Educação de qualidade para todos: ainda estamos longe
Ontem estivemos na apresentação do relatório de monitoramento das cinco metas do movimento Todos Pela Educação. Infelizmente, as notícias não são muito boas. Em resumo, elas apontam o enorme desafio que o Brasil tem para tornar a Educação Básica do país acessível para todos, com um alto nível de qualidade.
Há quatro anos, o Todos Pela Educação monitora a situação educacional com base em cinco metas:
- Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
- Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
- Todo aluno com aprendizado adequado à sua série
- Todos jovem com Ensino Médio concluído até os 19 anos
- Investimento em Educação ampliado e bem gerido
Até agora, nenhuma das metas foi cumprida. Os resultados – publicados em “De Olho nas Metas 2011” – continuam indicando uma enorme desigualdade entre as regiões do país, e entre escolas privadas e públicas. Você acredita que ainda há 3,8 milhões de crianças e jovens fora da escola? Esse número é maior do que toda a população do Uruguai, por exemplo. Para resolver, não basta aumentar o número de vagas… é necessário discutir também assuntos como os motivos do atraso e da evasão escolar.
Para avaliar as crianças de 4º ano do Ensino Fundamental em matemática, leitura e escrita, foi aplicada a Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização) em todas as capitais brasileiras. O que se identificou? Que apenas 56,1% dos alunos atingiram o conhecimento esperado em leitura, 53,3% em escrita e 42,8% em matemática. Quando se comparam os resultados de cada região do país, o assunto é ainda mais alarmante. O Sudeste, por exemplo, teve o melhor desempenho em escrita, com 65,5% dos alunos com aprendizado adequado para a série. Já no Nordeste, apenas 30,3% dos alunos redigiram textos conforme o esperado. Uma diferença de 35 pontos percentuais separam as duas regiões.
Ainda mais dramática é a comparação entre escolas particulares e públicas. 93,6% dos alunos de escolas particulares do sudeste atingiram o nível esperado de escrita, contra 21,7% das escolas públicas do nordeste. A explicação dada pelo Todos para esses números discrepantes é a de que os alunos da rede privada têm melhores condições sociais e econômicas, além de terem cursado a Pré-Escola. Muitos estudos apontam a importância da Educação Infantil na aprendizagem nas séries futuras. Apesar disso, em 2009 apenas 50% das crianças brasileiras de 4 a 5 anos estavam matriculadas na Pré-Escola.
Para Nilma Fontanive e Ruben Klein, consultores da Fundação Cesgranrio, os resultados de leitura apresentaram progressos, ao contrário dos de matemática. “Os educadores parecem estar esquecendo da importância da alfabetização numérica”, disse Nilma. Para Ruben, o mais importante é que os alunos tenham prazer em aprender.
O desafio da Defasagem Escolar
Sabe o que mais os resultados apontaram? Que alunos com defasagem idade-série – ou seja, os que repetiram algum ano ou estão adiantados, que hoje chegam a quase 25% de todos os estudantes – atingiram resultados bem piores nas três áreas do conhecimento avaliadas, quando comparados aos alunos na idade correta. Ou seja, isso indica o quanto é importante que seu filho esteja na série certa.
Segundo o professor Tufi Machado Soares, da Universidade Federal de Juiz de Fora, o maior entrave ao avanço educacional da população é o atraso escolar. “Quanto mais defasado o aluno, menor sua chance de concluir os estudos. Diferente do que vem acontecendo hoje, os alunos devem ser acompanhados constantemente desde a Pré-Escola”, conclui.
“Os dados e as análises apontam que as mudanças estruturais precisam acontecer com urgência para que as metas possam ser atingidas até 2022”, disse Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento.
A melhoria da Educação passa, necessariamente, pelo investimento adequado e pela boa gestão dos recursos nos três níveis de governo: União, estados e municípios. No entanto, o relatório aponta que o investimento brasileiro por aluno do Ensino Fundamental ao Superior ocupa as últimas posições quando comparado ao de outros 35 países. O Brasil só tem investimento maior que o da China.
