Respeitável público…. O circo chegou à escola!

Professora Fernanda discursa após receber o prêmio de Educadora do Ano. Foto: Raoni Maddalena/Fundação Victor Civita
Há pouco mais de um ano, a garotada de 4º e 5º da Escola Municipal José de Calasanz, em Belo Horizonte (MG), aprende modalidades circenses nas aulas de Educação Física. Em uma disciplina onde só existia espaço para bolas, agora há acrobacias, cordas, balangandãs, tambores, arcos e lenços. Tudo isso graças à iniciativa da professora Fernanda Pedrosa de Paula, que ontem foi escolhida a Educadora do Ano durante a cerimônia de premiação do Prêmio Victor Civita 2011.
Consciência corporal e cooperação são alguns dos pontos importantes que os alunos aprendem durantes as aulas de circo. Mas um aspecto torna o projeto ainda mais especial: a professora conseguiu que as crianças com necessidades especiais também participassem das atividades, fazendo pequenas adaptações.
A ideia fundamental é que tudo seja colaborativo. Até mesmo na hora de elaborar o conteúdo das aulas, Fernanda contou com a participação direta de todos os alunos. Foram eles que pesquisaram e sugeriram temas e atividades. A cada aula, nova discussão e registro: quais foram os pontos positivos e os negativos da atividade, o que poderia melhorar. Um exemplo de projeto onde inclusão, superação e respeito ganham um novo significado.
A equipe da Nova Escola fez um vídeo bem sensível sobre o assunto. Vale a pena assistir, para conhecer um pouco mais a professora Fernanda e seus alunos: Vídeo Educadora do Ano
Este ano, além da Fernanda, outros nove professores de todo o país também receberam o Prêmio Victor Civita na categoria Professor Nota 10 e a pedagoga Maria Inês Miqueleto Casado recebeu na categoria Gestor Nota 10. Clicando aqui você conhece cada um dos outros projetos.
Criado em 1998 para identificar e valorizar professores que adotam boas práticas na sala de aula de todo o Brasil, o Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, é hoje o mais importante prêmio da Educação brasileira.

Os vencedores do prêmio com a mestre de cerimônias Denise Fraga. Foto: Raoni Maddalena/Fundação Victor Civita
Tags: circense, circo, deficiente físico, Educação, educação física, Inclusão, necessidade especial
Torne-se um aliado da escola do seu filho
No dia 28 de abril é celebrado o Dia Nacional da Educação. É um bom momento para refletirmos sobre o papel que cada um tem na formação dos futuros cidadãos do Brasil. Por isso, a equipe do Educar separou algumas dicas para que você seja um aliado da escola na educação do seu filho:
1) Incentive a leitura. Ler para seus filhos e deixar livros sempre à mão é importante para desenvolver o hábito da leitura, que facilitará o aprendizado na escola mais tarde. Veja neste link 10 dicas para incentivar seu filho a ler.
2) Acompanhe a lição de casa do seu filho. É importante reservar uma parte do seu dia para ver o que está sendo abordado na escola e como seu filho lida com o conteúdo, se tem dificuldades, se precisa de reforço em alguma matéria. Saiba mais sobre a importância da lição de casa nesta matéria.
3) Conheça a escola do seu filho. Sempre que possível, é bom conversar com os professores e coordenadores da escola, não apenas para saber mais sobre o desempenho de seu filho, mas também para entender o projeto pedagógico da escola e perceber se ele está de acordo com as suas ideias. Veja nesta matéria 15 dicas para ajudar a escolher a escola do seu filho.
4) Se seu filho tirar notas baixas, não o pressione. Um boletim vermelho nem sempre é resultado de falta de esforço: ele pode indicar dificuldades de aprendizagem ou outros problemas relacionados à escola. Para saber mais sobre como lidar com as notas baixas do seu filho, leia esta matéria.
