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Boletim da Educação

Brasil tem hoje menos leitores do que em 2007

por: Equipe do Educar para Crescer

Pesquisa do Instituto Pró-Livro também mostrou que a média de livros lidos caiu entre a população brasileira

A pesquisa foi apresentada no II Seminário Retratos da Leitura no Brasil, dia 28 de março, em Brasília. Foto: Fotoforum / Cristiano Sérgio

*Por Beatriz Montesanti

O brasileiro lê em média 4 livros por ano. E destes quatro, termina apenas dois. É o que mostrou a terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro. Este número é ainda menor do que o apresentado pela edição anterior da pesquisa, feita em 2007, quando foi constatado que lia-se em média 4,7 livros por ano .

Realizada pelo IBOPE Inteligência, entre junho e julho de 2011, a pesquisa ainda constatou que o índice de leitores no Brasil caiu: a penetração anterior da leitura era de 55% (cerca de 95,6 milhões) e passou para 50% (88,2 milhões) da população com cinco anos de idade ou mais (178 milhões, em 2011). São considerados leitores as pessoas que leram pelo menos um livro nos últimos três meses.

A bíblia permanece em primeiro lugar de preferência dos leitores, seguida por livros didáticos, romances, livros religiosos, contos e literatura infantil, entre outros.

O Nordeste despontou como a região de maior penetração dos livros (51%), posição justificada pelo aumento do número de estudantes. Em contrapartida, o Centro-Oeste tem a melhor média de livros lidos por pessoa, com 2,12 exemplares.

Além disso, a pesquisa revelou que o papel do professor e das escolas cresceu no incentivo à leitura (45%), em comparação com a pesquisa de 2007, quando os pais apareceram como os principais motivadores (43%). Ainda assim, a diferença é bem pequena.

O fato que não muda em nenhuma edição, no entanto, é o de que a escolaridade, a classe social e o ambiente familiar estão profundamente relacionados com a penetração da leitura e a média de livros. Quanto mais escolarizado ou mais rico é o entrevistado, maior é a penetração da leitura e a média de livros lidos nos últimos 3 meses.

30 de março de 2012

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Abertas inscrições para a 3º edição da Olimpíada de Língua Portuguesa

por: Iana Chan

O evento realizado no Itaú Cultural contou com a presença do ministro da Educação, Aloizio Mercadante


Mais do que mobilizar alunos e professores para um concurso com ótimos prêmios, a ideia da Olimpíada de Língua Portuguesa é melhorar a aprendizagem por meio do estímulo da leitura e da escrita, além de investir na formação de professores.

O vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, repetiu um apelo que costuma fazer nos eventos da fundação: “Só a Educação transforma um país. O Brasil só melhora quando a sociedade tiver a Educação como prioridade.” O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, presente no lançamento oficial da olimpíada nesta segunda-feira (19) em São Paulo, confirmou a necessidade. “A Olimpíada contribui para a evolução na qualidade da Educação, que é a área de maior desafio do país”, declarou.

Os resultados do último PISA (Saiba mais sobre o Programa Internacional de Avaliação de Alunos nesse link) em 2009 trouxeram certeza para o que já desconfiávamos: ainda falta muito para podermos nos orgulhar da nossa Educação. Quando o assunto é leitura, o Brasil ocupa a 49ª colocação num ranking com 61 países. Alcançamos 412 pontos, distantes da média mundial de 492 e mais longe ainda dos 556 pontos feitos pela líder China.

Para aprimorar a prática dos professores, todas as escolas da rede pública receberão a “Coleção da Olimpíada”, material de apoio composto por cadernos de orientação, com roteiros didáticos para ensino da leitura e produção de texto, coletânea de textos e CD-Rom multimídia. Os quatro kits, um para cada gênero textual presente na olimpíada (poema, memórias literárias, crônica e artigo de opinião) auxilia o professor na realização de oficinas em sala de aula.

Além do ministro da Educação Aloizio Mercadante, estiveram presentes no lançamento da Olimpíada de Língua Portuguesa representantes das instituições parceiras do projeto. Foto: Christina Rufatto

O projeto “Escrevendo o Futuro” é uma iniciativa do Fundação Itaú Social que, em 2008, ganhou apoio do Ministério da Educação, tornando-se uma política pública do governo federal com o nome atual “Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro”.

