Educar para Crescer
busca

Educar para crescer

Educar nas Eleições

Angela Amin, Ideli Salvatti e Raimundo Colombo falam da Educação em Santa Catarina

por: Equipe do Educar para Crescer

SANTA CATARINA
ANGELA AMIN (PP) x IDELI SALVATTI (PT) X RAIMUNDO COLOMBO (DEM)

Candidatos ao governo de Santa Catarina falam sobre as questões ligadas à Educação
Por Luís Souza

Ângela Amin (esq.), Raimundo Colombo e Ideli Salvatti são os principais candidatos em Santa Catarina

Angela Amin (foto: Divulgação), Raimundo Colombo (foto: Mafalda Press) e Ideli Salvatti (foto: Roberto Santos). Siga os candidatos no Twitter: @angelaamin, @idelisalvatti, @raimundocolombo

Os três candidatos ao governo catarinense mais bem colocados nas pesquisas* afirmam que, na questão da educação, estão lidando com um estado privilegiado, com baixa taxa de analfabetismo e escolas com boa infraestrutura. Mas há ainda batalhas a serem vencidas, tanto que Santa Catarina deixou de ser o Estado com a melhor educação da rede estadual pública no ensino fundamental e no ensino médio, passando a ocupar a segunda posição nos dois casos conforme dados apontados pelo Ideb 2009.

A candidata do PP, Angela Amin, de 56 anos, foi prefeita de Florianópolis por dois mandatos e licenciou-se do cargo de deputada federal para concorrer ao governo do estado. Ela diz que a revisão dos conteúdos curriculares é fundamental e para que isso aconteça prega “uma discussão nacional sobre o assunto, provocada pelos estados”. Ela também destaca a importância da parceria público-privada para a melhoria da educação. E, caso eleita, pretende implantar uma lei de sua autoria, em trâmite no Congresso, segundo a qual todos os professores da rede pública devem obrigatoriamente ter nível superior.

Já a petista Ideli Salvatti foi a primeira mulher a se eleger senadora por Santa Catarina, em 2002 e no congresso tornou-se líder da bancada petista e depois líder da coalizão governista. Formada em Física, Ideli, hoje com 58 anos, deu aulas no magistério por mais de dez anos e destacou-se também como sindicalista, sendo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação – SINTE/SC por dois mandatos. Afirma que não existem condições financeiras de implantar o ensino de tempo integral em toda a rede estadual e que a prioridade nesta linha serão as comunidades de baixa renda. Ela ainda ressalta que é fundamental fortalecer “o caráter profissionalizante que é obrigação do ensino médio” e defende uma interligação das redes municipal, estadual, federal, profissionalizante e o Sistema S (nome pelo qual ficou convencionado de se chamar o conjunto de onze contribuições de interesse de categorias profissionais, estabelecidas pela Constituição, como SESI, SENAI, etc).

Raimundo Colombo, de 55 anos e candidato do DEM, foi prefeito por três vezes de Lages, cidade serrana no sul de Santa Catarina. Em 2006 tornou-se o senador mais votado da história de Santa Catarina, afastando-se do cargo para concorrer ao governo do estado. Segundo ele, há uma crise de valores e princípios éticos que atinge também a educação e afirma que é viável implantar a escola de tempo integral no estado, defendendo “disciplinas que estimulem a convivência comunitária e familiar” e “questões nacionalistas, de civismo”. E considera excessivo o sindicalismo docente.

Os três candidatos têm posições divergentes com relação à forma como devem ser definidos os diretores nas escolas públicas. Enquanto Ideli defende a seleção de diretores de escola sempre com eleição direta, na qual votariam pais, alunos e professores, Angela afirma que a eleição direta nem sempre dá bons resultados de gestão, e que por isso os pretendentes ao cargo devem passar por um processo de formação em gestão escolar antes de se candidatar. Para Colombo, a eleição direta às vezes divide a escola e apesar de declarar não enxergar “qualquer razão para fazer uma indicação política partidária para o cargo de diretor de escola”, considera fazer “uma indicação política pedagógica dentro do âmbito da liderança”.

Acompanhe o que os três pensam sobre Educação em suas considerações feitas nas entrevistas individuais, com perguntas formuladas pelos conselheiros do Educar para Crescer. Os entrevistados não tiveram acesso antecipado às questões.

*Pesquisa IBOPE realizada entre os dias 03 e 05 de agosto de 2010. Angela Amin (PP): 38%; Raimundo Colombo (DEM): 23%; Ideli Salvatti (PT): 15%. Demais candidatos: 1% ou menos. Brancos e Nulos: 7%; Indecisos: 12%.

No Brasil ainda temos cerca de 15 milhões de mulheres e homens acima dos quinze anos de idade que não conseguem, por serem analfabetos, ler o lema da própria bandeira nacional: Ordem e Progresso. Na sua eventual atuação como governante, que ação fará para não consolidar essa injusta e vergonhosa ironia cívica?

Pergunta elaborada por: Mario Sergio Cortella, filósofo, ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, doutor em Educação, professor da PUC-SP

Angela Amin – Poder zerar seria o ideal, mas o ideal nem sempre é possível. Minimizar é possível. Fazer com que o cidadão tenha acesso à escolaridade é fundamental e buscar este objetivo é importante. Em Santa Catarina ainda temos uma situação, dentro do contexto nacional, privilegiada. Mas ainda é possível minimizar ainda mais este aspecto.

Ideli Salvatti – Em Santa Catarina temos condições de ter uma proposta muito clara de erradicação do analfabetismo, por vários motivos. Primeiro porque temos um percentual de analfabetismo bastante menor que a grande maioria dos estados. Em segundo lugar, pela questão do envolvimento comunitário, da atuação coletiva muito forte. Porque a erradicação do analfabetismo não pode ser uma política exclusivamente de Estado, deve ser associada ao envolvimento da sociedade. Em Santa Catarina, temos essas condições objetivas de dinamismo da economia. Analfabetismo zero é algo que quero colocar no mesmo patamar que tanto orgulha Santa Catarina de ser um estado livre de aftosa.

Raimundo Colombo- O caso de Santa Catarina é diferente. O nível de analfabetismo é mínimo aqui, mas a gente tem de atuar para que não tenha nenhum. É incompatível com a nossa realidade, é inaceitável. O número aqui é bem reduzido – não saberia precisar agora –, mas nós temos o desafio de fazer com que a educação se aperfeiçoe, de fazer tudo que se deve e não aceitar em hipótese nenhuma o analfabetismo. Fui prefeito de Lages três vezes e a gente lutou muito. Quando você tem investimentos públicos e uma ação forte é possível praticamente eliminar o analfabetismo.

