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Pré-escola particular: como escolher

Como escolher a creche ou pré-escola particular ideal para o seu filho? O que a escola para crianças de até 6 anos deve ter? A que você escolheu está mesmo fazendo o melhor por seu filho? Nossas pistas vão ajudar a descobrir!


27/10/2014 15:32
Texto Paulo de Camargo
Claudia
Foto: Nana Sievers
Foto: crianças na pré-escola
O melhor caminho é fazer perguntas simples e observar o funcionamento da escola, por exemplo, as crianças parecem felizes? Brincam sozinhas? Tem uniforme?

Um dos primeiros dilemas de qualquer mãe ou pai de crianças pequenas é o que levar em conta na hora de eleger a escola de educação infantil. Essa é mesmo uma escolha importante: hoje se sabe que os primeiros anos de formação repercutem nas fases seguintes de escolaridade, na saúde e até na personalidade.

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Desde a década de 1980, o avanço das tecnologias de mapeamento cerebral confirmou a espantosa velocidade de formação de neurônios nesse período da vida, bem como a imensa plasticidade do cérebro, ou seja, sua capacidade de se modificar à medida que novos conteúdos são absorvidos. "Trata-se de um período crucial, no qual se formam mais de 90% das conexões cerebrais graças à interação com os estímulos do ambiente", afirma João Augusto Figueiró, médico e psicoterapeuta do Hospital das Clínicas e presidente do Instituto Zero a Seis, em São Paulo. Não à toa, pesquisas mostram que crianças que frequentam uma pré-escola estimulante costumam se tornar melhores estudantes. É o que assegura a pesquisadora inglesa Brenda Taggart, que desde 1997 estuda o impacto da formação infantil. Em comparação com as que não foram matriculadas na pré-escola ou que frequentaram escolas inadequadas, elas se revelaram mais cooperativas, independentes e sociáveis, além de apresentar desempenho escolar satisfatório. "A passagem por escolas infantis competentes tem influência a curto, médio e longo prazo", afirma.

Mas atenção: o objetivo da educação infantil não é antecipar etapas. Antes de começar as visitas a escolas candidatas, deve-se ter em mente que uma criança com menos de 6 anos precisa brincar, investigar e explorar o ambiente ao seu redor. Por isso, tentativas de iniciar muito cedo a alfabetização são vistas com reservas: é necessário cuidado para não atropelar etapas e lembrar que cada uma tem seu ritmo. A brincadeira desempenha papel decisivo. É por meio dela que o pequeno compreende como funciona o mundo real. "O desafio atual das escolas é trazer para o centro das suas reflexões o confronto entre as crianças reais, e não aquelas das teorias, e as propostas curriculares", explica a antropóloga e educadora Adriana Friedmann, de São Paulo. Para entender o que isso significa, basta recuperar uma imagem da infância. Enquanto nas gerações passadas aprendia-se a ler textos distantes do dia a dia, com frases como "vovô viu a uva", e sentava-se em carteiras rígidas, hoje as crianças brincam com as letras e trabalham histórias e lendas com liberdade.

 

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Trabalho de detetive
O problema é como identificar uma escola com propostas consistentes para a educação infantil. Com frequência, os pais chegam às instituições com perguntas-chavão, como "Qual é a linha pedagógica?", e quase sempre recebem respostas técnicas e vagas: "Somos socioconstrutivistas", "montessorianas"... Além de vazias de sentido para os pais, essas respostas acabam por nivelar todas as instituições, ainda que elas escondam uma conquista: admitem o valor da experiência prévia do pequeno, deixando de tratá-lo como alguém sem ideias próprias sobre o mundo. Uma boa escola reconhece a criança como criança, respeitando-a sem subestimá-la. O melhor caminho é fazer perguntas simples, óbvias até, e observar o funcionamento da escola. As crianças parecem felizes? Brincam juntas ou cada uma isolada em seu canto? Nos intervalos, os adultos acompanham e intervêm quando necessário ou simplesmente ficam batendo papo enquanto a criança se esborracha no chão? Quando há uma briga, a escola faz o quê? E quando não quer comer? E quando morde? Tem uniforme? Não há resposta-padrão, mas a escola tem de ter uma postura. "É direito dos pais receber respostas transparentes a todas as dúvidas para que tenham segurança com relação aos educadores a quem irão confiar parte tão significativa da vida dos seus filhos", enfatiza a antropóloga Adriana.