Inscrições e premiação
Nesse ano, alunos de toda a rede pública produzirão textos com o tema “O lugar onde vivo”. Os gêneros textuais variam de acordo com o ano escolar dos alunos:

Categoria Anos Escolares
Poema 5º e 6º anos/ 4ª e 5ª séries do Ensino Fundamental
Memórias Literárias 7º e 8º ano/ 6ª e 7ª séries do Ensino Fundamental
Crônica 9º ano/ 8ª série do Ensino Fundamental e 1º ano do Ensino Médio
Artigo de Opinião 2º e 3º anos do Ensino Médio

Para participar, primeiro as secretariais municipais ou estaduais de Educação devem fazer a adesão online no site da olimpíada, em seguida professores se inscrevem por uma ou mais escolas onde lecionam. As inscrições vão até 25 de maio.
Após as etapas escolares, municipais, estaduais e regionais, serão premiadas 20 produções. O aluno e o professor responsável ganharão um notebook e a escola correspondente receberá 10 computadores, 1 impressora, 1 projetor, 1 telão e livros.

“O piso é pra valer!”
O ministro da Educação Aloizio Mercadante aproveitou o momento para pontuar algumas questões importantes da sua pasta. A primeira frase já arrancou aplausos da plateia: “O piso [salarial dos professores] é pra valer!”, esbravejou, “é lei e tem que ser cumprida. Um reajuste de 22,5% é pesado para as finanças estaduais e municipais, mas R$1451,00 é pouco mais do que dois salários mínimos”, completou. Mercadante reafirmou a necessidade de uma política sustentável de valorização do professor, para que a carreira se torne competitiva no país e atraia os melhores profissionais, e ainda anunciou que o critério de reajuste está aberto à negociações futuras.

O ministro também comentou o programa que distribuirá tablets para professores da rede pública, defendendo que a Educação precisa se reformular: “se queremos uma escola mais interessante e motivadora, é preciso preparar o professor para a Era da Informação.” Em abril, o ministério disponibilizará os vídeos do professor indiano Salman Khan, famoso por suas vídeo-aulas de Matemática, Biologia, Química e Física. Saiba mais sobre ele aqui.

19 de março de 2012

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Educação de qualidade para todos: ainda estamos longe

por: Manoela Meyer

Ontem estivemos na apresentação do relatório de monitoramento das cinco metas do movimento Todos Pela Educação. Infelizmente, as notícias não são muito boas. Em resumo, elas apontam o enorme desafio que o Brasil tem para tornar a Educação Básica do país acessível para todos, com um alto nível de qualidade.

Há quatro anos, o Todos Pela Educação monitora a situação educacional com base em cinco metas:

  1. Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
  2. Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
  3. Todo aluno com aprendizado adequado à sua série
  4. Todos jovem com Ensino Médio concluído até os 19 anos
  5. Investimento em Educação ampliado e bem gerido

Até agora, nenhuma das metas foi cumprida. Os resultados – publicados em “De Olho nas Metas 2011” – continuam indicando uma enorme desigualdade entre as regiões do país, e entre escolas privadas e públicas. Você acredita que ainda há 3,8 milhões de crianças e jovens fora da escola? Esse número é maior do que toda a população do Uruguai, por exemplo. Para resolver, não basta aumentar o número de vagas… é necessário discutir também assuntos como os motivos do atraso e da evasão escolar.

Para avaliar as crianças de 4º ano do Ensino Fundamental em matemática, leitura e escrita, foi aplicada a Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização) em todas as capitais brasileiras. O que se identificou? Que apenas 56,1% dos alunos atingiram o conhecimento esperado em leitura, 53,3% em escrita e 42,8% em matemática. Quando se comparam os resultados de cada região do país, o assunto é ainda mais alarmante. O Sudeste, por exemplo, teve o melhor desempenho em escrita, com 65,5% dos alunos com aprendizado adequado para a série. Já no Nordeste, apenas 30,3% dos alunos redigiram textos conforme o esperado. Uma diferença de 35 pontos percentuais separam as duas regiões.

