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PRIMEIRA INFÂNCIA

6 dicas para contar histórias de um jeito divertido

Dicas simples para você transformar uma história em uma imensa aventura


13/03/2015 17:35
Texto Stephanie Kim Abe
Educar
Foto: Aline Casassa
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Luz, colher, lençol, bonecos... não tenha medo de usar tudo o que tem dentro de casa para tornar a narração mais interessante

Não é preciso ser uma Sherazade e tecer histórias fantásticas e mirabolantes para atrair a atenção de um ouvinte atento por 1001 noites. Nem é preciso ser Dona Benta para conseguir fazer uma criança ficar vidrada em suas histórias. Contar histórias deve ser um ato do cotidiano, espontâneo, que todos fazemos a todo o momento. Mas muitos pais ainda ficam envergonhados ou não se sentem confiantes o suficiente para investir nesse passatempo tão educativo. "Todos nós somos bons ouvidores de história só precisamos de incentivo para sermos também bons contadores", diz Renata Weffort, coordenadora assistente da Educação Infantil do Colégio Vital Brasil.

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Entre esses incentivos, vale ressaltar um que mostra o quão acessível e simples é a narração: "como vem da tradição oral, você não precisa saber ler para poder contar histórias. Você pode simplesmente transmitir aquilo que você viveu", diz Carla Passos, atriz e arte-educadora do Instituto Brincante.

Listamos outras dicas para ajudar os pais a se soltarem e exercerem a habilidade natural que todos temos de contar histórias:

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Não fique encanado
Já dissemos e não cansamos de repetir: todo mundo sabe contar histórias. O cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada. Isso já é uma história. Pode - e deve - ser contada para uma criança desde os primeiros meses de vida. "Se a gente entende que a narrativa faz parte da comunicação entre as pessoas, ela já começa quando a mãe está trocando a fralda da criança e fala ‘ah, o nenê brincou hoje, né? Lembra quando a gente foi na vovó e o gato pulou o muro?...’", explica Gilka Girardello, professora do Centro de Educação da UFSC. Ou seja, comece falando do cotidiano, contando o que aconteceu com você durante o dia. Sem ficar estipulando regras ou pensando muito.

Lembre-se que não é preciso um dom superior ou habilidades de um ator profissional. "Respire fundo e faça uma intenção para você mesmo: tirar todas aquelas coisas que aprendeu que são pedagógicas. Deixe de lado todo tipo de ‘tem que ser assim’, ‘precisa ser’ e disponha-se para o encontro", diz Regina Machado, criadora e curadora do encontro internacional BOCA DO CÉU de Contadores de Histórias.
2. Inspire-se nos velhos tempos
Lembra-se de quando a vovó sentava na cadeira de balanço na varanda, no final da tarde, e começava a falar dos apuros que passava para encontrar o vovô quando eles começaram a namorar? Ou quando o tio falava sobre aquela lenda da família e de como eles foram parar ali naquelas terras? O poeta russo Kornei Chukovski dizia que nós transmitimos para as crianças as histórias que mais gostávamos na infância. Ou seja, que eram as crianças de ontem que escolhiam as histórias que as crianças de hoje ouvem. Que tal começar, portanto, recordando essas lembranças?

"A narração é um trabalho com a memória também. Você vai contar aquilo que você lembra de uma forma diferente de outra pessoa. Cada um tem o seu jeito de contar histórias", diz Carla Passos, atriz e arte-educadora do Instituto Brincante.
3. Abuse de onomatopeias, gestos e expressões
Usar onomatopeias, sons e gestos durante a narração ajudam a chamar atenção da criança e denotam a mudança na voz que ocorre quando é contada uma história, já que a criança só encontra os pais com uma voz monótona. "O gato (miau) entrou na sala com um pulo muito alto (uau!)... e a vovó tomou um susto! (epa!)". Todos esses pequenos ruídos de expressão estão presentes na comunicação da criança - e ela adora isso.

"A voz que contamos a história é completamente diferente. É uma voz que se dispõe a brincar, a rir, a sonhar junto com a criança, a tentar imaginar aquilo que está sendo traduzido na história", diz Regina Machado, criadora e curadora do encontro internacional BOCA DO CÉU de Contadores de Histórias.
4. Tenha boa vontade
Não adianta chegar cansado e usar a narração de história apenas como uma obrigação. É preciso estar disposto a fazer uma narração de história intencionada. "O pai precisa encontrar o prazer de ler e se descobrir um contador de história", diz Lili Flor, arte-educadora da dupla Lili Flor & Paulo Pixo.

Daí a importância de escolher um momento certo, algo que professora do Centro de Educação da UFSC Gilka Girardello pontua como "ritual": "pode ser antes de dormir, quando a criança está deitada; quando a leva à escola; quando está desenhando... enfim, encontre um momento mais adequado para vocês dois se conectarem nessa atividade".

E não se esqueça: o momento de contar histórias deve ser um momento de diversão - para o pai e para o filho!
5. Use o que você tem ao redor
Dá para contar histórias sem adereços? Não sei tocar nenhum instrumento, posso fazer uma narração? Tenho vergonha de pintar a cara, consigo contar histórias para o meu filho mesmo assim? Sim para todas as respostas.

"Tem gente que lida muito bem com bonecos, objetos; tem gente que caminha mais para a linha do teatro; tem gente que se der um pandeiro na mão faz milagre. Então, é testar. A primeira coisa é entender que não existe isso de ‘ah, eu não sei contar’", diz Carla Passos, atriz e arte-educadora do Instituto Brincante.

Não precisa saber tocar pandeiro ou fazer mímica. Você pode só pegar o lençol da cama ou a colher mais próxima na mesa do jantar e usar a imaginação para passar a sua voz para o novo personagem que acaba de inventar. Para isso, é preciso deixar que as ideias venham e se dispor a olhar ao que há à sua volta para usar no momento.

"Temos ferramentas dentro de casa para estar a serviço dessa narração de história que deixa tudo muito mais interessante. Não tenha medo de usá-las", diz Antonio Meira, ator, dançarino, contador de história e arte-educador do Instituto Brincante.
6. Ouça o seu filho
Permita-se abrir para a troca, responder às reações do seu filho durante a narração e aceitar suas sugestões e contribuições. Faça do contar histórias um momento de troca e - por que não? - de aprendizado. "Uma criança pequena é uma oportunidade de enriquecermos a nossa vida. Pais e mães que não conhecem muitas histórias podem aproveitar esse momento único para conhecer livros e começar também a participar dos enredos, para enriquecer eles mesmos a sua própria vida imaginária, a sua vida emocional", diz Gilka Girardello, professora do Centro de Educação da UFSC.

 

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