O bom administrador sabe que a criação de indicadores, definição de metas e acompanhamento das mesmas são condições básicas para uma administração aceitável. Há alguns anos foi criado um indicador nacional para a educação que é o IDEB, bem como metas para seu acompanhamento. Mesmo assim, quase nenhum governante se compromete objetivamente com tais metas ou, o que seria melhor, estabelece suas próprias metas de forma mais agressiva. Dito isto, gostaria de saber: o senhor sabe qual é o IDEB do seu estado? Sabe quais são as metas do IDEB para o seu mandato?

Pergunta elaborada por: David Saad, executivo de Relações Institucionais Sociedade Beneficente Israelita Brasileira

Angela Amin – Dentro do cenário nacional, temos uma posição boa. É o segundo estado no Brasil, mas podemos melhorar, principalmente a nota média. Todo o esforço deve ser para melhorar a meta do aluno nas provas do IDEB. E gostaria de colocar a crítica à observação feita pelo Sr. David Saad. Porque nós, na administração pública municipal, estabelecemos e acompanhamos indicadores, não só do IDEB, e fazíamos esta avaliação quatro vezes ao ano. Estabelecemos metas por escola. Entendo que é fundamental em todas as áreas da administração estabelecer esses indicadores e realizar o acompanhamento, fazendo com que o grande beneficiado venha a ser o cidadão. Este foi o trabalho que realizamos na prefeitura de Florianópolis e o objetivo é estender isso para o Estado.

Considero uma vitória do município de Florianópolis que, além de todos os indicadores da área da educação, tanto da reprovação, da aprovação, do número de alunos na escola, da permanência do aluno na escola, tivemos o aperfeiçoamento dos profissionais da área da educação. Nós deixamos todos os profissionais da área da educação com nível superior. Pagamos para que eles cursassem a faculdade e o município também garantiu a especialização nas diversas áreas. Isso fez com que todos os índices avaliados fossem melhorados em comparação a quando assumimos. Mas a grande vitória que nós deixamos foi que baixamos o índice de mortalidade infantil de 23 para 7.6 a cada mil nascimentos. É a única capital do Brasil que tem só um dígito. E nós tínhamos cobertura de 100% das crianças com algum índice de desnutrição. Essa integração entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria Municipal de Educação exigiu que os profissionais da área de educação tivessem uma preparação cada vez maior, porque esta criança desnutrida automaticamente era uma criança com pouca capacidade de absorção de conhecimento.

Ideli Salvatti – Temos o diagnóstico em nosso plano de governo. Perdemos pontos em relação ao IDEB anterior, o que significa que precisamos ter uma ação mais ofensiva em relação a isso. Como em Santa Catarina temos um dos piores salários dos professores da rede estadual, queremos estabelecer a valorização salarial dos professores vinculada a melhorias do IDEB. É uma espécie de pacto. Não se trata de meritocracia individual, mas metas a serem assumidas pela unidade escolar, e isso veiculado ao reconhecimento dos professores.

Raimundo Colombo – Temos de estabelecer a meritocracia como um ponto fundamental. Esse foi um grande equívoco na educação. Isso começou na (universidade francesa) Sorbonne e está pronunciado no discurso de posse do (presidente da França, Nicolas) Sarcozy, que demonstra exatamente a relativização do mérito. Agora pouco estive num curso em Chicago, nos EUA, e a secretária municipal mostrou exatamente a necessidade desse modelo. O que está acontecendo em São Paulo é estimulante, porque começa a apresentar bons resultados, e nós queremos nos comprometer a perseguir índices que são fundamentais para a evolução da educação em Santa Catarina.

O (A) senhor (a) se compromete com essas metas ou com metas mais agressivas para o IDEB? Quais são as ações objetivas que o (a) senhor (a), hoje, pode dar certeza absoluta que fará, caso eleito (a), para atingir essas metas?

Pergunta elaborada por: David Saad, executivo de Relações Institucionais Sociedade Beneficente Israelita Brasileira

Angela Amin – Comprometo-me com metas mais agressivas. Nós estabeleceremos indicadores nas diversas áreas e acompanharemos esses indicadores. A invasão; a repetência; a distorção série-idade. Isso tem de acontecer em parceria com os municípios, já que o atendimento de zero a seis anos é de responsabilidade dos municípios. Há necessidade de cumprir uma lei de minha autoria que foi aprovada na Câmara dos Deputados e se encontra em análise no Senado, que irá obrigar que todos os professores tenham curso superior. Uma vez que se consiga isso, o nível de atendimento das crianças será melhor. Então são algumas metas que vão dar uma nova qualidade de atendimento, sem dúvida, ao nosso Estado.

Ideli Salvatti – É necessário justamente construir esse pacto. Há algumas áreas do serviço público em que ou você faz com o funcionalismo ou não adianta decisão do governo de fazer. É muito importante esse pacto de melhoria na qualidade do ensino ser feito juntamente com a melhoria da condição salarial dos professores. Não temos condição de implementar a escola de tempo integral em todo o estado. Nós temos o diagnóstico que o IDEB já nos aponta de quais são as unidades escolares, as regiões e os municípios críticos em termos de desenvolvimento de ensino. Aquilo que não se pode aplicar de forma geral em todo o estado será priorizado nessas unidades escolares. Por exemplo, na comunidade onde há alto índice de criminalidade, de drogas, de evasão, de repetência, são comunidades onde devem ser aplicados programas de contraturno, de escola aberta, de tempo integral. O setor produtivo de Santa Catarina pede apenas duas coisas: infraestrutura para escoar a produção e mão-de-obra especializada. É uma questão crucial e tem a ver com o ensino médio da rede estadual.

Raimundo Colombo – Santa Catarina tem superado as metas do IDEB nos últimos anos. A nossa intenção é continuar esse esforço. Comprometo-me, sim. A educação é uma prioridade forte, e quero de forma muito clara ter esse compromisso e fazer com que toda a estrutura de educação pública do estado esteja comprometida com ele. Se não se tiver forma de medição do resultado, condições de desafiar o corpo docente para alcançar essas metas, o resultado fica sempre uma coisa aleatória, difícil de ser medida. E nós temos de ter medição para fazer com que o resultado seja alcançado e superado.

De acordo com os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2009, divulgados no começo deste mês pelo MEC, Santa Catarina deixou de ser o Estado com a melhor educação pública do país de 5ª a 8ª séries (ensino fundamental) e no ensino médio, na avaliação da rede estadual. Por que o(a) senhor (a) acha que isso aconteceu? O que pode ser feito para recuperar a liderança?