Ainda mais dramática é a comparação entre escolas particulares e públicas. 93,6% dos alunos de escolas particulares do sudeste atingiram o nível esperado de escrita, contra 21,7% das escolas públicas do nordeste.  A explicação dada pelo Todos para esses números discrepantes é a de que os alunos da rede privada têm melhores condições sociais e econômicas, além de terem cursado a Pré-Escola. Muitos estudos apontam a importância da Educação Infantil na aprendizagem nas séries futuras. Apesar disso, em 2009 apenas 50% das crianças brasileiras de 4 a 5 anos estavam matriculadas na Pré-Escola.

Para Nilma Fontanive e Ruben Klein, consultores da Fundação Cesgranrio, os resultados de leitura apresentaram progressos, ao contrário dos de matemática. “Os educadores parecem estar esquecendo da importância da alfabetização numérica”, disse Nilma. Para Ruben, o mais importante é que os alunos tenham prazer em aprender.

 

O desafio da Defasagem Escolar

Sabe o que mais os resultados apontaram? Que alunos com defasagem idade-série – ou seja, os que repetiram algum ano ou estão adiantados, que hoje chegam a quase 25% de todos os estudantes – atingiram resultados bem piores nas três áreas do conhecimento avaliadas, quando comparados aos alunos na idade correta. Ou seja, isso indica o quanto é importante que seu filho esteja na série certa.

Segundo o professor Tufi Machado Soares, da Universidade Federal de Juiz de Fora, o maior entrave ao avanço educacional da população é o atraso escolar. “Quanto mais defasado o aluno, menor sua chance de concluir os estudos. Diferente do que vem acontecendo hoje, os alunos devem ser acompanhados constantemente desde a Pré-Escola”, conclui.

“Os dados e as análises apontam que as mudanças estruturais precisam acontecer com urgência para que as metas possam ser atingidas até 2022”, disse Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento.

A melhoria da Educação passa, necessariamente, pelo investimento adequado e pela boa gestão dos recursos nos três níveis de governo: União, estados e municípios. No entanto, o relatório aponta que o investimento brasileiro por aluno do Ensino Fundamental ao Superior ocupa as últimas posições quando comparado ao de outros 35 países. O Brasil só tem investimento maior que o da China.

 

 

Uma carta-desbafo: escola está há quatro meses com muro destruído

por: Marina Azaredo
Há quatro meses, a publicitária Carolina Prestes Yirula, que mora em São Paulo, têm a mesma visão ao voltar para casa após o trabalho: o muro de uma escola perto da sua casa desabou e, desde então, nada foi feito. A “solução” encontrada parece ter sido o acúmulo de entulho no local, como você pode ver na foto acima. 

Carolina, que foi estagiária de marketing do Educar entre novembro de 2009 e julho de 2010, relata que “um pedaço do muro da E.E. Napoleão de Carvalho Freire (localizada no Jardim Novo Mundo, São Paulo) veio abaixo. Para resolver o problema foram colocados pedaços de plantas, terra, entulhos, e assim leva-se a situação, com tijolos caindo aos poucos (e colocando alunos e pedestres em risco), sujeira se aglomerando e o descuido e desrespeito escancarando-se para quem quiser ver”.

Indignada, ela resolveu escrever uma carta-desabafo para o Educar. Veja o que ela diz:

“Há tempos ando guardando certa indignação e descontentamento e agora, atingida por um ápice de revolta, resolvi escrever esse breve desabafo. Todos os dias, em meu caminho de volta para a casa, passo em frente a uma escola pública que, há mais ou menos 4 meses, encontra-se em um estado inadmissível.

Refiro-me a um muro escolar que simplesmente desmoronou. Isso mesmo. Um pedaço do muro da E.E. Napoleão de Carvalho Freire (localizada no Jardim Novo Mundo, São Paulo) veio abaixo. Para resolver o problema foram colocados pedaços de plantas, terra, entulhos, e assim leva-se a situação, com tijolos caindo aos poucos (e colocando alunos e pedestres em risco), sujeira se aglomerando e o descuido e desrespeito escancarando-se para quem quiser ver.

