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Boletim da Educação

Campus Party evidencia necessidade de atualização das escolas

por: Luciana Allan

Onde estão os novos Romeros e Zuckerbergs?

A quinta edição brasileira da Campus Party, que encerrou neste final de semana, teve como alguns de seus principais temas o empreendedorismo e o futuro da educação com o advento das tecnologias digitais. Os dois temas são absolutamente convergentes.

Campus Party reuniu mais de 7.000 participantes e 80% deles têm menos de 30 anos. A escola está preparada para formar empreendedores? Foto: Douglas Eiji Matsunaga/ Fundação Telefônica

O grande desafio dos educadores já se tornou, sem dúvida nenhuma, o de construir uma nova Escola, estruturada e preparada para lidar com uma geração que já nasceu conectada e está cada vez mais disposta a encontrar seu lugar ao sol como novos empreendedores de uma era em que a Internet e as inovações tecnológicas estão transformando profundamente as relações sociais e econômicas.

Em 1999, portanto há menos de 15 anos, quatro jovens universitários – Romero Rodrigues, Rodrigo Borges, Ronaldo Takahashi e Mário Letelier – deram início ao Buscapé, site de comparação de preços e produtos que veio a protagonizar o maior caso de sucesso da Internet brasileira com a venda para o grupo sul-africano Naspers, em 2009, por US$ 342 milhões.

Em 2004, Mark Zuckerberg, também um jovem universitário de Harvard, criou o Facebook. A empresa se consolidou em pouco tempo como a mais relevante da Web mundial e, na semana anterior ao início da Campus Party no Brasil, entregou a papelada para preparar sua abertura de capital com a estimativa de poder alcançar um valor de mercado de US$ 100 bilhões.

E qual a semelhança entre Romero Rodrigues e Mark Zuckerberg, além da clara vocação para o empreendedorismo? Certamente a visão para identificar uma oportunidade de negócio, a capacidade de inovar com pouco ou nenhum recurso e um desprendimento em estruturar uma carreira profissional não tradicional como a que se espera de quem está na Universidade (vale sublinhar que Romero e seus sócios trancaram a faculdade e retomaram o curso depois que o Buscapé já havia se estabilizado como negócio).

Tanto o Buscapé quanto o Facebook deram seus primeiros passos, basicamente, com o conhecimento que cada um tinha em programação de softwares, muita força de vontade e a coragem para enfrentar os inúmeros obstáculos de construir uma empresa tomando decisões na velocidade frenética da indústria da Internet.

As ferramentas que tiveram para empreender, apesar de terem começado as empresas em épocas diferentes, foram basicamente as mesmas: um computador e um sonho de criar negócios que estabelecessem novos paradigmas para o modo como vivemos, consumimos e nos relacionamos.

A nova escola

Dos 7 mil campistas que participaram da Campus Party, 80% têm menos de 30 anos. Muitos deles ainda estão na faculdade ou são recém-formados. Em cada barraca (ou em cada garagem) pode haver um novo Romero ou Zuckerberg, mas, para chegar lá, jovens como eles precisarão vivenciar um ambiente educacional que acompanhe efetivamente estas mudanças desde o Ensino Fundamental.

Acreditar que a Escola será capaz de contribuir para o surgimento de novos empreendedores sem que passe por uma profunda reestruturação de cunho pedagógico poderá ser um erro fatal que comprometerá o avanço do Brasil na chamada economia digital que, a propósito, deixará de ter esta denominação na medida em que não mais percebermos as fronteiras entre o digital e o real (faça a experiência e pergunte aos seus alunos e a seus filhos nascidos depois de 2000 o que é digital).

Não basta equipar as escolas com tablets e banda larga se o material didático e o conteúdo passado em sala de aula são absolutamente ultrapassados e continuam tendo como única premissa preparar os estudantes para prestar vestibular e disputar uma vaga na universidade. Para criar novos “Romeros” ou “Zuckerbergs” será preciso ir muito além.

Conectar as escolas com o mundo real e diminuir as distâncias entre o que o mercado de trabalho procura e os profissionais recém-formados oferecem serão mais do que essenciais para estimular o surgimento de empreendedores capazes de criar o próximo Buscapé ou Facebook.

Em entrevista para revista Exame, Kevin Efrusy, diretor e sócio do Accel Partners, fundo americano que investiu no Facebook, lembra que empresas como o próprio Facebook, entre elas a Microsoft, a Apple e o Netscape, foram criadas por jovens de cerca de 20 anos (como também é o caso do Buscapé) e sentencia: “Só é possível entender qual é a tecnologia que os jovens querem quando se é parte dessa nova geração”.

