Educação de qualidade para todos: ainda estamos longe
Ontem estivemos na apresentação do relatório de monitoramento das cinco metas do movimento Todos Pela Educação. Infelizmente, as notícias não são muito boas. Em resumo, elas apontam o enorme desafio que o Brasil tem para tornar a Educação Básica do país acessível para todos, com um alto nível de qualidade.
Há quatro anos, o Todos Pela Educação monitora a situação educacional com base em cinco metas:
- Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
- Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
- Todo aluno com aprendizado adequado à sua série
- Todos jovem com Ensino Médio concluído até os 19 anos
- Investimento em Educação ampliado e bem gerido
Até agora, nenhuma das metas foi cumprida. Os resultados – publicados em “De Olho nas Metas 2011” – continuam indicando uma enorme desigualdade entre as regiões do país, e entre escolas privadas e públicas. Você acredita que ainda há 3,8 milhões de crianças e jovens fora da escola? Esse número é maior do que toda a população do Uruguai, por exemplo. Para resolver, não basta aumentar o número de vagas… é necessário discutir também assuntos como os motivos do atraso e da evasão escolar.
Para avaliar as crianças de 4º ano do Ensino Fundamental em matemática, leitura e escrita, foi aplicada a Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização) em todas as capitais brasileiras. O que se identificou? Que apenas 56,1% dos alunos atingiram o conhecimento esperado em leitura, 53,3% em escrita e 42,8% em matemática. Quando se comparam os resultados de cada região do país, o assunto é ainda mais alarmante. O Sudeste, por exemplo, teve o melhor desempenho em escrita, com 65,5% dos alunos com aprendizado adequado para a série. Já no Nordeste, apenas 30,3% dos alunos redigiram textos conforme o esperado. Uma diferença de 35 pontos percentuais separam as duas regiões.
Ainda mais dramática é a comparação entre escolas particulares e públicas. 93,6% dos alunos de escolas particulares do sudeste atingiram o nível esperado de escrita, contra 21,7% das escolas públicas do nordeste. A explicação dada pelo Todos para esses números discrepantes é a de que os alunos da rede privada têm melhores condições sociais e econômicas, além de terem cursado a Pré-Escola. Muitos estudos apontam a importância da Educação Infantil na aprendizagem nas séries futuras. Apesar disso, em 2009 apenas 50% das crianças brasileiras de 4 a 5 anos estavam matriculadas na Pré-Escola.
Para Nilma Fontanive e Ruben Klein, consultores da Fundação Cesgranrio, os resultados de leitura apresentaram progressos, ao contrário dos de matemática. “Os educadores parecem estar esquecendo da importância da alfabetização numérica”, disse Nilma. Para Ruben, o mais importante é que os alunos tenham prazer em aprender.
O desafio da Defasagem Escolar
Sabe o que mais os resultados apontaram? Que alunos com defasagem idade-série – ou seja, os que repetiram algum ano ou estão adiantados, que hoje chegam a quase 25% de todos os estudantes – atingiram resultados bem piores nas três áreas do conhecimento avaliadas, quando comparados aos alunos na idade correta. Ou seja, isso indica o quanto é importante que seu filho esteja na série certa.
Segundo o professor Tufi Machado Soares, da Universidade Federal de Juiz de Fora, o maior entrave ao avanço educacional da população é o atraso escolar. “Quanto mais defasado o aluno, menor sua chance de concluir os estudos. Diferente do que vem acontecendo hoje, os alunos devem ser acompanhados constantemente desde a Pré-Escola”, conclui.
“Os dados e as análises apontam que as mudanças estruturais precisam acontecer com urgência para que as metas possam ser atingidas até 2022”, disse Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento.
A melhoria da Educação passa, necessariamente, pelo investimento adequado e pela boa gestão dos recursos nos três níveis de governo: União, estados e municípios. No entanto, o relatório aponta que o investimento brasileiro por aluno do Ensino Fundamental ao Superior ocupa as últimas posições quando comparado ao de outros 35 países. O Brasil só tem investimento maior que o da China.