Tags: Ensino fundamental, Ensino Médio, evasão escolar, leitura, Matemática, redação, relatório, todos pela educação
Para ministro, Educação no Brasil é regular. E para você?
Já os outros debatedores não hesitaram em classificar a Educação brasileira como “péssima” ou “ruim”. “Se éramos os piores do mundo, não havia como piorar. Mesmo com as melhorias, ainda ocupamos as piores colocações”, afirmou Gustavo Ioschpe, refereindo-se ao Pisa, exame em que o Brasil ocupou a 53ª posição em 2009, 12 lugares a frente do último colocado. Maria Helena Guimarães de Castro também não poupou críticas. “A melhoria do ensino é pequena e seu ritmo é lento”, disse.
E você, o que pensa sobre a Educação no Brasil? Ótima, boa, regular, ruim ou péssima? Queremos a saber a sua opinião!
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Tags: debate, Educação, exame, fernando haddad, ioschoe, maria helena guimarães
Carreira e atratividade da profissão docente: reflexões
A fim de apoiar gestores educacionais na resolução dos problemas que enfrentam diariamente, a Fundação Itaú Social organizou no dia 05 de setembro um seminário para discutir o Plano de Carreira do Professor, que integra o Ciclo de Debates – Gestão Educacional, realizado ao longo do ano em São Paulo.
Estiveram presentes o consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) e Diretor do Instituto de Governança e Gestão Pública da ESADE (Barcelona), Francisco Longo; Nelson Marconi, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas; a presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho; e o diretor de Valorização dos Profissionais de Educação da recém-criada Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino (Sase) do Ministério da Educação, Antonio Roberto Lambertucci.
No discurso de abertura, o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, foi enfático na importância do professor para uma Educação de qualidade: “Não existe desenvolvimento sustentável se a Educação não for prioridade de um país, e o docente é eixo central dessa discussão”.
Mas, afinal, o que é preciso para garantir bons professores?
Durante o seminário, pesquisadores e gestores apresentaram tendências e boas práticas na área de gestão para tentar encontrar a equação que garante um corpo docente de qualidade. Uma pesquisa da Fundação Victor Civita em parceria com a Fundação Carlos Chagas sobre a atratividade da carreira docente (veja íntegra) revelou que apenas 2% dos jovens do Ensino Médio indicaram como primeira opção de ingresso a faculdade de Pedagogia ou Licenciatura.
A atratividade na carreira começa com a valorização do professor. O cargo precisa ser interessante economicamente para que atraia e retenha talentos, mas, segundo Francisco Longo, este é apenas um dos elementos, incapaz de modificar sozinho a Educação de um país. Na Finlândia, os professores não ganham salários altíssimos, mas gozam de excelente prestígio social, pois a carreira é muito exigente e concorrida, explicou o espanhol. Portanto, é preciso ir além: além de um salário satisfatório, os convidados do seminário indicaram o resgate do prestígio social do professor e a organização de um plano de carreira para que se reverta o quadro atual.
Plano de Carreira
Todos os presentes no debate concordaram que a estruturação de um plano de carreira está entre as soluções para o problema da qualidade na Educação. Hoje mais da metade dos municípios brasileiros não oferecem essa modalidade, segundo dados do Plano de Ações Articuladas.O Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Congresso, prevê como meta assegurar, no prazo de dois anos, desses planos para todos os profissionais do magistério. O diretor de Valorização dos Profissionais de Educação do Ministério da Educação (MEC), Antonio Roberto Lambertucci, disse que os municípios estão sendo estimulados a apresentá-los.