Pois bem. Se a Escola não conseguir se integrar com a geração apontada por Kevin Efrusy certamente perderá os bits e bites da história. Simplesmente fazê-los engolir toneladas de apostilas e livros que em nada contribuam para despertar talentos natos para o empreendedorismo inevitavelmente nos colocará como espectadores da revolução que já está em curso.

O País vive um momento fértil nunca antes visto para o surgimento de uma geração de novos bandeirantes, como foram Bill Gates, Steve Jobs, Romero Rodrigues e Zuckerberg. Os investidores já perceberam isso e estão apostando alto no cenário econômico favorável para a criação de novas empresas que têm como alicerce as tecnologias digitais.

Mas, vale ressaltar, muitos dos que estão sendo colocados no comando destas startups são estrangeiros, que desde cedo vivenciaram um ambiente acadêmico que estimula a pesquisa e a vocação empreendedora. Empresas como o próprio Buscapé vêm realizando concursos para identificar e estimular o nascimento de novos empresários, além de investir na capacitação de profissionais que chegam ao mercado ainda despreparados para trabalhar em empresas de Internet, no comércio eletrônico e nas redes sociais.

E as escolas brasileiras? Vão despertar para essas transformações e efetivamente contribuir para criar uma nova leva de empreendedores? Ou continuarão a acreditar que os campuseiros brasileiros, armados com seus laptops e tablets, não poderão ser os novos protagonistas desta nova economia? Vamos ou não estimular o surgimento de novos Romeros? É isso ou desmontar acampamento e voltar para casa com o gostinho amargo de ter fracassado na gincana digital.

 

Educação de qualidade para todos: ainda estamos longe

por: Manoela Meyer

Ontem estivemos na apresentação do relatório de monitoramento das cinco metas do movimento Todos Pela Educação. Infelizmente, as notícias não são muito boas. Em resumo, elas apontam o enorme desafio que o Brasil tem para tornar a Educação Básica do país acessível para todos, com um alto nível de qualidade.

Há quatro anos, o Todos Pela Educação monitora a situação educacional com base em cinco metas:

  1. Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
  2. Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
  3. Todo aluno com aprendizado adequado à sua série
  4. Todos jovem com Ensino Médio concluído até os 19 anos
  5. Investimento em Educação ampliado e bem gerido

Até agora, nenhuma das metas foi cumprida. Os resultados – publicados em “De Olho nas Metas 2011” – continuam indicando uma enorme desigualdade entre as regiões do país, e entre escolas privadas e públicas. Você acredita que ainda há 3,8 milhões de crianças e jovens fora da escola? Esse número é maior do que toda a população do Uruguai, por exemplo. Para resolver, não basta aumentar o número de vagas… é necessário discutir também assuntos como os motivos do atraso e da evasão escolar.

Para avaliar as crianças de 4º ano do Ensino Fundamental em matemática, leitura e escrita, foi aplicada a Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização) em todas as capitais brasileiras. O que se identificou? Que apenas 56,1% dos alunos atingiram o conhecimento esperado em leitura, 53,3% em escrita e 42,8% em matemática. Quando se comparam os resultados de cada região do país, o assunto é ainda mais alarmante. O Sudeste, por exemplo, teve o melhor desempenho em escrita, com 65,5% dos alunos com aprendizado adequado para a série. Já no Nordeste, apenas 30,3% dos alunos redigiram textos conforme o esperado. Uma diferença de 35 pontos percentuais separam as duas regiões.

Ainda mais dramática é a comparação entre escolas particulares e públicas. 93,6% dos alunos de escolas particulares do sudeste atingiram o nível esperado de escrita, contra 21,7% das escolas públicas do nordeste.  A explicação dada pelo Todos para esses números discrepantes é a de que os alunos da rede privada têm melhores condições sociais e econômicas, além de terem cursado a Pré-Escola. Muitos estudos apontam a importância da Educação Infantil na aprendizagem nas séries futuras. Apesar disso, em 2009 apenas 50% das crianças brasileiras de 4 a 5 anos estavam matriculadas na Pré-Escola.

Para Nilma Fontanive e Ruben Klein, consultores da Fundação Cesgranrio, os resultados de leitura apresentaram progressos, ao contrário dos de matemática. “Os educadores parecem estar esquecendo da importância da alfabetização numérica”, disse Nilma. Para Ruben, o mais importante é que os alunos tenham prazer em aprender.

