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EDUCAÇÃO INFANTIL

É para brincar ou aprender?

Algumas escolas infantis se preocupam em começar um aprendizado formal desde cedo. Outras dão maior ênfase ao brincar


Manequim

21/08/2008 22:26

Texto
Rachel Martinho

Foto: Karine Basilio
Alunos do Espaço Brincar, dançando frevo

Alunos do Espaço Brincar, escola infantil que aposta no ensino não formal

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Pou­cos co­lé­gios traduzem tão di­re­ta­men­te a sua fi­lo­so­fia no pró­prio no­me, co­mo faz a es­co­la pau­lis­ta­na de edu­ca­ção in­fan­til Es­pa­ço Brin­car. "Com nos­sas ati­vi­da­des, pro­cu­ra­mos pro­lon­gar a in­fân­cia, que vem sen­do atro­pe­la­da. O que que­re­mos é for­ne­cer um es­pa­ço do brin­car", ex­pli­ca Flo­ra Mar­ques de Aze­ve­do Gian­ni­ni, uma das pro­prie­tá­rias e coor­de­na­do­ra. "Ho­je, há um ex­ces­so de in­for­ma­ção tão gran­de que as crian­ças fi­cam sa­tu­ra­das. ­Aqui, pas­sa­mos ou­tro ti­po de con­teú­do, não aque­le sis­te­má­ti­co, for­mal. De­sen­vol­ve­mos um re­per­tó­rio de his­tó­rias, brin­ca­dei­ras e ma­nei­ras de se ex­pres­sar", diz. En­tre as ati­vi­da­des da es­co­la es­tão ofi­ci­nas de mú­si­ca, dan­ça, ar­tes, jo­gos sim­bó­li­cos (que in­cluem a cria­ção de am­bien­tes ou ce­ná­rios) e ou­tra cha­ma­da "brincan­te", que resgata brin­ca­dei­ras an­ti­gas.

Todo mundo brinca junto

Ape­sar de re­chea­da de brin­ca­dei­ras, a ro­ti­na das crian­ças na es­co­la não é pu­ro en­tre­te­ni­men­to. "Aqui acon­te­ce um brin­car di­fe­ren­te do de uma fes­ti­nha, por exem­plo. En­ten­de­mos o brin­car co­mo al­go que con­tem­ple o pra­zer, mas tam­bém o es­for­ço. É um ca­mi­nho pa­ra o de­sen­vol­vi­men­to. Brin­can­do, a crian­ça se cons­trói, ga­nha no­ções de seu cor­po e am­plia sua vi­são so­bre ela e so­bre o ou­tro" diz Flo­ra. Ou­tra di­fe­ren­ça do Es­pa­ço Brin­car com re­la­ção a mui­tas es­co­las é que as crian­ças de 1 a 6 ­anos ficam juntas a ­maior par­te do tem­po. ­Os alu­nos fi­cam sa­ben­do ­quais se­rão as ofi­ci­nas ofe­re­ci­das e pla­ne­jam seu dia, es­co­lhen­do as ati­vi­da­des independentemente de idade. ­"

"É bo­ni­to ver a in­te­gra­ção: o ­maior res­pei­tan­do o pe­que­no e o me­nor de­se­jan­do cres­cer, sa­ben­do que um dia con­se­gui­rá fa­zer o que o gran­de faz", diz Flo­ra. Ela e a só­cia, a psi­có­lo­ga Ca­ro­li­na Sen­na Tei­man, tam­bém não se preocupam em al­fa­be­ti­zar os pe­que­nos. "­Eles te­rão tem­po pa­ra is­so. É cla­ro que en­tram em con­ta­to com a cul­tu­ra es­cri­ta, prin­ci­pal­men­te no mo­men­to da lei­tu­ra de his­tó­rias, mas são crian­ças na­tu­ral­men­te ex­pos­tas a al­gum ti­po de le­tra­men­to", diz Flora. Se­gun­do ela, os alu­nos do Es­pa­ço Brincar não apre­sen­tam pro­ble­mas com a al­fa­be­ti­za­ção: "­Eles  ti­ram de le­tra a 1a sé­rie".

 


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