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ADOLESCÊNCIA

Como ajudar o adolescente a lidar com o ciúme

As inseguranças naturais da adolescência podem despertar ou acentuar o ciúme. Saiba como orientar seu filho a enfrentar esse sentimento


29/05/2013 18:59
Texto Adriana Carvalho
Educar
Foto: Claudia Marianno
Foto: Descubra como lidar com o sentimento de ciúme na adolescência
Descubra como lidar com o sentimento de ciúme na adolescência

Quem nunca sentiu ciúmes que atire a primeira pedra. Esse sentimento comum pode se manifestar em vários momentos, desde o início da infância até a vida adulta. É provocado pela frustração de perceber que não temos a atenção exclusiva daqueles que amamos. Nesses momentos experimentamos também o medo de sermos abandonados.

Com os adolescentes não é diferente. Nessa fase, os jovens passam por mudanças físicas e psicológicas extremas, que trazem como consequência questionamentos e inseguranças. Essa fragilidade é uma porta aberta para a entrada do ciúme: “O jovem ainda está construindo seu lugar social, e por vezes imagina que os outros terão muito mais valor do que ele”, explica a psicóloga Elisa Villela, mestre e doutora em desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP).

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. O que provoca o ciúme dos adolescentes?
Em geral os ciúmes nessa fase surgem quando começam os interesses sexuais e amorosos. Mas o sentimento não se restringe apenas aos namoros. Também pode se manifestar em relação a amigos, pais ou irmãos. "Nesta fase é importante estar atento para as demonstrações de ciúme dos filhos. Na maioria das vezes o sentimento acontece em decorrência da insegurança natural da idade. Também é comum que essa insegurança se some a uma autoexigência muito forte", diz a psicóloga Elisa Villela, mestre e doutora em desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP). Segundo ela, é comum que o jovem questione o seu valor e fantasie que os outros são melhores que ele e podem tomar seu lugar no coração de quem ele ama.
2. O ciúme está relacionado com a baixa autoestima e com a falta de confiança em si mesmo?
Sim. O ciúme caminha de mãos dadas com a baixa autoestima e com a falta de confiança do ciumento em seu próprio potencial. Os jovens e muitas vezes até mesmo os adultos têm tendência a ‘polarizar’ ideias. Isso quer dizer que se o jovem ouve alguém dizer que o outro é bonito, tende a acreditar que ele é feio. Não aceita a ideia de que os dois podem ser bonitos. "Somos seres frágeis que precisamos aprender a vida toda a desenvolver nossa autoestima e nossa autoconfiança", diz Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).
3. Se os pais têm comportamentos possessivos ou ciumentos, isso pode influenciar os filhos a agir da mesma maneira?
Sim. "A imitação é uma das formas de aprendizagem. Ensinamos com nossos exemplos. Como dizia o filósofo holandês Espinoza, ‘ensine as virtudes e não precisará condenar os vícios’. Coerência entre o que se faz, o que se diz e o que se ensina é fundamental", afirma Aurélio Melo, professor da disciplina de desenvolvimento humano do curso de psicologia da Universidade Mackenzie.
4. Como os pais devem ajudar os adolescentes a superar os ciúmes?
Os pais devem ajudar seus filhos a superar o ciúme com muito diálogo, incentivando que o jovem expresse e reflita sobre esse sentimento. "O ciúme é o sentimento desconfortável que surge quando a criança ou o adulto percebe que tem que dividir com um terceiro (ou mais) o amor da pessoa amada. O impulso imediato é a eliminação do rival", diz a psicóloga Elisa Villela, mestre e doutora em desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP). Segundo ela, portanto, é absolutamente esperado o ciúme no namoro, ciúme dos irmãos ou mesmo de novos parceiros dos pais separados.
5. Os pais devem repreender os filhos quando se mostram ciumentos?
Não se deve repreender os jovens por isso, ensina a psicóloga Elisa Villela. "Deve-se procurar entender esse sentimento", diz Elisa. Segundo ela, o próprio ciumento usa como defesa a repressão. Ou seja, procura negar ou disfarçar os ciúmes. Isso torna o ciúme total ou parcialmente inconsciente e impede que o adolescente encare o problema e aprenda a superá-lo. "Isso se torna pior se a família exercer pressão crítica e não compreensiva com relação ao sofrimento do filho", diz a psicóloga.
6. Quais as vantagens de ensinar os filhos a enfrentar os ciúmes?
Quando os jovens são incentivados a expressar e entender o sentimento de ciúmes, ele se torna um sentimento consciente. "Ao ter consciência dos ciúmes, seus efeitos conseguem ser mais controlados. Quando o ciúme é consciente pode haver maior compreensão dos sentimentos de ódio e de amor. Assim, a hostilidade pode ser abrandada. Quando o ciúme é inconsciente, facilita-se o acontecimento de reações hostis", explica psicóloga Elisa Villela. Segundo ela, ao enfrentar e reconhecer o ciúme, o jovem ganhará segurança emocional e evitará reações excessivas em qualquer situação. Aprenderá assim a conter a agressividade e a confiar em seu potencial de amar.
7. Em quais casos é importante procurar ajuda psicológica?
Ajuda psicológica é sempre bem vinda, principalmente quando os pais notarem que as reações de ciúme do jovem são muito frequentes ou afetam diferentes tipos de relacionamento do filho (amizade, família, namoros). Mas antes de agendar uma consulta, a psicóloga Elisa Villela recomenda que os pais tentem se aproximar do filho e incentivá-lo a expressar seus medos e angústias. "A postura dos pais não deve ser de criticá-lo, e sim de reconhecer o seu sofrimento, de acolher e ajudar o filho a moderar a intensidade dos sentimentos", explica Elisa.

Segundo ela, o fato de sentir os pais próximos muitas vezes promove um resgate da autoconfiança necessária para o enfrentamento de situações conflituosas e sofridas nesta época da vida. "O jovem costuma se sentir muito abalado por qualquer situação em que o outro (aquele que ele ama ou que é objeto de seu interesse) demonstre interesse em outras coisas ou pessoas. E se esta situação se repete em vários relacionamentos, pode indicar uma fragilidade mais importante", comenta.

 

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