Angela Amin – Na reportagem feita pelo jornal local, o secretário da Secretaria Estadual da Educação (Silvestre Heerdt) assume sua responsabilidade (o secretário afirma que o estado se “descuidou em alguns aspectos”). O que nós faremos é estabelecer indicadores e acompanhar com o objetivo de buscar mais uma vez a liderança.

Ideli Salvatti – Esses dados chocaram muito. Santa Catarina tinha orgulho de ser o primeiro, que é algo inclusive que o estado tem condição econômica e social de ser. Toda esta queda que aconteceu terá uma prioridade de tratamento para Santa Catarina recuperar as posições. No caso do ensino médio, ocorre algo inadmissível. Porque em um estado economicamente industrializado, que tem muita força na agricultura e potencial turístico é inadmissível que a rede estadual de ensino não tenha avançado nada em termos de ampliação do ensino profissionalizante. A rede estadual profissionalizante minguou. Ela já foi de excelência, mas foi sucateada. Vai precisar recuperar o terreno perdido.

Raimundo Colombo – Não sei dizer. O que percebo é que a educação teve o seu processo normal, seguiu o seu curso. Minha intenção é fazer um grande choque. A grande prioridade, uma vez que o corpo de professores já está estabelecido, desenvolvendo as suas atividades, é fazer uma revolução interna de motivação, de desafio para o preparo. Nas vezes em que fui prefeito estabeleci isso como meta salarial. Não só a questão da educação, como todo um processo na evolução da carreira, na questão da ocupação dos espaços de gerência e administração das escolas, com um nível de exigência de qualificação muito elevado. Essa tem de ser a política. É preciso estabelecer o mérito como forma de remuneração, como forma de progressão funcional e de gestão na própria estrutura pública, sempre com os efetivos.

Considerando que o professor é peça chave para a melhoria da qualidade do ensino, como o (a) candidato (a) pretende articular a formação dos professores com a prática da sala de aula para que haja um efetivo impacto na qualidade?

Pergunta elaborada por: Maria Alice Setubal, socióloga, diretora-presidente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), integrante do Conselho de Administração da Fundação Abrinq e do Conselho do Programa Comunidade Solidária.

Angela Amin – Primeira providência: fazer com que a lei de que todos os profissionais da educação devem ter nível superior seja aplicada em nosso estado. Um plano de cargos e salários, fazendo com que o professor tenha um estímulo maior para estar na sala de aula, valorizando-os. Porque os professores são os profissionais de educação mais importantes por ter o contato com o aluno. E buscar a família para a convivência com a escola, para um crescimento maior e a co-responsabilidade na formação do nosso aluno. Não podemos assumir de maneira isolada esta responsabilidade, a parceria do Estado com a família é fundamental.

Ideli Salvatti – Queremos fazer um pacto com os profissionais do setor da educação no qual estão envolvidas a valorização salarial, as metas a serem atingidas no coletivo de cada unidade e também a qualificação. Hoje nós temos uma dificuldade imensa de encontrar professores habilitados em todas as áreas. A maioria dos docentes nas escolas da rede estadual de Matemática e Física, por exemplo, não é professor habilitado. É um jovem que está estudando e faz um bico na educação. A rede federal de ensino, principalmente nos campus de Santa Catarina, tem dado ênfase na habilitação de professores, mas são necessários incentivos do governo estadual.

Raimundo Colombo – Essa é uma questão chave, fundamental. Essa é a experiência que tenho no trabalho que desenvolvi em meu período de administração municipal, onde você tem de realmente motivar os professores. Tem de estabelecer as formas de crescimento, aperfeiçoamento e estímulo profissional. Essa é a essência de tudo. Se o professor está motivado, interessado em se aperfeiçoar, consegue-se uma educação de qualidade. Ele é o componente indispensável. Não é a sala de aula, não é o equipamento. É o professor. Esse desafio é o maior, mas o que a gente tem a melhor condição de obter resultado.

Há quem defenda a implantação da política de bônus como forma de reconhecer o mérito do professor. O(A) senhor(a) acredita que esta seja a melhor política para reconhecimento de mérito docente? Se não, qual seria o caminho?

Pergunta elaborada por: Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do Todos Pela Educação

Angela Amin – Tenho um pouco de preocupação com o bônus, mas implantar um processo de meritocracia, valorizando o profissional através de indicadores, é muito importante. O profissional que apresentar resultados positivos deve ser valorizado. É a chamada meritocracia.

Ideli Salvatti – O bônus de professor está baseado quase que na meritocracia individual. É uma forma errada. Você pode ter um excelente professor numa estrutura falha, numa comunidade com problemas sociais graves. Este professor altamente qualificado pode ter um rendimento pior do que um professor menos preparado, mas que esteja numa unidade escolar em melhores condições. Por isso que nenhum processo se baseará no indivíduo e sempre no coletivo. A unidade escolar terá metas a atingir, será um trabalho coletivo, democratizado, e não bônus individual.

Raimundo Colombo – Nós estamos estudando. Essa questão tem de ser muito bem pensada e estruturada.  É preciso conhecer a experiência e o resultado de outros que já estão fazendo isso para não virar apenas uma questão burocrática ou política, de você não destacar o mérito. O mérito é para quem tem o melhor resultado. Tem de ser uma coisa séria, clara, transparente, em que as regras estejam bem definidas. Não tenho pronto esse modelo, mas a política é essa.

As avaliações nacionais mostram que um dos maiores desafios da educação brasileira sob a responsabilidade dos estados é o Ensino Médio, que apresenta indicadores ruins  tanto de desempenho dos alunos como de cobertura. Cerca de 20% dos jovens brasileiros entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Entre os que conseguem concluir o ensino médio, apenas 9% desenvolvem as competências e habilidades esperadas ao final da educação básica. O que o(a) senhor(a) fará no seu estado para melhorar o ensino médio? Quais os planos para garantir a ponte entre a escola e o mercado de trabalho?

Pergunta elaborada elaborada por: Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) e ex-secretária da Educação de São Paulo e Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco

Angela Amin - O ensino médio está desconectado com a realidade até daquilo que nós esperamos do mundo do trabalho ou da sociedade. O ensino médio precisa dar aos jovens condições de enfrentar o mercado de trabalho mesmo não tendo uma profissionalização específica. A revisão dos conteúdos curriculares é fundamental, por isso deve haver uma discussão nacional sobre o assunto, mas uma discussão provocada pelos estados. Os secretários de educação podem liderar esse processo para que tenhamos esse aluno motivado para permanecer no Ensino Médio. Se isso não acontecer, o índice de evasão continuará igual.

