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Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos falam da Educação em Pernambuco

por: Equipe do Educar para Crescer

PERNAMBUCO
JARBAS VASCONCELOS (PMDB) x
EDUARDO CAMPOS (PSB)

Os candidatos ao governo de Pernambuco falam sobre as principais questões ligadas à Educação
Por Helena Alencar

Jarbas Vascobcelos e Eduardo Campos (fotos: Divulgação). Siga os candidatos no Twitter: @eduardocampos40 e @pecomjarbas

Em Pernambuco, a polarização da disputa pelo governo do estado tem sabor de repetição. O candidato que segue disparado à frente nas pesquisas* é o atual governador, Eduardo Campos do PSB, enquanto o segundo colocado, Jarbas Vasconcelos, do PMDB, ocupou a cadeira nos dois mandatos imediatamente anteriores (1999-2002 e 2002-2006).

Eduardo Campos, de 48 anos, neto e herdeiro político do ex-governador Miguel Arraes é formado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco e defende a gestão da Educação baseada no cumprimento de metas e na conquista de resultados. A valorização do mérito docente e a articulação de ensino médio regular e profissionalizante estão entre as realizações do seu governo que pretende manter, se reeleito.

Por sua vez, Jarbas Vasconcelos, advogado formado pela Universidade Católica de Pernambuco, elegeu a educação como prioridade do seu programa de governo e garante que, se sair vitorioso nas urnas, a melhoria na qualidade do ensino oferecido pela rede pública estadual será seu maior objetivo. Aos 68 anos, quer levar sua experiência política de volta para o cargo máximo do estado agora que, segundo ele, “Pernambuco tem condições de escolher suas prioridades, ao contrário do que há uma década, quando tudo era prioridade”.

Os dois candidatos defendem as escolas em tempo integral como a principal arma para se alcançar as metas impostas pelo IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

Acompanhe o que os candidatos de Pernambuco pensam sobre estes e outros temas relacionados à educação nas entrevistas concedidas individualmente. As perguntas foram formuladas por conselheiros do Educar para Crescer e os entrevistados não tiveram acesso antecipado às questões.

*Pesquisa IBOPE realizada entre os dias 26 e 29 de julho de 2010: Eduardo Campos (PSB): 60%; Jarbas Vasconcelos (PMDB): 24%; demais candidatos: 1% ou menos (cada) e, somados, não ultrapassam 2%. Indecisos: 8%; Branco ou Nulo: 5%.

No Brasil ainda temos cerca de 15 milhões de mulheres e homens acima dos quinze anos de idade que não conseguem, por serem analfabetos, ler o lema da própria bandeira nacional: Ordem e Progresso. Na sua eventual atuação como governante, que ação fará para não consolidar essa injusta e vergonhosa ironia cívica?
Pergunta elaborada por: Mario Sergio Cortella, filósofo, ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, doutor em Educação, professor da PUC-SP

Eduardo Campos - Temos de resolver esse passivo histórico. Pernambuco tem algo em torno de 800 mil pessoas nesta situação. Nosso Programa Paulo Freire atendeu cerca de 350 mil porque há um grande número de abandono nesse tipo de programa e do contingente inicial praticamente 40% ou 50% fica no meio do caminho. Mas vamos continuar resolvendo esse passivo histórico e cuidando de não formar mais no futuro, incentivando as creches, a educação infantil, apoiando e valorizando os municípios que estão tendo efetivamente destaque nisso. A nossa Lei do ICMS dá um diferencial àqueles municípios que têm excelência na alfabetização no tempo correto, porque a partir dessa conquista a gente evita inclusive as repetências e a distorção idade/série no futuro.

Jarbas Vasconcelos – O problema não é nem ler, porque tem uns que conseguem ler e não sabem o que estão lendo. Essa é uma deformação do Brasil, não é só do Nordeste, que, por ser pobre, é mais acentuada. É a questão do Ensino Básico, o erro vem da alfabetização, muitas vezes feita de forma inadequada, por pessoas que não estão sequer alfabetizadas para alfabetizar outras. Isso se repete lá na base e quando chega ao ensino médio vem a repetência e quando chega o vestibular, não se consegue o êxito em um curso bom. E então se faz um curso furado, de araque. A questão da educação no Brasil passa muito por uma orientação nacional, vai depender muito da vontade de cada estado, mas é uma questão nacional. Não adianta, por exemplo, eu eleger, como pretendo, a educação como prioridade 1 se os meus vizinhos, outros estados, não têm essa mesma orientação. E um exemplo pior é a pessoa ler e não saber o que está lendo. É ler uma frase curta, ou então algo como “Ordem e Progresso”, e não saber o que aquilo representa.

O bom administrador sabe que a criação de indicadores, definição de metas e acompanhamento das mesmas são condições básicas para uma administração aceitável. Há alguns anos foi criado um indicador nacional para a educação que é o Ideb, bem como metas para seu acompanhamento. Mesmo assim, quase nenhum governante se compromete objetivamente com tais metas ou, o que seria melhor, estabelece suas próprias metas de forma mais agressiva. Dito isto, gostaria de saber: o senhor sabe qual é o Ideb do seu Estado?
Pergunta elaborada por: David Saad, executivo de Relações Institucionais Sociedade Beneficente Israelita Brasileira

Eduardo Campos - Sei, e acompanho. Temos um modelo de gestão que não é só para educação, mas para todo o governo. Estabelecemos metas para todas as áreas, indicadores de impacto e de resultado. Muitos indicadores já são medidos por órgãos de planejamento, outros são indicadores que nós criamos. O Ideb é bianual e nós criamos o Sistema de Avaliação das Aprendizagens nas Escolas da Rede Estadual de Ensino, indicador semelhante ao Ideb feito anualmente, e firmamos metas por escola. Quando as metas são atingidas pela escola, os que trabalham nela fazem jus a uma remuneração que pode chegar até ao valor de um salário integral, ou seja, um 14º salário. A partir de 50% da meta atingida recebe-se 50% do prêmio, e assim é até os 100%. A meta é pactuada com a comunidade escolar e tem como referência a melhor escola daquela região. Esse é um mecanismo que já rodamos durante dois anos, estamos rodando o terceiro ano agora em 2010. No primeiro ano, em 2008, das nossas 1 105 escolas, 467 bateram o bônus. Em 2009, foram 761 escolas e 34 mil profissionais batendo meta. De forma que, o que estava no PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) como meta para 2011, conseguimos fazer em 2009. Foi o melhor resultado do Brasil em termos de crescimento, no que diz respeito ao ensino fundamental. No ensino fundamental, crescemos 0,4, nos primeiros anos, e 0,5 nos anos maiores. Nós acompanhamos e a comunidade escolar acompanha. Nosso esforço é no sentido de que os pais ou responsáveis dos alunos e eles próprios possam fazer esse acompanhamento.