Para Francisco Longo, o plano de carreira deve se organizar pautado pela meritocracia e pela flexibilidade. De um lado, a meritocracia garante a competitividade e a estabilidade, enquanto a flexibilidade assegura responsividade, isto é, a capacidade de responder rapidamente, e a possibilidade de, por exemplo, diferenciar recompensas segundo desempenho demonstrado. “Profissionalizar o emprego público assegura a transparência e limita a corrupção, além de melhorar a qualidade de serviço aos usuários”, enumerou o professor.
O professor da FGV Nelson Marconi, que fez apresentação sobre Gestão Estratégica de Recursos Humanos no setor público, lembrou uma boa gestão é capaz de “garantir servidores estimulados para desenvolver seu trabalho de maneira eficiente a alcançar os resultados ambicionados pela organização”. Para ele, é preciso estruturar incentivos para possibilitar a cobrança do resultado que a organização deseja: “Sou a favor do bônus para os professores, como é feito hoje no Estado de São Paulo”.
Um plano de carreira precisa ter base em critérios de avaliação de desempenho. Segundo Longo, isso funciona não só como meio de premiar ou punir os resultados e, portanto, estimular a dedicação dos professores, mas também como instrumento de análise sobre o que e onde é possível melhorar. Além disso, o professor também acredita que a mensuração de trabalho dos professores implicaria o reconhecimento da sua importância: “As profissões se legitimam sendo avaliadas”, completa.
A presidente da Undime (União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação), Cleuza Repulho, relacionou a falta de perspectiva na carreira de professor à falta de profissionais qualificados: um a cada cinco professores da rede pública tem formação insuficiente para exercer a profissão e está, portanto, em situação irregular.
“As crianças não podem dar sorte ou azar de caírem em uma escola em que os professores são preparados ou despreparados”, lamentou Cleuza, que falou sobre os marcos legais da questão salarial no Brasil. Entre eles, a Lei do Piso (2008), cujo recente julgamento no STF instituiu sua validade para todo país, rejeitando a alegação de cinco Estados quanto a sua inconstitucionalidade. O valor atual do piso é de R$ 1.178,14. “Mais importante do que garantir o piso é garantir carreira aos professores”, conclui Cleuza.
Por fim, o espanhol Francisco Longo advertiu que a Educação só será prioridade para os governos quando assim o for para a sociedade. “Realidade não se muda por decreto. Sem uma cidadania ativa e vigilante sobre o processo, não conseguiremos avanços”, alertou.
O próximo seminário acontece no dia 28 de novembro, também no Itaú Cultural. O tema será Diretrizes Curriculares. Para se inscrever ou obter mais informações, acesse o site da Fundação Itaú Social.
Paulo Renato, o pai da modernidade do ensino brasileiro
Na história da Educação brasileira, o ex-ministro, criador do Enem e do Saeb, merece um capítulo à parte, tamanhas as mudanças que soube imprimir
Texto: Marion Frank
Poucos se dedicaram mais à evolução do ensino brasileiro – e, o que é melhor, com êxito – do que Paulo Renato Souza. Ministro da Educação durante os dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), conseguiu dirimir interesses contrários e desavenças políticas de modo a colocar em marcha as principais mudanças já ocorridas na história da Educação brasileira. É por isso que se avalia, sem exagero, o nosso ensino em “antes de Paulo Renato” e “depois de Paulo Renato”.

No lançamento do movimento Educar para Crescer, Roberto Civita e Paulo Renato Souza. Foto: Divulgação
Vítima de um infarto, ele faleceu, aos 65 anos, na noite de sábado, dia 25, em São Roque (SP). “Sentiremos muito a sua falta, como amigo, como companheiro de lutas na frente educacional e como cidadão exemplar”, declarou Roberto Civita, presidente do Conselho de Administração e diretor editorial do Grupo Abril.