 

O desafio da Defasagem Escolar

Sabe o que mais os resultados apontaram? Que alunos com defasagem idade-série – ou seja, os que repetiram algum ano ou estão adiantados, que hoje chegam a quase 25% de todos os estudantes – atingiram resultados bem piores nas três áreas do conhecimento avaliadas, quando comparados aos alunos na idade correta. Ou seja, isso indica o quanto é importante que seu filho esteja na série certa.

Segundo o professor Tufi Machado Soares, da Universidade Federal de Juiz de Fora, o maior entrave ao avanço educacional da população é o atraso escolar. “Quanto mais defasado o aluno, menor sua chance de concluir os estudos. Diferente do que vem acontecendo hoje, os alunos devem ser acompanhados constantemente desde a Pré-Escola”, conclui.

“Os dados e as análises apontam que as mudanças estruturais precisam acontecer com urgência para que as metas possam ser atingidas até 2022”, disse Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento.

A melhoria da Educação passa, necessariamente, pelo investimento adequado e pela boa gestão dos recursos nos três níveis de governo: União, estados e municípios. No entanto, o relatório aponta que o investimento brasileiro por aluno do Ensino Fundamental ao Superior ocupa as últimas posições quando comparado ao de outros 35 países. O Brasil só tem investimento maior que o da China.

 

 

Facebook, Twitter, Youtube: acompanhe o Educar para Crescer!

por: Iana Chan

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Nas redes sociais, homenageamos o aniversário de nascimento de vários escritores. Ilustração: Claudia Marianno

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Estamos o dia todo no Facebook conversando com nossos leitores, inclusive no fim de semana! Além das novidades do Educar, é por aqui que fazemos nossas homenagens aos escritores aniversariantes.

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Sempre que entrevistamos um Amigo do Educar, pedimos para que ele grave um recado para os leitores.

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15 de dezembro de 2011

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Minha filha e o tablet: a hora é agora?

por: Luciana Allan

Foto: Rafael Evangelista

Fernanda, minha filha de quinze anos, que atualmente está no primeiro ano do ensino médio, tem um grande sonho: estudar com a ajuda de um tablet. Mas ela não quer deixar de escrever e enterrar a letra cursiva – o que eu, sinceramente, concordo: os estudantes devem continuar a registrar algumas observações no bom e velho fichário, um método que jamais deixará de existir no processo de aprendizado. Ela quer apenas ter mais agilidade (encontrar o conteúdo de todos os livros em poucos cliques), acesso a um conteúdo mais instigante (animações que ilustrem algum conceito da física ou mapas interativos em três dimensões que já mostram o relevo de determinada região, por exemplo) e, principalmente, mais comodidade (sem a necessidade de levar muito peso em uma mochila).

Mas se a Fernanda adotasse um tablet já no próximo ano letivo, a tecnologia realmente seria útil para seus estudos em sala de aula? Apesar dos inúmeros aspectos positivos que tornarão sua utilização pelas escolas inexorável, precisamos considerar também diversos desafios que, infelizmente, ainda precisam ser vencidos para levar os livros didáticos para o iPad, o Kindle, o Galaxy ou qualquer outro tablet tão rapidamente quanto esperam os estudantes desta nova geração que já nasceu conectada.

Vamos avaliar os aspectos que podem ser negativos e quais serão os positivos com a chegada dos tablets nas escolas nos próximos anos.

NEGATIVO POSITIVO
Disponibilidade de Conteúdo A grande maioria das editoras ainda está apenas planejando lançar livros didáticos para tablets, o que inviabilizaria uma substituição do material didático impresso por conteúdo digital em larga escala.

 

A adoção imediata pelas escolas incentivaria as editoras a acelerar lançamentos de livros didáticos para tablets para não perder mercado para as concorrentes que se anteciparem na digitalização de conteúdos.
Preparo dos Professores para lidar com as novas tecnologias Os professores ainda não estão, em sua maioria, preparados para utilizar as tecnologias digitais, valendo-se ainda de recursos tradicionais para dialogar com os alunos na expectativa que eles aprendam, o que é um grande desafio em uma geração que cresceu em meio aos bits e bites. Nas mãos dos professores, os tablets ainda não seriam utilizados em todo seu potencial. Com a implementação antecipada dos tablets, as escolas serão obrigadas a investir rapidamente na formação do corpo docente para que os professores aprendam a aplicar as novas tecnologias em sala de aula, melhorem a qualidade do ensino e consigam envolver e motivar os alunos, incrementando a curva de aprendizado na medida em que conquistem seu interesse para um conteúdo mais interativo, dinâmico e atraente.
Custos e Reaproveitamento Todos os anos as editoras enviam livros impressos para que os professores os avaliem e  escolham com quais querem trabalhar no próximo ano letivo. Os livros são sempre atualizados para novas edições e não podem ser reutilizados, sendo destinados, apenas e eventualmente, para reciclagem. Sabemos que qualquer mídia em papel tem os dias contados e com os livros didáticos não será diferente. Mas as editoras ainda não acordaram para esta nova realidade e, por isso, os tablets ainda não terão grande utilidade na sala de aula e serão apenas mais um peso na mochila. Na medida em que lançarem livros para tablets, as editoras serão forçadas a cobrar apenas pelas atualizações e não mais pelos relançamentos das edições que trazem conteúdos muito semelhantes aos das edições anteriores. Os conteúdos baixados nos tablets serão 100% reaproveitáveis e terão que ser cada vez mais inovadores, interativos e divertidos para entreter os estudantes. Por mais este motivo, quanto mais rápido o mercado editorial começar a desenvolver materiais em formato digital, melhor será. Se as escolas incentivarem o uso dos tablets, as editoras serão obrigadas a embarcar na digitalização. Isso é tão certo quando a música digital ter matado o CD.