Mas o Ideb atual de Pernambuco é quanto?

Eduardo Campos - Está em 3,9. (A média das notas do Ideb de Pernambuco na realidade é de 3,6 – no ensino fundamental I é de 4,1; 3,4 no ensino fundamental II e 3,3 no ensino médio. O estado não atingiu as metas do MEC em nenhum dos três ciclos)

Jarbas Vasconcelos – Não, de cabeça não sei. Eu li e vi recentemente, mas não gravei de cabeça. Sei que, por exemplo, São Paulo e Santa Catarina vão atingir bem mais cedo do que está previsto para a gente. É um descompasso total. (Pelas metas do IDEB, Santa Catarina deve atingir para o 5º ano, 9º ano e 3ª série do Ensino Médio, 5,2, 4,7, 4,1, respectivamente. Pernambuco deverá obter as mesmas notas somente em 2019, 2021 e 2017 respectivamente) Foi uma conquista, um avanço, a criação dessa coisa regulatória do IDEB, não deixa de ser um fato inovador importante. Mas nessa desestrutura que é a educação no Brasil, ele não vai criar raízes nem surtir efeitos do dia para a noite. Não acredito, mas nem por isso a gente vai deixar de ter isso como referência. O governo federal busca métodos de fazer com que os estados não fiquem no conformismo de cumprir metas às vezes tímidas, às vezes acanhadas. Foi um passo importante a criação, antes não tinha isso, no momento em que você tem uma avaliação institucional criada por uma legislação é um passo importante.

O senhor sabe quais são as metas do IDEB para o seu mandato?

Eduardo Campos – Estamos nesse momento discutindo nosso programa de governo e queremos lançá-lo em 15 de setembro. A nossa ideia é firmarmos um compromisso com IDEB e quantitativo de escola integral, com um quantitativo de escolas técnicas e escolas profissionalizantes. Vamos anunciar nossa meta de melhoria do IDEB não só nas nossas escolas, mas num esforço de Pernambuco como um todo. Entendemos que não seja só obrigação nossa, é de nossa responsabilidade também as escolas municipais e até as escolas particulares. Nós queremos formar um grande pacto para acelerar a melhoria do IDEB nos próximos quatro anos.

Jarbas Vasconcelos – Não. Vi as metas de Pernambuco e comparei, inclusive, com Santa Catarina. Mas não tenho os números de cabeça. Sei que quando Santa Catarina, em 2011, atingir uma determinada meta, essa mesma meta a gente só vai alcançar cinco ou seis anos depois.

O senhor se compromete com essas metas ou com metas mais agressivas para o IDEB?

Eduardo Campos - Mais ousadas, sim.

Jarbas Vasconcelos – Claro.

Quais são as ações objetivas que o senhor, hoje, pode dar certeza absoluta que fará, caso eleito, para atingir essas metas?

Eduardo Campos - Vamos aumentar o ensino integral. Saltamos de 13 escolas para 60 escolas em tempo integral e mais 100 que têm aula dois dias à tarde, ou seja, semi-integral. Queremos chegar a 160 escolas em tempo integral e mais 140 semi-integral. Tínhamos como responsabilidade do Estado cinco escolas técnicas e vamos chegar, em 2014, a 60 escolas técnicas, que funcionam assim: de manhã é o Ensino Médio normal e, à tarde, acontece o ensino técnico. E à noite tem o técnico subsequente. Nós entendemos que, dessa forma, vamos chegar a cerca de 70% do nosso alunado do ensino médio tendo ensino integral. Essa será uma grande contribuição, com certeza, à qualidade do ensino. Afora isso vamos concluir o trabalho em parceria com universidades, com organizações não-governamentais, no sentido de fazer a correção de fluxo. Temos um grande esforço de correção de fluxo com a Fundação Roberto Marinho, com o Instituto Ayrton Senna, feito não só na rede estadual, mas também em quase todos os municípios. Isso, mais a capacitação continuada dos nossos professores, mais uma proposta que estamos consolidando no programa de governo que é bolsas para alunos de áreas de licenciatura em disciplinas que nós temos deficiência, como professores de matemática, química e física, tudo isso vai ter como resultante um ensino de melhor qualidade para o nosso alunado.

Jarbas Vasconcelos – Com relação às escolas em tempo integral, tive uma experiência no meu governo, quando deixamos 14 ou 13 funcionando e outras seis ou sete, não tenho bem esse número, para funcionar no ano seguinte. O governador atual duplicou isso, porque desprezou uma coisa muito simples: o critério da qualidade pelo da quantidade. Nós restauramos o Ginásio Pernambucano como projeto piloto com, inclusive, ajuda financeira de empresários, sobretudo de São Paulo, como a irmã do (falecido piloto de Fórmula 1) Ayrton Senna e o Marcos Magalhães, que na época era diretor da Philips do Brasil. E, depois, com base nisso, aplicamos em mais três escolas. Pernambuco tem cerca de mil escolas. O ideal era você avançar com a escola em tempo integral, adaptada, com conteúdos, biblioteca, informática, laboratórios. No vestibular de 2006, o aproveitamento dos alunos do Ginásio Pernambucano foi de 75%, o que mostra a experiência válida da escola em tempo integral.