Como é possível que um espaço público seja tratado dessa forma? Como permitir o descuido de um espaço educativo a ponto de torná-lo um antro de entulhos? E os alunos? Vivem e convivem em um ambiente pouco seguro em que o lema é “salve-se quem puder”, pois o muro está caindo, e ninguém está tomando atitudes frente a isso.

O que me deixa revoltada é a postura do Governo do Estado de São Paulo, ausente de sua responsabilidade. Até agora nada foi feito, e frente ao caos, parece que reinou a indiferença.
Onde estão os responsáveis por mantê-la um local digno de ser chamado de “escola”? E o respeito com os alunos? E com os professores? Que levantam todos os dias e deparam-se com o seu espaço de convívio completamente deteriorado? O que peço é apenas um pouco de consideração e respeito. Que tipo de tratamento é esse que oferecem a nós, cidadãos? Escolas deterioradas, literalmente caindo aos pedaços e mais do que isso… O descaso.

O espaço físico da escola não pode ser colocado de lado, pois tem efeito direto na motivação e desempenho dos funcionários e principalmente, na formação dos alunos. Que exemplo está sendo dado a essas crianças, que veem aquilo que lhes pertence em situação de calamidade? Quais os valores que são ensinados a elas? E a autoestima e sensação de pertencimento, como ficam?

Este texto não questiona a qualidade do ensino oferecido pela EE Napoleão de Carvalho Freire, mas busca apenas destacar a irresponsabilidade do Governo do Estado de São Paulo. É dever do Governo manter nossas escolas em bom estado. O muro caiu há mais de 4 meses, e, repito, até agora nada foi feito.

Tenho certeza que essa não é a única escola que enfrenta esse tipo de problema e isso é o grande motivo deste desabafo. A E.E. Napoleão de Carvalho Freire é uma entre tantas. Vamos exigir o mínimo, que é o respeito e o cuidado com as nossas escolas.

O endereço da E.E. Napoleão de Carvalho Freire é: Rua Iraúna, 815, Jardim Novo Mundo, São Paulo.

Esperamos uma mudança rápida (que, diga-se de passagem, já vem tarde).”

Carolina mandou a denúncia também para outros meios de comunicação. E a resposta do Secretaria da Educação do Estado de São Paulo foi diferente para cada um deles. Para o Terra, a assessoria de imprensa da Secretaria informou que a empresa responsável pela reconstrução do muro já está sendo convocada pela Fundação para Desenvolvimento da Educação (FDE) – órgão responsável pelas obras da pasta – e que estão previstos investimentos de R$ 120 mil para a reconstrução do muro e execução de outras melhorias estruturais na escola, que devem começar em dezembro.

Já para o jornal O Globo, foi informado que não há previsão para o início das obras. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual não respondeu ao pedido de esclarecimento do Educar para Crescer.

E você? Tem alguma denúncia a fazer? Mande para a gente!

*A Carolina, que é muito engajada na melhoria da Educação no Brasil, é responsável pelo perfil no Twitter @Educomunicacao e pela página do Facebook Educomunicação. Vale acompanhar!

9 de novembro de 2011
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Marilena Chauí fala sobre trágica herança deixada pela Ditadura Militar à educação

por: Manoela Meyer

"Na Ditadura é criada a ideia de que escola pública é subversiva", diz a filósofa. Foto: Divulgação.

Na última sexta, publicamos no nosso site um extenso depoimento da Marilena Chauí sobre a importância da Educação em sua vida. Se você não leu, vale a pena conferir clicando aqui.

Como a conversa foi longa, decidimos compartilhar com vocês algumas outras questões tratadas pela filósofa e que não foram publicadas.

Para quem não sabe, Marilena Chauí é uma das mais importantes vozes femininas quando se trata de Educação e Política no país.  É professora titular, agora aposentada, do departamento de Filosofia da USP e já foi Secretária de Cultura de São Paulo de 1989 a 1992. Tem diversas obras publicadas, mas foram os livros “O que é Ideologia” e “Convite à Filosofia” que a tornaram conhecida pelo público em geral.