Nesta rápida análise fica claro que, mesmo com estes empecilhos para uma rápida adoção, não há motivos para esperar. As escolas não terão nada a perder em incentivar o uso dos tablets o mais rápido possível. As tarefas escolares, com certeza, se tornarão muito mais divertidas, lúdicas e práticas com o suporte de um tablet. Com poucos cliques, os alunos terão acesso aos conteúdos essenciais e uma infinidade de conteúdos extras, a qualquer momento, não precisando inclusive se deslocar em momentos pontuais para o laboratório de informática. Será o início de uma Nova Era, com mais mobilidade, praticidade, otimização do tempo e dos recursos, tão preciosos quando falamos de Educação.

O tablet chegará para motivar os alunos a explorar mais os conteúdos, criar momentos de reflexão, tirar dúvidas e outras atividades mais produtivas. E irá, claro, tornar o processo de aprendizagem, dentro e fora da sala de aula, mais antenado com os desafios de uma formação cada vez mais exigente. Implementar as novas tecnologias na sala de aula é inevitável e urgente para que estas novas gerações ingressem mais preparadas no mercado de trabalho em que saber usar um microcomputador deixou há muito tempo de ser um diferencial. A Fernanda, que não chegou a conhecer uma máquina de escrever e só ouve músicas no iPod, é prova disso e ela tem pressa! Ou as editoras e escolas entendem a Fernanda ou irão perder definitivamente sua atenção para oráculos como o Google e a Wikipedia. A hora é agora!

 

17 de novembro de 2011
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Uma carta-desbafo: escola está há quatro meses com muro destruído

por: Marina Azaredo
Há quatro meses, a publicitária Carolina Prestes Yirula, que mora em São Paulo, têm a mesma visão ao voltar para casa após o trabalho: o muro de uma escola perto da sua casa desabou e, desde então, nada foi feito. A “solução” encontrada parece ter sido o acúmulo de entulho no local, como você pode ver na foto acima. 

Carolina, que foi estagiária de marketing do Educar entre novembro de 2009 e julho de 2010, relata que “um pedaço do muro da E.E. Napoleão de Carvalho Freire (localizada no Jardim Novo Mundo, São Paulo) veio abaixo. Para resolver o problema foram colocados pedaços de plantas, terra, entulhos, e assim leva-se a situação, com tijolos caindo aos poucos (e colocando alunos e pedestres em risco), sujeira se aglomerando e o descuido e desrespeito escancarando-se para quem quiser ver”.

Indignada, ela resolveu escrever uma carta-desabafo para o Educar. Veja o que ela diz:

“Há tempos ando guardando certa indignação e descontentamento e agora, atingida por um ápice de revolta, resolvi escrever esse breve desabafo. Todos os dias, em meu caminho de volta para a casa, passo em frente a uma escola pública que, há mais ou menos 4 meses, encontra-se em um estado inadmissível.

Refiro-me a um muro escolar que simplesmente desmoronou. Isso mesmo. Um pedaço do muro da E.E. Napoleão de Carvalho Freire (localizada no Jardim Novo Mundo, São Paulo) veio abaixo. Para resolver o problema foram colocados pedaços de plantas, terra, entulhos, e assim leva-se a situação, com tijolos caindo aos poucos (e colocando alunos e pedestres em risco), sujeira se aglomerando e o descuido e desrespeito escancarando-se para quem quiser ver.

Como é possível que um espaço público seja tratado dessa forma? Como permitir o descuido de um espaço educativo a ponto de torná-lo um antro de entulhos? E os alunos? Vivem e convivem em um ambiente pouco seguro em que o lema é “salve-se quem puder”, pois o muro está caindo, e ninguém está tomando atitudes frente a isso.