5) Motive o gosto pelo estudo. Querer aprender e estar na escola são valores que devem ser passados pelos pais, exemplos das crianças, e pelas próprias instituições de ensino. Leia aqui mais sobre atividades que garantem o gosto pela aprendizagem a partir do ensino integral nas escolas.
Pesquisa nos EUA busca tornar a avaliação de professores mais completa

Com o novo sistema, critérios mais abrangentes seriam usados para avaliar a qualidade das aulas. No Brasil, sistema de avaliação ainda não é consenso.
Nos EUA, está em fase de pesquisa um novo método de avaliação de professores que deverá revolucionar a maneira de encarar a responsabilidade de escolas e professores pelo desempenho dos alunos. Atualmente, na maioria das escolas americanas, os professores são avaliados por funcionários que visitam as salas de aula e dão notas de acordo com um formulário. O novo método pretende, além de avaliar estatisticamente os professores, ajudá-los a entender por que certas práticas têm mais sucesso do que outras.
Continue reading “Pesquisa nos EUA busca tornar a avaliação de professores mais completa” »
Tags: Avaliação, Professor, Sistema de Ensino
Alunos de escolas com sistema de ensino aprendem mais
Pesquisa da Fundação Lemann mostra que material didático estrutura trabalho do professor e melhora o aprendizado do aluno
Se a escola em que seu filho estuda utiliza material didático de sistemas de ensino o rendimento dele pode ser maior. A conclusão é da pesquisa “O impacto dos sistemas estruturados de ensino”, realizada pela Fundação Lemann, divulgada nessa terça-feira, 29 de julho de 2010. A hipótese dos pesquisadores é que o uso de sistemas estruturados ajuda o professor – nem sempre bem preparado pra dar aulas – a passar mais conteúdo para os alunos.
“O nível de formação dos professores é muito básico, não é óbvio que eles dominem o conteúdo. Com apostilas eles se sentem mais seguros”, disse Paula Louzano, pesquisadora e consultora da Fundação Lemann. De acordo com o estudo, o planejamento detalhado dos sistemas de ensino, aula a aula, contribui para que o professor deixe de privilegiar os conteúdos que ele tem mais facilidade. “Os professores deixam de pular assuntos que eles não entendem e perdem menos tempo passando matérias na lousa”.
Também foi constatado no estudo que quando existe um plano de aulas claro alunos e pais passam a cobrar mais os professores e a escola. “Professores com quem conversamos disseram ter sido questionados por terem deixado páginas em branco nas apostilas”, disse Paula Louzano.
O estudo teve como parâmetro o desempenho dos alunos de escolas municipais do Estado de São Paulo na Prova Brasil. Foram comparadas escolas que utilizam sistemas estruturados de ensino desde 2006; instituições que adotaram os apostilados em 2008 e aquelas que não o utilizam. A diferença entre as escolas com sistema e as sem sistema foi de 9 pontos em Leitura e 10 pontos em Matemática. “É o equivalente a quase meio ano escolar a mais”, disse Paula Louzano.
Contras
Existem alguns argumentos contrários ao uso de sistemas estruturados de ensino. Para alguns especialistas o material didático tira a liberdade de escolha dos professores. De acordo com a Diretora Executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskeházy, essa não é uma questão, já que grande parte dos professores não tem capacidade para planejar suas aulas. Um estudo da Fundação mostrou que os professores brasileiros estão entre os 30 % de menor desempenho no Ensino Médio. “Se tivéssemos três milhões de Sócrates pra dar aula seria fantástico, mas não é o que acontece”, disse.