Ideli Salvatti - Precisamos fortalecer o caráter profissionalizante que é a obrigação do ensino médio. A rede estadual sozinha não dá conta disso, mas em parceria com o Sistema S (nome pelo qual ficou convencionado de se chamar o conjunto de onze contribuições de interesse de categorias profissionais, estabelecidas pela Constituição, como SESI, SENAI, etc) e a rede federal de ensino profissionalizante é possível obter um resultado melhor. Se esta articulação de forças não for feita, o ensino médio não vai evoluir.

Raimundo Colombo – Santa Catarina é, historicamente, um dos melhores estados do Brasil sempre. Nós temos uma educação pública. E é evidente que a crise da educação é uma crise não só brasileira, mas mundial. São os avanços tecnológicos, o excesso de sindicalismo na corporação, a legislação que também dá estabilidade. O grande desafio é motivar o corpo docente. Tem de fazer isso com regras claras, com o grande objetivo de melhorar a educação. E acrescento uma coisa fundamental, que são as escolas técnicas. Em Santa Catarina essa é uma questão mal-resolvida. Nós temos conquistado espaço de trabalho, mas não temos a mão de obra qualificada. Vamos dar uma prioridade muito grande para escolas técnicas, ampliando o número delas, identificadas por região e com as prioridades daquela região e com o mercado de trabalho.

Como equalizar o currículo do Ensino Médio atendendo à necessidade tanto do jovem que quer entrar na universidade quanto do que quer ir para o mercado de trabalho?

Pergunta elaborada por: Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco

Angela Amin – Deve haver uma conexão entre o conteúdo curricular e a capacitação para enfrentar o mercado de trabalho.

Ideli Salvatti – O governo estadual precisa dar qualidade de acesso ao conhecimento e ao mesmo tempo dar profissionalização, então é necessário a parceria com a rede federal e o Sistema S. Não é uma obrigação ter na escola da rede estadual o ensino profissionalizante, mas deve ser dada ao aluno a garantia que ele possa durante um determinado período do seu curso se profissionalizar. Sem que com isso ele perca a qualidade do conhecimento geral.

Raimundo Colombo – A questão da escola técnica tem o seu foco pronto e claro na qualificação. Defendo a escola integral, em que você também vocaciona e potencializa aqueles que desejam ir para a universidade.

Como pensa em estimular a atratividade da carreira docente junto aos jovens concluintes do Ensino Médio?

Pergunta elaborada por: Ângela Dannemann, diretora da Fundação Victor Civita

Angela Amin – O grande enfrentamento é possibilitar ao profissional acesso ao nível superior e, sem dúvida, a um plano de carreira. A valorização da carreira de professor fará com que mais alunos queiram se tornar docentes.

Ideli Salvatti – Como professora e sindicalista, lembro-me de uma campanha que fizemos. Era um cartaz do mico-leão dourado com o slogan: “Professor, uma espécie em extinção”. E infelizmente nós evoluímos pouco nas duas últimas décadas. Fui a um baile de 15 anos de jovens de escolas de rede pública de São José. Eram 49 moças de escola de periferia. Das 49, apenas duas se propunham a ser professoras. Para nós recuperarmos a carreira de professor, e esse não é um problema só de Santa Catarina, vamos ter de fazer uma campanha nacional de valorização da profissão. A juventude precisa voltar a querer ser professor. Só vai voltar a querer ser professor se a sociedade voltar a considerar o professor peça-chave e valorizada, como é em muitas culturas. O professor precisa voltar a ser visto como serviço relevante, e precisa receber. Se não houver reconhecimento salarial não adianta.

Raimundo Colombo – A questão salarial é básica. Um professor mal remunerado não estimula ninguém a seguir sua profissão. A segunda questão é a valorização do mérito, mostrar que vale a pena se dedicar a essa atividade, a essa profissão. Nós temos de reconhecer e destacar as pessoas que são referência na educação. E também aquelas que ao longo de trinta anos formaram várias gerações, não faltaram um dia sequer à aula, tiveram um aperfeiçoamento profissional. A nossa idéia é enfatizar o mérito, mas não como uma coisa burocrática, e sim como uma forma de homenagear as pessoas que cumprem bem o seu papel. Temos de fazer com que elas sejam exemplos a serem seguidos, e a partir do momento em que se tem isso claro, mais pessoas começam a se interessar pela carreira de professor, como já foi no passado.

O que o(a) senhor(a) pensa sobre dar maior autonomia administrativo-financeira para diretores de escola, com a participação da comunidade de pais de alunos como controle?

Pergunta elaborada por: Ângela Dannemann, diretora da Fundação Victor Civita

Angela Amin – As unidades escolares devem ter autonomia. Isso já ocorreu aqui no Estado e no Município e tem de ser retomado. Essa é a verdadeira descentralização, a valorização dos conselhos escolares.

Ideli Salvatti – Concordo com isso, e inclusive é algo fundamental para melhorar o nível de escolaridade e aproveitamento.

Raimundo Colombo – É fundamental. Já fiz essa experiência na prefeitura de Lages. As pequenas coisas podem e devem ser resolvidas na própria escola com o fundo que o município deve repassar. Quanto mais autonomia, com fiscalização da comunidade de pais e professores, melhor é o resultado. Quando os pais participam, integram, se interessam, a escola é melhor, o aprendizado é mais forme. A vida comunitária faz uma escola com mais qualidade. É uma meta a ser perseguida sempre. E para obter a participação e a colaboração dos pais, você tem de ter coisas práticas, que realmente deixem a decisão nas mãos da comunidade. Porque senão fica muito abstrato e as pessoas se desinteressam e deixam de participar. Então elas têm de ter essa autonomia. Essa é a linha que a gente quer adotar.

O que o(a) senhor(a) fará para melhorar a formação de diretores? Pensa na criação de cursos universitários para formação de diretores de escola?

Pergunta elaborada por: Gustavo Ioschpe, economista da G7 Investimentos, especialista em Educação

Angela Amin – Quando assumi a prefeitura de Florianópolis havia a escolha dos diretores de escola por meio do processo democrático e o que se percebia não era resultado positivo em termos de gestão. O que fiz foi a prorrogação dos mandados dos diretores naquele momento, a definição do perfil dos diretores de escola e a criação pelo município de um curso específico de formação de diretores que compreendia a gestão escolar. Esse profissional que passaria pelo processo democrático já teria feito o curso de capacitação. O resultado foi positivo, e esse método pode ser ampliado para o estado. Não pensei em criar um curso universitário de formação de diretores, mas é uma sugestão a ser avaliada.

