Lá em São Miguel tem pé-de-livro
Quem passa por São Miguel Paulista, localizado no extremo leste da cidade de São Paulo, não imagina que o bairro carente é palco de um grande evento literário. Há seis anos o Festival do Livro e da Literatura marca presença no calendário cultural da cidade.
Este ano, o evento aconteceu entre os dias 25 e 27 de outubro e se espalhou por espaços públicos da região, como praças, pontos de ônibus, escolas e bibliotecas. Logo na manhã do primeiro dia, as árvores da praça Morumbizinho – a maior da região – estavam salpicadas de livros. Imagine o cenário: enciclopédias, romances e livros de poesia pendurados em galhos, enquanto dezenas de crianças se esforçavam para alcançá-los. Pela leitura vale o esforço, não?
Segundo Tião Soares, da Fundação Tide Setubal que organiza o Festival, a ideia surgiu depois que foi diagnosticado o baixo acesso à literatura na região. Mesmo após tantos anos, os dados continuam alarmantes. Na semana retrasada, a Rede Nossa São Paulo divulgou relatório no qual mostra que em 2006 havia 0,26 livros por habitante adulto nas bibliotecas públicas da cidade. Em 2010, o índice caiu para 0,22. Isso, quando a Unesco recomenda 2 livros por habitante. Iniciativas como o Festival de São Miguel tentam reverter o quadro.
“O evento é organizado para promover um diálogo entre as pessoas e a literatura. Ele ajuda a humanizar os espaços públicos e promove o desenvolvimento social”, diz Tião. Para o escritor Ferréz, que participa há três anos da iniciativa, diz que é importante fazer São Miguel entrar no mapa da literatura.
Em média, mais de 20 atividades foram oferecidas ao público, simultaneamente. Feiras de troca e venda de livros, oficinas de artes, leitura e contação de histórias, apresentações musicais. Infelizmente, nem todas atraíram um grande público. “É um desafio grande chamar os moradores para eventos como esse. Isso porque a grande mídia não promove costumeiramente a arte e a cultura”, desabafa Tião.
De qualquer forma, o festival é um grande estímulo para a criação de redes culturais, sejam elas virtuais ou não. Muitos encontros e grupos foram formados ao longo dos anos, inspirados pelas discussões do evento. E a ideia dos organizadores é ampliar o evento a cada ano, envolvendo mais pessoas. Tião diz que só assim será possível garantir o acesso aos “direitos culturais” que todos temos.
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Aproveitei a visita à Feira para trocar uma ideia com o Ferréz. Morador do Capão Redondo – comunidade carente da zona sul de São Paulo – é um dos nomes mais conhecidos da chamada “literatura marginal”. O moço é romancista, roteirista, poeta e fundador do 1DaSul, grupo que promove eventos e ações culturais ligados ao movimento hip-hop.
O escritor topou nos dar um depoimento sobre a importância da educação em sua vida. Confira!
Além disso, Ferréz participou da nossa mais recente campanha – “Que livro fez sua cabeça?” – posando com a obra “Demian” de Hermann Hesse. A foto foi publicada aqui.
Você também pode participar, enviando uma foto sua com algum livro. Mais informações, acesse: http://quelivro.tumblr.com/
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Família e Educação caminham juntas
“O bom leitor nasce no seio da família”. Esta frase, do escritor e professor Luiz Galdino, é a motivação do projeto Pais e Filhos Alfabetizados, que vem tornando a Escola Estadual de Ensino Fundamental Georgete Eluan Kalume, em Rio Branco, no Acre, uma referência na região. A partir do desenvolvimento do hábito da leitura nos pais, o projeto incentiva nas próprias crianças o interesse pelas letras. Desde o seu início, a melhora da escola nos indicadores educacionais foi grande: a nota do Ideb, que em 2007 era 4,1, subiu para 5,4 em 2009 – maior do que a média da cidade, que é de 4,9.
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Escrever pra que?