O próximo passo é cruzar a resposta obtida com o que cada família considera certo e compatível com seus valores. É fundamental conhecer também a rotina proposta, ou seja, como será o dia do seu filho na escola. Terá momentos de descanso ou apenas atividades? Há diversidade ou brincadeiras pré-combinadas? Vários aspectos do desenvolvimento são contemplados (artes, música, esportes) ou o foco é apenas na alfabetização? Quando as crianças brincam livremente? Elas encontrarão na escola coisas que gostam de fazer? Observe que são questões ligadas à vida que os pais desejam para os filhos. Famílias que acham a criança tímida e fechada gostariam que ela convivesse muito com os colegas, por exemplo. Outras, que consideram o filho muito agitado, prefeririam uma escola que também oferecesse atividades mais calmas. Antes de fazer perguntas aos coordenadores, é preciso que os pais as façam a si mesmos.

Professores tinindo
Segundo a pesquisadora em educação Maria Alice Proença, de São Paulo, a escola deve estar de acordo com o conceito dos pais em relação ao que consideram uma infância feliz. Algumas famílias acreditam que encontrar o filho sujo de barro no final do dia é sinal de que brincou e se divertiu. Outras preferem ver a criança limpa, perfumada e com um livro na mão, já mergulhada desde cedo na leitura. "A escola e a família devem ser parceiras e compartilhar valores, crenças e relações de respeito e afeto", aconselha. Mas, além do campo das características individuais, é preciso olhar com atenção para a atividade pedagógica. Algumas pistas para descobrir se a escola faz um bom trabalho são óbvias: uma classe de educação infantil com 30 crianças e um professor provavelmente é incontrolável e exigirá uma disciplina incompatível com a idade. O ideal é que haja um educador para cada dez ou 15 alunos. Do mesmo modo, educar crianças pequenas deixou de ser tarefa para leigos e requer que os professores se preparem e estudem constantemente. Na escola de seu filho, investe-se em formação de professores? Como?

Para a pedagoga Teca Antunes, de São Paulo, uma boa ideia é olhar o que está exposto na parede das salas de aula. "Será possível ver se há produção das crianças ou apenas a reprodução de imagens estereotipadas", analisa. Além disso, é preciso que o ambiente revele empenho em promover a interação. "Mesas individuais mostram que é valorizada a ação de cada um, e não do grupo, e que se evita a conversa entre os pequenos", afirma. Do mesmo modo, armários altos, acima do alcance das crianças, indicam que não há preocupação com a construção da autonomia, já que os alunos sempre dependerão dos adultos para pegar os materiais e brinquedos com que lidarão.

Ao colocar todas as suas dúvidas e perguntas sobre a mesa, não se sinta um peixe fora d’água: as descobertas recentes sobre o valor da educação infantil desencadearam um grande debate no mundo todo, e a questão desembarcou por aqui também. Recentemente, o Ministério da Educação, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Fundação Carlos Chagas avaliaram o desempenho de 174 creches e pré-escolas públicas de seis capitais brasileiras. Foram analisados quesitos como espaço físico, mobiliário, linguagem utilizada com os alunos e estímulo ao raciocínio. Todas foram reprovadas. Os pontos que mais inquietaram os pesquisadores: a má formação dos professores, que não sabem o que fazer com as crianças pequenas em sala de aula, e a falta de uma proposta pedagógica. "As três palavras que mais se ouvem nesses locais são: ‘fique sentado’, ‘durma’ e ‘quieto!’", observa Maria do Pilar Lacerda, secretária nacional da educação básica. A pesquisa deverá oferecer amparo para ações com as prefeituras com a meta de melhorar a educação infantil. Segundo Maria do Pilar, só há pouco tempo as creches começaram a se preocupar com o aspecto educativo. Um avanço recente, que deve melhorar o quadro, foi a aprovação, este ano, de uma mudança na Constituição que torna a educação obrigatória para crianças a partir de 4 anos e habilita os municípios a receber mais recursos. Hoje, estima-se que 25% dos pequenos com idade entre 4 e 5 anos estejam fora das escolas. É um número muito alto. "A meta é que nos próximos anos o atendimento seja universalizado", afirma a secretária.


 

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