Ideli Salvatti – Não há necessidade de curso universitário de gestão escolar. Mas que a pessoa que vá dirigir a escola tenha de ter uma preparação adequada, é indiscutível.

Raimundo Colombo – Não penso em curso universitário, mas sim em cursos internos de aperfeiçoamento, de fortalecimento. E também, como conseqüência, uma vantagem financeira no trabalho que prestam. Temos condições de encontrar pessoas com talento e oferecer os mecanismos para desenvolver a aptidão gerencial. Uma escola com uma boa diretoria e um bom corpo técnico, é uma escola que se desenvolve muito. E quando o diretor não é habilitado, às vezes por escolha política ou influência sindical, há um conflito. Nesses casos, o resultado é sempre ruim e a escola perde muito. É preciso achar a pessoa certa e qualificá-la para esse papel. Não é fácil ser diretor de escola, cada dia é mais difícil, aliás. Até pela própria questão da desagregação dos valores, que existe entre as pessoas e reflete diretamente na escola. A escola administra conflitos de diversos tipos, desde drogas até relações familiares. Hoje em dia o diretor é um assistente social, às vezes substitui o pai ou a mãe. Ele não gerencia mais apenas a questão pedagógica, ou a funcional. Ele acaba gerenciando toda uma realidade comunitária.

O(A) senhor(a) se compromete a não fazer indicações políticas para o cargo de diretores de escola? Como eles serão selecionados?

Pergunta elaborada por: Gustavo Ioschpe, economista da G7 Investimentos, especialista em Educação

Angela Amin – Sim, me comprometo a não fazer indicações políticas. O processo de seleção será o já explicado na questão anterior.

Ideli Salvatti – Sim, claro que me comprometo. Eles serão selecionados por eleição direta, com preparação antes. Por isso, é algo que não será feito no primeiro ano de governo, pois temos de estruturar a preparação antes para depois abrir o processo de eleição. Votariam pais, alunos e professores.

Raimundo Colombo – Não tenho isso muito claro, ainda. A eleição às vezes é uma forma política de dividir a escola. É uma coisa que na época em que fui prefeito fiz as eleições nos colégios maiores e é uma forma democrática. Mas às vezes há uma divisão, o que traz uma briga política para dentro da escola. É incompatível a política partidária com a política da educação. A gente precisa ter muito cuidado. Não vejo qualquer razão para fazer uma indicação política partidária para o cargo de diretor de escola, mas uma indicação política pedagógica dentro do âmbito da liderança. Nós precisamos encontrar a pessoa com vocação para a liderança dentro da escola. Assim vamos fazer da escola um ponto de desenvolvimento da educação e da comunidade.

A maioria dos estudos empíricos demonstra não haver correlação entre gastos em educação/salários de professores e aprendizados dos alunos. O (A) senhor(a) aceita este achado ou acredita que devemos investir mais para obter melhor qualidade de educação?

Pergunta elaborada por: Gustavo Ioschpe, economista da G7 Investimentos, especialista em Educação

Angela Amin – Não necessariamente investir mais. Acredito que se houver um processo de gestão os resultado serão bons. A partir daí haverá a avaliação se são necessários mais investimentos. Porém, temos de iniciar com um processo de gestão aplicando indicadores.

Ideli Salvatti – Aumentar salário não gera automaticamente melhoria de qualidade de ensino. As coisas estão interligadas. Deve haver envolvimento, compromissos assumidos. Agora, se o professor não for valorizado, não há como exigir compromisso dele.

Raimundo Colombo – A remuneração está diretamente ligada ao resultado. Professor mal remunerado acaba tendo dificuldade de assumir todas as responsabilidades em sua plenitude. A remuneração é sim, um obstáculo, e devemos tentar melhorar ao máximo a remuneração do professor.

Quais políticas do governo atual na área da Educação serão mantidas? Quais serão revistas ou aprimoradas (e de que maneira) e quais, eventualmente serão abandonadas?

Pergunta elaborada por: Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro

Angela Amin – Esse processo ainda está sendo feito, mas não tenho essa filosofia de simplesmente varrer o que já está sendo feito. Tudo será avaliado e aperfeiçoado.

Ideli Salvatti – Tenho bastante clareza com algumas questões nevrálgicas. Gestão democrática é uma delas e não temos isso na educação de Santa Catarina. Depois, a questão da interligação das redes municipal, estadual, federal, profissionalizante e o Sistema S. Porque já cansei de ver uma escola municipal superlotada e uma estadual subaproveitada. Poderia haver uma interação. E tem algo que vai ser ato de início de governo: vamos acabar com a terceirização da merenda escolar. Em Santa Catarina, a merenda escolar é todinha comprada de fora do estado. As empresas que ganharam a merenda escolar são de fora do estado. Num estado como o nosso, com boa parte da produção agrícola vinda da agricultura familiar, o governo perde de por dinheiro nessa agricultura e manda para outro estado.

Raimundo Colombo – Nós estamos começando esse estudo, ainda não tenho como dizer. Vamos aproveitar todas as coisas boas que estão sendo feitas, e são muitas. Temos a coragem e a decisão necessária de evoluir em tudo aquilo que precisa, mas esse trabalho não está pronto ainda.

Qual o papel que o candidato vê para a participação da sociedade civil e em especial para o investimento social privado no apoio à educação pública?

Pergunta elaborada por: Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro

Angela Amin – A parceria público-privada é fundamental. Assim como coloco a participação da família, a colaboração da iniciativa privada para o enriquecimento da escola é importante.

Ideli Salvatti – Aqui no estado, por exemplo, o Sistema Universitário Acafe (Associação Catarinense das Fundações Educacionais) é extremamente desenvolvido; e boa parte da formação dos professores passa por ele. Portanto para melhorar a qualidade e a capacitação dos professores tem de haver a parceria, a inter-relação. Fora isso, a rede de ensino particular é bem estruturada. A relação com a rede pública deve ser respeitosa e de parceria.

Raimundo Colombo – Temos de participar de forma integral. Temos de recuperar os valores de vida comunitária para dentro da vida das pessoas e da instituição pública. A educação é um dever do estado, um direito do cidadão, mas a gente pode se valer das escolas privada inclusive comprando bolsa, abrindo espaço. Não importa se o aluno estuda na escola pública ou na privada. O que importa é que o estado proteja aqueles que precisam. Estamos estudando essa política ainda e desenvolvendo uma proposta clara nessa área.

Que ações são planejadas para estimular o compromisso da família no acompanhamento da vida escolar do aluno?

