Violência na escola: de quem é a culpa?
Quando uma aluna de escola pública bate na professora levando-a ao hospital, dizemos , que horror, o Brasil não tem jeito mesmo. E a notícia morre sem sabermos o que levou a menina ao descontrole.
Quando um menino de classe média alta leva uma arma para a sala de aula de um dos colégios mais conceituados de São Paulo, a notícia “pega”. Como isso pode acontecer com alguém que teve todo acesso às informações?

Violência? Nem de brincadeira, foto de Nino Andres
Os dois casos são reais (leia matérias da Folha de S.Paulo e da Zero Hora). Mas não importa o nome dos alunos, o nome das escolas e o nome das cidades. As duas situações aconteceram na escola dos seus filhos. Pior: sua filha agrediu a professora. Seu filho levou uma arma para a escola. No adianta mais dizer: minha filha não é agressiva. Meu filho jamais faria isso.
Todo mundo é civilizado até não ser, até deixar escapar a natureza. Seja a menina de escola pública, seja o menino de escola privada. São iguais na insegurança. São iguais na intolerância. São iguais na falta de limites. Foram iguais no erro.
Depois que o extraordinário acontece, nos perguntamos: onde eu estava que não vi isto? Onde eu errei? Como isso pode acontecer? Eu pai. Eu mãe. Eu professor. Eu orientador pedagógico. Eu diretor. Não vi. Não percebi. Não agi diferente.
Os dois adolescentes — o de uniforme público e o de estojo kipling –foram retirados de cena – alijados da vida em sociedade. Cancros, isolados. Podem mudar de escola, podem abandonar o sistema, podem ficar marcados para sempre. Mas o problema, este continuará lá. Na escola do rico e na escola do pobre.
Todos falhamos. Não adianta colocar a responsabilidade apenas nos estudantes, seres em transformação buscando referências, exemplos, valores (são os pais letrados ou iletrados que sofrerão as consequências, prestarão contas à sociedade). Temos de assumir todos nossa parcela na culpa. Temos de rever nossa maneira de ser para tentar melhorar. Repensar nosso papel na formação deles. Como eu, pai, eu mãe, posso melhorar a formação dos meus filhos? Como eu escola, tradicional, construtivista, afetiva, posso rever meus paradigmas? Como eu cidadão posso ver que a criação do outro me afeta?
Na busca por respostas (e eu não as tenho), indico três bons artigos:
- A entrevista com sociólogo chileno Juan Cassasus, que destaca a importância de o professor conhecer seus alunos
- A reportagem Violência é assunto da escola, sim!
- E a entrevista com Ubiratan D Ambrosio, que acredita que a chance de construir um mundo sem violência está na mão dos professores
por Bettina Monteiro



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