Tem de abordar também a questão salarial. O professor é mal remunerado em São Paulo e no Rio Grande do Sul, mas no Nordeste é muito mais. Já foi criado um piso nacional, acanhado ainda, mas é um piso. Tem estados no Nordeste que pagavam a uma professora menos do que um salário mínimo. Como você pode exigir tempo integral, capacidade, qualificação de um professor se ele não tem uma remuneração digna? É muito difícil. E ainda temo a questão pedagógica. É você ter uma escola e ela ser bonita, equipada, mas não avança na questão pedagógica, não une educação à tecnologia. Tudo isso fica furado e sempre se faz as coisas pela metade. Se você me perguntar “por que o senhor foi governador anos atrás e não elegeu a educação como prioridade ‘A’?”. Respondo que, no caso de Pernambuco, há dez anos, tudo era prioridade. Tudo: da infraestrutura até questões menores. O estado hoje atravessa outro momento, de crescimento econômico, quase que sustentado. Atraiu investimentos por conta da infraestrutura, investimentos grandes como a Refinaria [Abreu e Lima] e o Estaleiro [do Porto de Suape]. Hoje o estado tem condições de escolher as suas prioridades, ao contrário de uma década atrás. Não há nenhum país no mundo que tenha avançado, chegado a um estágio de desenvolvimento, com a educação do povo, de não jogar lixo na rua, saber falar, saber escrever, saber pensar, que não investiu na educação. Educação aí incluindo ciência e tecnologia.

Considerando que o professor é peça chave para a melhoria da qualidade do ensino. Como o candidato pretende articular a formação dos professores com a prática da sala de aula para que haja um efetivo impacto na qualidade?

Pergunta elaborada por: Maria Alice Setubal, socióloga, diretora-presidente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), integrante do Conselho de Administração da Fundação Abrinq e do Conselho do Programa Comunidade Solidária.

Eduardo Campos - Nós encontramos uma situação, do ponto de vista de recursos humanos, muito difícil no Estado. Tínhamos muitos professores temporários, remuneração muito baixa, a auto-estima muito tocada do professorado. Estamos no caminho do resgate da valorização com cobrança. Não é a valorização por valorização só. A valorização do mérito, do trabalho, da qualidade da aula, da nossa escola. Estamos nesse momento discutindo um novo plano de cargos, carreiras e salários que efetivamente incentiva a formação, os cursos de especialização, mestrado e doutorado, com uma forte diferenciação na remuneração. As escolas integrais já têm também um efetivo destaque para a remuneração e um grande esforço para que o nosso professor tenha cada um deles computador pessoal, com programas educativos. E também direito a participação nas nossas feiras do livro, com crédito para a compra dos livros que entenderem importantes para sua formação; recebimento em casa de jornais diários; recebimento de revistas especializadas, disponibilizadas para as secretarias das escolas, para as bibliotecas das escolas, mas também para o próprio professor. E cursos nas nossas universidades, abrindo cursos específicos de pós-graduação para o nosso professorado. Agora estamos de olho na estruturação de um programa de bolsas para as áreas em que temos mais carência, sobretudo no que diz respeito ao interior do Estado.

Jarbas Vasconcelos – Primeiro a remuneração. Sem remuneração você não resolve as coisas. É preciso uma remuneração que parta de um piso e que avance, quando a situação do estado permitir. E depois, a qualificação permanente, constante. Pernambuco, por exemplo, está importando mão de obra. O governo não se preparou para fazer a qualificação para esses investimentos que chegaram e, com isso, Pernambuco está importando mão de obra. O Jornal do Commercio fez uma matéria mostrando que Pernambuco está importando mão de obra para investimentos como a Refinaria e o Estaleiro. Até agora, são investimentos recentes, importaram 4.300 pessoas do Brasil e até de fora do País. Além da qualificação, o ‘X’ do problema é a educação. A pessoa tem uma educação deficiente, capenga, e se ela passar por uma qualificação e não for uma coisa extraordinária, não adianta.

Há quem defenda a implantação da política de bônus como forma de reconhecer o mérito do professor. O senhor acredita que esta seja a melhor política para reconhecimento de mérito docente? Se não, qual seria o caminho?

Pergunta elaborada por: Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do Todos Pela Educação

Eduardo Campos - Quando se trata de educação não é um único fator que determina o resultado. É um conjunto de fatores. Precisamos efetivamente buscar avaliação de resultados na educação, não podemos ter, como tínhamos quando cheguei, uma escola que sequer fazia avaliação dos alunos. Perdíamos os alunos por desinteresse. O sistema de metas de avaliação é importante para que se vá corrigindo rumos, fazendo novas políticas de incentivo. O fundamental é que se possa no ambiente da escola ensinar a se aplaudir o mérito. Não podemos aplaudir a esperteza ou a desídia (preguiça). A gente tem de destacar o mérito que tem tantos anônimos professores e professoras que acordam muito cedo, deixam seus filhos numa creche e vão cuidar dos filhos do Brasil, com a certeza de que o grande desafio do Brasil neste momento é a educação. E isso não será resolvido com discurso. Será resolvido com investimento, com um modelo de gestão com valorização do nosso professorado e com busca de resultado. O bônus é uma parte da política, não pode ser entendido como o todo. Se o bônus é implantado e não se dá oportunidade de qualificar, de oferecer material didático correto, de fornecer uma bibliografia para que o professor possa, inclusive, estudar, de oferecer escolas estruturadas para ele trabalhar, de dar acesso a conferências, a gente não pode esperar que o bônus por si só vá resolver.

Jarbas Vasconcelos – Não tenho uma opinião formada ainda sobre o bônus. Não rejeito a ideia, mas a gente deveria cumprir outras metas. Estou falando no caso de um estado do Nordeste, pobre. Não dá para você queimar etapas agora como querer estabelecer o bônus em cima de uma precariedade de salário e de qualificação. Não tenho uma opinião formada, confesso. Não descarto, não coloco como uma coisa inadequada, inoportuna. Pode ser um estímulo, uma política a ser adotada. Mas é muito mais fácil você adotar a questão do bônus em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, em São Paulo, não digo nem em Minas Gerais, que tem regiões muito pobres, do que você adotar isso aqui no Nordeste.

As avaliações nacionais mostram que um dos maiores desafios da educação brasileira sob a responsabilidade dos estados é o Ensino Médio, que apresenta indicadores ruins tanto de desempenho dos alunos como de cobertura. Cerca de 20% dos jovens brasileiros entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Entre os que conseguem concluir o ensino médio, apenas 9% desenvolvem as competências e habilidades esperadas ao final da educação básica. O que o senhor fará no seu estado para melhorar o ensino médio?