Pergunta elaborada por: Guilherme Weege, empresário, diretor da Malwee

Angela Amin – O fortalecimento dos conselhos escolares e todo um processo de envolvimento e de chamamento da família. O diretor de escola é o grande animador. Claro, com uma orientação da Secretaria Estadual de Educação para que a família esteja envolvida. É a chamada “escola aberta”.

Ideli Salvatti – Quando a gestão é democratizada, fortalecendo o papel da escolha dos administradores da escola com a constituição do conselho deliberativo da escola, onde se dá a participação dos pais e dos alunos no cotidiano escolar, projetos como a escola aberta podem ser feitos.

Raimundo Colombo – Considero isso muito importante. Vamos ter de estabelecer na parte pedagógica disciplinas que estimulem a convivência comunitária e familiar e também de forma muito abrangente questões nacionalistas, questão mais de civismo. Vamos estabelecer uma linha de trabalho muito intensa, porque a crise que vivemos hoje é uma crise ética, de valores e de princípio. Então você tem de trazer para dentro das instituições – sejam elas familiares ou públicas, como a escola – o debate, a formação, o desenvolvimento desses valores.

Que ações serão organizadas para implementar as escolas em tempo integral? Há interesse em ampliar a quantidade das unidades com essa modalidade de educação?

Pergunta elaborada por: Guilherme Weege, empresário, diretor da Malwee

Angela Amin – Existem várias correntes de educadores com relação à ampliação do tempo da criança na escola. O tempo pode ser ampliado se houver sucesso na participação da família. Se conseguirmos fortalecer o conselho escolar, faremos a partir daí a ampliação do tempo em sala de aula. A escola em tempo integral é importante para dar uma formação mais completa ao aluno, através da arte, do esporte, da tecnologia, mas sempre temos de pensar na participação da família.

Ideli Salvatti – Como já disse, não temos capacidade financeira de implantar em todo o estado, mas nas comunidades críticas, principalmente nas comunidades com alto índice de criminalidade, onde a escola exerce um papel absolutamente relevante. Nestas comunidades tem de ter contraturno e tempo integral, pois é uma forma de fazer uma política pública de enfrentamento dessa situação.

Raimundo Colombo – Sem dúvida, não há como você avançar na educação sem o ensino em tempo integral. Nós temos de partir para isso, e essa vai ser a nossa política claramente.

Qual é o projeto do(a) senhor(a) para a disciplina Educação Física Escolar?

Pergunta elaborada por: Jorge Steinhilber, mestre em motricidade humana, presidente do CONFEF (Conselho Federal de Educação Física)

Angela Amin – Não tenho um projeto específico para Educação Física Escolar. É uma disciplina importante, que permeia a formação do aluno e está embutida nesse processo de formação. E, como qualquer outra disciplina, ela vai entrar nesse processo de gestão e avaliação.

Ideli Salvatti – Até como professora de matemática, tenho a convicção de que escola que não prioriza a Educação Física não consegue fazer com que as outras disciplinas funcionem adequadamente. Faz toda a diferença dar uma aula antes ou depois da aula de Educação Física. E a Educação Física é onde se desenvolvem motricidade, espírito de cooperação e de equipe, inter-relação pessoal.

Raimundo Colombo – Ampliar bastante. Fui um esportista, fui atleta, aprendi muito e formei minha personalidade baseado nisso. Temos de dar ao jovem todas as condições para o desenvolvimento atlético, esportivo. Temos de criar todos os elementos de apoio nessa área, porque a gente ajuda na formação de princípios e valores, na forma sadia de convivência. A educação física é uma disciplina que deve ter uma importância muito maior do que tem tido.

Como o(a) senhor(a) avaliaria a condição e a estrutura das escolas em Santa Catarina? E o salário dos professores?

Angela Amin – Deve haver investimentos nos dois quesitos, tanto na melhoria da estrutura das escolas quanto na carreira do professor. A educação do professor deve ser continuada sempre. Quanto à melhoria da estrutura das escolas, também deve ser contínua. Cito como exemplo que durante minha administração em Florianópolis conseguimos deixar todas as escolas adaptadas para deficientes físicos.

Ideli Salvatti – Como disse, o salário dos professores é um dos piores do país. Há muitas distorções entre pessoas que não estão em sala de aula, mas agregaram gratificações ou funções indicadas. A carreira está distorcida. Quem está efetivamente na ponta na sala de aula é normalmente quem menos recebe, então há uma inversão. E uma das coisas fundamentais é a escolha democrática da gestão da escola e do projeto pedagógico. Sou absolutamente defensora da eleição direta para diretor, passando pelo programa de formação. Ou seja, só pode ser candidato quem fez o curso de gestão.

Raimundo Colombo – A estrutura das escolas melhorou muito. Foi feito um plano grande de reforma, de construção de novas escolas. Nós temos uma estrutura física que pode ter um problema aqui ou outro lá, mas em sua maioria é uma bela estrutura. Na questão remuneratória temos de estabelecer um ganho significativo baseado no mérito, estabelecendo os critérios de forma muito transparente e com regras muito claras, para que a gente possa melhorar a remuneração baseada no mérito. O mérito é daquele que está na sala de aula e se aperfeiçoa; e o resultado você mede pelo desempenho dos alunos. A hora que tivermos esse modelo teremos condições de melhorar o salário dos professores.

A maioria das unidades escolares não dispõe de local adequado para o desenvolvimento de atividades físicas e esportivas. Qual o projeto para corrigir essa distorção?

Pergunta elaborada por: Jorge Steinhilber, mestre em motricidade humana, presidente do CONFEF (Conselho Federal de Educação Física)

Angela Amin – Em Santa Catarina, muito poucas são as escolas que não possuem quadra ou local adequado. Vamos buscar adequar essas, mas a maioria já está adequada.

Ideli Salvatti – Isso é tão importante que no PAC 2 estão previstas quadras cobertas nas escolas.

Raimundo Colombo – Não tenho um projeto nesse sentido. A estrutura de Santa Catarina é um pouco diferenciada. Nós estamos fazendo levantamentos e a estrutura esportiva no estado é bem significativa. Não vou dizer que seja completa, mas todos os colégios maiores possuem ginásio e uma estrutura adequada. É importante que a gente consiga avançar sempre, porque essa é de fato uma área muito relevante no avanço da educação em nosso país.

Equipe do Educar para Crescer
Por
- 1 de setembro de 2010

O EDUCAR PARA CRESCER é um projeto sem fins lucrativos e apartidário que tem o objetivo de ampliar o conhecimento da sociedade brasileira sobre as principais questões da Educação do país.

