Cuba e Nova York: lições para lembrar
Ao falar de políticas educacionais consagradas pela experiência internacional, o economista Claudio Moura Castro costuma evocar, em tom de brincadeira, o velho ditado que diz: “se só tem no Brasil e no jabuticaba, não pode prestar”. A resistência de aderir ao que, comprovadamente, dá certo é um dos males da Educação brasileira.
Por isso, o lanamento de estudos sobre aEducação de Cuba e de Nova York tornam o momento oportuno para discutir políticas que, adaptadas à realidade brasileira, surtiriam efeito considerável na missão de educar nossas crianças. Ambos contêm elementos para o imprescindível avanço brasileiro em sala de aula. Tomara que inspirem gestores, professores, empresários e políticos interessados em se engajar na melhoria da qualidade de ensino no país.
O livro A Reforma Educacional de Nova York: Possibilidades para o Brasil, de Patricia Mota e Norman Gall, faz uma radiografia completa das mudanças no ensino da cidade americana. Lá, deram certo medidas de apoio ao professor em sala de aula, de incentivo à participação dos pais e segurança no entorno da escola – aspectos fundamentais também para nossos problemas. Já o livro A vantagem acadêmica de Cuba – Por que seus alunos vão melhor na escola, é resultado de uma rigorosa pesquisa de campo do economista Martin Carnoy, da Universidade de Stanford (EUA). Mostra a importância de dar prioridade ao atendimento à infância e de assegurar aos estudantes condições mínimas para aprender. Em Cuba, todos os bebês têm direito à creche e poucos jovens trabalham. “Estar saudável e alimentado faz a diferença. O contexto social cubano é muito melhor para as crianças com baixa renda. No Brasil, 40% dos pobres ou muito pobres vivem em condições muito difíceis para o aprendizado”, disse para mim.
Naturalmente, não se trata de copiar e colar tais modelos inadvertidamente. É preciso se debruaçar sobre as medidas de cada uma dessas redes e estudá-las sem perder de vista a realidade brasileira. Alguns elementos do sistema educacional cubano são indesejáveis, como o excessivo controle aos professores. A dificuldade de encontrar personagens para a reportagem evidenciou, para mim, o controle poliacesco que Cuba exerce sobre seus cidadãos. Muitas das medidas de Nova York também seriam dificilmente implementadas no Brasil. Lá, negociações com os sindicatos viabilizaram a implantação do sistema de bônus aos melhores. No Brasil, os sindicatos brasileiros são árduos defensores da isonomia salarial. As experiências citadas mostram, porém, que é possível avançar. Não deixa de ser um alento.
Leia as reportagens sobre os sistemas educacionais de Cuba e Nova York.
Tags: cuba, nova york, políticas educacionais
Para especialista, bons professores podem fazer a diferença no Brasil
Eric Hanushek, professor da Universidade de Stanford, afirmou na manhã desta quarta-feira que a qualificação dos professores é a chave para a melhoria da Educação.
Em palestra durante o Seminário Educação e Desenvolvimento, organizado pela Fundação Itaú Social no Museu Brasileiro da Escultura (Mube), em São Paulo, Hanushek falou sobre a importância de qualificar os professores e fez afirmações polêmicas. “Não importa o tempo que a criança fica na escola, mas sim a quantidade de conteúdo que ela aprende”, disse.
Hanushek integrante da Academia Nacional para Educação dos Estados Unidos e um dos mais influentes estudiosos do impacto do investimento em Educação no desenvolvimento econômico de um país.
Para ele, um bom professor é capaz de minimizar as diferenças entre uma criança de família rica e outra menos favorecida socialmente. Por isso, o pesquisador defendeu o investimento na qualificação dos profissionais. “Nenhuma política é mais eficiente do que um programa de qualficação dos professores”, afirmou. Ele destacou a importância de uma implantação de políticas de gratificação aos bons educadores.
O professor americano também enfatizou que o aumento do número de crianças na escola não significa que a Educação de um país esteja melhorando. Ele lembrou o fraco desempenho do Brasil nas avaliações internacionais, como o Pisa. No último ranking, o Brasil ocupou o 48º lugar (entre 57 pases) em Leitura; 53º lugar em Matemtica (entre 56); e 52º lugar em Cincias, dentre todos os participantes – uma das piores classificações da lista.
Também participaram do debate Alosio Araújo, da FGV; Maria Helena Castro, professora da Unicamp e ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo; Naércio de Menezes Filho, da USP e do Ibmec; e Ricardo Paes de Barros, do Ipea. Todos defenderam a implantação de políticas de gratificação aos bons professores e salientaram a relação entre Educação e desenvolvimento econômico.
por Marina Azaredo
LEIA MAIS:
Educação é dinheiro – Entrevista com Eric Hanushek



Acompanhe as notícias sobre a Educação no Brasil e no mundo