Pergunta formulada por: Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) e ex-secretária da Educação de São Paulo

Eduardo Campos - Vamos seguir em frente ampliando o ensino médio integral e preparando o estado e a infraestrutura para que a gente mude essa relação e possa ter, na escola, a maior quantidade de pernambucanos em idade escolar de ensino médio. Ou seja, a redução da distorção de idade/série, a qualidade da escola já no fundamental vai retirando a repetência. Esses recursos que, muitas vezes, eram investidos e não traziam resultados, vão sobrar para que a gente possa ampliar a rede de ensino médio integral e também o ensino técnico profissionalizante, com a visão de formar o pernambucano e a pernambucana no futuro não só para o mundo do trabalho, mas para a cidadania. Estamos operando mudanças muito rápidas no ensino médio, com livros didáticos, paradidáticos, qualificação do professorado, laboratórios (de informática) com banda larga, atividades esportivas e culturais. Com a merenda, que chegou para o ensino médio tão logo a gente assumiu, porque não existia. Com uma série de ações que vão, com certeza, estruturando um ensino médio de melhor qualidade para o futuro.

Jarbas Vasconcelos – Primeiro melhorar o ensino básico. Eu não acho que o maior problema está na metade, não. Ele é visível, de pessoas que quando estão na sala de aula estão muitas vezes, repetindo. A questão é da alfabetização, do primário, da base, que não é completa, não é de boa qualidade e vai até o final.

Quais os planos para garantir a ponte entre a escola e o mercado de trabalho?

Pergunta formulada por: Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco

Eduardo Campos - Temos feito uma grande integração com o próprio Sistema S (nome pelo qual ficou convencionado de se chamar o conjunto de onze contribuições de interesse de categorias profissionais, estabelecidas pela Constituição, como SESI, SENAI, etc), com as federações de comércio e de indústria, com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado. Nossas escolas técnicas e cursos profissionalizantes são desenvolvidos a partir de análise de cenário futuro. Isso com relação aos grandes empreendimentos que Pernambuco está vivendo e com o apoio da Secretaria de Juventude e Emprego, temos conseguido fazer uma bela articulação de “linkar” o esforço. Como o “Travessia”, nosso programa de aceleração do ensino e correção de fluxo para o ensino médio. Muitos dos que fizeram o Travessia foram para o mercado de trabalho, serviu como uma capacitação. É algo muito importante. Esse diálogo ajuda na formação, a entusiasmar o aluno que vai vendo também, dentro da sala de aula, um aprendizado para o mundo do trabalho. Não estamos abdicando também de uma formação mais de caráter geral, da cidadania, pois entendemos que não há uma incompatibilidade.

Jarbas Vasconcelos – É a qualificação, não tem outra. Uma pessoa qualificada já tem certa dificuldade de entrar no mercado de trabalho, imagina quem não é qualificado. Tem que ensinar e, ao mesmo tempo, ter um instrumento azeitado de qualificação. Sobretudo no mundo de hoje, da internet, da tecnologia, se a pessoa não está altamente preparada, ela “dança” no mercado de trabalho.

Como equalizar o currículo do Ensino Médio atendendo à necessidade tanto do jovem que quer entrar na universidade quanto do que quer ir para o mercado de trabalho?

Pergunta formulada por: Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco

Eduardo Campos - Temos visto que nossas escolas em tempo integral, que têm profissionalizante à tarde, vêm sendo grande alavanca para se chegar à universidade pública, sobretudo. Alguns foram para o ProUni, é verdade, mas as escolas têm conseguido fazer as duas coisas. Uma boa escola forma para o mundo do trabalho e forma para quem quer ir para a universidade também.

Jarbas Vasconcelos – Depende muito da cabeça, da prioridade de cada um. Tem os que botam como prioridade fazer o vestibular e ingressar no ensino superior. Para outros, muitas vezes não é isso, é o emprego mesmo, questão de sobrevivência. É um processo, uma coisa difícil, você tem que mostrar ao aluno de um modo geral que ele pode tranquilamente, sem nenhum esforço anormal, com 17, 16, 18 anos se preparar para o ingresso na faculdade, para o curso superior, e ao mesmo tempo se qualificar. Tem o problema da qualificação, ele está estudando, concluindo seu curso, e se o curso não for bem feito ele pode fazer o chamado “cursinho”. O que é o cursinho? É para suprir a precariedade da escola. Isso é mais uma prática a ser imposta de um modo geral no país, de convencimento, com os meios de comunicação que a gente tem, com a internet, isso fica muito mais fácil. Não é nem uma campanha institucionalizada, é uma maneira de o governo central junto com os governos estaduais mostrar ao jovem que ele tem competência, que ele é capaz, que ele tem condições físicas, de cabeça, de se preparar para as duas coisas, sabendo que muitas vezes a opção da pessoa é uma, não é essa, a opção do emprego ou da escola.

Dentro dessa questão, o que o senhor pensa do modelo de escola técnica, como o Cefet (atualmente IFPE), no qual você faz o ensino médio e tem uma formação técnica ao mesmo tempo?

Jarbas Vasconcelos – Quando ela tem conteúdo, se ela tiver esse nome pomposo, mas tiver um conteúdo, é um caminho. Não adianta ter só nome de escola técnica e não ser, não ser uma escola adequada, com professores competentes, que façam jus àquela escola. Se for uma escola que realmente seja assim, defendo a instituição, a criação dessas escolas.

Como pensa em estimular a atratividade da carreira docente junto aos jovens concluintes do Ensino Médio?

Pergunta elaborada por: Ângela Dannemann, diretora da Fundação Victor Civita

Eduardo Campos – Com as bolsas da nossa Fundação de Amparo à Ciência e à Tecnologia, crescemos muito os investimentos nessa área de formação para mestres e doutores com recursos do Estado. Agora estamos incentivando as áreas onde temos mais deficiência de professores para que a gente possa atrair pessoas com uma boa formação para nossas escolas e, além disso, possibilitar a quem já está na escola a melhorar sua formação. Melhorando, inclusive, a remuneração, dando prêmios de remuneração fixa àqueles que buscam sua especialização, seu mestrado, seu doutorado.

