Seminário aponta caminhos para as políticas públicas do ensino
Em seminário realizado nesta terça-feira, 25 de outubro, em São Paulo, educadores, acadêmicos, prefeitos e secretários de Educação debateram como deve ser a Educação no século 21. O evento foi realizado pelo Instituto Ayrton Senna, em cooperação com a Unesco e com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
O Seminário Educação para o Século 21 contou 330 participantes de 13 Estados. Os palestrantes concordaram que o ensino deve ser baseado no equilíbrio entre as competências cognitivas e as não cognitivas. Para todos eles, o desenvolvimento das competências não cognitivas deve integrar o currículo do Ensino Fundamental para todos os alunos a partir de oito anos de idade. Dessa forma, essas crianças terão melhores condições de desenvolver as cognitivas e estarão mais bem preparadas para enfrentar os desafios do século 21, como violência, sustentabilidade ambiental e diversidades.
O prêmio Nobel de Economia, James Heckman, professor do Instituto Henry Schultz da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, comentou a relação dessas competências com a formação de personalidade das crianças. “Não podemos ignorar as competências não cognitivas ou teremos graves problemas sociais”, alertou o especialista. Segundo ele, essas questões têm relação direta com o sucesso das pessoas em diversos setores. E que tudo isso depende muito do envolvimento entre famílias e escolas. “A interação desses agentes é imprescindível para o desenvolvimento do ambiente social”, afirmou Heckman.
Eduardo Gianetti da Fonseca, professor de Neurociência da Universidade Duke (EUA), chamou a atenção para o atraso na conclusão de temas fundamentais. “Em pleno século 21, ainda não resolvemos agendas do século 19, como saneamento básico.” O presidente executivo do Grupo Abril, Fábio Barbosa, compartilha da opinião de Gianetti e acrescentou que evidenciar determinados valores depende apenas da disposição das pessoas. E a Educação é um dos principais fatores desta mudança.
Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, encerrou o seminário ressaltando a importância do encontro. “Importante resultado deste encontro é que certamente estamos saindo daqui diferentes de como chegamos, e cientes de que temos de fazer nossa lição de casa”, disse ela.
Veja os principais trechos das palestras e debates do evento.
Marilena Chauí fala sobre trágica herança deixada pela Ditadura Militar à educação

"Na Ditadura é criada a ideia de que escola pública é subversiva", diz a filósofa. Foto: Divulgação.
Na última sexta, publicamos no nosso site um extenso depoimento da Marilena Chauí sobre a importância da Educação em sua vida. Se você não leu, vale a pena conferir clicando aqui.
Como a conversa foi longa, decidimos compartilhar com vocês algumas outras questões tratadas pela filósofa e que não foram publicadas.
Para quem não sabe, Marilena Chauí é uma das mais importantes vozes femininas quando se trata de Educação e Política no país. É professora titular, agora aposentada, do departamento de Filosofia da USP e já foi Secretária de Cultura de São Paulo de 1989 a 1992. Tem diversas obras publicadas, mas foram os livros “O que é Ideologia” e “Convite à Filosofia” que a tornaram conhecida pelo público em geral.
Vamos para a entrevista?
Educar: A senhora comentou que sua educação esteve sempre ligada ao ensino público. E que sua formação foi excepcional. Mas nessa época, a educação chegava à toda população?
Marilena: Veja bem. Não havia na época uma política educacional que visasse a sociedade brasileira como um todo. Mas a escola não era um lugar que promovia a seleção e a desigualdade. De fato, a educação existia somente em determinados lugares. Portanto, o que descrevo é uma experiência dentro da cidade de São Paulo. Em um tempo em que não havia a marca atual da capital paulistana: essa terrível diferença entre centro e periferia. No meu tempo, os bairros mais afastados eram tão equipados educacionalmente quanto os mais centrais. Essa cidade desigual, feita de uma violenta polarização entre a carência absoluta e o privilégio de poucos, surge a partir da Ditadura Militar.
Educar: Por que o ensino público perdeu sua excelência?