Tags: Ensino fundamental, Ensino Médio, evasão escolar, leitura, Matemática, redação, relatório, todos pela educação
Marilena Chauí fala sobre trágica herança deixada pela Ditadura Militar à educação

"Na Ditadura é criada a ideia de que escola pública é subversiva", diz a filósofa. Foto: Divulgação.
Na última sexta, publicamos no nosso site um extenso depoimento da Marilena Chauí sobre a importância da Educação em sua vida. Se você não leu, vale a pena conferir clicando aqui.
Como a conversa foi longa, decidimos compartilhar com vocês algumas outras questões tratadas pela filósofa e que não foram publicadas.
Para quem não sabe, Marilena Chauí é uma das mais importantes vozes femininas quando se trata de Educação e Política no país. É professora titular, agora aposentada, do departamento de Filosofia da USP e já foi Secretária de Cultura de São Paulo de 1989 a 1992. Tem diversas obras publicadas, mas foram os livros “O que é Ideologia” e “Convite à Filosofia” que a tornaram conhecida pelo público em geral.
Vamos para a entrevista?
Educar: A senhora comentou que sua educação esteve sempre ligada ao ensino público. E que sua formação foi excepcional. Mas nessa época, a educação chegava à toda população?
Marilena: Veja bem. Não havia na época uma política educacional que visasse a sociedade brasileira como um todo. Mas a escola não era um lugar que promovia a seleção e a desigualdade. De fato, a educação existia somente em determinados lugares. Portanto, o que descrevo é uma experiência dentro da cidade de São Paulo. Em um tempo em que não havia a marca atual da capital paulistana: essa terrível diferença entre centro e periferia. No meu tempo, os bairros mais afastados eram tão equipados educacionalmente quanto os mais centrais. Essa cidade desigual, feita de uma violenta polarização entre a carência absoluta e o privilégio de poucos, surge a partir da Ditadura Militar.
Educar: Por que o ensino público perdeu sua excelência?
Marilena: Na Ditadura Militar é criada a ideia de que escola pública gratuita é subversiva. A crise começou com a destruição das escolas vocacionais e, posteriormente, do resto das escolas públicas. Tudo isso com o apoio da burguesia que apoiou o golpe, o que inclui os empresários da educação. Houve uma inversão de papéis, com a subordinação da educação ao dinheiro. Uma tragédia.
Educar: O governo atual está dando mais importância à quantidade que à qualidade das escolas públicas?
Marilena: O que o atual governo está fazendo é garantir aquilo que está posto na Constituição Brasileira: a educação é direito de todos os cidadãos e é dever do Estado oferecê-la. O problema é que os últimos governos encontraram escolas destruídas, com professores sem formação e sem salário. Escolas sem qualquer infra-estrutura, sem possibilidade de melhoria.
Ou seja, o que se busca atualmente é a ampliação quantitativa, garantindo ao menos uma escola pública em cada um dos mais de 3.000 municípios brasileiros, e, ao mesmo tempo, a requalificação dos professores. O Ministério da Educação, por exemplo, tem promovido cursos presenciais e à distância para atualização desses profissionais. Mas isso tudo é um longo processo.
Nessa mesma onda, vêm as políticas de inclusão como cotas e ProUni [Programa Universidade para Todos], tentando fazer com que as universidades públicas não recebam apenas alunos da rede privada.
Educar: A senhora teria algo a dizer aos pais brasileiros?
Marilena: O que eu diria aos pais é para que nunca abandonem a ideia de que a Educação é uma formação do espírito. Não é apenas uma forma de adquirir conhecimento e cultura. É a maneira pela qual você aprende a se relacionar com o mundo, com a sociedade, com a política, com a história, com os outros. A Educação abre você para o universo!
Os pais precisam entender que não se trata de assegurar um diploma para seus filhos, ou a boa entrada deles no mercado de trabalho. Trata-se de garantir a boa inserção no mundo social pela via do conhecimento, que só a Educação traz.