Outro ponto criticado na utilização desses materiais didáticos é que as secretarias de ensino seriam reféns de organizações privadas – editoras e sistemas de ensino – para comprar os apostilados. Para a Fundação Lemann, isso não é bem verdade. Além de empresas especializadas, existem ONGs e redes estaduais que criam seus próprios materiais didáticos, muitas delas em parceria com os professores. Um dos problemas levantados no debate foi a ausência desse tipo de material em programas de financiamento do governo, como acontece com livros didáticos no PNLD (Programa Nacional do Livro Didático). “O MEC tem seu sistema de ensino, o Escola Ativa, um material excelente por sinal, mas que não é ofertado no PNLD. Os materiais estruturados levam vantagem em cima dos livros didáticos por que não se apóiam apenas na visão de um autor. Eles vêm de uma prática de sala de aula muito bem sucedida. O MEC deveria incorporar os sistemas de ensino, a começar pelo dele, no PNLD”, disse Guiomar Namo de Mello, doutora em Educação.
Tags: apostilado, Fundação Lemann, material didático, Sistema de Ensino
Professora mineira escolhida Educadora do Ano
A professora de Geografia Karla Veloso, do Centro Educacional NDE UFLA, em Lavras (MG), percebeu que seus alunos do 8º e do 9º anos tinham um acesso muito grande à tecnologia e ao computador, mas não sabiam fazer pesquisas na internet. A partir dessa constatação, ela resolveu explorar as possibilidades de uma ferramenta oferecida à escola pela Universidade Federal de Lavras. O ambiente virtual, como é chamada a ferramenta, uma espécie de rede de relacionamentos online a serviço da Educação.
Através do ambiente virtual, Karla comeou a acompanhar à distância as lições de casa, a publicar tarefas na página do sistema e a incentivar a pesquisa, o debate de ideias em fóruns de discussão, a utilização de chats, a leitura de textos de referência e a busca por sites de pesquisa confiáveis. Tudo isso facilitou na hora de fazer um diagnóstico específico das aprendizagens de cada aluno. O resultado: a professora conseguiu focar nos conteúdos em que os alunos apresentavam mais dificuldades e fez com que eles passassem a encarar a lição de casa como parte importante da aprendizagem.
Na noite desta segunda-feira, a dedicação, a criatividade e o trabalho duro de Karla foram premiados. Ela foi escolhida Educadora do Ano na 12ª edição do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, uma iniciativa da Fundação Victor Civita que tem como objetivo contribuir para a melhoria da qualidade da Educação básica no Brasil. Karla ganhou um belo troféu, R$ 10 mil e – o mais importante – o reconhecimento pelo trabalho prestado para melhorar a Educação da sua escola, da sua cidade e do Brasil.
Junto com Karla, outros nove professores e um gestor foram premiados – eles foram os escolhidos entre 3.795 projetos inscritos! -, em uma cerimônia emocionante. Você pode conferir os belos trabalhos dos educadores vencedores aqui. Não deixe de dar uma olhada nos vídeos. Dá gosto de ver que, apesar da desvalorização da profissão, as escolas brasileiras ainda têm muitos professores dedicados, esforçados e competentes.
por Marina Azaredo
Tags: educadora, internet, professora, rede de relacionamentos, Tecnologia
Parabéns, professor: eis nossa homenagem
Arquivo pessoal

Colégio Santa Cruz, em São Paulo. Com o apagador na mão, o menino Chico Buarque zoneia com os amigos e o professor.
Bons ou maus alunos, todos nós guardamos na memória um professor querido – no dia dos professores e em todos os dias
Essa foto do Chico Buarque de Hollanda, ser-humano, gente como a gente, com cara de travessura no Colégio Santa Cruz, em São Paulo, me deixa feliz. E com esperança. Hiperativa e sempre falando pelos cotovelos, eu era uma estudante, digamos, levada. Eu sempre tornava as aulas um verdadeiro inferno. E deixava os professores em estado de alerta. Era natural que muitos não fossem lá muito com a minha cara.
Não me cansava de levar broncas, todo dia era a mesma história, uns vinte pedidos de silêncio e quando a paciência acabava – o que não demorava muito para acontecer – era mandada para fora da classe.
