Abertas inscrições para a 3º edição da Olimpíada de Língua Portuguesa
O evento realizado no Itaú Cultural contou com a presença do ministro da Educação, Aloizio Mercadante
Mais do que mobilizar alunos e professores para um concurso com ótimos prêmios, a ideia da Olimpíada de Língua Portuguesa é melhorar a aprendizagem por meio do estímulo da leitura e da escrita, além de investir na formação de professores.
O vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, repetiu um apelo que costuma fazer nos eventos da fundação: “Só a Educação transforma um país. O Brasil só melhora quando a sociedade tiver a Educação como prioridade.” O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, presente no lançamento oficial da olimpíada nesta segunda-feira (19) em São Paulo, confirmou a necessidade. “A Olimpíada contribui para a evolução na qualidade da Educação, que é a área de maior desafio do país”, declarou.
Os resultados do último PISA (Saiba mais sobre o Programa Internacional de Avaliação de Alunos nesse link) em 2009 trouxeram certeza para o que já desconfiávamos: ainda falta muito para podermos nos orgulhar da nossa Educação. Quando o assunto é leitura, o Brasil ocupa a 49ª colocação num ranking com 61 países. Alcançamos 412 pontos, distantes da média mundial de 492 e mais longe ainda dos 556 pontos feitos pela líder China.
Para aprimorar a prática dos professores, todas as escolas da rede pública receberão a “Coleção da Olimpíada”, material de apoio composto por cadernos de orientação, com roteiros didáticos para ensino da leitura e produção de texto, coletânea de textos e CD-Rom multimídia. Os quatro kits, um para cada gênero textual presente na olimpíada (poema, memórias literárias, crônica e artigo de opinião) auxilia o professor na realização de oficinas em sala de aula.

Além do ministro da Educação Aloizio Mercadante, estiveram presentes no lançamento da Olimpíada de Língua Portuguesa representantes das instituições parceiras do projeto. Foto: Christina Rufatto
O projeto “Escrevendo o Futuro” é uma iniciativa do Fundação Itaú Social que, em 2008, ganhou apoio do Ministério da Educação, tornando-se uma política pública do governo federal com o nome atual “Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro”.
Inscrições e premiação
Nesse ano, alunos de toda a rede pública produzirão textos com o tema “O lugar onde vivo”. Os gêneros textuais variam de acordo com o ano escolar dos alunos:
| Categoria | Anos Escolares |
| Poema | 5º e 6º anos/ 4ª e 5ª séries do Ensino Fundamental |
| Memórias Literárias | 7º e 8º ano/ 6ª e 7ª séries do Ensino Fundamental |
| Crônica | 9º ano/ 8ª série do Ensino Fundamental e 1º ano do Ensino Médio |
| Artigo de Opinião | 2º e 3º anos do Ensino Médio |
Para participar, primeiro as secretariais municipais ou estaduais de Educação devem fazer a adesão online no site da olimpíada, em seguida professores se inscrevem por uma ou mais escolas onde lecionam. As inscrições vão até 25 de maio.
Após as etapas escolares, municipais, estaduais e regionais, serão premiadas 20 produções. O aluno e o professor responsável ganharão um notebook e a escola correspondente receberá 10 computadores, 1 impressora, 1 projetor, 1 telão e livros.
“O piso é pra valer!”
O ministro da Educação Aloizio Mercadante aproveitou o momento para pontuar algumas questões importantes da sua pasta. A primeira frase já arrancou aplausos da plateia: “O piso [salarial dos professores] é pra valer!”, esbravejou, “é lei e tem que ser cumprida. Um reajuste de 22,5% é pesado para as finanças estaduais e municipais, mas R$1451,00 é pouco mais do que dois salários mínimos”, completou. Mercadante reafirmou a necessidade de uma política sustentável de valorização do professor, para que a carreira se torne competitiva no país e atraia os melhores profissionais, e ainda anunciou que o critério de reajuste está aberto à negociações futuras.
O ministro também comentou o programa que distribuirá tablets para professores da rede pública, defendendo que a Educação precisa se reformular: “se queremos uma escola mais interessante e motivadora, é preciso preparar o professor para a Era da Informação.” Em abril, o ministério disponibilizará os vídeos do professor indiano Salman Khan, famoso por suas vídeo-aulas de Matemática, Biologia, Química e Física. Saiba mais sobre ele aqui.
Tags: Mec, mercadante, olimpíada, Português
Educação brasileira avança, mas ainda há muito o que melhorar

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou no dia 9 de junho, uma radiografia da Educação no Brasil. O relatório “Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 – O Direito de Aprender: Potencializar Avanços e Reduzir Desigualdades” faz uma análise com os dados mais atuais da situação do ensino nacional. Alguns resultados são animadores, outros, não muito.
O estudo traz dados alarmantes: 680 mil crianças entre 7 e 14 anos não estão matriculadas na escola. O número corresponde a 3 % das crianças do país, mas isso não ameniza a situação. Principalmente se levarmos em consideração que desses 680 mil, 450 são negros, ou 66 %. As estatísticas refletem o maior obstáculo a ser vencido pelo país: a desigualdade social.
Uma pesquisa recente feita pela Fundação Getlio Vargas (FGV), “Motivos da evasão escolar”, destaca a importância da educação para diminuir as diferenças entre as classes: “A literatura social concluiu há tempos sobre o alto poder explicativo da educação na alta desigualdade brasileira. Entretanto, faltam ao pai de família e ao jovem estudante brasileiro tomar ciência do poder transformador da educação em suas vidas, como os altos impactos exercidos sobre empregabilidade, salário e saúde”.
Outro indicador preocupante foi a alta taxa de repetência no Ensino médio, que dobrou em 9 anos (de 1998 a 2007). Alguns especialistas atribuem o índice negativo aos problemas no currículo do ensino médio, que não consegue despertar o interesse dos alunos.
Alguns progressos foram feitos, especialmente no que diz respeito ao acesso ao estudo, aprendizagem, permanência e conclusão do Ensino Básico. Mas, muitos problemas ainda precisam ser solucionados para alcançarmos patamares satisfatórios.



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