Vamos para a entrevista?

Educar: A senhora comentou que sua educação esteve sempre ligada ao ensino público. E que sua formação foi excepcional.  Mas nessa época, a educação chegava à toda população?

Marilena: Veja bem. Não havia na época uma política educacional que visasse a sociedade brasileira como um todo. Mas a escola não era um lugar que promovia a seleção e a desigualdade. De fato, a educação existia somente em determinados lugares. Portanto, o que descrevo é uma experiência dentro da cidade de São Paulo. Em um tempo em que não havia a marca atual da capital paulistana: essa terrível diferença entre centro e periferia. No meu tempo, os bairros mais afastados eram tão equipados educacionalmente quanto os mais centrais. Essa cidade desigual, feita de uma violenta polarização entre a carência absoluta e o privilégio de poucos, surge a partir da Ditadura Militar.

Educar: Por que o ensino público perdeu sua excelência?

Marilena: Na Ditadura Militar é criada a ideia de que escola pública gratuita é subversiva. A crise começou com a destruição das escolas vocacionais e, posteriormente, do resto das escolas públicas. Tudo isso com o apoio da burguesia que apoiou o golpe, o que inclui os empresários da educação. Houve uma inversão de papéis, com a subordinação da educação ao dinheiro. Uma tragédia.

Educar: O governo atual está dando mais importância à quantidade que à qualidade das escolas públicas?

Marilena: O que o atual governo está fazendo é garantir aquilo que está posto na Constituição Brasileira: a educação é direito de todos os cidadãos e é dever do Estado oferecê-la. O problema é que os últimos governos encontraram escolas destruídas, com professores sem formação e sem salário. Escolas sem qualquer infra-estrutura, sem possibilidade de melhoria.

Ou seja, o que se busca atualmente é a ampliação quantitativa, garantindo ao menos uma escola pública em cada um dos mais de 3.000 municípios brasileiros, e, ao mesmo tempo, a requalificação dos professores. O Ministério da Educação, por exemplo, tem promovido cursos presenciais e à distância para atualização desses profissionais. Mas isso tudo é um longo processo.

Nessa mesma onda, vêm as políticas de inclusão como cotas e ProUni [Programa Universidade para Todos], tentando fazer com que as universidades públicas não recebam apenas alunos da rede privada.

Educar: A senhora teria algo a dizer aos pais brasileiros?

Marilena: O que eu diria aos pais é para que nunca abandonem a ideia de que a Educação é uma formação do espírito. Não é apenas uma forma de adquirir conhecimento e cultura. É a maneira pela qual você aprende a se relacionar com o mundo, com a sociedade, com a política, com a história, com os outros. A Educação abre você para o universo!

Os pais precisam entender que não se trata de assegurar um diploma para seus filhos, ou a boa entrada deles no mercado de trabalho. Trata-se de garantir a boa inserção no mundo social pela via do conhecimento, que só a Educação traz.

 

Cérebro antissocial?

por: Mariana Queen

Por:  Equipe do Educar para Crescer

Duas regiões da massa cinzenta, a amígdala e a ínsula, parecem estar envolvidas no comportamento agressivo e pouco sociável de alguns adolescentes. Neles, essas áreas que contribuem para a percepção das emoções seriam menores do que o padrão normal, revela um trabalho da Universidade Cambridge, na Inglaterra. “Essa descoberta permite criar estratégias para identificar essas pessoas, dando início ao tratamento psicológico ainda bem jovens”, afirma o psiquiatra inglês Ian Goodyer.

Efeito futuro

Fique de olho se o seu filho é refratário ao contato com a família ou amigos. Afinal, jovens antissociais têm maior risco de problemas mentais e de uso abusivo de drogas. Saiba o que os pais e os professores podem fazer para ajudá-los a estudar melhor nesta matéria.

6 de junho de 2011
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O que está em jogo no novo PNE?

por: Mariana Queen

Entenda o Plano Nacional de Educação, que deve estabelecer diretrizes na área para os próximos dez anos

Ministro Fernando Haddad. “Construímos um plano em que os 7% do PIB cobrem todas as despesas".

