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PRIMEIRA INFÂNCIA

Por que é preciso ter um olhar carinhoso para as mães?

Especialistas dizem como é importante para os bebês que as novas mães sejam cuidadas e amparadas.


22/01/2015 17:40
Texto Carolina Tarrío
Educar
Foto: Aline Casassa
Quando a mãe tem uma rede de apoio, a criança se desenvolve melhor
Quando a mãe tem uma rede de apoio, a criança se desenvolve melhor

Um conhecido provérbio africano diz: "É preciso uma vila inteira para cuidar de uma criança." Pois nos últimos anos, uma série de pesquisas científicas têm comprovado que ele está absolutamente correto. Em Pelotas, no Brasil, um grande estudo conseguiu detectar os fatores que levam a um maior risco de atraso no desenvolvimento das crianças: baixa renda, mãe com pouca escolaridade, nascimentos prematuros e crianças cujas mães estão sozinhas ou sofrem de depressão pós o parto. 

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"Ou seja: quanto mais desamparada está a mãe, tanto no sentido econômico como em relação a ter um suporte da família ou acesso a boa informação, maior é o risco para a criança", conta a professora Alicia Matijasevich, pediatra, neonatologista e professora do departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, que participa do estudo. Por enquanto, uma a cada cinco crianças tem suspeitas de atraso no desenvolvimento.

Se essa a mãe não conta com a ‘vila’ - que no caso do Brasil está representada tanto por políticas públicas que possam dar apoio à mãe quanto pela própria estrutura familiar para ajudá-la na tarefa de criar esse o bebê - maiores são as chances de que a criança não desenvolva todo o seu potencial.

Quando a tristeza nos atinge

Os estudos mostram que a depressão pós-parto longa ou recorrente é o maior fator de risco no desenvolvimento de bebês e crianças. Filhos de mães deprimidas têm uma maior chance de apresentar não só problemas de desenvolvimento ao longo da primeira infância como transtornos psiquiátricos no futuro.

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"No Brasil, culturalmente, a maternidade e o nascimento estão associados somente a realização, felicidade, alegria. Muitas mulheres se sentem envergonhadas, inadequadas por experimentar tristeza ou desânimo", diz a psiquiatra Sandra Petresco, que também participa da pesquisa. Pois não deveriam.

Os números mostram que 20 a 30% das mulheres sofrem de depressão pós-parto no Brasil. É um problema frequente, e bastante ignorado. "Nem os médicos incluem, em suas consultas de rotina, perguntas sobre o estado de ânimo da mãe", alerta Alicia. Pois deveriam.

A quantidade de adaptações e mudanças que um bebê traz é avassaladora. E, por mais que se tenha escolhido a maternidade e se esteja disposta a construí-la, o percurso não é exatamente como as propagandas de margarina querem fazer crer. "Muitas mulheres experimentam o que se chama "blues": uma tristeza, um sentimento de insegurança e incerteza que costuma durar de 5 a 7 dias após o nascimento", diz Sandra.

O sinal amarelo deve acender quando os sintomas do "blues" se acentuam ou se prolongam por tempo demais, comprometendo os cuidados da mãe consigo mesma ou com o bebê. Condutas como alimentar-se mal, dormir demais, trocar o dia pela noite ou não conseguir estabelecer contato com o bebê, não dar conta dos cuidados mínimos para com ele ou consigo deveriam soar um alerta e acionar ajuda para essa mãe. 

"Existe um componente genético na depressão pós parto, assim como na depressão. Mas alguns dos gatilhos que fazem a doença aflorar são justamente situações de desamparo: mães solteiras, mães migrantes longe da família, mães em crise conjugal, mulheres sem dinheiro, sem trabalho ou com baixa escolaridade", explica Sandra.

A grande questão é que embora a nossa "vila" nos treine para várias funções, como o trabalho, a cidadania, o exercício da política, não existe nenhuma "escola" para que nos tornemos bons pais e mães. Contamos apenas com os modelos de nossas próprias famílias - que não necessariamente são os melhores. "Se ver sozinha, desamparada e com um bebê totalmente dependente é muito difícil. A maternidade não é algo 100% natural. É preciso cuidar dessa mãe que inicia sua caminhada", diz Sandra. Veja, a seguir, algumas ações para ajudar nesse sentido.