Nascido em Porto Alegre, Paulo Renato, que era conselheiro do movimento Educar para Crescer, formou-se em economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Fez mestrado na Universidade do Chile e doutorado na Unicamp. Foi na universidade de Campinas que começou a tomar gosto, por assim dizer, pela Educação, primeiro como professor, depois, como reitor (1986). Suas qualidades de gestor, no entanto, já haviam sido colocadas em prática à frente da Secretaria de Educação de São Paulo, no governo Franco Montoro, em 1984.
“Ele tinha enorme capacidade para aprender questões novas e organizar propostas ou decisões.” Quem relembra é José Serra, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo, e com quem Paulo Renato trabalhou também como secretário da Educação (2009-2010). “Sempre conseguia sintetizar o assunto e fazer uma proposta engenhosa. Sabia negociar com os adversários em razão de sua atitude de respeito aos outros, paciência infinita e personalidade cordial, sem falar do espírito prático.” Talentos que permitiram ao ministro Paulo Renato aprovar, em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação que deu partida à criação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), prova que procura “incentivar o estudante a aprender a pensar, a refletir e a ‘saber como fazer’”, como realça o seu estatuto; e o Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), a primeira iniciativa de conhecer em profundidade a qualidade dos sistemas educacionais tanto no Brasil como um todo quanto em suas regiões geográficas.

Maria Helena Guimarães Castro e o ministro Fernando Haddad, com Paulo Renato Souza. Foto: Divulgação
Também foi Paulo Renato quem instituiu o Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental), ainda na década de 1990, fundo que priorizou recursos para o ensino básico, originando aumento expressivo do número de crianças na escola, algo em torno de 100%. “Paulo Renato foi o responsável direto pela universalização do acesso ao Ensino Fundamental no Brasil e criou um sistema de avaliação que hoje nos permite dar um salto na qualidade da Educação. Foi um grande ministro, um grande mestre, um grande brasileiro”, lembra Claudia Costin, secretária da Educação da cidade do Rio de Janeiro.
Maria Helena Guimarães Castro, ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo, concorda. “Ele deixa um legado extraordinário não só como ministro da Educação do governo FHC, mas também como secretário de Educação de São Paulo nos governos Montoro e José Serra, além de ter sido um excelente reitor da Unicamp. Na sua gestão no MEC, foi responsável por grandes mudanças estruturais da Educação brasileira. Com ele, o MEC mudou e passou a priorizar a Educação básica como política publica essencial na construção de um país mais justo e menos desigual. Fará muita falta ao Brasil”, lamenta.
“Não é exagero dizer que a gestão de Paulo Renato foi um divisor de águas na Educação brasileira. Ele colocou todas as crianças na escola e nos deu as ferramentas para que descobríssemos a dimensão dos problemas de qualidade da Educação no Brasil. Agora precisamos dar o passo seguinte, que é de assegurar Educação de qualidade para todos”, afirma Gustavo Ioschpe, economista e especialista em Educação.
Como secretário de Educação do governo José Serra, Paulo Renato consolidou, entre outros, o programa Ler e Escrever (que inclui material didático para alunos e professores) e implantou a Escola do Professor (que investe no aprimoramento pedagógico aos aprovados em concursos do magistério). No exterior, entre os cargos executivos de maior relevância, vale ressaltar o que ocupou como gerente de Operações do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, no início dos anos 1990.
Paulo Renato, é bom que se diga, possuía um histórico de problemas cardíacos desde 1995, com duas pontes mamárias e três pontes de safena. No feriado de Corpus Christi, ele descansava com a família em um hotel de São Roque, quando sofreu o infarto. Deixou três filhos e seis netos. A respeito de seu falecimento, a presidente Dilma Rousseff assim se expressou: “Recebi com pesar a notícia. Paulo Renato prestou relevantes serviços ao País”.
Tags: Educação, Enem, fernando haddad, paulo renato, saeb
E a formação dos professores, como anda?
Essa não é a melhor maneira de começar um post, mas, infelizmente, tenho três más notícias para a Educação brasileira:
1) Em boa parte dos Estados e municípios do país, a formação docente não dá conta de seu objetivo principal, que é aprimorar a prática pedagógica para fazer os alunos avançarem.