Jarbas Vasconcelos – Há uma dificuldade, que vi quando fui prefeito da capital e governador, de ter professores. Tem de levar muito em conta a questão salarial. Muita gente não queria fazer curso para ganhar menos de mil reais. Isso está dentro de um contexto de que se você investe de fato na educação, tem educação por prioridade, isso vem dentro de um processo, surge naturalmente. A pessoa vai despertar dentro de um mercado de trabalho como o do Brasil, difícil, complicado às vezes. Se a educação avança, essa questão também do corpo docente melhora em todos os níveis. Se a educação fica patinando, ou com péssimas escolas, ou com escolas “mais ou menos”, má remuneração, sempre teremos esse problema. No momento em que ela avançar, der um salto qualitativo, termos um processo claro, sem contestação, de que a educação está avançando, esse interesse para ensinar aflora normalmente.

O que o senhor pensa sobre dar maior autonomia administrativo-financeira para diretores de escola, com a participação da comunidade de pais de alunos como controle?

Pergunta elaborada por: Ângela Dannemann, diretora da Fundação Victor Civita

Eduardo Campos – É muito importante que a escola tenha autonomia. Nós treinamos os nossos gestores, inclusive, com o apoio da Escola de Contas do Tribunal de Contas para fazer a descentralização de recursos. É fundamental que os conselhos das escolas funcionem de verdade. Nós encontramos poucos conselhos que funcionavam e temos estimulado muito, porque entendemos que a participação da comunidade é uma grande ajuda para o ambiente da escola e para seus resultados.

Jarbas Vasconcelos – Sou totalmente favorável a deixar cada vez mais a comunidade ter uma participação efetiva e não formal na rede escolar.

O que o senhor fará para melhorar a formação de diretores? Pensa na criação de cursos universitários para formação de diretores de escola?

Pergunta elaborada por: Gustavo Ioschpe, economista da G7 Investimentos, especialista em Educação

Eduardo Campos - Quando cheguei já tinha eleição direta. Nós aprovamos a lei de um preparatório. Para disputar o voto da comunidade para ser diretor tem que passar por um processo de qualificação, de treinamento para gestão. E a partir dessa certificação é que os funcionários, os professores e professoras podem efetivamente ser escolhidos pela comunidade escolar.

Jarbas Vasconcelos – Esse problema existe no Brasil, não é só aqui. De uma forma geral, numas regiões mais e em outras menos, mas existe muito compadrio. A pessoa quer que o diretor seja um amigo, que seja uma pessoa benquista, uma pessoa dada, que tenha bom trânsito. A questão não é essa, a questão é da competência. Se o Brasil avança no processo educacional, deve avançar com uma peça que é chave na escola, o diretor. E precisaria de uma coisa específica de curso, de orientação, de seleção, de escolha para dirigir uma escola.

Não há mais indicações políticas para o cargo de diretor? O senhor se compromete a manter isso? Como eles serão selecionados?

Pergunta elaborada por: Gustavo Ioschpe, economista da G7 Investimentos, especialista em Educação

Eduardo Campos – Não há de jeito nenhum. E, aliás, os cargos de direção regional também, ou seja, os responsáveis por cada região são escolhidos a partir de um projeto de lei que mandei à Assembléia tão logo me elegi, por um mecanismo de comitê de buscas. Ou seja, nós abrimos as inscrições, eles têm que ser funcionários de carreira e apresentar um projeto pedagógico para a região coerente com o projeto pedagógico do Estado para uma banca de professores da Universidade Federal e da Universidade Rural, composta por professores escolhidos pelo departamento. Eles examinam os currículos, as propostas escritas de gestão, pedem uma apresentação oral e me mandam uma lista tríplice. E eu até agora, nomeei sempre o primeiro lugar.

Jarbas Vasconcelos – Aqui nós criamos a Lei de Escolha de Dirigente Escolar. Foi do meu primeiro governo, e foi um processo interessante, que no começo surpreendeu. É possível que no início tenha havido deformações, todo processo não começa completo. Uma das mazelas da educação é essa, colocar diretores por uma indicação partidária, eleitoral, por vereadores ou suplentes do partido. O loteamento político já é péssimo, pior ainda, mais degradante ainda, na área de educação.

A maioria dos estudos empíricos demonstra não haver correlação entre gastos em educação/salário de professor e aprendizado dos alunos. O senhor aceita este achado ou acredita que devemos investir mais para obter melhor qualidade de educação?

Pergunta elaborada por: Gustavo Ioschpe, economista da G7 Investimentos, especialista em Educação

Eduardo Campos - O professor ainda ganha muito pouco no nosso Estado, sinceramente. Nós fizemos um grande esforço, mas a base era muito deprimida. E entendemos que o que vai garantir resultados não é só a remuneração não, porque durante muito tempo você pôde ver uma escola em que a remuneração era a mesma da outra, a situação social era às vezes até mais difícil que a outra, e ali se tem um resultado melhor. O importante é ter um modelo de valorização da educação, da busca de resultados, de metas, de acompanhamento, de condições. Agora, não posso crer que baixar o salário do professor seja uma boa política para melhorar a educação. Nem só aumentar salário também, sem cobrar, por exemplo, conteúdo de aula. Nós regularizamos aqui a matriz escolar, tínhamos “270 e tantas” formas de montar um ano letivo e conseguimos organizar a matriz escolar com algumas eletivas, de maneira a garantir o professorado na sala de aula no começo de cada ano letivo. Instituímos os testes de avaliação do alunado a cada unidade, são quatro unidades, com notas e conceitos. Instituímos também a caderneta escolar: para se ter a memória e o acompanhamento do conteúdo de cada matéria, a ementa de cada matéria, checar se foi integralmente dada, a matriz curricular, o conteúdo. É claro que às vezes isso é objeto de reação corporativa, e a gente tem que, com diálogo, com perseverança, com envolvimento da sociedade e da comunidade escolar, ir mostrando que o Brasil mudou muita coisa e tem de mudar na escola também. Uma escola efetivamente democrática é uma escola que forma os filhos dos pobres do Brasil na cidadania, na compreensão do Brasil, na capacidade de ir ao mercado de trabalho, de empreender, trabalhar, produzir. Nós não podemos condenar milhares e milhares de brasileiros a terem uma escola de péssima qualidade por brigas entre os que governam e os que estão à frente dessas corporações. Esse tempo foi vencido e o Brasil quer mesmo é que a gente possa somar esforços para valorizar o professorado e valorizar a conquista da educação de qualidade.

