire contornos mais práticos. Alunos do final do Fundamental II e do Ensino Médio podem acompanhar, na prática, conceitos de física como velocidade, inércia, tração, impulsão e outros apenas assistindo às provas de atletismo. Para o professor de matemática e autor de material didático Guilherme Messias Pereira Lima, a Olimpíada traz todo um mundo de exploração, "desde noções básicas de estatística, ao analisar os quadros de medalhas, passando pelo princípio de contagem, noções de geometria, como ângulos, velocidade, unidades de medida etc.". Guilherme preparou planos de aula para estudantes a partir do 7º ano do Ensino Fundamental que se apropriam dos jogos para mostrar aplicações práticas de matemática (veja aqui). Como se vê, com a Olímpiada pode-se ensinar muito. E aprender ainda mais.

Quatro lições importantes:

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Importância do esporte
A Olimpíada é uma oportunidade não apenas para conhecer diferentes modalidades esportivas como para mostrar a importância do treinamento e da disciplina para o bom desempenho. "O esporte ensina sobre a busca pela superação, por fazer sempre o seu melhor", opina Irineu Loturco Filho.
Diferença cultural
A Olimpíada é uma reunião de diferenças. É o lugar onde as nações mais ricas, como a Noruega, competem lado a lado com as mais carentes, como a Etiópia, forte em competições de corrida. As disparidades não são só financeiras: dezenas de culturas peculiares aparecem no mesmo lugar. "É interessante notar como cada país respeita e constroi suas regras e como cada grupo se comporta quando representa sua nação, na festa de abertura ou no momento de comemorar uma vitória, por exemplo", detalha a professora Kátia Rubio.
Noções de geografia política
Que tal ver no mapa-mundi onde ficam os países participantes? A cada disputa dê uma olhada no mapa para mostrar a seu filho de onde vieram os participantes. Outro conceito que você discutir é a divisão de alguns países (a Coreia que virou Coreia do Sul e do Norte; a Iugolásvia que deixou de existir e se dividiu em sete países etc)
Uso prático da matemática e da física
Muitos conceitos fundamentais que envolvem números, geometria e leis da física aparecem nos esporte, principalmente nas provas de atletismo. "Os pais e professores podem usar os jogos para propor atividades diferentes de aprendizado", afirma Guilherme Messias, professor de matemática, que elaborou atividades baseadas nos jogos olímpicos (veja abaixo ou link para as orientações "para os pais" e "para os professores").

ORIENTAÇÕES PARA OS PAIS

Para ler, clique nos itens abaixo:

Porcentagem
Os pais podem pedir que os filhos acompanhem diariamente (ou a cada dois dias) a variação do número de medalhas dos 5 países mais premiados, encontrando a porcentagem obtida por cada um e observando o crescimento percentual do número de conquistas.
Sistemas de pesos e medidas
Pedir para os filhos pesquisarem na internet, por exemplo, as relações entre as unidades de medida do sistema métrico internacional e o sistema de medida inglês. Comparar as medidas nesses sistemas de peso (como as categorias nos esportes de luta, que usam o sistema inglês) e comparar as unidades de distância (em maratonas e provas de corrida, que usam o sistema internacional).

ORIENTAÇÕES PARA OS PROFESSORES

Para ler, clique nos itens abaixo:
Plano de aula 1
Esportes: arremesso de peso, ginástica olímpica e artística, salto em piscina.
Professores podem utilizar a prova de arremesso de peso para o preparo de uma aula sobre ângulos para seus alunos, abordando enfaticamente os ângulos com mais de uma volta.
Plano de aula 2
Esportes: provas rápidas do atletismo e da natação
Os recordes obtidos nessas modalidades são um ótimo ponto de partida para comparações entre o sistema métrico (de base 10) com o de contagem de tempo (de base 60). Considerando que 1,5 minuto equivale a 90 segundos e 1,5 metro a 150 centímetros, por exemplo, é possível formular questões e problemas correlacionando as medidas.
Plano de aula 3
Esportes: atletismo e natação
Ao mostrar que muitas competições são decididas por meros milésimos de segundo ou milímetros, o professor pode elaborar um plano de aula sobre notação científica e potências de 10.

Fonte: Guilherme Messias Pereira Lima, professor de matemática, consultor do Curso Preparatório Enem 2012 (Abril Coleções)

 

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