Marilena: Na Ditadura Militar é criada a ideia de que escola pública gratuita é subversiva. A crise começou com a destruição das escolas vocacionais e, posteriormente, do resto das escolas públicas. Tudo isso com o apoio da burguesia que apoiou o golpe, o que inclui os empresários da educação. Houve uma inversão de papéis, com a subordinação da educação ao dinheiro. Uma tragédia.
Educar: O governo atual está dando mais importância à quantidade que à qualidade das escolas públicas?
Marilena: O que o atual governo está fazendo é garantir aquilo que está posto na Constituição Brasileira: a educação é direito de todos os cidadãos e é dever do Estado oferecê-la. O problema é que os últimos governos encontraram escolas destruídas, com professores sem formação e sem salário. Escolas sem qualquer infra-estrutura, sem possibilidade de melhoria.
Ou seja, o que se busca atualmente é a ampliação quantitativa, garantindo ao menos uma escola pública em cada um dos mais de 3.000 municípios brasileiros, e, ao mesmo tempo, a requalificação dos professores. O Ministério da Educação, por exemplo, tem promovido cursos presenciais e à distância para atualização desses profissionais. Mas isso tudo é um longo processo.
Nessa mesma onda, vêm as políticas de inclusão como cotas e ProUni [Programa Universidade para Todos], tentando fazer com que as universidades públicas não recebam apenas alunos da rede privada.
Educar: A senhora teria algo a dizer aos pais brasileiros?
Marilena: O que eu diria aos pais é para que nunca abandonem a ideia de que a Educação é uma formação do espírito. Não é apenas uma forma de adquirir conhecimento e cultura. É a maneira pela qual você aprende a se relacionar com o mundo, com a sociedade, com a política, com a história, com os outros. A Educação abre você para o universo!
Os pais precisam entender que não se trata de assegurar um diploma para seus filhos, ou a boa entrada deles no mercado de trabalho. Trata-se de garantir a boa inserção no mundo social pela via do conhecimento, que só a Educação traz.
Tags: ditadura militar, Educação, filosofia, governo, marilena chauí
Arte para respirar melhor

A arteterapia reforça o tratamento das crises de falta de ar (foto: Getty images)
Desenhar, pintar, fazer esculturas com massinhas… Expressar os sentimentos por meio de um trabalho artístico abranda a ansiedade e facilita o controle da asma infantil, aponta um estudo do National Jewish Health, nos Estados Unidos. Os especialistas submeteram 22 garotos asmáticos de 7 a 14 anos à seguinte experiência: metade deles recebeu exclusivamente o tratamento padrão e o restante ganhou de bônus sessões de arteterapia durante sete semanas.
Sorte de quem exercitou o lápis e o pincel. “Ao desenhar ou pintar, o paciente fica menos exposto à ansiedade, um gatilho para as crises”, diz Anya Beebe, a líder da pesquisa. “Além disso, o asmático revela como se sente em relação à doença e, assim, odemos ajudá-lo a vencer o medo e a insegurança.”
* Matéria publicada na edição de agosto da revista Saúde, autores: Diogo Sponchiato e Lia Scheffer
O próximo governo e a melhoria do Ideb
Por Luciana Maria Allan*

O ministro da educação, Fernando Haddad e o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto; durante o anúncio dos resultados do último Ideb
O próximo governo terá, com certeza, muitos desafios, principalmente no campo educacional. As tarefas a serem realizadas serão muitas e a cobrança cada vez maior. Há ainda um outro elemento de pressão: o Ideb.
Criado em 2007 e consolidado nos anos seguintes, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica mede a qualidade de cada uma das escolase comprovará ou não, numericamente, o sucesso do Governo.
O Ideb, calculado com base no desempenho dos estudantes na Prova Brasil, tem metas ousadas: o Brasil alcançar a nota 6,0 em 2022, o que se equivale ao obtido por países desenvolvidos. Atualmente, o índice está em 3,6 (Ensino Médio), 4,0 (Anos Finais do Exame Fundamental) e 4,6 (Anos Iniciais do Ensino Fundamental).