 
Comentários 






  • 9 de setembro de 2010 às 1:50 pm

    Eliana -

    Seja qual for o candidato que ganhar as eleições tem que pensar na valorização do professor que é a mola mestr d educação. Hoje o pro fessor não tem estrutura para trabalhar, o planejamento vem pronto, os alunos estão cada vez mais rebeldes, o ECA É INTERPRETADO errado e a remunerção não daá para sobreviver,et…

  • 9 de setembro de 2010 às 7:44 pm

    Marcos -

    Lembram de pedir voto, mas não lembram de valorizar e lembrar do professor, mas estou falando em valorizar com melhores salários, pois de blá, blá, blá, de educação isso, educação aquilo como artifício pra dar voto já estou de saco cheio! Até agora a política educacional de vocês foi: dar uniforme pra aluno, dar caderno, lápis, borracha, régua, etc, etc, etc ( metade vai pro lixo, pois não dão valor ao que é “dado”) e construir escola, como se isso fosse educação, pois essas coisas aparecem muito bem, fazem a imagem do político bonzinho e pra isso nunca existe o argumento falso e bordão político, “não há verba”. Engraçado que para o que faz a boa imagem de vocês nunca há falta de verba…gastam milhões sem reclamar de nada! Agora, quando é pra pedir algo realmente educacional, sempre vem o dito “não há verba”! Agora estão inventando essa questão do mérito para valorizar o profissional com base no desempenho do alunos. Pelo amor de Deus, isso é a maior conversa que existe, é a maior forma camuflada de dizer que o professor é um incompetente por não ensinar direito. É a maneira que acharam de acusar alguém pelas décadas de sucateamento e descaso que vocês políticos proporcionaram na educação. Convido qualquer um de vocês a entrar em sala de aula, mas não por um dia, pois isso é muito fácil, queria vê-los por um bom tempo, pra sentir o que é ensinar, os desafios culturais que existem e que confrontam diretamente essa história de desempenho do alunos e mérito do professor.
    Agora pergunto: onde está o investimento em bibliotecas decentes nas escolas, onde não se tenha somente um amontoado de livros didáticos velhos? Onde estão os laboratórios equipados ( isso é necessário ao ensino.)? Onde estão as eleições diretas para diretores de escolas? (se o que importa é a educação, então porque um cargo político para este cargo?) Onde está o salário decente ( só promessas e promessas) para que o professor não precise fazer uma jornada de trabalho de 60hs e até mais pra conseguir um salário pra sobreviver decentemente? ( isto motiva muito mais que qualquer palestra de “motivação”, que por sinal é só o que sabem fazer pelo professor.)

  • 9 de setembro de 2010 às 7:50 pm

    Rodrigo -

    Entrevista com os candidatos ao governo do estado.

  • 9 de setembro de 2010 às 9:52 pm

    Reginaldo -

    Sou professor de Geografia da Rede Estadual de Ensino de Santa Catarina há quase dez anos e, já tenho decepções com as PROMESSAS e, não propostas feitas pelos candidatos em todos os pleitos eleitorais que venho acompanhando. Se a metade de tudo o que é prometido ou “proposto” fosse realmente cumprido pelo governante depois de eleito, nem eu ou qualquer profissional em Educação estaria insatisfeito com sua jornada de trabalho.
    As pessoas atrás de uma mesa, em uma sala climatizada, criam mecanismos para tornar as aulas criativas e atraentes. Isso eu também sei fazer, em uma sala não climatizada com em média 35 alunos com particularidades, diferenças, saberes e dificuldades individuais. Nessa mesma sala existem alunos dedicados e indisciplinados, de realidades sociais e econômicas diversas. Alunos esses, que tenho por direito e dever levar o conhecimento e, para isso preciso usar das mais variadas metodologias.
    Meu salário é de professor, mas ainda não sei por que também não recebe como psicólogo, psico-pedagogo, entre outros. Também não entendo por que não recebo nem um presentinho pelo papel de pai que muitas vezes exerço, ou ainda por que nem um circo me contratou, pois muitas vezes sou feito de palhaço por alunos ou propostas políticas.
    Não preciso de motivação, não estou desmotivado, preciso que a valorização profissional tanto mencionada em inúmeros textos que já li em muita folha de papel chamada proposta de governo, continue vindo em forma de papel, mas um papel chamado dinheiro.

  • 9 de setembro de 2010 às 10:46 pm

    Marcos -

    É muito fácil cobrar IDEB alto, difícil mesmo é conseguí-lo dentro de um cenário político educacional ( criado por políticos ) em que o aluno não estuda porque sabe que irá avançar ao ano seguinte mesmo assim. É dentro dessa cultura, dentro desse cenário que somos exigidos a apresentar resultados para “merecer” alguma coisa! Nunca em minha vida e de meus familiares, e também não conheço ninguém que conseguiu algum resultado satisfatório somente indo para aula e jogando o mochila em um canto quando chega em casa. Não há lógica em cobrar alguma coisa com esse cenário. O pior mesmo é querer estabelecer modelos franceses de mérito com base nos resultado apresentados pelas provas apresentadas pelos alunos. Pergunto: que tipo de cultura tem os alunos franceses? Será mesmo que os níveis e estatísticas educacionais altos que apresentam se devem somente ao desempenho do professor? Acredito que tem um fator cultural forte por trás de tudo isso que estabelece tamanha diferença! Mas isso não vem ao caso e não interessa nessas horas, pois é mais fácil cobrar, apontar o “culpado” (professor) e tirar o corpo fora. Para que todos saibam, é mais que comum hoje em dia, você entrar em uma sala de aula para aplicar uma avaliação ( avisada anteriormente) e ouvir dos alunos: “tem prova hoje”? Outro fato muito comum é ver o alunos darem risada ao tirar notas como 2,0, 3,0 e assumir que não estudaram nem um pouquinho, sem vergonha nenhuma, como se isso não tivesse importância! Triste mesmo é ver esses alunos desinteressados ( maioria ) sendo promovidos ao ano seguinte sem condição alguma ( somos pressionados o tempo todo em relação ao isso), pois o que mais interessa ao governo é o índice de aprovação! É dentro dessa realidade que esperamos IDEB com resultados satisfatórios? Que política educacional é essa que acha que bons resultados só dependem do desempenho do professor? Onde está o compromisso das famílias com o estudo dos filhos e dos filhos com os estudos? É só depositá-los dentro da escola que está tudo resolvido? Acredito que não teremos resultados realmente satisfatórios enquanto estivermos amarrados dentro deste cenário cultural em que o estudo não é fundamental para se conseguir resultados!