2) As Secretarias de Educação não têm políticas públicas capazes de auxiliar as escolas e os professores.
3) Nem todas as redes contam com um coordenador pedagógico por escola.
Essas são as principais conclusões de duas pesquisas realizadas pela Fundação Carlos Chagas sob encomenda da Fundação Victor Civita: A Formação Continuada de Professores no Brasil: Uma Análise das Modalidades e Práticas e O Coordenador Pedagógico e a Formação de Professores: Intenções, Tensões e Contradições.
Diante desses dados, não há como evitar o questionamento: como fica a formação das nossas crianças? Que tipo de Educação o seu filho, seu sobrinho, seu irmão estão recebendo? Você já parou para pensar nisso?
As duas pesquisas estão disponíveis no site da Fundação Victor Civita e merecem uma leitura atenta de qualquer um que se interesse por Educação. Leia, reflita, divulgue e comente. Esse quadro precisa ser transformado rapidamente!
Tags: coordenadores pedagógicos, Educação, formação, fundação victor civita, professores
O que está em jogo no novo PNE?
Entenda o Plano Nacional de Educação, que deve estabelecer diretrizes na área para os próximos dez anos
O projeto de lei que vai criar o novo Plano Nacional de Educação (PNE) foi enviado pelo Ministério da Educação (MEC) ao Congresso Nacional no final de 2010 e agora aguarda votação na Câmara e no Senado. Mas para que serve exatamente o Plano e do que ele trata? Para esclarecer isso, fomos atrás da situação atual de cada uma das metas e destacamos as polêmicas que as envolvem.
O objetivo do PNE é definir prioridades e estratégias relacionadas à Educação nacional no prazo de dez anos. A primeira versão, de 2001, continha 256 metas. Já o plano deste ano tem apenas 20 metas . Dessas, destacam-se pontos cruciais e polêmicos como a valorização dos professores e o inevitável debate sobre a revisão do piso salarial da categoria, a porcentagem simbólica do PIB direcionado à Educação, a erradicação do analfabetismo, a garantia do atendimento em creches para 50% das crianças de até três anos e a ampliação da Educação em tempo integral na rede pública de ensino.
Prazos e aprovação
Apesar dos avanços e das boas intenções contidas no Plano, educadores questionam a possibilidade de executá-lo. Além disso, metas importantes não têm prazo para serem alcançadas. Entre elas, estão a alfabetização total de crianças até 8 anos, o oferecimento de Educação em tempo integral para 50% das escolas públicas, a elevação da escolaridade de jovens e adultos, o incentivo à especialização de professores e a destinação de 7% do PIB para a Educação.
Atualmente, o PNE espera sua aprovação na Câmara dos Deputados. Em seguida, o texto segue para o Senado, de onde, caso sejam feitas alterações, poderá ser reencaminhado à Câmara para uma nova e última avaliação. Segundo o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o tempo para que todas as aprovações ocorram pode chegar a um ano e meio. Para ele, cada etapa da aprovação descrita deve durar, em média, quatro meses, totalizando 12 meses de avaliações para as três etapas descritas – os recessos parlamentares do início e meio do ano foram considerados.
Os deputados voltam a trabalhar apenas em fevereiro, quando as comissões que discutirão a aprovação do PNE começarão a ser formadas. “Se a avaliação do Plano não for acelerada, poderá entrar no calendário eleitoral dos municípios [nas eleições para prefeito em 2012], e aí o Congresso estará parado”, alerta Daniel sobre a possibilidade de um atraso ainda maior para aprovação do Plano.
