O próximo governo e a melhoria do Ideb
Por Luciana Maria Allan*

O ministro da educação, Fernando Haddad e o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto; durante o anúncio dos resultados do último Ideb
O próximo governo terá, com certeza, muitos desafios, principalmente no campo educacional. As tarefas a serem realizadas serão muitas e a cobrança cada vez maior. Há ainda um outro elemento de pressão: o Ideb.
Criado em 2007 e consolidado nos anos seguintes, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica mede a qualidade de cada uma das escolase comprovará ou não, numericamente, o sucesso do Governo.
O Ideb, calculado com base no desempenho dos estudantes na Prova Brasil, tem metas ousadas: o Brasil alcançar a nota 6,0 em 2022, o que se equivale ao obtido por países desenvolvidos. Atualmente, o índice está em 3,6 (Ensino Médio), 4,0 (Anos Finais do Exame Fundamental) e 4,6 (Anos Iniciais do Ensino Fundamental).
Para melhorar este índice, é necessário aperfeiçoar a qualidade da educação, cominvestimento em infraestrutura, formação de professores e ferramentas de gestão. Além disso, há a necessidade de se incrementar os salários dos professores, traçar um plano de carreira para os docentes e ampliar a verba destinada à aquisição de novas ferramentas aplicadas na Educação, disseminando o uso correto das mídias sociais, por exemplo, como suporte necessário para ampliar conhecimentos fora e dentro do muro das escolas.
O professores terão, então, suporte para planejar e aplicar as suas aulas, que serão, assim, muito bem embasadas. Os alunos se sentirão motivados a aprender com a experiência dos mestres e contribuirão com novos conteúdos em um ambiente totalmente colaborativo.
Somente desta forma é que o Brasil crescerá, educacionalmente e culturalmente, beneficiando as futuras gerações e entrando definitivamente no mapa dos países desenvolvidos. A hora é agora!
(*) Luciana Maria Allan é diretora do Instituto Crescer Para a Cidadania e doutoranda na Faculdade de Educação da USP
Ideb supera metas de 2009
A média da nota nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) aumentou. Os dados, divulgados nessa quinta-feira, 1º de julho de 2010, revelaram avanços em todos os ciclos da Educação Básica:
-Ensino Fundamental I: Nos anos iniciais a nota subiu 0,8 pontos em comparação ao primeiro resultado em 2005 e foi de 3,8 para 4,6 pontos.
-Ensino Fundamental II: Nos anos finais a nota aumentou de 3,5, em 2005, para 4,0 pontos.
O Ensino Médio teve o menor crescimento, registrou aumento de 0,2 pontos em sua nota. Em 2005 o índice desse ciclo era de 3,4 pontos; em 2006 alcançou 3,6.
Embora os números não sejam altos, o Inep e o Ministério da Educação (MEC) afirmam que o crescimento está acima da meta. “Atingimos a meta de 2009, superando a de 2011. Ao interpretar esses dados temos de prestar atenção às metas”, disse o ministro da Educação Fernando Haddad. Outro avanço comemorado foi a melhora na taxa de aprovação, que mede o número de alunos aprovados em relação ao número de alunos matriculados.
O ministro Fernando Haddad também destacou a importância de ter estabelecido metas de melhoria que possibilitaram reverter o regresso da qualidade da Educação brasileira. “O fantasma da queda de qualidade que nos assombrou até o começo dos anos 2000 está ficando pra trás. Mas ainda temos um longo caminho pela frente”.
As notas individuais de redes e escolas podem ser vistas aqui:
Municípios:
Ensino Fundamental Regular do 1º ao 5º ano
Ensino Fundamental Regular do 6º ao 9º ano
Escolas:
Ensino Fundamental Regular do 1º ao 5º ano
Ensino Fundamental Regular do 6º ao 9º ano
A partir da publicação em diário oficial as escolas terão um prazo de 30 dias para reportarem eventuais erros no levantamento.
Lições da campeã do Ideb
“Ela é a nova professora assistente?”, pergunta um aluno do 5º ano da escola Elisabeth Maria Cavaretto de Almeida, em Santa Fé do Sul (SP). Antes mesmo da resposta, todos se levantam, em sinal de respeito. Apesar do comportamento algo reverente diante da possível nova estagiária, os olharzinhos inquisidores que me desafiam entregam que essa é uma típica classe de 5º ano. Vejamos: entre uma gracinha e outra, alguém sugere que você seja abreviado por vc e é repreendido pelo professor. O exercício do ditado prossegue e a classe, antes concentrada e silenciosa, rompe em risos. “Ei, empresta a régua?”, “Quermesse com dois esses?”, “Pera aí, psor!” são as frases mais ouvidas.
Se chegou aqui por acaso, explico: estive em Santa Fé no inicio do ano letivo para acompanhar as aulas da escola Elisabeth Maria Cavaretto de Almeida, a melhor instituição pública de ensino fundamental I do país. Se é leitor desse blog, você acompanhou parte dessa viagem no post Boa educação no interior do Brasil.
Durante minha estada, acompanhei aulas, conversei com pais e professores e conheci de perto a Educação da cidade. Também apurei o que a administração recém-empossada planeja fazer para dar continuidade ao trabalho bem-sucedido da gestão anterior. O resultado desse trabalho é a reportagem As lições da campeã do Ideb.
Me conte o que achou na caixa de comentários.
Tags: Avaliação, Ideb, santa fé do sul




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