Concurso premia melhores histórias relacionadas ao Estatuto da Criança e do Adolescente
Nada menos do que 1.167 histórias de vidas transformadas graças ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foram contadas no “Causos do ECA”, concurso que chegou em 2011 à sua 7ª edição.
A iniciativa é uma parceria da Fundação Telefônica com a ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), que, por meio do Portal Pró-Menino (www.promenino.org.br), recebeu relatos de todo o Brasil sobre ações bem-sucedidas de defesa e promoção dos direitos previstos no ECA.
Os 21 finalistas selecionados pelos jurados disputaram os prêmios de R$ 15.000,00 (1ª lugar), R$ 10.000,00 (2ª lugar) e R$ 5.000,00 (3º lugar) em cada uma das três categorias: “ECA na escola”, “ECA atrás das câmeras” e “Empregados Telefônica”. Um bônus de R$ 10.000,00 contemplou a história escolhida pelo júri popular.
O causo que venceu na categoria “ECA nas escolas” foi “O som da existência”, escrito pela professora Daniela Cristina Botti Hayashida, de Jundiaí (SP), que também levou o prêmio do júri popular. Ela conta o caso de Laís, aluna de uma escola pública no interior paulista. Com deficiência auditiva e sem contar com qualquer iniciativa inclusiva por parte da escola, Laís não tinha amigos e teve seus direitos defendidos pela professora Daniela, que conseguiu uma série de mudanças ao trazer o ECA para a sala da direção: funcionários e professores passaram por uma capacitação em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e nos horários vagos, os alunos também podiam aprender a língua. (Leia abaixo trechos da história de Daniela Botti, que pode ser conferida na íntegra, no site do concurso).
Divulgando as violações e as boas práticas subsequentes, a iniciativa pretende colaborar com a efetivação dessa garantias. “É muito difícil uma lei pegar, e a luta de pessoas como as que se inscreveram mostram resultados positivos. Essa é a nossa maior alegria”, declarou Maria Rosa Fischer, diretora do Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor, no evento de premiação em São Paulo.
Françoise Trapenard, presidente da Fundação Telefônica, iniciou seu discurso com um alerta, dizendo que às vezes a violação de direitos está mais perto do que imaginamos. Para ela, os relatos revelam “pessoas que acreditam e viveram experiências que mostram o poder do ECA em mudar vidas. E isso ajuda a mobilizar a sociedade civil em volta da questão fundamental que é o direito das crianças e dos adolescentes”, ressaltou.
TRECHOS DE “O SOM DA EXISTÊNCIA”, DE DANIELA BOTTI.
“- Por que ela está sozinha? Não tem amigos?
- Ela é surda, mas não como eu, que escuto um pouco de uma orelha. Ela é surda mesmo. Ela não sabe falar, não lê lábios e ninguém aqui da escola sabe a língua de sinais para conversar com ela.
(…)
Com a consciência ainda pesada, esperei o sinal tocar, bati à porta da classe da Laís e a chamei para conversar. Mesmo não sendo sua professora, senti que podia ajudá-la de alguma forma.
(…)
Com a lei impressa debaixo do braço, corri até a direção para conversar com a equipe gestora. Ali parafraseei algumas partes que vinham ao encontra da necessidade escolar.
- “ A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis”. Será que damos o devido respeito aos alunos com algum tipo de deficiência? Sabe a Laís, que tem deficiência auditiva? Vocês acham que sua cultura é respeitada?
Um silêncio pairou no ar. (…)”
Leia a íntegra dessa e de outras histórias finalistas no site do concurso.
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14 de fevereiro de 2012 às 6:27 pm
Emanuel Vieira -
olá sou conselheiro tutelar e também levo o ECA na escola,e muito bom se todos professores se fosse igual a por-Daniele seria otimo,revindicar seus direitos de criança lutar isso é muito bom…














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