Para a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o atraso pode ser tolerado, ou mesmo visto como normal, considerando a necessidade de uma discussão aprofundada e o tempo para que a sociedade brasileira se aproprie minimamente do conteúdo do Plano. Já o movimento Todos pela Educação defende a aplicação rápida do novo PNE. “A demora enfraquece a execução. As discussões já foram feitas, temos que partir para a implementação do Plano. Temos que começar a trabalhar, senão ficaremos discutindo o resto da vida. O importante é focar mais na implementação e menos em alterações no texto”, diz Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento.
Dinheiro
O financiamento da Educação nos próximos dez anos é um dos principais alvos de crítica do novo PNE. Tudo porque o texto não deixa claro o prazo para que sejam alcançados os 7% do PIB destinados para a Educação nacional (veja meta 20 no post abaixo). Vale lembrar que, durante o processo eleitoral, a presidente Dilma Rousseff afirmou que até 2014 deveríamos chegar a esse percentual.
Historicamente, os movimentos sociais lutam por 10% do PIB nacional direcionado à Educação, conquista que a partir do atual PNE ainda está longe de ser alcançada. Para Priscila, não é hora de serem discutidos detalhes. “As metas do Plano podem ser sempre melhoradas, mas é necessário ir para a prática. O PIB de 7% significa muito dinheiro a mais para a Educação”, afirma.
O estabelecimento de uma porcentagem do PIB para a Educação é um símbolo para o real valor a ser investido na área. É esse valor que garante a execução das estratégias prevista no PNE. “Construímos um plano em que os 7% do PIB cobrem todas as despesas. Fizemos as contas meta por meta e o custo desse PNE é exatamente de dois pontos percentuais [a mais] do PIB”, afirmou Haddad em entrevista para o UOL. Os gastos atuais em Educação no Brasil equivalem a aproximadamente 5% do PIB. O ministro prevê também que os ajustes na remuneração dos educadores custará apenas 0,8% do PIB.
Tags: 20 metas, Mec, Ministério da Eucação, Plano Nacional de Educação, pne
Desempenho do Brasil no Pisa melhora, mas ainda estamos longe de uma Educação de qualidade
Foto: Rodrigo O. Sanchez, Wikicommons
A avaliação educacional mais importante – e relevante – do mundo revelou que a Educação brasileira está melhorando, mas ainda ocupamos uma posição baixa: em um ranking de 65 países somos o 53º colocado em Leitura e Ciências e 57º em Matemática. O Pisa avalia o desempenho de alunos do Ensino Fundamental e Médio em três áreas chaves: Leitura, Matemática e Ciências. A média brasileira nessas disciplinas foi de 401 pontos, bem abaixo da pontuação dos países mais desenvolvidos, que obtiveram 496 pontos. Em leitura, o Brasil alcançou 412 pontos; em Matemática, 386 e em Ciências 405 – em 2006 a pontuação foi de 393 em Leitura, 370 em Matemática e 390 em Ciências. Resultado que nos deixa atrás de México, Uruguai, Jordânia, Tailândia e Trinidad e Tobago.
Apesar da má colocação, o Ministério da Educação (MEC) enaltece a melhora do desempenho brasileiro nesses últimos anos. Em sua página oficial, o ministério destaca o aumento de 33 pontos na média geral nos últimos 10 anos. O relatório mostra que o Brasil é o terceiro país que mais cresceu em Educação básica na década, atrás de Chile (crescimento de 37 pontos) e Luxemburgo (melhora de 38 pontos). Para o ministro Fernando Haddad, um dos principais motivos dessa melhora foi o estabelecimento de metas por escolas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Linkar Ideb
Além da avaliação de competências nessas três áreas do conhecimento, o Pisa faz uma análise do contexto educacional ao redor do mundo. Nesta última edição chegaram a algumas conclusões interessantes:
●As escolas com o melhor desempenho tendem a priorizar turmas menores e a boa remuneração dos professores;
●Escolas com boa disciplina e relação saudável entre professores e alunos costumam alcançar melhores resultados;
●Autonomias das escolas aliada a uma boa gestão podem levar à melhores resultados;
●A porcentagem de alunos que dizem ler por prazer caiu de 69% em 2000 para 64% em 2009.