Claro que, como os CDFs, tive professores dos quais gostei muito e acho – e espero – que, apesar dos pesares, também tenham guardado boas lembranças de mim. A verdade é que independente das “brigas”, atritos e broncas, todos eles, cada um de uma forma, me ensinaram uma série de coisas. Além de fatos interessantes, por incrível que pareça, foi com eles que aprendi a respeitar, a aceitar as diferenças e, principalmente, a saber ouvir – mesmo isso tendo acontecido de um jeito nem sempre amigável.
Nesse dia dos professores (15 de outubro), vale a pena ler algumas reportagens feitas por nossa equipe e descobrir bons motivos para que as suas maiores lembranças da escola não sejam as desavenças com os professores. Afinal de contas, são eles os principais responsáveis pelo sucesso da aprendizagem. Da nossa aprendizagem.
Ah: Divida sua história com a gente, preste a sua homenagem nesse dia.
Por Thais Romanelli, estagiária do Educar para Crescer e aluna da Metodista (hoje muito aplicada)
O que você espera de um professor?
Paulo Skaf, Lorena Calbria, Maria do Pilar e Iami Tiba contam quais so suas expectativas em relao aos professores
Qual o segredo de um professor de qualidade?
Você sabe reconhecer um bom professor? Descubra do que são feitos os verdadeiros mestres.
A importância de contar com os melhores professores
Exemplos bem sucedidos comprovam que uma educação de qualidade começa na seleção de bons profissionais
Como evitar as desavenças com os professores
Conheça as atitudes de alunos que mais irritam os professores (e tente não repetir em sala de aula)
Tudo o que o professor não deve fazer
Saiba quais são os comportamentos dos professores que mais desestimulam os alunos
Professores foram fundamentais para a carreira de Nathalia Dill
A atriz de 23 anos descobriu a sua vocação na escola, nas aulas de teatro
Tags: dia, importância, melhores, Professor, professora, professores, segredo
A importância de um bom professor
Estudo da consultoria McKinsey mostra que o bom educador é capaz de melhorar o desempenho do aluno. Da mesma maneira, o professor ruim causa estragos no aprendizado (veja o gráfico).

O BOM PROFESSOR…
Não falta ao trabalho
- Não desiste de nenhum estudante
- Concentra-se na aprendizagem dos alunos
- Planeja as aulas
- Mantém uma boa relação com as famílias
- Ensina os alunos a estudar
- Aprimora seus conhecimentos
Veja aqui o recado de Fernando Meirelles
Tags: aluno, consultoria, desempenho, importância, McKinsey, Professor
Primeiro dia de aula: dicas para pais e professores

O final de janeiro é uma época que requer calma e segurança de um grupo de alunos muito especial: aqueles que chegarão à escola pela primeira vez. Alguns se adaptam com facilidade, mas boa parte se sente abandonada pelos pais e não consegue parar de chorar. Para complicar ainda mais a situação, certos professores nunca passaram por essa experiência e ficam totalmente desorientados.
Nós do Educar acreditamos que todos devem estar preparados para garantir ensino de qualidade, inclusive para os alunos do prézinho. Por isso conversamos com educadoras especialistas nessa faixa etária e reunimos algumas dicas de como pais e professores podem lidar melhor com os pequeninos. Afinal, o ingresso na vida escolar é um momento delicado, que pode ser determinante para a relação de uma pessoa com os estudos.
7 ideias para os pais nos primeiros dias de aula, segundo Mônica Machado Gimenes, coordenadora do Ensino Infantil do Colégio Augusto Laranja, de São Paulo:
- “Antes de qualquer coisa, é preciso estar seguro com o lugar em que o filho será matriculado. Para isso, o melhor é visitar várias escolas e ouvir pais de alunos que já estudaram nelas”.
- “Também é importante ter certeza de que é o momento ideal de a criança ingressar no Ensino infantil, ficando de olho para que a rotina da família não seja alterada nesse período da vida do filho”.
- “Para evitar mudar a rotina da criança no período de adaptação, é interessante não forçar o desapego à chupeta ou à mamadeira, por exemplo”.