Saber escrever não é importante apenas pra se dar bem nas redações da escola e do vestibular. Engana-se quem acredita que terminado o ensino médio está livre dessa atividade. A escrita deve ser exercitada a vida toda. Quem domina a arte de colocar ideias no papel tem facilidade pra uma série de atividades sociais e profissionais. Arrumar um bom emprego e melhorar de vida depende, e muito, do nível de Educação que você tem (O que mostrou uma pesquisa da FGV divulgada nessa semana que você pode conferir aqui). O Indicador de Analfabetismo Funcional de 2009 (Inaf) revelou que apenas 25 % da população adulta do país é plenamente alfabetizada. Talvez essa seja uma explicação pra dificuldade de muitas empresas acharem mão de obra qualificada no Brasil. Convencido da importância de exercitar a escrita sempre? Bom, por via das dúvidas, aí vão mais alguns (bons) motivos pra você e seu filho começarem a escrever mais:
1-Ajuda na alfabetização
Pais que usam a escrita em casa – como a atriz Flávia Alessandra, na foto acima – ajudam os filhos a entender mais cedo a função social da escrita (e consequentemente da leitura) e, assim, colaboram com o processo de alfabetização.
2-Promove a inclusão
Quando uma pessoa aprende a escrever com clareza, ela assume seu lugar num mundo que cada vez mais precisa da escrita para se comunicar.
3-Melhora a comunicação
Quem sabe escrever bem sabe falar bem. Treinando a escrita, você treinará a capacidade de falar em público.
4-Permite registrar a própria história
Só por meio da escrita, você pode ter diários, fazer legendas em fotos, escrever blogs, cartas ou anotar pensamentos.
E algumas dicas para melhorar sua escrita:
-Escreva bilhetes, cartas, e-mails. Quanto mais você treinar no dia-a-dia, melhor escreverá.
-Brinque de palavras cruzadas, forca, stop, caça-palavras e outros jogos. Isso pode ajudá-lo a fixar a grafia correta.
-Compre um dicionário – saber o significado das palavras, vai ajudá-lo a aumentar a qualidade do seu texto.
-Leia sempre – quanto mais você ler mais vocabulário irá ganhar e a qualidade do seu texto aumentará.
-Copie poemas, letras de música e bons textos. O exercício leva ao aperfeiçoamento.
-Participe de redes sociais como o twitter, facebook e Orkut, evitando abreviações e grafias incorretas.
Leia também: Por que é importante escrever bem
Tags: dicas, escrever, escrita, importância
Alfabetização digital: ninguém escapa disso
Sabe aquela única televisão protegida no meio da praça da cidadezinha do sertão? Ainda será substituída por um computador. Pesquisa da Fundação Telefônica mostrou que 45% das crianças, entre 6 e 9 anos, e 37%, entre 10 e 18 anos, se divertem mais com computador. O computador, de preferência conectado rede, para elas é mais lúdico do que a TV, o celular e até o videogame.
E o que isso mostra? Que devemos urgentemente explorar o computador para o “bem” – aproveitar a pré-disposição delas para otimizar a aprendizagem. Ou seja, temos de repensar o ensino – escola e pais. Temos de usar o computador com eles e para eles.

Foto de Marcos Ribolli
O problema é que, muitos de nós, adultos, ainda somos analfabetos neste meio em que crianças de 6 anos têm e-mail, usam o orkut, jogam no celular, baixam músicas. Twitter o quê? Precisamos nos apropriar deste mundo digital, aprender com eles para melhor ensiná-los. Não acha?
Separei algumas reportagens do portal que falam sobre o tema. Recomendo a leitura:
- 4 passos da alfabetização digital
Para ser incluído na Sociedade da Informação, é preciso falar a língua da tecnologia - Educação high-tech
Uma seleção de ferramentas tecnológicas que deixam a aprendizagem com cara de brincadeira - Geração interativa
Pesquisa mostra que as crianas e os jovens brasileiros usam internet, celular, videogame e TV mais para brincar do que para estudar - O papel da Internet no futuro da educação
Luciana Maria Allan, diretora do Instituto Crescer Para a Cidadania, escreve sobre o comportamento dos Jovens na internet - A conexão que faz a diferença
Especialistas alertam: adquirir equipamentos de ponta é mais fácil do que se apropriar das novas possibilidades de construção do conhecimento - Escolas plugadas
A informática faz parte do cotidiano das crianças e dos adolescentes e o governo promete torná-la universal nas escolas públicas até 2010
Tags: Alfabetização, computador, digital, Fundação Telefônica, rede






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