O que me deixa revoltada é a postura do Governo do Estado de São Paulo, ausente de sua responsabilidade. Até agora nada foi feito, e frente ao caos, parece que reinou a indiferença.
Onde estão os responsáveis por mantê-la um local digno de ser chamado de “escola”? E o respeito com os alunos? E com os professores? Que levantam todos os dias e deparam-se com o seu espaço de convívio completamente deteriorado? O que peço é apenas um pouco de consideração e respeito. Que tipo de tratamento é esse que oferecem a nós, cidadãos? Escolas deterioradas, literalmente caindo aos pedaços e mais do que isso… O descaso.

O espaço físico da escola não pode ser colocado de lado, pois tem efeito direto na motivação e desempenho dos funcionários e principalmente, na formação dos alunos. Que exemplo está sendo dado a essas crianças, que veem aquilo que lhes pertence em situação de calamidade? Quais os valores que são ensinados a elas? E a autoestima e sensação de pertencimento, como ficam?

Este texto não questiona a qualidade do ensino oferecido pela EE Napoleão de Carvalho Freire, mas busca apenas destacar a irresponsabilidade do Governo do Estado de São Paulo. É dever do Governo manter nossas escolas em bom estado. O muro caiu há mais de 4 meses, e, repito, até agora nada foi feito.

Tenho certeza que essa não é a única escola que enfrenta esse tipo de problema e isso é o grande motivo deste desabafo. A E.E. Napoleão de Carvalho Freire é uma entre tantas. Vamos exigir o mínimo, que é o respeito e o cuidado com as nossas escolas.

O endereço da E.E. Napoleão de Carvalho Freire é: Rua Iraúna, 815, Jardim Novo Mundo, São Paulo.

Esperamos uma mudança rápida (que, diga-se de passagem, já vem tarde).”

Carolina mandou a denúncia também para outros meios de comunicação. E a resposta do Secretaria da Educação do Estado de São Paulo foi diferente para cada um deles. Para o Terra, a assessoria de imprensa da Secretaria informou que a empresa responsável pela reconstrução do muro já está sendo convocada pela Fundação para Desenvolvimento da Educação (FDE) – órgão responsável pelas obras da pasta – e que estão previstos investimentos de R$ 120 mil para a reconstrução do muro e execução de outras melhorias estruturais na escola, que devem começar em dezembro.

Já para o jornal O Globo, foi informado que não há previsão para o início das obras. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual não respondeu ao pedido de esclarecimento do Educar para Crescer.

E você? Tem alguma denúncia a fazer? Mande para a gente!

*A Carolina, que é muito engajada na melhoria da Educação no Brasil, é responsável pelo perfil no Twitter @Educomunicacao e pela página do Facebook Educomunicação. Vale acompanhar!

9 de novembro de 2011
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Seminário aponta caminhos para as políticas públicas do ensino

por: Marina Azaredo

Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, encerrou o evento. Foto: Divulgação

Em seminário realizado nesta terça-feira, 25 de outubro, em São Paulo, educadores, acadêmicos, prefeitos e secretários de Educação debateram como deve ser a Educação no século 21. O evento foi realizado pelo Instituto Ayrton Senna, em cooperação com a Unesco e com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

O Seminário Educação para o Século 21 contou 330 participantes de 13 Estados. Os palestrantes concordaram que o ensino deve ser baseado no equilíbrio entre as competências cognitivas e as não cognitivas. Para todos eles, o desenvolvimento das competências não cognitivas deve integrar o currículo do Ensino Fundamental para todos os alunos a partir de oito anos de idade. Dessa forma, essas crianças terão melhores condições de desenvolver as cognitivas e estarão mais bem preparadas para enfrentar os desafios do século 21, como violência, sustentabilidade ambiental e diversidades.

O prêmio Nobel de Economia, James Heckman, professor do Instituto Henry Schultz da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, comentou a relação dessas competências com a formação de personalidade das crianças. “Não podemos ignorar as competências não cognitivas ou teremos graves problemas sociais”, alertou o especialista. Segundo ele, essas questões têm relação direta com o sucesso das pessoas em diversos setores. E que tudo isso depende muito do envolvimento entre famílias e escolas. “A interação desses agentes é imprescindível para o desenvolvimento do ambiente social”, afirmou Heckman.