- “Chorar é uma reação natural que não deve ser censurada. Não se deve fazer trocas com a criança por ela ter ficado na escola, como dar um presente por ela não ter chorado”.
- “Evite perguntar muito sobre o que aconteceu durante o período letivo para não sobrecarregar uma pessoa tão nova, que ainda não consegue verbalizar totalmente o que vivencia”.
- “É legal trazer um brinquedo ou uma boneca que ela goste para as aulas. É um apoio que dá segurança, um objeto de casa que vem para a escola”.
- “Nunca se atrase para buscar a criança, para ele não se sentir esquecido na escolinha logo de cara”.
7 ideias para os professores nos primeiros dias de aula, segundo Renata Podalka, coordenadora do Ensino Infantil da unidade Tatuapé doColégio Santa Amália, de São Paulo:
- “O professor deve passar segurança para os pais. No comeo, a principal dificuldade do educador é tirar a criança do ‘colo’ deles”.
- “Se a criança começar a chorar descontroladamente, o auxiliar da sala deve levá-la para um ambiente reservado (senão as outras começam a chorar também) e fazeralguma atividade para acalmar o aluno, como ouvir música”.
- “Se o choro continuar, é interessante que os pais fiquem na escola também, ‘escondidos’. Caso seja necessário, eles podem aparecer, conversar com a criança e se envolver na atividade do filho”.
- ” É importante preparar muitas atividades, porque os pequeninos têm um tempo de concentração mínimo. Uma ação pode durar menos que o idealizado, principalmente nas primeiras semanas, quando os alunos ainda não estão habituados a esses exercícios”.
- “No início do ano letivo, atividades externas são as mais bem-vindas. Brincar no parque, com bola, bambolê, na horta ou regar plantas, fazer pinturas ao ar livre”.
- “Depois de algum tempo, é legal exigir mais concentração e envolver materiais diversificados. A criança está numa fase de descobertas e de exploração. Pintar com a mão, com o pé, lidar com texturas diferentes, brincadeiras em frente ao espelho, com fotos… Tudo isso é muito importante para elas se conhecerem”.
- “Mais para o final do ano letivo, é hora de atividades desafiadoras e mais elaboradas. Mexer com canetinhas, lápis de cor (que exigem mais coordenação motora e firmeza), dança, música, com arte de modo geral, é essencial. A criança ainda tem dificuldades de se expressar e pode fazer isso a partir de um desenho, por exemplo”.
Leia também essas reportagens sobre adaptação escolar: 10 dicas para ajudar na adaptao dos alunos e Volta s aulas sem medo.
Por Gabriel Navarro
Fotografia: Stock
Tags: adaptação, alunos, escola, início, professores
Faltas na rede pública: a lei de São Paulo e o fim da mamata
A lei paulista que limitou o número de faltas dos professores a, no máximo, 6 por ano começa a mostrar bons resultados. Os abonos por motivos médicos caíram 60% na rede estadual de São Paulo nos seis primeiros meses de vigência da regra.
Essa constatação pode ser reveladora. Antes da promulgação da lei, no dia 17 de abril deste ano, a Secretaria de Educação registrava 30 mil faltas diárias, o que equivale a 13% dos docentes fora das salas de aula. Será que todos eles tinham motivo para se ausentar? Bem provável que não.

A venda de atestados médicos é feita sem medo, na cara da polícia. É triste pensar que alguns educadores possam ter usado esse artifício para faturar umas folgas. Ao mesmo tempo, há professores que realmente precisam se afastar da escola por mais de 6 dias e têm justificativas legítimas para isso. Esses, infelizmente, acabam sendo prejudicados pela norma do Estado.
Mesmo que existam exceções, a lei veio em boa hora para coibir os abusos. Os resultados estão aí e bem que poderiam inspirar outros Estados.
E vocês, o que acham dessa lei?