O projeto de lei que vai criar o novo Plano Nacional de Educação (PNE) foi enviado pelo Ministério da Educação (MEC) ao Congresso Nacional no final de 2010 e agora aguarda votação na Câmara e no Senado. Mas para que serve exatamente o Plano e do que ele trata? Para esclarecer isso, fomos atrás da situação atual de cada uma das metas e destacamos as polêmicas que as envolvem.

O objetivo do PNE é definir prioridades e estratégias relacionadas à Educação nacional no prazo de dez anos. A primeira versão, de 2001, continha 256 metas. Já o plano deste ano tem apenas 20 metas . Dessas, destacam-se pontos cruciais e polêmicos como a valorização dos professores e o inevitável debate sobre a revisão do piso salarial da categoria, a porcentagem simbólica do PIB direcionado à Educação, a erradicação do analfabetismo, a garantia do atendimento em creches para 50% das crianças de até três anos e a ampliação da Educação em tempo integral na rede pública de ensino.

Prazos e aprovação

Apesar dos avanços e das boas intenções contidas no Plano, educadores questionam a possibilidade de executá-lo. Além disso, metas importantes não têm prazo para serem alcançadas. Entre elas, estão a alfabetização total de crianças até 8 anos, o oferecimento de Educação em tempo integral para 50% das escolas públicas, a elevação da escolaridade de jovens e adultos, o incentivo à especialização de professores e a destinação de 7% do PIB para a Educação.

Atualmente, o PNE espera sua aprovação na Câmara dos Deputados. Em seguida, o texto segue para o Senado, de onde, caso sejam feitas alterações, poderá ser reencaminhado à Câmara para uma nova e última avaliação. Segundo o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o tempo para que todas as aprovações ocorram pode chegar a um ano e meio. Para ele, cada etapa da aprovação descrita deve durar, em média, quatro meses, totalizando 12 meses de avaliações para as três etapas descritas – os recessos parlamentares do início e meio do ano foram considerados.

Os deputados voltam a trabalhar apenas em fevereiro, quando as comissões que discutirão a aprovação do PNE começarão a ser formadas. “Se a avaliação do Plano não for acelerada, poderá entrar no calendário eleitoral dos municípios [nas eleições para prefeito em 2012], e aí o Congresso estará parado”, alerta Daniel sobre a possibilidade de um atraso ainda maior para aprovação do Plano.

Para a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o atraso pode ser tolerado, ou mesmo visto como normal, considerando a necessidade de uma discussão aprofundada e o tempo para que a sociedade brasileira se aproprie minimamente do conteúdo do Plano. Já o movimento Todos pela Educação defende a aplicação rápida do novo PNE. “A demora enfraquece a execução. As discussões já foram feitas, temos que partir para a implementação do Plano. Temos que começar a trabalhar, senão ficaremos discutindo o resto da vida. O importante é focar mais na implementação e menos em alterações no texto”, diz Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento.

Dinheiro

O financiamento da Educação nos próximos dez anos é um dos principais alvos de crítica do novo PNE.  Tudo porque o texto não deixa claro o prazo para que sejam alcançados os 7% do PIB destinados para a Educação nacional (veja meta 20 no post abaixo). Vale lembrar que, durante o processo eleitoral, a presidente Dilma Rousseff afirmou que até 2014 deveríamos chegar a esse percentual.

Historicamente, os movimentos sociais lutam por 10% do PIB nacional direcionado à Educação, conquista que a partir do atual PNE ainda está longe de ser alcançada. Para Priscila, não é hora de serem discutidos detalhes. “As metas do Plano podem ser sempre melhoradas, mas é necessário ir para a prática. O PIB de 7% significa muito dinheiro a mais para a Educação”, afirma.