Jarbas Vasconcelos – Já há um limite, constitucional, inclusive, de aplicação na área de educação, por estado, por municípios, de 25%. Conheço administradores no Brasil inteiro que lutam, inclusive, para chegar nessa meta. Outros realizam ações mirabolantes, botando muitas vezes seguranças, isso ou aquilo para poder alcançar os 25%, porque existem penalidades. Os 25% são razoáveis, basta que se cumpra corretamente. Basta que o município ou estado eleja a educação como prioridade, de verdade, que não seja da boca para fora. O gasto com a educação deve ser esse, de qualificar as pessoas, do avanço com os conteúdos, com a questão pedagógica. É um conjunto de fatores.

Quais políticas do governo atual na área da Educação serão mantidas? Quais serão revistas ou aprimoradas (e de que maneira) e quais, eventualmente serão abandonadas?

Pergunta elaborada por: Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro

Eduardo Campos - Não pretendemos abandonar nenhuma e seguir aperfeiçoando todas que pudermos aperfeiçoar. O que nós estamos mais empenhados é em concluir esse esforço de correção de fluxo, fazer um grande esforço de qualificação do nosso professorado e poder ampliar de forma efetiva o ensino integral. Esse é um caminho importantíssimo para a construção de um futuro mais harmônico, o resgate de muitos jovens que, se não tivermos eles nas escolas, eles estarão, muitas vezes, em famílias destroçadas, em um ambiente com muitos desafios e vulnerabilidades. Isso mostra que o ensino integral cumpre um papel estratégico para o Brasil do futuro.

Jarbas Vasconcelos – Não tenho conhecimento de todas as atividades. Mas acho uma coisa tacanha, uma coisa menor, quebrar uma atividade positiva porque foi de um governo anterior ou então, mudar o nome. No Brasil há muito isso, muda-se o nome de um determinado programa porque foi uma ideia do adversário. Eu nunca tive essa prática e a condeno. No meu caso, por exemplo, sendo vitorioso em Pernambuco, e assumindo a educação, que está mal no Estado, mal avaliada, inclusive, com médias acanhadas do IDEB, vou ver o que tem de coisas negativas, o que é que não andou. Se há partidarismo, se há práticas políticas de nomeação de pessoas incompatíveis com o cargo. Mas se encontrar avanços, se encontrar coisas modernas, é para tocar, melhorar, e não extinguir porque veio de uma outra corrente partidária, de uma outra corrente política. Isso é pernicioso em qualquer setor brasileiro, mais ainda na educação.

De acordo com dados do Censo Escolar 2008 em Pernambuco, 211 escolas públicas estaduais ainda não contam com laboratórios de informática, em uma sociedade em que a exclusão digital chega a ser quase tão problemática para a inserção no mercado de trabalho quanto o analfabetismo funcional. Além disso, menos da metade delas possui internet banda larga. Que propostas o senhor defende para ampliar o acesso dos estudantes pernambucanos ao computador e à internet?

Eduardo Campos – O censo é de 2008, nós estamos em 2010. Chegamos à universalização dos laboratórios de informática e estamos universalizando até dezembro a banda larga e queremos ampliar a velocidade dessa banda larga a partir de um programa que estamos lançando que é a Rede Pernambuco Digital, ou seja, o Navega Pernambuco. Já temos um grande backbone aqui na região metropolitana pegando todas as universidades e vamos seguir compartilhando com as redes de telefonia, com o que elas têm de cabo ótico, para chegar de Recife a Petrolina, podendo conectar todas as nossas escolas com maior velocidade. Dessas 1.105 escolas, cerca de cem são de comunidades quilombolas e comunidades indígenas, em que temos desenvolvido o esforço de colocar rádios para poder chegar a internet, porque são comunidades às vezes que ficam a 40 quilômetros de uma sede de um município.

Jarbas Vasconcelos – Meu compromisso é esse, está no papel, escrito: levar a banda larga, internet sem fio, o que tiver de moderno para a escola. Se quero eleger a escola como prioridade, e você está mostrando um dado de 2008 de que mais de 200 escolas não têm nada disso, mostra a precariedade da qualidade de ensino. Só posso pensar em chegar a uma educação de qualidade se as escolas todas, mesmo as que não são em tempo integral, tiverem isso.

O mesmo censo aponta que o índice de abandono nas escolas públicas estaduais de Pernambuco é de 12,13% no Fundamental (sendo 14,8% nos anos finais) e chega a 20,37% no ensino médio, principal atribuição do governo estadual – ou seja, um em cada cinco estudantes. O que fazer para reduzir a evasão escolar?

Eduardo Campos – Nós temos um desafio, que é melhorar o casamento idade/série. Fizemos um dos mais massivos programas do Brasil em correção de idade/série e buscamos tornar a escola mais atrativa. O grande desafio é a escola em tempo integral, uma escola organizada, que tenha atratividade para o aluno, uma boa biblioteca, bom material didático, fardamento escolar, merenda escolar, o professor estimulado, segurança. A pauta de Pernambuco nas escolas mudou durante três anos com muito trabalho e com apoio da comunidade escolar. Dessa forma a gente vai seguir reduzindo distorção idade série e seguir reduzindo também evasão escolar.

Jarbas Vasconcelos – A evasão escolar só é enfrentada e resolvida com um conjunto de providências tomadas desde a qualidade da merenda chegando à qualidade do ensino. A escola pode até não ser confortável, mas se ela tem uma boa merenda, se ela tem um bom ensino, ela se torna atrativa. A questão da merenda, por exemplo, é uma coisa perigosíssima. Quando fui prefeito do Recife, no meu primeiro mandato, na década de 80, descobri mais de dez escolas nas quais a maioria dos alunos só ia para a escola por causa da merenda, que era de boa qualidade. Então você, no fundo, transforma a escola num refeitório, porque eu próprio constatava que a qualidade do ensino era péssima, com alunos sem ter o que fazer porque a professora faltava. Tudo isso é um conjunto de providências que se tem que adotar. Esse índice já foi bem maior, esse que você citou agora de 20% já bateu por 40%, 46%, ele está reduzido hoje, mas ainda é uma vergonha, que tem que ser resolvida.

