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Os passos de Dom Tadeu Lopes, o educador carioca

por: Bruna Nicolilelo

A última edição da Veja Rio elegeu as doze personalidades que mais se destacaram e marcaram a história na cidade neste ano. Entre artistas, empresários e outras personalidades, Dom Tadeu Lopes se destaca. Ex-engenheiro, ele dirige o Colégio de São Bento, considerado o melhor do Brasil pelos critérios do Ministério da Educação.

dom tadeu lopes

Historicamente, os alunos do São Bento sempre se destacaram pelo desempenho brilhante em vestibulares e nas suas carreiras. Nos últimos tempos, tal supremacia tem ficado mais evidente graças às avaliações realizadas pelo Ministério da Educação. Há dois anos consecutivos, a escola crava o primeiro lugar no ranking nacional de desempenho, o Enem. “Não há segredo, fazemos tudo o que deve ser feito”, diz Dom Tadeu Lopes, 80 anos, monge beneditino e reitor desde 2003. “Se estamos sempre na frente, é por deficiência dos outros.” Na cartilha de sua ordem, a expressão “o que deve ser feito” inclui estudos em período integral, grade curricular ampla e normas claras a respeito do uso do uniforme.

Nascido em Fortaleza, o educador chegou ao Rio de Janeiro na década de 40 para estudar na antiga Escola Nacional de Engenharia. A vocação religiosa só foi abraçada aos 28 anos, depois de ele passar um bom tempo abrindo estradas pelo interior do país. Convidado por um amigo a visitar o mosteiro, localizado no Centro, ali ele encontrou a paz. Decidiu naquele mosteiro dar um basta à rotina de viagens e de questionamentos espirituais. “Pedi para cuidar dos serviços internos, das construções e da parte hidráulica, minhas especialidades na época”, lembra. “Passei para a área pedagógica em 1967.”

Pelos parâmetros internos, Dom Tadeu é um reitor (quase) liberal. Sucessor de Dom Lourenço de Almeida Prado (1911-2009), que ficou 46 anos no posto, o atual gestor implementou algumas modernidades no sisudo colégio. Apesar da resistência inicial, os computadores foram incorporados às salas de aula e hoje todas as suas dependências oferecem conexão de internet sem fio. As relações entre professores e alunos também estão menos formais, sem a mesma cerimônia do passado. E até o comprimento dos cabelos dos meninos não é mais vigiado. “Todas as coisas humanas mudam”, diz. “Com o São Bento, não poderia ser diferente.” Só algo continua igual: meninas não são aceitas na escola.

 
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