 

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Quebre o isolamento
Poder falar sobre a imensidão de sentimentos que um novo filho traz, em geral ajuda. Incentive essa nova mãe a expor sua situação, seja você seu médico, seu marido, sua companheira, mãe, amiga. E tente acolher a tristeza, quando ela aparecer, sem censurá-la. Na Austrália, por exemplo, um programa do governo incentiva as mães que moram próximas e tiveram filhos na mesma época a formarem grupos. Esses grupos se encontram regularmente e recebem a visita de um assistente social que tira dúvidas, conversa, orienta. É um espaço de troca e de ajuda mútua, que amaina a sensação de solidão perante a enorme responsabilidade de cuidar de um bebê. Há também grupos na internet que podem funcionar como espaços de troca, esclarecimento, compartilhamento. Procure um que seja confiável ao buscar informação, como o da sociedade de pediatria ou um grupo de mães onde haja alguém que você conheça.
2 Ajude nas inúmeras tarefas
Muitas vezes, um pouco de alívio e revezamento nas tarefas - um companheiro que acorde uma vez à noite permitindo que a mãe durma algumas horas a mais, uma amiga que assuma alguns afazeres domésticos ou com os outros filhos, se houver, para que a mãe possa se dedicar ao bebê com calma e um pouco a si mesma - surtem bom efeito para afastar o risco da depressão. "Quando o cuidado do bebê fica apenas com a mãe, torna-se muito pesado. A mãe precisa de auxílio", diz Sandra.
3. Busque um profissional
Se o quadro se agravar ou tender a se perpetuar por muito tempo, a mãe provavelmente precisará de ajuda especializada. "Procurar o pediatra ou o médico obstetra, pode ser um início", diz Sandra. Esse profissional tem condições de avaliar o quadro com maior isenção que um parente ou amigo e aconselhar um encaminhamento. Caso se suspeite de depressão, é importante chegar a um diagnóstico e, a partir dele, iniciar ações que podem incluir medicação ou um acompanhamento psicoterapêutico.
4. Proteja o bebê
Nos primeiros três anos de vida, a criança estrutura sua personalidade. Criar, nesse período, um bom vínculo com a mãe, garante não apenas o seu bem estar e cuidados, mas é extremamente importante para que a criança sinta seu lugar no mundo assegurado, para que aprenda e, ao ter a mãe como espelho, assimile exemplos. Quando a mãe não está em condições de cuidar desse filho, estabelecendo esse vínculo de afeto e confiança e servindo-lhe de exemplo, é preciso, de algum modo, intervir. "Em casos mais graves, uma outra pessoa tem de assumir os cuidados com a criança, como o pai, uma tia, uma avó", diz Sandra. "Também se pode considerar colocar a criança em uma creche ou escola por um período, para que ela não fique sem a estimulação adequada." Quando a crise não dura muito e a mãe consegue retomar o relacionamento com a criança, não ocorrem grandes sequelas. "A beleza de poder ajudar e tratar de crianças é que elas reagem muito rápido", diz Sandra.
5. Como foi feito o estudo de Pelotas
O estudo acompanhou, em 1982, 1993 e 2004, todos os nascimentos ocorridos na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Pesquisadores de diferentes áreas têm monitorado as crianças e suas mães, aplicando-lhes uma série de testes, a cada 11 anos. "As crianças nascidas em 2004, e também suas mães, foram entrevistadas aos 3 meses, ao completar 1 ano, 2 anos, 3 anos, 6 anos e 11 anos, já em 2015", conta a professora Alicia Matijasevich, pediatra, neonatologista e professora do departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, que participa do estudo.

Os testes, que são tanto de triagem quanto diagnósticos, buscam entender como as crianças se desenvolvem, incluindo aspectos motores, de aquisição de linguagem e também verificando seu comportamento e sua saúde mental. Por enquanto, uma a cada cinco crianças tem suspeitas de atraso no desenvolvimento.

 

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