Eduardo Gianetti da Fonseca, professor de Neurociência da Universidade Duke (EUA), chamou a atenção para o atraso na conclusão de temas fundamentais. “Em pleno século 21, ainda não resolvemos agendas do século 19, como saneamento básico.” O presidente executivo do Grupo Abril, Fábio Barbosa, compartilha da opinião de Gianetti e acrescentou que evidenciar determinados valores depende apenas da disposição das pessoas. E a Educação é um dos principais fatores desta mudança.

Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, encerrou o seminário ressaltando a importância do encontro. “Importante resultado deste encontro é que certamente estamos saindo daqui diferentes de como chegamos, e cientes de que temos de fazer nossa lição de casa”, disse ela.

Veja os principais trechos das palestras e debates do evento.

 

26 de outubro de 2011
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Contagem regressiva para o Enem: saiba como você pode ajudar seu filho

por: Iana Chan
As provas do Enem 2011 (Exame Nacional do Ensino Médio) acontecem neste final de semana, nos dias 22 e 23 de outubro. O EDUCAR PARA CRESCER preparou um roteiro para esse momento que antecede o exame.

Dias antes da prova não adianta se matar de estudar. Essa é a hora de relaxar para chegar preparado no dia. Leia outras dicas na matéria Ajude seu filho a ir bem no Enem.

 

Estudantes fazem Enem na UERJ. Foto: Ana Branco

Importância do Enem
O Enem fará parte do processo seletivo de pelo menos 44 universidades públicas, como um dos elementos ou como critério único. Isso explica o recorde histórico dessa edição: 6,2 milhões de alunos se inscreveram para a prova. É o maior número desde a sua criação, em 1998.

Mas o Enem não traz benefícios só para o estudante, ele também serve como indicador de qualidade para as escolas brasileiras. Saiba por que é importante que todos os estudantes participem do exame na reportagem 8 motivos para fazer (bem) o Enem

Estresse
Nesse momento é comum que os estudantes fiquem ansiosos, afinal todo o conhecimento acumulado no Ensino Médio será posto à prova. Leia as 7 dicas para lidar com o estresse pré-vestibular e saiba como você pode ajudar.

Uma das maneiras para manter a tranquilidade é não ir com dúvidas para a prova! “Como vai ser a redação?” “O que devo levar no dia?”. Esclareça esses e outros pontos com a matéria O Enem 2011.

Simulados
Para aqueles que querem dar uma revisada final, separamos 10 questões para cada eixo temático exigido pela prova: Português, Matemática, Ciências Humanas e Ciências Naturais.
As questões foram elaboradas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela formulação do Enem.
Simulado de Matemática
Simulado de Português
Simulado de Ciências Naturais
Simulado de Ciências Humanas

Chegou a hora!
O ideal nesse momento é tranquilizar seu filho e passar-lhe confiança. Ajude-o a verificar se está tudo certo com os itens e se ele já conhece o caminho até o local do exame. Vale a pena ir antes ao local para testar o trajeto e anotar o tempo necessário. Boa sorte!

 

Marilena Chauí fala sobre trágica herança deixada pela Ditadura Militar à educação

por: Manoela Meyer

"Na Ditadura é criada a ideia de que escola pública é subversiva", diz a filósofa. Foto: Divulgação.

Na última sexta, publicamos no nosso site um extenso depoimento da Marilena Chauí sobre a importância da Educação em sua vida. Se você não leu, vale a pena conferir clicando aqui.

Como a conversa foi longa, decidimos compartilhar com vocês algumas outras questões tratadas pela filósofa e que não foram publicadas.

Para quem não sabe, Marilena Chauí é uma das mais importantes vozes femininas quando se trata de Educação e Política no país.  É professora titular, agora aposentada, do departamento de Filosofia da USP e já foi Secretária de Cultura de São Paulo de 1989 a 1992. Tem diversas obras publicadas, mas foram os livros “O que é Ideologia” e “Convite à Filosofia” que a tornaram conhecida pelo público em geral.

Vamos para a entrevista?

Educar: A senhora comentou que sua educação esteve sempre ligada ao ensino público. E que sua formação foi excepcional.  Mas nessa época, a educação chegava à toda população?

Marilena: Veja bem. Não havia na época uma política educacional que visasse a sociedade brasileira como um todo. Mas a escola não era um lugar que promovia a seleção e a desigualdade. De fato, a educação existia somente em determinados lugares. Portanto, o que descrevo é uma experiência dentro da cidade de São Paulo. Em um tempo em que não havia a marca atual da capital paulistana: essa terrível diferença entre centro e periferia. No meu tempo, os bairros mais afastados eram tão equipados educacionalmente quanto os mais centrais. Essa cidade desigual, feita de uma violenta polarização entre a carência absoluta e o privilégio de poucos, surge a partir da Ditadura Militar.