  • 11 de setembro de 2010 às 1:09 am

    Gilson Rebello Limas -

    É meu irmão, mais uma vez todos dizem o que precisa ser feito, mas ninguém diz como fazer…

  • 14 de setembro de 2010 às 6:47 pm

    Marquielli -

    Primeiramente quero cumprimentar todos os comentários dos meus colegas de profissão!!! Tudo o que foi comentado é uma realidade de todo o estado, não só de uma região. As leis são muito bonitas no papel mas muito difícil de realizar. As escolas “novas” feitas são uma verdadeira vergonha, fazem construções grandiosas para mostrar serviço, mas dentro delas os alunos tem de se cuidar para que parte dessa ” escola nova” não caia na cabeça. É muita ironia dizer que quase todas as escolas tem ginásio coberto. Se tem um galpão coberto e ainda torcer para não chover se o futebol vira natação!!!
    Gostaria muito que os nossos nobres candidatos lessem esses comentários para eles sentirem como é um escola de verdade e não escolas que inventam e imaginam! Amo a educação, mas me sinto indignada com tantos absurdos que acontecem no dia dia escolar, lá dentro da escola , aonde só quem trabalha lá sabe com é!!!

  • 15 de setembro de 2010 às 2:33 pm

    Marih -

    Só falácias. Nenhum deles está relamente interessado em valorizar o profissional da educação. Continuaremos no salário-miséria. NULO!

  • 19 de setembro de 2010 às 7:58 pm

    EVA M R LOUREIRO -

    Eu não sou professora,mas me lembro muito bem qdo eu estudava,naquela epoca o aluno ia para escola estudar ,aprender a ler e nos respeitavamos eles como ou mais que nossos pais.Pois eramos educados pelo nossos pais,e tinhamos muito respeito pelos nossos mestres.Hoje o que eu vejo e que o pobre do professor alem de dar aulas ainda tem que educar os filhos das pessoas ,pois grande maioria manda os filhos para a escola para ter educação.MEUS pais sempre nos diziam que a educação se tem em casa,hoje e o contrario,o aluno vai para a escola para ter educação.E o professor não pode nem pegar um aluno pelo braço e mandar para fora da sala porque no dia seguinte esta nos jornais ,tv e coisas mais.Respeito pelo professor muito poucos tem,porque naõ foram enssinados em casa a fazerem isso.Hoje o que mais se le e professor agredido por alunos ou ofendidos dentro de salas de aula e cade a autoridade do professor? ele não tem nenhuma,a unica coisa que ele tem e dar o que lhe e mandado ensinar e o salario ninguado no final do mes,tem muito professor que da aulas demnhã,de tarde e de noite para poder sustentar suas familias.Eu tenho 56 anos tenho 3 filhos homens,mais se teve uma coisa que nos sempre ensinamos para eles era que seus professores tinham que ser respeitados como se fosse seus pais ,pois enquanto eles esteavam na aula seus professores eram responsaveis por eles,potanto tinham que ser respeitados como se fosse nos.E hoje ,como um professor e visto?na maioria dos pais ,eles ganham para aturar seus filhos malcriados e mal educados e ainda acham que eles ganham muito bem ,mas nenhum desses pais querem perder tempo para educar seus proprios filhos e jogam a responsabilidade em cima do coitado do professor.Na minha opinião nossos futuros governantes olhar para nossos professores como eles sendo o caminho para o futuro do nosso Estado ou Pais pois e eles que preparam nossa juventude para a vida, então eles merecem ser visto com maior valor pois e o professor que vai formar dentro da sala de aula um deputado ,um senador ,um governador ou mesmo um presidente,então senhores candidatos a governantes voces não acham que esta na hora de deixarem de bla bla bla e olhar para esses profissionais com o respeito e o direito que eles merecem? Espero sinceramente que aquele que vencer veja isso pois nossa educação não pode ficar do jeito que esta.E na minha humilde opinião ,isso esta acontecendo pelo abandono que nossos governantes deram para os nossos professores,tirando toda autoridade ,respeito e direitos que os professores merecem ,e que tiveram um dia .

  • 21 de setembro de 2010 às 4:54 pm

    loreni -

    acredito sempre na proposta da Ideli

  • 23 de setembro de 2010 às 4:18 pm

    geni suzin daniel -

    Achei bom esta entrevista , mas faltou falar mais sobre valorização do professor, vencimentos. Isso sempre é deixado de lado e por último.Parece que o professor não precisa de boa remuneração.Isso não é verdade não. É O QUE MAIS PRECISA SER BEM REMUNERADO PARA PODER SENTIR-SE FELIZ E DESEMPENHAR COM ALEGRIA A SUA TAREFA E COM CERTEZA QUEM MAIS SAI GANHANDO COM ISSO É O ALUNO A PRÓPRIA SOCIEDADE. OBRIGADA

  • 27 de setembro de 2010 às 2:07 am

    Andre -

    SC tem um dos piores salários docentes do Brasil. Se o salário do professor deve ser vinculado ao IDEB, também acho justo que o salário do governador, deputados estaduais e qualquer cargo comicionado também esteja. E devem ter remuneração proporcional, fazer cursos de aperfeiçoamento, gestão, para poder administrar verbas públicas. Aí veremos como seria sentir na pele. E ainda temos que aguentar diretor puxa-saco querendo dizer que o governo do Luiz Henrique foi bom, é claro, para quem não está dentro de sala de aula e ganhando mais que o dobro é moleza. Se vamos ficar mais 4 ou 8 anos com este salário de fome, temos que lecionar na mesma proporção. Quando dispencar o IDEB e ocorrer críticas da opinião pública, as coisas vão mudar.

  • 27 de setembro de 2010 às 8:00 pm

    Eliete -

    penso que o candidato eleito deverá ter acima de tudo um compromisso com a educação. Fazer valer o principio da dignidade, seja com professores, alunos, pais. Valorizar o professor é reconhecer que o salário que um professor ganha hoje, não dá sequer suporte para sua sobrevivência. E, o ensino fundamental de 9 anos ainda gera conflito, pois alunos estão sendo aprovados sem condições de enfrentar o ensino médio e se profissionalizarem. que preocupações existem por trás destas mudanças? E como poderá um professor manter-se compromeido com a educação neste país sem ter um reconhecimento do sistema?

  • 28 de setembro de 2010 às 2:57 am

    Rafael -

    EDUCAÇÃO EM TEMPO DE ELEIÇÃO, É MEL NA BOCA DE DEMAGOGOS, QUE UMA VEZ ELEITO, NÃO É CAPAZ DE DIALOGAR COM OS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO. CASO COMUM NESTE ESTADO, QUE NÃO ACEITARAM A IMPLANTAÇÃO DO PISO SALARIAL NACIONAL.


roda blog