Qual o papel que o candidato vê para a participação da sociedade civil e em especial para o investimento social privado no apoio à educação pública?

Pergunta elaborada por: Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro

Eduardo Campos - O papel do controle social, da participação, da cobrança quando possível. Muitas empresas aqui em Pernambuco têm ajudado algumas escolas, a própria Federação das Indústrias tem um programa, temos empresas que somaram no início do programa de escola integral aqui, quando foram articuladas a partir do então presidente da Phillips, Marcos Magalhães. Temos iniciativas como a do empresário João Carlos Paes Mendonça com uma escola próxima a um shopping center. Essas parcerias são sempre bem-vindas, elas fazem bem às empresas, por terem responsabilidade social e fazem bem às escolas também.


Jarbas Vasconcelos – Vou buscar parcerias públicas e privadas. Vou fazer como fiz quando prefeito e, sobretudo, como governador. Nas parcerias públicas, buscar o governo federal para fazer parcerias, copiar, no sentido de que, se eu estou aqui e sei que no Ceará está havendo uma experiência positiva, é procurar saber o que está acontecendo de positivo e fazer, se for necessário, o convênio. E buscar na iniciativa privada convênios. Tive uma excelente experiência com isso, hoje esses empresários estão quase que afastados aqui de Pernambuco porque a coisa saiu do aspecto de qualidade para o de quantidade.

Que ações são planejadas para estimular o compromisso da família no acompanhamento da vida escolar do aluno?

Pergunta elaborada por: Guilherme Weege, empresário, diretor da Malwee

Eduardo Campos - Na medida em que a gente mostra e as famílias vão ganhando consciência de que o grande legado que a gente pode deixar para os nossos filhos é a educação; quando a gente começa a ver resultado, o Brasil começa a crescer e absorver as pessoas no mercado de trabalho, as pessoas mais preparadas e que estão mais articuladas conseguem mais rapidamente uma melhor posição ou uma melhor remuneração, ou conseguem empreender e se colocar nesse momento da economia; a gente vai vivendo um ciclo de valorização do mérito, de valorização da educação como instrumento de construção da cidadania. Se o país está parado e não gera oportunidade, muitas pessoas ficam ouvindo o absurdo de que “ah, o que adiantou fulano estudar se ele fica aí parado, sem oportunidade”, a gente está no exato momento em que pode ter exemplos e casos concretos que servirão para induzir uma virada nesse tipo de pensamento.
Jarbas Vasconcelos – Uma campanha educativa chamando para o envolvimento cada vez maior, mais sério, da família, para acompanhar o comportamento individual, o comportamento pessoal do filho dentro da sala de aula, e fora, nas dependências da escola, acompanhar suas notas, seu desempenho. Ela tem de ser feita também em nível nacional, não adianta fazer só por estado, por regiões. É muito importante quando o pai ou a mãe, ou os dois juntos, cumprem essa tarefa de acompanhar. Em toda sociedade, não é só do Brasil, o rompimento do núcleo familiar, com as separações, atrapalha muito, e quando não se tem uma compreensão, um sentido de responsabilidade, a criança paga por isso. Isso depende muito de divulgação, de campanhas bem feitas de que o êxito de uma criança, de um adolescente, de um jovem, não depende só dele, depende do exemplo de casa, a ajuda de casa vai para fora. Se o envolvimento é grande, o resultado poderá ser positivo.

Qual é o projeto do senhor para a disciplina Educação Física Escolar? A maioria das unidades escolares não dispõe de local adequado para o desenvolvimento de atividades físicas e esportivas. Qual o projeto para corrigir essa distorção?

Pergunta elaborada por: Jorge Steinhilber, mestre em motricidade humana, presidente do CONFEF (Conselho Federal de Educação Física)

Eduardo Campos - Estamos consolidando, em todas as escolas que têm espaço, quadras poliesportivas cobertas. Estamos fazendo dois movimentos importantes: cada município tem ganhado uma Academia da Cidade. Esse equipamento, que é na verdade um grande parque, com pista de Cooper, quadra, campo de futebol, se articula com o PSF [Posto de Saúde da Família], para que tenha um acompanhamento dos hipertensos, dos mais velhos, e se articula também com as disciplinas de Educação Física das escolas. E o outro é um programa que estamos iniciando agora no último ano do governo. É o Campos de Várzea, programa que quer resgatar nos bairros os campos de várzea, dando uma grande organizada neles. A partir desse momento podemos utilizá-los para as escolas não só nossas, mas dos municípios. Como uma contrapartida àqueles clubes que controlam, nós damos uma ajeitada no campo, colocamos iluminação, vestiário, arquibancadas, cercamos o campo. E, em contrapartida, eles deixam, em determinados horários, aqueles campos à disposição das escolas, para atividades de segundo tempo, atividades que as escolas desejem fazer naquele espaço.

Jarbas Vasconcelos – Vamos criar uma aproximação da questão da educação com o esporte, de modo geral. Até porque o Brasil está prestes a acolher uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. É estreitar, fazer um relacionamento da escola com todas as modalidades de esporte amador, basquete, vôlei, até o xadrez. Para isso a atividade física é importante, é fundamental. Temos que dar ênfase a isso para poder pensar em ter uma ligação mais estreita com os esportes. Quando você tem países como os Estados Unidos, países democráticos, ou países ditatoriais, no caso da antiga União Soviética, a Rússia, e Cuba hoje, os atletas são formados mais fundamentados num regime militar de que propriamente na educação. Os que têm destaque no xadrez, no boxe, são geralmente países ricos ou países com regime de força, são duas coisas diametralmente opostas, que dão atenção a isso. Isso tem que ser uma questão democrática, e em países pobres, como não é mais o caso do Brasil, ou países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, temos de ter todas essas condições de, também ao lado de uma educação de qualidade, se voltar para a atividade física e para uma ligação maior com a questão desportiva.
Com relação às quadras, a experiência que tenho como prefeito e governador é a de que, na maioria das vezes, precária ou não, existe uma quadra, algum campo, alguma área que serve para a atividade esportiva. A gente não deve ter uma rigidez com isso. É possível ter uma boa escola sem área para atividade física. A solução é buscar alguma coisa mais próxima, fazer convênio com outra escola e que isso não se torne a regra, fique na exceção. O importante é que todas tivessem uma área destinada a isso e que a gente buscasse um objetivo de que todas tenham. Não sendo possível, a gente não deve deixar de exercer uma atividade escolar numa escola só porque ela não tem um espaço para atividade física.