LEIA MAIS:
Faltas: o pacto de mediocridade
É grande o número de faltas e afastamentos e o controle ineficiente da presença em classe
Sumidos da sala de aula
A história dos professores campeões em faltas chama atenção para uma lei benevolente e prejudicial ao ensino
Tags: abonos, atestados médicos, ausência, faltas, Lei, professores
Sexo na escola: quais são os limites?
Educação sexual na sala de aula ainda é um tabu. Na Escola Estadual Pio X em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, a professora mostra aos alunos da 7ª série um kit com camisinhas, pílulas, DIUs e um pênis de borracha para tratar de temas como prevenção de gravidez na adolescência, DSTs e AIDS. Algum problema? Para o pai de uma das meninas que estava na aula, há sim. João Flávio Martinez, pastor evangélico e presidente do Centro Apologético Cristo de Pesquisas, entrar com uma representação no Ministério Público contra o MEC por permitir o uso desses materiais pelas escolas. O assunto gerou polêmica. Foi parar no blog do Reinaldo Azevedo e virou matéria do Fantástico.
O pai da menina explica o motivo de sua indignação: “A escola não avisou os pais que usaria esses artigos nas aulas de educação sexual. Fiquei sabendo do episódio porque minha filha me contou em casa. Um pênis de borracha um item pornográfico, o que é proibido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Esse tipo de atitude pode estimular crianças a terem relações sexuais cada vez mais cedo.”

Aqui cabem algumas pitadas de informação:
- O MEC e Ministério da Saúde mantém o Programa Saúde e Prevenção nas Escolas desde 2003. Não há um kit padrão para as escolas, só a distribuição de cartilhas com conteúdo de apoio pedagógico. Os diretores de cada escola têm liberdade de escolher quais objetos são adequados para as aulas e quando as crianças podem começar a ter educação sexual;
- No ano passado, 500 mil crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos deram à luz no Brasil. Pesquisa do Departamento de Pediatria do Hospital Universitário de Brasília indica que 63% das garotas que engravidam param de estudar e, delas, 60% abandonam de vez a escola ao tornar-se mães. A maternidade precoce é o principal motivo de evasão escolar entre as meninas. (Leia Mãe, tô grávida! e Gravidez Precoce)
- Uma pesquisa realizada pela Unesco para avaliar o projeto em 135 escolas públicas brasileiras mostrou que a disponibilização de preservativo no ambiente escolar é considerada uma boa ideia para 89,5% dos estudantes e para 63% dos pais. Apenas 5,1% dos alunos, 6,7% dos professores e 12% dos pais acham que essa não é a função da escola;
- Na Holanda, onde as crianças têm educação sexual a partir dos 5 anos de idade há 5 nascimentos para cada mil adolescentes. No Brasil, onde a disciplina no obrigatória, há 83 nascimentos para cada mil jovens.
Ok, talvez a polêmica não seja a educação sexual em si – até o pastor João Flávio acha válido que as escolas orientem os adolescentes, desde que o conteúdo seja “focada nos valores da família”. O problema é o pinto de borracha. Mas como então ensinar a colocar uma camisinha? Antes, usava-se uma banana – desculpe, mas uma fruta plastificada é menos séria e dá muito mais abertura para as piadinhas que surgem em situações como essa.
Mas entendemos também que os pais devem ser consultados pelas escolas antes de ações como essa. Trata-se de um tema delicado, e respeitamos o pai que se sente desrespeitado e fica preocupado com o conteúdo passado para os filhos.
Ficam então algumas perguntas no ar:
- Qual a melhor idade para as crianças começarem a ter orientação sexual nas escolas?
- É adequado escolas usarem pênis de borracha para mostrar como se coloca camisinha, de forma a prevenir a gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis?
- O MEC deve regular o conteúdo dos kits e das aulas de educação sexual nas escolas?




Conheça as ações que ajudam a melhorar a qualidade da Educação no Brasil