O estabelecimento de uma porcentagem do PIB para a Educação é um símbolo para o real valor a ser investido na área. É esse valor que garante a execução das estratégias prevista no PNE. “Construímos um plano em que os 7% do PIB cobrem todas as despesas. Fizemos as contas meta por meta e o custo desse PNE é exatamente de dois pontos percentuais [a mais] do PIB”, afirmou Haddad em entrevista  para o UOL. Os gastos atuais em Educação no Brasil equivalem a aproximadamente 5% do PIB. O ministro prevê também que os ajustes na remuneração dos educadores custará apenas 0,8% do PIB.

 

As metas do novo Plano Nacional de Educação

por: Mariana Queen

Veja como está o Brasil com relação a algumas metas do PNE 2011-2020:

Educação em tempo integral nas redes públicas

Em 2010, apenas 5,7% das matrículas da rede pública eram nessa modalidade de atendimento. Naquele ano, foram registradas 2.440.594 inscrições de tempo integral nas redes municipais e estaduais em todos os níveis de ensino. Fonte: Censo Escolar 2010

Valorização dos professores

O piso salarial do professor brasileiro – valor mínimo a ser pago ao profissional – é R$ 1.024 para 40 horas/aula semanais. Pesquisa realizada pelo Ibope a pedido da Fundação Victor Civita (FCV) indica que mais de 70% dos professores são motivados a entrar em sala de aula pelo amor à profissão, mas 69% consideram que a carreira é desvalorizada.

50% das crianças de até 3 anos nas creches

Atualmente, 80% das crianças de 0 a 3 anos estão fora das creches. Vale destacar que a meta de atendimento em creches para 50% das crianças de até 3 anos já era prevista no antigo PNE e não conseguiu ser alcançada até 2011. Fonte: Levantamento da Fundação Abrinq baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009.

Todos os professores com ensino superior

Quase um terço dos professores da Educação básica das redes pública e particular do Brasil não tem formação adequada. Do total de 1,977 milhão de docentes, 636,8 mil – 32,19% – ensinam sem diploma universitário. “A meta de zerar o número de professores sem formação superior pode levar dez anos”, diz João Carlos Teatini, diretor de Educação básica da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Fonte:Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – estudo de 2009.

Alfabetização de todas as crianças com até 8 anos de idade e erradicação do analfabetismo

A proporção de pessoas que não sabem ler ou escrever no Brasil é maior do que a média registrada na América Latina e no Caribe. Ao todo, 9,6% dos brasileiros com mais de 15 anos são analfabetos, contra 8,3% do total de moradores da região. No ranking de 2010, o Brasil apresenta a sétima maior taxa de analfabetismo entre os 28 países latinoamericanos e caribenhos. Fonte: Anuário Estatístico de 2010 da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), agência das Nações Unidas (ONU).

Negros e não negros com a mesma escolaridade média

No quesito cor/raça, observa-se que os negros têm menos 1,7 ano de estudo, em média, do que os brancos e representam 13,4% dos analfabetos brasileiros, frente aos 5,9% de analfabetos brancos. Fonte: Análise do PNAD 2009 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2010.

Mínimo de 12 anos de estudo para as populações do campo

A população mais escolarizada, com mais de 11 anos de estudo, representa mais de 40% da população urbana e apenas 12,8% da população rural. A taxa de analfabetismo para pessoas acima de 15 anos é de 7,5% na zona urbana e de 23,5% na zona rural. Cerca de 73% da população do campo não completou o ensino fundamental. Fonte: Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ) – pesquisa divulgada em 2010.

Leia abaixo todas as metas do Plano Nacional de Educação, que, segundo Fernando Haddad, “devem ser divulgadas em locais públicos” para que cada cidadão possa acompanhar – e cobrar – a boa execução do PNE 2011-2020.

Meta 1: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de 4 e 5 anos, e ampliar, até 2020, a oferta de educação infantil de forma a atender a 50% da população de até 3 anos.

Meta 2: Criar mecanismos para o acompanhamento individual de cada estudante do ensino fundamental.

Meta 3: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%, nesta faixa etária

Meta 4: Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino.

Meta 5: Alfabetizar todas as crianças até, no máximo, os 8 anos de idade.

Meta 6: Oferecer Educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação básica.