Equipe do Educar para Crescer
Por
- 3 de setembro de 2010

O EDUCAR PARA CRESCER é um projeto sem fins lucrativos e apartidário que tem o objetivo de ampliar o conhecimento da sociedade brasileira sobre as principais questões da Educação do país.

 
Comentários 






  • 9 de setembro de 2010 às 1:26 pm

    Marcione Martins -

    Gostei da iniciativa. Muito bom saber, o que nossos candidatos acreditam que poderam fazer para melhoria da educação se eleitos. Todos deveriam se preocupar em ler, ler e ler mais o que eles dizem e pensam a respeito de melhorias para o povo. E estando cientes do prometido, mais à frente cobrar.

  • 9 de setembro de 2010 às 10:28 pm

    Débora Aracelly -

    Torna se menos angustiantes , quando passamos a à ver os nossos candidatos passam a ter compromisso com nossa Educação, Mais quero aproveitar este espaço para parabenizar o candidato Eduardo Campos .Pois não podemos fingir que nada aconteceu , aconteceu sim , a nossa Educação passou a ter novos rumos , Professores passaram a ser lembrados , coisa que isso nunca aconteceu , Chegaram a ser presenteados com notebook , Bienal e a te bônus de incentivos , alunos passaram a termais oportunidades para fazer uma faculdade , quites escolares . Então Eduardo ! Parabéns. E acredito que farás muito mais .

  • 10 de setembro de 2010 às 12:44 am

    emerson cesar -

    o candidato a governador jarbas vascocelus so sabe falar mal das obras do governador eduardo falando mal da construçao do viaduto do compleço de salgadinho em olinda-pe

  • 10 de setembro de 2010 às 12:45 am

    emerson cesar -

    meu vot ja e seu eduardo pode contar comigo jarbas nao merece nenhuma confiança dos pernambucanos

  • 10 de setembro de 2010 às 1:09 am

    Antonio Barreto -

    O processo de eleição para diretor das escolas públicas de pernambuco encontra-se muito nebuloso. Alguns diretores se mantem graças a apoios políticos, tendo cargos vitalícios e não há de fato uma proposta para a participação da comunidade escolar na escolha de seus diretores. Alguém sabe dizer quando vai haver eleição direta para diretor?
    Com a resposta o governador Eduardo Campos…..

  • 10 de setembro de 2010 às 2:08 am

    Veronica Ribeiro -

    Excelente iniciativa, precisamos eefetivamente discutir e avaliar os bons políticos a partir das propostas que possuem para “educar” seu povo.

  • 10 de setembro de 2010 às 4:04 pm

    Newton Rogerio -

    Sou funcionário público estadual, e numa comparação entre os candidatos, sobre quem trabalha e respeita o funcionalismo, o Governador Eduardo Campos tem uma grande vantagem sobre o Senador Jarbas Vasconcelos. Sendo esse um ponto importante que vai refletir na decisão da eleição.

  • 13 de setembro de 2010 às 2:08 am

    JOSÉ PAULO SIMÕES DE SANTANA -

    Boa noite a todos,estão de parabens os dois candidatos,pelos belissimos discursos.Contudo a educação mais uma vez não será prioridade dos políticos,pois tratar educação como estão pensando não dar certo,pois lista triplice nunca será meio de avaliação dos diretores;pois deixa claro que o profissional por mais qualificado que seja,não tendo apoio político será nomeado.Como também o diretor quem não tem autonomia na função,não poderar cobrar do seus pares um comportamento envolvido dentro da ÉTICA,uma aluno que chega á escola Integral e não tem professores ou educadores para lecionar a matéria que consta na grade curricular e para compensar fica jogando sem ter o que fazer.

  • 20 de setembro de 2010 às 1:57 pm

    Magali -

    O que constatamos é que o atual governador parece que começou a conhecer o Estado muito recentemente. Seria interessante se consultar os dados do Estado de Pernambuco,inclusive em educação, quando o governador Jarbas Vasconcelos assumiu seu primeiro mandato e recebeu um Estado falido e em total decadência, do então governador Miguel Arraes e que tinha como secretário o atual governador. Infelizmente, a memória do povo é muito curta.

  • 23 de setembro de 2010 às 5:29 pm

    Mardômio -

    Jarbas: 08 anos de governo e nada fez pela educação, agora vem com essa conversa mole que vai priorizar educação. Quem ele quer enganar?
    Eduardo: Houve alguma melhora para o professor e a escola. No entanto não conseguiu tirar de Pernambuco o título de pior salário do Brasil.
    Conclusão: Quer ter profissionais qualificados para a educação? Pague salários atrativos. Como está. só atrai quem não passa em outros concursos.

  • 1 de outubro de 2010 às 12:31 pm

    Maria Elineide Pereira -

    As respostas do atual governador foram sólidas, gosto do seu jeito de administrar.Nosso governador é o máximo, valorizou o professor de forma inusitada, parabéns, governador Eduardo Campos, sempre confiarei no seu trabalho.

  • 2 de outubro de 2010 às 6:32 am

    Laodiscéia -

    Parabéns pela iniciativa. Quanto mais conhecermos maior possibilidade de acertar. É notório
    que os candidatos fazem questão de evidenciar sua preoculpação com a educação. Contudo suas ações, acanhadas, demonstram sua desvalorização quanto aos professores. Vejo seus interesses em equipar escolas e até em ampliá-las, mas não em dar um sálario digno de maneira que os docentes saiam de seus lares satisfeitos e tranquilos; ministre aulas motivadoras e, em vez de sair correndo pra outra rede afim de complementar suas finanças voltem para suas casas, suas familias a fim de melhor cuidar de si, dos seus e planejar-se pra aulas do dia seguinte. Por isso e muito mais, meu voto de confiança será pra aquele que valoriza a educação a partir do salário do professor.


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