Saiba mais sobre o Pisa: Por dentro do Pisa
Conselho do Educar para Crescer analisa resultados de 2010
Os conselheiros do EDUCAR PARA CRESCER reuniram-se na tarde de terça-feira, 23/11, no prédio da Editora Abril, em São Paulo, para conhecer as conquistas do projeto em 2010 e traçar as metas para 2011.
Entre os resultados apresentados aos conselheiros presentes, destacam-se: a participação de mais de 150 personalidades em 250 depoimentos pela melhoria da Educação BRasileira, a adesão de cinco novas publicações da Editora Abril ao movimento, 250 reportagens sobre Educação em mais de 600 páginas editoriais, impactando cerca de 20 milhões de leitores. Além disso, o EDUCAR apresentou seu portfolio de cartilhas, ampliado. Agora são oito modelos diferentes, que podem ser baixados aqui. Entre janeiro e novembro de 2010, foram distribuídas 8,5 milhões cartilhas, em 1,8 mil municípios, nas cinco regiões brasileiras.
Na ocasião, também foram apresentadas metas para 2011. Entre elas, a elaboração de novas cartilhas, a distribuição de especiais temáticos de volta às aulas e roteiro de férias, a multiplicação de mais 10 milhões de cartilhas e o download de mais 300 mil cartazes escolares.
O conselho
O EDUCAR PARA CRESCER tem um conselho composto por especialistas em Educação e representantes da Abril e de seus parceiros. Estiveram presentes na reunião do conselho consultivo Roberto Civita (presidente do Conselho de Administração do Grupo Abril), Jairo Mendes Leal (presidente da Editora Abril), Mailson da Nóbrega (economista, ex-ministro da Fazenda), Mozart Neves Ramos (conselheiro do movimento Todos pela Educação), Angela Dannemann (diretora-executiva da Fundação Victor Civita), Claudia Costin (secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro), Gustavo Ioschpe (economista especialista em Educação), Naércio Menezes (coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper), Jorge Stainhilber (presidente do Conselho Federal de Educação Física), Ana Lucia Lima (diretora-executiva do Instituto Paulo Montenegro), Maria Alice Setubal (presidente do Cenpec), Maria Helena Guimarães de Castro (ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo), Mário Sérgio Cortella (educador), Sidnei Basile (vice-presidente do Grupo Abril), Kaíke Nanne (diretor do EDUCAR PARA CRESCER) e Kadu Palhano (redator-chefe do EDUCAR PARA CRESCER).
Os repórteres Camilo Gomide, Marcela Cipolla e eu aproveitamos a oportunidade para conversar com alguns dos conselheiros sobre a importância de projetos como o EDUCAR PARA CRESCER e sobre o que eles esperam do próximo governo na área de Educação. Confira o que eles disseram:
“Essa prestação de contas que vimos hoje depois de quase três anos de trabalho foi uma extraordinária demonstração de que estamos realmente alcançando o nosso objetivo inicial, que era e continua sendo conscientizar nosso público, nossa audiência toda – que beira 30 milhões de pessoas – sobre a importância da Educação e da necessidade do envolvimento de cada um na Educação de seus filhos. Não é uma questão que pode ser deixada para o governo, para a escola. As estatísticas, os números e as demonstrações que vimos demonstram claramente que essa mensagem está chegando, o que é muito animador e nos incentiva a continuar ampliando o projeto.”

Naércio Menezes Filho, Coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa
“Movimentos como o EDUCAR PARA CRESCER são muito importantes, pois mobilizam a sociedade como um todo. Durante muitos anos, a Educação ficou em segundo plano entre as preocupações da sociedade. Mas isso está mudando. E o ensino tem melhorado. Está acontecendo o que aconteceu com a inflação nas décadas de 80 e 90. Depois de várias tentativas para combatê-la, surgiu o plano real. Depois de muita experimentação na Educação, parece que agora estamos no caminho certo. Espero que o próximo governo mantenha a ênfase na avaliação do ensino, na formação de professores e no aumento de horas-aula, assim como numa melhor gestão dos recursos da área.”