Educar: Por que o ensino público perdeu sua excelência?

Marilena: Na Ditadura Militar é criada a ideia de que escola pública gratuita é subversiva. A crise começou com a destruição das escolas vocacionais e, posteriormente, do resto das escolas públicas. Tudo isso com o apoio da burguesia que apoiou o golpe, o que inclui os empresários da educação. Houve uma inversão de papéis, com a subordinação da educação ao dinheiro. Uma tragédia.

Educar: O governo atual está dando mais importância à quantidade que à qualidade das escolas públicas?

Marilena: O que o atual governo está fazendo é garantir aquilo que está posto na Constituição Brasileira: a educação é direito de todos os cidadãos e é dever do Estado oferecê-la. O problema é que os últimos governos encontraram escolas destruídas, com professores sem formação e sem salário. Escolas sem qualquer infra-estrutura, sem possibilidade de melhoria.

Ou seja, o que se busca atualmente é a ampliação quantitativa, garantindo ao menos uma escola pública em cada um dos mais de 3.000 municípios brasileiros, e, ao mesmo tempo, a requalificação dos professores. O Ministério da Educação, por exemplo, tem promovido cursos presenciais e à distância para atualização desses profissionais. Mas isso tudo é um longo processo.

Nessa mesma onda, vêm as políticas de inclusão como cotas e ProUni [Programa Universidade para Todos], tentando fazer com que as universidades públicas não recebam apenas alunos da rede privada.

Educar: A senhora teria algo a dizer aos pais brasileiros?

Marilena: O que eu diria aos pais é para que nunca abandonem a ideia de que a Educação é uma formação do espírito. Não é apenas uma forma de adquirir conhecimento e cultura. É a maneira pela qual você aprende a se relacionar com o mundo, com a sociedade, com a política, com a história, com os outros. A Educação abre você para o universo!

Os pais precisam entender que não se trata de assegurar um diploma para seus filhos, ou a boa entrada deles no mercado de trabalho. Trata-se de garantir a boa inserção no mundo social pela via do conhecimento, que só a Educação traz.

 

Para ministro, Educação no Brasil é regular. E para você?

por: Marina Azaredo

Foto: Alexandre Battibugli/EXAME

O ministro da Educação, Fernando Haddad, classificou a Educação brasileira como regular em evento da revista EXAME na última sexta-feira. Em um debate com Gustavo Ioschpe, Maria Helena Guimarães de Castro e o empresário Marcelo Odebrecht, mediado pelo jornalista Ricardo Boeachat, o ministro foi questionado sobre a qualidade da Educação no Brasil. Haddad respondeu imediatamente que a considerava regular, mas que havia melhorado muito nos últimos anos. “Infelizmente o Brasil acordou tarde para a Educação”, disse.

Já os outros debatedores não hesitaram em classificar a Educação brasileira como “péssima” ou “ruim”. “Se éramos os piores do mundo, não havia como piorar. Mesmo com as melhorias, ainda ocupamos as piores colocações”, afirmou Gustavo Ioschpe, refereindo-se ao Pisa, exame em que o Brasil ocupou a 53ª posição em 2009, 12 lugares a frente do último colocado. Maria Helena Guimarães de Castro também não poupou críticas. “A melhoria do ensino é pequena e seu ritmo é lento”, disse.

E você, o que pensa sobre a Educação no Brasil? Ótima, boa, regular, ruim ou péssima? Queremos a saber a sua opinião!

Leia mais em VEJA.

 

Carreira e atratividade da profissão docente: reflexões

por: Iana Chan
Embora o Brasil tenha avançado na Educação, dados como o da Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetizção) confirmam que ainda há muito a ser feito: a avaliação mostrou que 57,2% dos estudantes do terceiro ano do Ensino Fundamental não conseguem realizar operações básicas de Matemática, como somar e subtrair. 

A fim de apoiar gestores educacionais na resolução dos problemas que enfrentam diariamente, a Fundação Itaú Social organizou no dia 05 de setembro um seminário para discutir o Plano de Carreira do Professor, que integra o Ciclo de Debates – Gestão Educacional, realizado ao longo do ano em São Paulo.

Estiveram presentes o consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) e Diretor do Instituto de Governança e Gestão Pública da ESADE (Barcelona), Francisco Longo; Nelson Marconi, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas; a presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho; e o diretor de Valorização dos Profissionais de Educação da recém-criada Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino (Sase) do Ministério da Educação, Antonio Roberto Lambertucci.

