O início de um curso superior traz novos gastos: livros, matrícula e mensalidades - no caso de a universidade ser particular - são despesas que durarão por todo o período. E quem já leciona há algum tempo e resolve fazer uma faculdade atrás de melhor qualificação ou para se adequar às exigências do sistema educacional precisa incluir esses itens no muitas vezes já apertado orçamento doméstico. Isso sem falar na reorganização do tempo para conciliar as atividades da vida acadêmica com a profissional e a familiar.
A professora de Matemática Ana Lucia Cailós Sanches, 53 anos, de Osasco, na Grande São Paulo, passou por isso. Formada em Ciências pela Fundação Santo André, também na Grande São Paulo, em 1975, ela começou a dar aulas particulares em casa. Quando sentia necessidade, se atualizava sozinha. Em 2002, aprovada em um concurso público para a rede municipal de Osasco, viu que precisava voltar a estudar. "Fazia quase 30 anos que eu tinha terminado a primeira faculdade e estava defasada".
O primeiro passo foi organizar as finanças e o tempo com a família. "Eu, meu marido e meus filhos discutimos prioridades e necessidades e fizemos o planejamento financeiro". Mesmo com o desconto de 55% que conseguiu no Centro Universitário Unifieo, em Osasco, onde iniciou o curso, em 2003, desembolsava 247 reais de mensalidade. Para ter direito ao desconto, oferecido por meio de um convênio com a prefeitura, ela teve de cumprir um estágio em escolas municipais, além do estágio obrigatório do curso, o que apertou ainda mais o tempo, já escasso. "Fui obrigada a largar as aulas particulares, diminuindo minha renda", lembra.
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