Para melhorar este índice, é necessário aperfeiçoar a qualidade da educação, cominvestimento em infraestrutura, formação de professores e ferramentas de gestão. Além disso, há a necessidade de se incrementar os salários dos professores, traçar um plano de carreira para os docentes e ampliar a verba destinada à aquisição de novas ferramentas aplicadas na Educação, disseminando o uso correto das mídias sociais, por exemplo, como suporte necessário para ampliar conhecimentos fora e dentro do muro das escolas.
O professores terão, então, suporte para planejar e aplicar as suas aulas, que serão, assim, muito bem embasadas. Os alunos se sentirão motivados a aprender com a experiência dos mestres e contribuirão com novos conteúdos em um ambiente totalmente colaborativo.
Somente desta forma é que o Brasil crescerá, educacionalmente e culturalmente, beneficiando as futuras gerações e entrando definitivamente no mapa dos países desenvolvidos. A hora é agora!
(*) Luciana Maria Allan é diretora do Instituto Crescer Para a Cidadania e doutoranda na Faculdade de Educação da USP
Já pensou em publicar um livro?
A Editora Saraiva está promovendo um prêmio de Literatura. É a primeira edição do Prêmio Benvirá, a ideia é estimular a produção literária nacional e a ação está sendo divulgada na Bienal Internacional do Livro, em São Paulo.
O concurso irá eleger uma obra de ficção, o tamanho e o tema são livres. Podem participar autores brasileiros ou naturalizados, que ainda não tenham livros de ficção editados pela Saraiva. O autor da melhor história receberá como prêmio 30 mil reais e terá seu livro publicado no próximo ano. Lembrando que cada autor só pode concorrer com uma obra.
O período de inscrições é de 12/08/2010 a 30/11/2010, pelo site da Benvirá. Aproveite para passar no estande da editora na Bienal do Livro e saiba mais sobre o concurso!
Não somos campeões em Educação
Apesar de estarem na escola, as crianças brasileiras não conseguem aprender tudo o que deveriam. Veja estes dados chocantes:

"A Educação é a única forma de realmente termos um Brasil melhor" Luís Fabiano, jogador de futebol
- A nota média do país é de 4,6 no ensino fundamental 1 (1º ao 5º ano) e 4,0 no ensino fundamental 2 (6º ao 9º ano). Os dados são do Ideb, índice que mede a qualidade de ensino no país. A nota que precisamos ter? Nota 6, no mínimo.
- O Brasil tem um alto índice de crianças na escola – 97,8%. No entanto, não são poucos os que estão fora das salas de aula: 660 mil meninas e meninos. Sendo que 450 mil deles são negros . Fonte: Unicef, com informações da Pnad 2007.
- Segundo o PISA, o programa de avaliação de sistemas educativos mais difundido no mundo, o Brasil está em 54° lugar em matemática (numa lista de 57 países) e em 49° lugar em leitura (numa lista de 56 países).
- 39,5% dos jovens brasileiros de 16 anos não terminaram o ensino fundamental. Fonte: Pnad/IBGE 2007.
- 55,1% dos jovens brasileiros de 19 anos não conseguiram concluir o ensino médio. Fonte: Pnad/IBGE 2007.
- 74% da população brasileira não consegue entender um texto simples (segundo o Inaf).
- Apenas 9,8% dos alunos do 3°ano do ensino médio sabem o conteúdo esperado em Matemática e 24,5%, o de Língua Portuguesa. Fonte: Todos Pela Educação, com base nos dados do Saeb 2007.
- 42,6% dos alunos dos alunos do 3ª série (EM) estão acima da idade adequada. Fonte: SAEB/INEP – 2007.
- 10 % dos jovens de 15 ou mais são analfabetos. Fonte: MEC/Inep/DTDIE – 2005.
- Apenas 25% da população brasileira adulta é plenamente alfabetizada . O dado é do Inaf 2009 – Indicador de Alfabetismo Funcional.
A Educação do Brasil melhorou?

O estudo mostrou ainda que a Educação é a terceira área considerada mais problemática no país. O ensino fica lado a lado de questões como drogas e empregos, atrás somente de saúde e segurança pública na preocupação dos brasileiros. Em 2006, o tema ocupava apenas o sétimo na lista.
