Alunos de escolas com sistema de ensino aprendem mais
Pesquisa da Fundação Lemann mostra que material didático estrutura trabalho do professor e melhora o aprendizado do aluno
Se a escola em que seu filho estuda utiliza material didático de sistemas de ensino o rendimento dele pode ser maior. A conclusão é da pesquisa “O impacto dos sistemas estruturados de ensino”, realizada pela Fundação Lemann, divulgada nessa terça-feira, 29 de julho de 2010. A hipótese dos pesquisadores é que o uso de sistemas estruturados ajuda o professor – nem sempre bem preparado pra dar aulas – a passar mais conteúdo para os alunos.
“O nível de formação dos professores é muito básico, não é óbvio que eles dominem o conteúdo. Com apostilas eles se sentem mais seguros”, disse Paula Louzano, pesquisadora e consultora da Fundação Lemann. De acordo com o estudo, o planejamento detalhado dos sistemas de ensino, aula a aula, contribui para que o professor deixe de privilegiar os conteúdos que ele tem mais facilidade. “Os professores deixam de pular assuntos que eles não entendem e perdem menos tempo passando matérias na lousa”.
Também foi constatado no estudo que quando existe um plano de aulas claro alunos e pais passam a cobrar mais os professores e a escola. “Professores com quem conversamos disseram ter sido questionados por terem deixado páginas em branco nas apostilas”, disse Paula Louzano.
O estudo teve como parâmetro o desempenho dos alunos de escolas municipais do Estado de São Paulo na Prova Brasil. Foram comparadas escolas que utilizam sistemas estruturados de ensino desde 2006; instituições que adotaram os apostilados em 2008 e aquelas que não o utilizam. A diferença entre as escolas com sistema e as sem sistema foi de 9 pontos em Leitura e 10 pontos em Matemática. “É o equivalente a quase meio ano escolar a mais”, disse Paula Louzano.
Contras
Existem alguns argumentos contrários ao uso de sistemas estruturados de ensino. Para alguns especialistas o material didático tira a liberdade de escolha dos professores. De acordo com a Diretora Executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskeházy, essa não é uma questão, já que grande parte dos professores não tem capacidade para planejar suas aulas. Um estudo da Fundação mostrou que os professores brasileiros estão entre os 30 % de menor desempenho no Ensino Médio. “Se tivéssemos três milhões de Sócrates pra dar aula seria fantástico, mas não é o que acontece”, disse.
Outro ponto criticado na utilização desses materiais didáticos é que as secretarias de ensino seriam reféns de organizações privadas – editoras e sistemas de ensino – para comprar os apostilados. Para a Fundação Lemann, isso não é bem verdade. Além de empresas especializadas, existem ONGs e redes estaduais que criam seus próprios materiais didáticos, muitas delas em parceria com os professores. Um dos problemas levantados no debate foi a ausência desse tipo de material em programas de financiamento do governo, como acontece com livros didáticos no PNLD (Programa Nacional do Livro Didático). “O MEC tem seu sistema de ensino, o Escola Ativa, um material excelente por sinal, mas que não é ofertado no PNLD. Os materiais estruturados levam vantagem em cima dos livros didáticos por que não se apóiam apenas na visão de um autor. Eles vêm de uma prática de sala de aula muito bem sucedida. O MEC deveria incorporar os sistemas de ensino, a começar pelo dele, no PNLD”, disse Guiomar Namo de Mello, doutora em Educação.
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7 de outubro de 2010 às 1:58 pm
cristina -
Quando a pessoa sabe dirigir, independe o modelo do carro. Infelizmente o curso de Pedagogia não ensina a ensinar. É preciso investir em capacitação de professores.













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