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Boletim da Educação

Marilena Chauí fala sobre trágica herança deixada pela Ditadura Militar à educação

por: Manoela Meyer

"Na Ditadura é criada a ideia de que escola pública é subversiva", diz a filósofa. Foto: Divulgação.

Na última sexta, publicamos no nosso site um extenso depoimento da Marilena Chauí sobre a importância da Educação em sua vida. Se você não leu, vale a pena conferir clicando aqui.

Como a conversa foi longa, decidimos compartilhar com vocês algumas outras questões tratadas pela filósofa e que não foram publicadas.

Para quem não sabe, Marilena Chauí é uma das mais importantes vozes femininas quando se trata de Educação e Política no país.  É professora titular, agora aposentada, do departamento de Filosofia da USP e já foi Secretária de Cultura de São Paulo de 1989 a 1992. Tem diversas obras publicadas, mas foram os livros “O que é Ideologia” e “Convite à Filosofia” que a tornaram conhecida pelo público em geral.

Vamos para a entrevista?

Educar: A senhora comentou que sua educação esteve sempre ligada ao ensino público. E que sua formação foi excepcional.  Mas nessa época, a educação chegava à toda população?

Marilena: Veja bem. Não havia na época uma política educacional que visasse a sociedade brasileira como um todo. Mas a escola não era um lugar que promovia a seleção e a desigualdade. De fato, a educação existia somente em determinados lugares. Portanto, o que descrevo é uma experiência dentro da cidade de São Paulo. Em um tempo em que não havia a marca atual da capital paulistana: essa terrível diferença entre centro e periferia. No meu tempo, os bairros mais afastados eram tão equipados educacionalmente quanto os mais centrais. Essa cidade desigual, feita de uma violenta polarização entre a carência absoluta e o privilégio de poucos, surge a partir da Ditadura Militar.

Educar: Por que o ensino público perdeu sua excelência?

Marilena: Na Ditadura Militar é criada a ideia de que escola pública gratuita é subversiva. A crise começou com a destruição das escolas vocacionais e, posteriormente, do resto das escolas públicas. Tudo isso com o apoio da burguesia que apoiou o golpe, o que inclui os empresários da educação. Houve uma inversão de papéis, com a subordinação da educação ao dinheiro. Uma tragédia.

Educar: O governo atual está dando mais importância à quantidade que à qualidade das escolas públicas?

Marilena: O que o atual governo está fazendo é garantir aquilo que está posto na Constituição Brasileira: a educação é direito de todos os cidadãos e é dever do Estado oferecê-la. O problema é que os últimos governos encontraram escolas destruídas, com professores sem formação e sem salário. Escolas sem qualquer infra-estrutura, sem possibilidade de melhoria.

Ou seja, o que se busca atualmente é a ampliação quantitativa, garantindo ao menos uma escola pública em cada um dos mais de 3.000 municípios brasileiros, e, ao mesmo tempo, a requalificação dos professores. O Ministério da Educação, por exemplo, tem promovido cursos presenciais e à distância para atualização desses profissionais. Mas isso tudo é um longo processo.

Nessa mesma onda, vêm as políticas de inclusão como cotas e ProUni [Programa Universidade para Todos], tentando fazer com que as universidades públicas não recebam apenas alunos da rede privada.

Educar: A senhora teria algo a dizer aos pais brasileiros?

Marilena: O que eu diria aos pais é para que nunca abandonem a ideia de que a Educação é uma formação do espírito. Não é apenas uma forma de adquirir conhecimento e cultura. É a maneira pela qual você aprende a se relacionar com o mundo, com a sociedade, com a política, com a história, com os outros. A Educação abre você para o universo!

Os pais precisam entender que não se trata de assegurar um diploma para seus filhos, ou a boa entrada deles no mercado de trabalho. Trata-se de garantir a boa inserção no mundo social pela via do conhecimento, que só a Educação traz.

Manoela Meyer
Por

dia 13 de outubro de 2011

Estagiária do Educar para Crescer, Manoela é formada em Ecologia e estuda Jornalismo. Acredita que só com acesso à Educação e informação de qualidade é que se pode pensar em saúde, justiça social e preservação ambiental.

 
Comentários 






  • 13 de outubro de 2011 às 7:38 pm

    Sandra -

    Sopa de letrinhas.

  • 14 de outubro de 2011 às 9:32 am

    Ari Marques -

    Brasileiro, gosta mesmo de chorar sobre a morte da bezerra. Será que vamos perder mais tempo do que durou a ditadura, lamentando seu legado? Não seria mais razoável lutar para tirar o atraso?

  • 19 de novembro de 2012 às 12:20 pm

    Deborah -

    Educação na época da Diradura Militar

  • 21 de fevereiro de 2014 às 9:09 pm

    sonimar e almeida -

    Eu estudei nas escolas publicas da epoca da ditadura e eram bem melhores que as escolas publicas de HOJE

  • 19 de dezembro de 2014 às 10:13 pm

    Vânia -

    Siceramente,isso não explica nada.Eu estudei em escola pública do antigo pré-primário até o 3º ano do 2º grau,e a escola era nota 1000,nem se comparava com o que é hoje.Não tenho coragem,nos dias de hoje,de colocar um filho meu numa escola pública.Essa senhora devia é rever o seu salário e parar de soltar informações desnecessárias por aí.

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