Os pesquisados eram todos eleitores com 16 anos ou mais e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Foram feitas 2002 entrevistas domiciliares em todo o país, no período de 13 a 18 de maio de 2010. A pesquisa foi encomendada pelo movimento Todos pela Educação. Saiba mais aqui.
Qual a sua opinião sobre o assunto? A Educação do Brasil realmente está melhorando? Uma boa maneira de começar a refletir sobre esse tema é descobrindo a nota da sua escola.
Tags: Educação, opinião, pesquisa, qualidade, todos pela educação
Educação Integral
A repórter Marcela Cipolla esteve ontem no Colóquio de Educação Integral e nos fez um interessante relato. Confira:
Nessa terça-feira (01/06), ocorreu o Colóquio de Educação Integral, que discutiu temas como a Educação além dos muros das escolas e o desenvolvimento humano. Entre os palestrantes, estavam a professora da PUC-SP Dulce Critelli, Jaqueline Moll (educadora à frente do programa Mais Educação do Governo Federal), o jornalista Gilberto Dimenstein, a pesquisadora do Cenpec Maria Estela Bergamin e o professor da USP Lino de Macedo.
Gilberto Dimenstein falou sobre a importância do envolvimento da comunidade com as escolas. Ele citou como exemplos de Educação Integral projetos de sua autoria como o Aprendiz, na Vila Madalena e o Catraca Livre. Ainda, Gilberto aproveitou o encontro para adiantar o lançamento de uma nova rede social digital, ela foi intitulada Palco Digital e estará no ar em breve.
Outros docentes compartilharam suas experiências com a Educação Integral em diferentes regiões do país, como Macaé Evaristo, Danilo de Melo Souza e Jailson de Souza Silva, secretários municipais da Educação de Belo Horizonte (MG), Palmas (TO) e Nova Iguaçu (RJ), respectivamente. Eles falaram sobre problemas enfrentados em seus governos e apontaram algumas ações que deram certo. Jaqueline Moll apresentou e debateu propostas do programa Mais Educação.
O colóquio faz parte das ações do prêmio Itaú-Unicef (a última edição ocorreu no ano passado) e tem como finalidade incentivar discussões e reflexões sobre as novas formas de aprendizado, distantes do sistema formal de ensino. Essas novas ferramentas da educação seriam possíveis em algumas redes sociais ou em pontos culturais da cidade (cinemas, museus, parques e outros), auxiliando na formação integral de crianças e adolescentes.
O debate ocorreu na sala de conferências do hotel Mercure Ibirapuera, em São Paulo e foi promovido pela Fundação Itaú Social em parceria com a UNICEF e o Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária).
Simulado do Enem: faça aqui
Faça o simulado aqui
Abaixo 40 questões desenvolvidas pelo Ministério da Educação para você testar seus conhecimentos em Português, Matemática, Ciências Humanas e Ciências Naturais
O Enem 2010 vai acontecer nos dias 6 e 7 de novembro. Para testar seus conhecimentos antes da prova, faça o simulado que o Educar publica nos links abaixo.
Essas provas foram elaborados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ansio Teixeira (Inep), que cuida da formulação do Enem. Os simulados têm exames de Matemática, Português, Ciências Naturais e Ciências Humanas e cobram as mesmas competências que serão exigidas na prova oficial. O gabarito das provas está no final de cada teste. Boa sorte!
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Simulado Enem – Matemática
10 questes de Matemtica elaboradas pela equipe do Inep de acordo com a reformulao do Enem
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Simulado Enem – Português
10 questes de Portugus elaboradas pela equipe do Inep de acordo com a reformulao do Enem
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Simulado Enem – Ciências Naturais
10 questes de Cincias da Natureza elaboradas pela equipe do Inep de acordo com a reformulao do Enem
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Simulado Enem – Ciências Humanas
10 questes de Cincias Humanas elaboradas pela equipe do Inep de acordo com a reformulao do Enem




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