Tags: ditadura militar, Educação, filosofia, governo, marilena chauí
Pais, mesmo sem a guarda da criança, serão informados sobre notas e faltas

Stock
A partir dessa sexta-feira, dia 7 de agosto, todas as escolas do país devem informar a frequência e o rendimento aos pais e mães de seus alunos, além de apresentar a eles a proposta pedagógica da instituição. A determinação é resultado de uma nova redação de um parágrafo no artigo 12 da Lei de Diretrizes e Bases, LDB. A nova versão da lei fala em pais “conviventes ou não com seus filhos”, ou seja, contempla pais sem a guarda da criança.
A nova redação foi sancionada pelo presidente Lula na quinta-feira, 6 de agosto, e passa a valer nesta sexta, dia de sua publicação no Diário Oficial.
Tags: guarda da criança, ldb, legislação
Educação brasileira avança, mas ainda há muito o que melhorar

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou no dia 9 de junho, uma radiografia da Educação no Brasil. O relatório “Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 – O Direito de Aprender: Potencializar Avanços e Reduzir Desigualdades” faz uma análise com os dados mais atuais da situação do ensino nacional. Alguns resultados são animadores, outros, não muito.
O estudo traz dados alarmantes: 680 mil crianças entre 7 e 14 anos não estão matriculadas na escola. O número corresponde a 3 % das crianças do país, mas isso não ameniza a situação. Principalmente se levarmos em consideração que desses 680 mil, 450 são negros, ou 66 %. As estatísticas refletem o maior obstáculo a ser vencido pelo país: a desigualdade social.
Uma pesquisa recente feita pela Fundação Getlio Vargas (FGV), “Motivos da evasão escolar”, destaca a importância da educação para diminuir as diferenças entre as classes: “A literatura social concluiu há tempos sobre o alto poder explicativo da educação na alta desigualdade brasileira. Entretanto, faltam ao pai de família e ao jovem estudante brasileiro tomar ciência do poder transformador da educação em suas vidas, como os altos impactos exercidos sobre empregabilidade, salário e saúde”.
Outro indicador preocupante foi a alta taxa de repetência no Ensino médio, que dobrou em 9 anos (de 1998 a 2007). Alguns especialistas atribuem o índice negativo aos problemas no currículo do ensino médio, que não consegue despertar o interesse dos alunos.
Alguns progressos foram feitos, especialmente no que diz respeito ao acesso ao estudo, aprendizagem, permanência e conclusão do Ensino Básico. Mas, muitos problemas ainda precisam ser solucionados para alcançarmos patamares satisfatórios.
Lições da campeã do Ideb
“Ela é a nova professora assistente?”, pergunta um aluno do 5º ano da escola Elisabeth Maria Cavaretto de Almeida, em Santa Fé do Sul (SP). Antes mesmo da resposta, todos se levantam, em sinal de respeito. Apesar do comportamento algo reverente diante da possível nova estagiária, os olharzinhos inquisidores que me desafiam entregam que essa é uma típica classe de 5º ano. Vejamos: entre uma gracinha e outra, alguém sugere que você seja abreviado por vc e é repreendido pelo professor. O exercício do ditado prossegue e a classe, antes concentrada e silenciosa, rompe em risos. “Ei, empresta a régua?”, “Quermesse com dois esses?”, “Pera aí, psor!” são as frases mais ouvidas.
Se chegou aqui por acaso, explico: estive em Santa Fé no inicio do ano letivo para acompanhar as aulas da escola Elisabeth Maria Cavaretto de Almeida, a melhor instituição pública de ensino fundamental I do país. Se é leitor desse blog, você acompanhou parte dessa viagem no post Boa educação no interior do Brasil.
Durante minha estada, acompanhei aulas, conversei com pais e professores e conheci de perto a Educação da cidade. Também apurei o que a administração recém-empossada planeja fazer para dar continuidade ao trabalho bem-sucedido da gestão anterior. O resultado desse trabalho é a reportagem As lições da campeã do Ideb.
Me conte o que achou na caixa de comentários.
Tags: Avaliação, Ideb, santa fé do sul




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