“Houve uma modificação na consciência das pessoas sobre o problema da Educação, mas ainda há muitos passos a serem dados. Estamos só agora saindo de uma situação de indigência, mas já podemos nos alegrar com essa tendência. Eu diria que estamos no fim do começo, e não no começo do fim. É preciso que a Educação passe a ser uma política de Estado, e não de governo. Espero que a próxima presidente aprofunde as melhorias na Educação básica e aumente o percentual do PIB investido na área. Além disso, é preciso democratizar a gestão escolar.”

Mozart Neves Ramos, , conselheiro do Todos pela Educação
“O Brasil acordou tarde para envolver a sociedade em torno da Educação. Mas é possível fazer essa mobilização. Na década de 1980, a população abraçou a causa das diretas; em 1990, a causa da inflação. Nesta década nossa principal preocupação tem de ser a Educação e movimentos como o Todos para Crescer e o Educar para Crescer têm papel fundamental nessa mobilização. A mídia tem de aumentar a temperatura desse debate.”

Maria Alice Setubal, presidente do conselho de administração do Cenpec
“Educação não é algo apenas de governo. O envolvimento de toda a sociedade é fundamental. É interessante como projetos como o EDUCAR PARA CRESCER possui um impacto forte na Educação. O ensino no país possui diversos desafios e é necessária uma visão sistêmica da Educação.”

Claudia Costin, Secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro
“Movimentos como o Todos pela Educação e o EDUCAR PARA CRESCER dialogam com toda a sociedade e a mobilizam para a melhoria da Educação. Muitas vezes, as pessoas confundem qualidade da Educação com construção de prédio, merenda e uniforme. Esses projetos conseguem enfatizar a aprendizagem dos filhos, atrair o investimento de empresários e mostrar outros caminhos.”
“Enquanto não houver uma consciência geral de que a Educação brasileira é catastrófica não criaremos a situação política ideal para fazer as mudanças necessárias para tornar a Educação brasileira realmente boa. Até mesmo a educação das escolas particulares é ruim, e os pais também desconhecem isso.”

Maria Helena de Castro, socióloga e especialista em Educação
“Uma pesquisa do Ibope indicou que 70% da população estava satisfeita com a Educação brasileira, O que sinaliza que a Educação não é uma prioridade. Se fosse prioridade, saberiam que o ensino vai mal. A população ainda não tem essa clareza da importância de uma Educação de qualidade.”
Tags: 2010, 2011, conselho, educar para crescer, metas, roberto civita
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IBGE realiza pesquisa sobre saúde dos estudantes brasileiros
O estudante brasileiro possui uma alimentação saudável? Faz atividade física? Fuma? Quando começou a fumar? Já se envolveu em episódio de violência? Qual é a estrutura familiar destes jovens? Estas e outras perguntas serão respondidas pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense 2009), que começou a ser coletada nesta segunda-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A pesquisa será realizada junto a 70 mil alunos de 1.507 escolas públicas e privadas de todo o País. Os objetivos são dar subsídios para a implantação do Sistema de Vigilância dos Fatores de Risco e Proteção à Saúde dos Adolescentes, do Ministério da Saúde, e direcionar as políticas públicas voltadas para os jovens e os futuros investimentos nesta área.
A partir de questões sobre alimentação, atividade física, condições de vida, violência, tabagismo, saúde bucal, acidentes, consumo de álcool e drogas, o estudo traçará o perfil das condições de vida do estudante brasileiro. A divulgação dos resultados está prevista para dezembro deste ano.











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