No discurso de abertura, o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, foi enfático na importância do professor para uma Educação de qualidade: “Não existe desenvolvimento sustentável se a Educação não for prioridade de um país, e o docente é eixo central dessa discussão”.

Mas, afinal, o que é preciso para garantir bons professores?

Durante o seminário, pesquisadores e gestores apresentaram tendências e boas práticas na área de gestão para tentar encontrar a equação que garante um corpo docente de qualidade. Uma pesquisa da Fundação Victor Civita em parceria com a Fundação Carlos Chagas  sobre a atratividade da carreira docente (veja íntegra) revelou que apenas 2% dos jovens do Ensino Médio indicaram como primeira opção de ingresso a faculdade de Pedagogia ou Licenciatura.

A atratividade na carreira começa com a valorização do professor. O cargo precisa ser interessante economicamente para que atraia e retenha talentos, mas, segundo Francisco Longo, este é apenas um dos elementos, incapaz de modificar sozinho a Educação de um país. Na Finlândia, os professores não ganham salários altíssimos, mas gozam de excelente prestígio social, pois  a carreira é muito exigente e concorrida, explicou o espanhol. Portanto, é preciso ir além: além de um salário satisfatório, os convidados do seminário indicaram o resgate do prestígio social do professor e a organização de um plano de carreira para que se reverta o quadro atual.

Plano de Carreira

Todos os presentes no debate concordaram que a estruturação de um plano de carreira está entre as soluções para o problema da qualidade na Educação. Hoje mais da metade dos municípios brasileiros não oferecem essa modalidade, segundo dados do Plano de Ações Articuladas.O Plano Nacional de Educação  (PNE), em tramitação no Congresso, prevê como meta assegurar, no prazo de dois anos, desses planos para todos os profissionais do magistério. O diretor de Valorização dos Profissionais de Educação do Ministério da Educação (MEC), Antonio Roberto Lambertucci, disse que os municípios estão sendo estimulados a apresentá-los.

Para Francisco Longo, o plano de carreira deve se organizar pautado pela  meritocracia e pela flexibilidade. De um lado, a meritocracia garante a competitividade e a estabilidade, enquanto a flexibilidade assegura responsividade, isto é, a capacidade de responder rapidamente, e a possibilidade de, por exemplo, diferenciar recompensas segundo desempenho demonstrado. “Profissionalizar o emprego público assegura a transparência e limita a corrupção, além de melhorar a qualidade de serviço aos usuários”, enumerou o professor.

O professor da FGV Nelson Marconi, que fez apresentação sobre Gestão Estratégica de Recursos Humanos no setor público, lembrou uma boa gestão é capaz de “garantir servidores estimulados para desenvolver seu trabalho de maneira eficiente a alcançar os resultados ambicionados pela organização”. Para ele, é preciso estruturar incentivos para possibilitar a cobrança do resultado que a organização deseja: “Sou a favor do bônus para os professores, como é feito hoje no Estado de São Paulo”.

Um plano de carreira precisa ter base em critérios de avaliação de desempenho. Segundo Longo, isso funciona não só como meio de premiar ou punir os resultados e, portanto, estimular a dedicação dos professores, mas também como instrumento de análise sobre o que e onde é possível melhorar.  Além disso, o professor também acredita que a mensuração de trabalho  dos professores implicaria o reconhecimento da sua importância: “As profissões se legitimam sendo avaliadas”, completa.

A presidente da Undime (União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação), Cleuza Repulho, relacionou a falta de perspectiva na carreira de professor à falta de profissionais qualificados: um a cada cinco professores da rede pública tem formação insuficiente para exercer a profissão e está, portanto, em situação irregular.

“As crianças não podem dar sorte ou azar de caírem em uma escola em que os professores são preparados ou despreparados”, lamentou Cleuza, que falou sobre os marcos legais da questão salarial no Brasil. Entre eles, a Lei do Piso (2008), cujo  recente julgamento no STF instituiu sua validade para todo país,  rejeitando a alegação de cinco Estados quanto a sua inconstitucionalidade.  O valor atual do piso é de R$ 1.178,14.  “Mais importante do que garantir o piso é garantir carreira aos professores”, conclui Cleuza.

Por fim, o espanhol Francisco Longo advertiu que a Educação só será prioridade para os governos quando assim o for para a sociedade. “Realidade não se muda por decreto. Sem uma cidadania ativa e vigilante sobre o processo, não conseguiremos avanços”, alertou.

O próximo seminário acontece no dia 28 de novembro, também no Itaú Cultural. O tema será Diretrizes Curriculares. Para se inscrever ou obter mais informações, acesse o site da Fundação Itaú Social.

 

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