Meta 7: Atingir as médias nacionais para o Ideb já previstas no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)

Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de 18 a 24 anos de modo a alcançar mínimo de 12 anos de estudo para as populações do campo, da região de menor escolaridade no país e dos 25% mais pobres, bem como igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com vistas à redução da desigualdade educacional.

Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e erradicar, até 2020, o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional.

Meta 10: Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à Educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

Meta 11: Duplicar as matrículas da Educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta.

Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na Educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta.

Meta 13: Elevar a qualidade da Educação superior pela ampliação da atuação de mestres e doutores nas instituições de Educação superior para 75%, no mínimo, do corpo docente em efetivo exercício, sendo, do total, 35% doutores.

Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

Meta 15: Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios, que todos os professores da Educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.

Meta 16: Formar 50% dos professores da Educação básica em nível de pós-graduação lato e stricto sensu, garantir a todos formação continuada em sua área de atuação.

Meta 17: Valorizar o magistério público da Educação básica a fim de aproximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente.

Meta 18: Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de ensino.

Meta 19: Garantir, mediante lei específica aprovada no âmbito dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, a nomeação comissionada de diretores de escola vinculada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar.

Meta 20: Ampliar progressivamente o investimento público em Educação até atingir, no mínimo, o patamar de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

 

Revista Nova Escola ganha prêmio Destaque no GP Ayrton Senna de jornalismo

por: Camilo Gomide

Premiação contempla os trabalhos jornalísticos da área de Educação

A Revista Nova Escola ganhou o prêmio Destaque Educação na edição do 10º Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, nessa quarta-feira, dia 29 de setembro, no auditório do Ibirapuera, em São Paulo. O prêmio foi dado ao veículo que mais atuou pela Educação entre 2008 e 2009.

A premiação era dividida em seis categorias: Revista, Internet, Jornal, Rádio, Televisão e o Destaque Educação. A revista Época foi a vencedora da primeira categoria com a reportagem “O que os números não mostram”, da jornalista Ana Aranha. Na categoria Internet o prêmio foi para a Folha On Line, com a matéria “Mapa do Brincar”. O vencedor da categoria Jornal foi o Estado de S. Paulo, com a reportagem “Prova do Enem vaza e ministério anuncia cancelamento do exame”, de Renata Cafardo e Sergio Pompeu. A série “Aldeia urbana – O caminho para a universidade”, de Everton Barbosa, da Rádio CBN de Maringá (PR) foi a vencedora da categoria Rádio. O vencedor da categoria Televisão foi a TV Morena (MS), com a série “Educação”.

O Educar para Crescer foi um dos finalistas na categoria de Internet com o hotsite “Biblioteca Básica” e o especial “Educação nas Eleições Municipais”.

 

Dicas para escolher a profissão

por: Marina Azaredo

Hoje assisti à palestra da doutora em Psicologia pela Université Paris Kathia Costa Neiva sobre as dificuldades da escolha profissional. O evento aconteceu no CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) e teve uma plateia formada por professores, educadores, psicólogos, pedagogos e psicopedagogos.

Na palestra, Kathia apresentou um jogo psicopedagógico que pode ser feito para ajudar os adolescentes e também aqueles que já passaram da adolescência há algum tempo (pois é, orientação vocacional não é só para quem está saindo da escola) a decidir que profissão seguir.

A psicóloga também deu dicas valiosas para quem está passando por esse difícil momento da vida. Se esse é o seu caso, leia aqui algumas dicas de Kathia:

- A vida profissional tem de ser prazerosa.

- Escolher uma profissão é escolher um estilo de vida.

- Temos várias vocações. Em um determinado momento da vida, há uma que predomina. Mas isso pode mudar com o tempo (essa é especial para quem está pensando em mudar de profissão).

- A escolha profissional requer conhecimento interior e exterior.

- É preciso maturidade para fazer a escolha profissional.

- Antes de fazer a escolha, informe-se sobre as profissões e cursos universitários que existem.

Se você está em dúvida, aproveite a faça o nosso teste:

Dúvidas com a escolha da profissão?
Responda a este teste elaborado com a consultoria do psicólogo Paulo Camargo, especializado em orientação vocacional, e descubra sua área de maior interesse

 

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