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CULTURA

10 motivos para seu filho aprender o xadrez

Veja como este esporte milenar pode ajudar - e muito - no desenvolvimento intelectual do seu filho


10/09/2014 14:24
Texto Thais Romanelli
Educar
Foto: Claudia Marianno
Foto: Desenvolvendo a memória, a concentração e o raciocínio lógico, o xadrez estimula o aprendizado da criança
Desenvolvendo a memória, a concentração e o raciocínio lógico, o xadrez estimula o aprendizado da criança

Quais são as vantagens de aprender o xadrez?

1. O xadrez estimula o raciocínio lógico
2. O xadrez ativa a concentração
3. O xadrez desenvolve a tomada de decisões
4. O xadrez aguça a memória
5. O xadrez trabalha a paciência
6. O xadrez demanda a capacidade de planejamento
7. O xadrez aumenta a autoconfiança
8. O xadrez proporciona o respeito ao adversário
9. O xadrez exige responsabilidade
10. O xadrez instiga a imaginação e a versatilidade 

O xadrez, que surgiu no Sudoeste da Europa na segunda metade do Século XV, é muito mais que um jogo. Como bem definiu o escritor Johann Wolfgang Goethe, há mais de dois séculos: "O xadrez é um excelente exercício mental". Tal frase é comprovada por estudos como o da Universidade de Hong Kong, que provou por meio da pesquisa do Dr. Yee Wang Fung que os estudantes que jogam xadrez têm uma melhoria de 15% em provas de matemática após o início da prática. Na Venezuela, o projeto Learning to Think Project concluiu que até mesmo o QI de uma criança pode ser aumentado por meio do treino do xadrez. Além disso, a pesquisa de William Levy, do Departamento de Educação de Nova Jersey, nos EUA, mostra que o jogo interfere também em questões pessoais, como a auto-estima e confiança.

 

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Não à toa, a UNESCO mantém o Comitê de Xadrez Escolar, responsável por integrar a modalidade nas escolas e instituições de ensino e visar que a prática seja pedagogicamente produtiva. Muitas instituições de ensino têm o jogo de xadrez em suas grades (extra) curriculares. Em São Paulo, escolas como o Dante Alighieri, Santa Cruz, Santo Agostinho, Santo Américo, entre outras, oferecem aulas do jogo. O Colégio São Luiz rege, anualmente, o Torneio Intercolegial de Xadrez, que proporciona uma competição entre as mais variadas idades e escolas. "São inúmeras as vantagens da prática do xadrez, mas as mais lembradas e verificadas são o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático, atenção e concentração, memória e a criatividade", diz o professor Antonio Carlos de Resende, do Colégio Albert Sabin, que instituiu o xadrez desde a fundação, em 1994.

No Colégio Franciscano Pio XII, o xadrez é usado como ferramenta didática a partir do 6º ano e pensado de forma interdisciplinar. "Sentimos da parte dos alunos do 6º ano uma necessidade grande em organizar a própria vida. A ação é a palavra chave para essa turma, entretanto, lhes falta projeção, que ao contrário do que muitos pensam nada mais é do que pensar na ação. O xadrez lhes dá essa possibilidade, não apenas por ser um jogo, mas sim, porque jogo e projeto são muito similares", explica Marco Malzone, professor de Matemática do 6º ano do Ensino Fundamental II do colégio.

Também no Rio de Janeiro, a moda pegou. Mesmo em escolas públicas: o programa "Aprendendo Xadrez nas Escolas", parceria do Governo com a Federação de Xadrez do Estado, inclui aulas do jogo em cerca de 140 escolas estaduais.

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Preto no branco
Incluir a modalidade na grade escolar não é tarefa difícil, porém, é preciso saber trabalhá-la. O professor Sylvio Rezende, autor do livro Xadrez na Escola, da Ed. Ciência Moderna, acredita que existem várias formas de praticá-lo, mas nem todas atendem as necessidades do professor. "O xadrez voltado para competições e o xadrez praticado como atividade lúdica não abrangem todas as exigências educacionais necessárias para que o estudante tenha um bom rendimento escolar. Logo, é preciso que se trabalhe com este jogo de forma pedagógica para que seja capaz de desenvolver educacionalmente as crianças", explica.
Do jogo ao exercício
Visar o aprendizado dos alunos a despeito da competitividade é o mais importante. Os professores da Universidade Católica de Brasília, em sua monografia "O xadrez como ferramenta pedagógica complementar no ensino da matemática", Cléber de Oliveira e José Eduardo Castilho pontuam a necessidade do professor diferenciar a prática técnica e a pedagógica.

"O que ocorre freqüentemente é que os professores utilizam livros que são escritos por jogadores de xadrez, fora do contexto pedagógico. Esta visão técnica da aprendizagem do xadrez vigora ainda hoje na grande maioria dos livros sobre o assunto e isso, por melhor que sejam suas intenções, conduzirá os professores a trabalharem o lado técnico do jogo".

O ideal é que o jogo seja "utilizado de forma a desenvolver habilidades nas quais o estudante tenha dificuldades e que comprometam o seu desempenho escolar", completa Cléber.
Efeitos positivos
O jogo é uma excelente prática complementar, pois interage com diversas disciplinas escolares como a matemática, a história e até idiomas. "Ele é jogado há centenas de anos da mesma forma em vários países diferentes, o que permite um conhecimento da história por meio da evolução do jogo. Além disso, sua difusão pelo mundo permite a interação com jogadores de outros países que falam a linguagem do xadrez em seu idioma, o que facilita o aprendizado de cada língua", diz Horacio Prol, presidente da Federação Paulista de Xadrez.

É importante lembrar que o jogo vai além das questões acadêmicas. Estudá-lo estimula também a imaginação e trabalha valores como responsabilidade, autoconfiança, respeito ao adversário e paciência. "No xadrez, a atenção e a habilidade espacial também são exigidas durante uma partida", completa Antonio Carlos.

Marco Malzone, professor de Matemática do 6º ano do Ensino Fundamental II do Colégio Pio XII, ressalta a importância do jogo para pensar na necessidade de planejamento e execução, já que lida com o correr riscos e a imprevisibilidade. "Para o aluno do 6º ano, compreender que a sua ação é fundamental dentro do seu próprio projeto de vida é uma conquista grande em um tempo em que todos lhe dizem para pensar antes de agir, para ter calma, paciência. No jogo, ele aprende que projeto sem ação não vale muito e, portanto, a sua principal característica e disposição (a ação) está sendo acolhida e desenvolvida", explica.
Quem pode jogar?
"Apesar de complexo, qualquer um pode aprender o jogo, basta praticar e, para isso, não há idade", diz Antonio Carlos de Resende, do Colégio Albert Sabin. Saiba o que a criança pode aprender com o xadrez em cada faixa etária:
4 anos: histórias e desenhos de xadrez e jogos paralelos com xadrez reduzido (menor quantidade de peças),
6 anos: a criança aceita com mais tranquilidade os jogos com regras. Pode começar a aprender as do xadrez...
8 anos: começa o trabalho ainda de forma lúdica mas enfatizando a questão espacial e principalmente a concentração.
12 anos: análise de jogadas, desenvolvimento de raciocínio lógico
14 anos: análise de partidas famosas de jogadores como Karpov, Kasparov etc para aumentar o repertório das crianças

 

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