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Machado de Assis para baixar

por: Bettina Monteiro

O alienista
Como fazer um adolescente gostar de Dom Casmurro, Brs Cubas, Quincas Borba, Esa e Jac? A escola de minha sobrinha Sophia — 13 anos, muitas preocupaes, muitas amigas, muitas festas — apostou no poder das histrias em quadrinho. Indicou uma adaptao do livro "O Alienista", de Machado de Assis, feita por Fbio Moon e Gabriel B para a srie Grandes Clssicos em Graphic Novel (foto).
Antes que os leitores se revoltem comigo novamente (a primeira condio de quem escreve no aborrecer): o fino humor do Machado pode, sim, ser apreciado por adolescentes em fria. Sophia adorou descobrir palavras como mofino e peralvilho. E acredito que a velha coleo de minha prateleira (ainda com a grafia do anto smente, cafzinho, pharmacia) j no lhe mete tanto medo.
Pois a boa notcia que Machado de Assis agora est mo de todos os que tenham computadores ou possam acessar um. Em homenagem ao centenrio da morte do clebre escritor, o Ministrio da Educao lanou, nesta tera-feira, dia 23, no Rio de Janeiro, a obra completa (sim, completa) em formato digital. Vale dar uma olhada no imprima, pelo amor!

(Aproveito pra indicar outro link bacana sobre Machado aqui)

23 de setembro de 2008
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A bunda na literatura

por: Bettina Monteiro

Projeto de leitura para adultos

Criana adora falar de bunda, bumbum, traseiro, ndegas. Adulto tambm. E eu vou usar esse interesse (interessantssimo, alis) para angariar novos adeptos do prazer de ler – de ler, repito. Tambm minha av usou mtodos srdidos para me fazer desejar os livros. Ganhei meu primeiro Sydney Sheldon aos 10 anos. Depois, ela me apresentou a Harold Robbins. A ttica suja deu supercerto. Associei uma coisa outra e tomei gosto. Primeiro pelo sexo. Depois pelos livros. E, finalmente, pelos bons livros.
Ler tem de partir de um desejo. Temos de querer, sentir necessidade, buscar sem motivo. Livros so deliciosos, livros so divertidos, livros mostram outros mundos. At os clssicos podem fazer rir as crianas. Eu tenho a prova. Apresentei Fernando Pessoa minha filha de 5 anos nesta semana. E, eu juro, ela adorou. Ela no nenhuma alma velha com melancolias de lvaro de Campos. uma criana de 5 anos como outra qualquer: pula no sof, se pendura na geladeira, sobe em rvore, escorrega na lama, etc. Mas o livro de Pessoa Poemas para crianas (Ed. Martins Fontes) divertidssimo: rene diversos poemas ldicos que o poeta escrevia para os sobrinhos. Este, que segue, a matou de tanto rir:

O Soba de Bic,
Maravilhoso gajo,
Um admirvel trajo
- que era feito de pele e coisa nenhuma.

Um dia o soba, coitado,
Sentou-se por descuido em cima de uma brasa.
Em vez de gritar: Ai as minhas calas uhhh!…
Gritou ele, esquecendo o trajo:
Ai… minha fisionomia contrria.

Meu projeto de leitura no nada sutil. Se quiser maneiras mais srias de fazer algum gostar de ler, acesse esta reportagem belssima ou veja a lista de 41 projetos do Prmio Vivaleitura 2008, selecionados pela Organizao dos Estados Ibero-Americanos para a Educao, a Cincia e a Cultura (OEI), na quarta-feira.

19 de setembro de 2008
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Somos uns burros

por: Bettina Monteiro

O jegue biblioteca

Minha av acreditava no poder da palavra. Em vez do Padre Nosso, entoava pra gente toda noite, sentada beira da cama: Era um burrinho pedrs, mido e resignado, vindo de Passa-Tempo, Conceio do Serro ou no sei onde no serto. Chamava-se Sete-de-Ouros, e j fora to bom como outro no existiu e nem pode haver igual. No sei quantas vezes ouvi a histria de Guimares Rosa, nem sei quando as palavras comearam a fazer algum sentido ou quando consegui ficar acordada para ouvir o apotetico final. Minha av, incansvel na ladainha, lia, lia, lia, lia. Acreditava que a potica do serto ia entrar nas nossas cabecinhas.

Era um burrinho pedrs, mido e resignado. A frase que antecedia meus sonhos voltou pra mim hoje. Acabo de ler uma histria extraordinria na revista Sou + Eu!: a histria de um jegue, dois jacs e uma pacata cidade do Maranho. Como a ilustre personagem da literatura brasileira, o jegue feioso de Alto Alegre do Pindar provoca um desses alumbramentos. Uma besta simplria, associada s mais ignorantes das criaturas, leva, em suas costas, a prpria babilnia. Atrs da biblioteca andante, seguem as crianas, encantadas, e suas ilustrssimas avs nem sempre ilustradas.

O jegue-livro mudou a vida da cidadezinha. E tambmprovou que aes simples podem fazer toda a diferena. isso que vamos mostrar neste blog: que o burrinho pedrs, mido e resignado capaz de vencer qualquer correnteza.

Podem falar o que quiser da pssima qualidade da educao brasileira mas, somos, ou no somos burros? O que vocs acham?

3 de setembro de 2008
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