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PREVENÇÃO

Como garantir a saúde do seu filho na infância?

Entenda a importância das consultas periódicas com o pediatra e veja dicas de atitudes preventivas para evitar doenças e distúrbios


24/10/2014 16:43
Texto Stephanie Kim Abe
Educar
Foto: Aline Casassa
Não é só quando está doente que o seu filho precisa ir ao pediatra.
Não é só quando está doente que o seu filho precisa ir ao pediatra.

Não é só quando está doente que o seu filho precisa ir ao pediatra. Pelo contrário: criar o hábito de uma rotina de consultas periódicas garante a intervenção preventiva e detecção precoce de doenças e distúrbios que podem afetar o pleno desenvolvimento e saúde dele. É a expressão máxima daquele velho ditado: "melhor prevenir do que remediar". "O que vemos, porém, são casais levando os filhos só para consultas de emergência", diz o pediatra Cícero Kluppel, do Hospital Pequeno Príncipe.

Mas quando começar a prevenir? "Sem dúvida, essa atenção com o filho começa no pré-natal", explica o pediatra Paulo Poggiali, segundo vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Ou seja, já dá para ir ao pediatra mesmo antes de o bebê nascer.

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A importância dos primeiros cuidados

Todo ano nascem, no Brasil, cerca de 3 milhões de crianças, das quais 98% em hospitais. Estima-se que, a cada ano, 300 mil crianças necessitem de ajuda para iniciar e manter a respiração ao nascer. "O primeiro minuto de vida vale uma vida. Isso só reforça a importância do atendimento pediátrico na sala de parto", diz Poggiali. O Sistema Único de Saúde, por exemplo, prevê o atendimento à mãe por um médico capacitado (preferencialmente pediatra ou neonatologista) no período imediatamente anterior ao parto, como estabelece a portaria nº 371, de 7 de maio de 2014.

O ideal é que a consulta pré-natal seja feita com o acompanhamento do pediatra, que tem o papel de checar se os exames pré-natais foram feitos (teste do pezinho e da orelhinha, por exemplo), garantir o máximo de tempo de gestação para o bebê nascer mais maduro e orientar a mãe sobre os cuidados pós-parto e sobre o aleitamento materno já no hospital (preparo das mamas, técnicas de aleitamento, como colocar o bebê no colo).

O pediatra fica atento, durante esse período, se há deficiências de algum nutriente como ferro, vitamina A, zinco ou ômega 3, que podem afetar essa importante fase de crescimento que abrange os mil primeiro dias (da gestação até os dois anos de idade). "O sistema nervoso é formado na 30ª semana de gestação. O cérebro de um bebê com 24 semanas de gestação pesa 20 gramas. Sabe quanto que pesa o cérebro de um bebê com dois anos de idade? 1,2 mil gramas. Cresceu 60 vezes", diz o pediatra Tadeu Fernandes, da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

É o pediatra que orienta também sobre o que vai acontecer após a saída do hospital, qual deve ser a participação da família e os cuidados com o recém-nascido. E reforça a importância da consulta no quinto dia de vida, quando o bebê é pesado novamente e o médico avalia a presença de icterícias, examina o umbigo, faz a ausculta cardíaca, checa a amamentação (tanto no peito quanto o uso de fórmulas infantis), entre outros procedimentos.

As orientações do pediatra vão desde questões comportamentais, como o que fazer na hora de tirar a fralda ou como evitar erros alimentares, até ajuda na detecção precoce de déficits visuais e auditivos, de atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, distúrbios de fala e hormonal. "Afinal, uma criança pequena não sabe avisar ao pai e a mãe que não está enxergando", diz Paulo Poggiali.

A importância da puericultura

A primeira consulta pré-natal com o pediatra já é o começo da chamada puericultura, especialidade da ciência médica que busca a supervisão da saúde, com serviços preventivos de cuidados, para garantir o pleno desenvolvimento físico e psíquico das crianças desde a gestação até a puberdade.

"É uma consulta mais complexa, porque o pediatra vai escutar a família e entender a visão que os pais estão tendo do seu filho. A mãe vai falar o histórico alimentar, como o bebê está funcionando, como ele dorme, os ganhos que ele tem tido mês a mês em termos de habilidades motoras, cognitivas. Tudo isso é investigado pelo pediatra: primeiro, por um processo de observação; segundo, escutando; e, terceiro, perguntando objetivamente sobre o desenvolvimento neuropsicomotor", explica Paulo Poggiali.

Para garantir esse acompanhamento preventivo e cronológico, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o seguinte calendário de consultas pediátricas:

Lactente Pré-escola
0-2 anos 2-4 anos
1ª semana 24 meses
1 mês 30 meses
2 meses 36 meses
3 meses 42 meses
4 meses 48 meses
5 meses  
6 meses  
9 meses  
12 meses  
15 meses  
18 meses  

As consultas não devem acabar quando o filho já é grandinho. Engana-se quem acredita que o pediatra só cuida da criança. A partir dos cinco anos de idade até os 19, a recomendação é que seja feita uma consulta com o pediatra todo ano. Esse acompanhamento deve orientar o jovem sobre sexo, uso de drogas, questões comportamentais e outros temas que surgem nessa época.

Por ser uma consulta mais abrangente e atenciosa, ela tem ganhado mais espaço e atenção dos profissionais de saúde. "Hoje em dia, os planos de saúde estão fazendo um pagamento diferenciado dessa consulta para os médicos de puericultura. Os pais podem ter esse atendimento diferenciado, para receber a orientação de como o filho pode se desenvolver plenamente", explica o pediatra Cícero Kluppel, do Hospital Pequeno Príncipe.

"É preciso levar as crianças às consultas de puericultura, que são a garantia da saúde delas. As que passarem pelo programa seguramente vão adoecer menos", defende Paulo Poggiali.

Como escolher um pediatra

A recomendação dos especialistas é ter a primeira consulta com o pediatra no último trimestre da gestação. É preciso, portanto, já ter escolhido o pediatra a essa altura da gravidez, saber onde fará as consultas pelos próximos anos e confiar no profissional escolhido. Para isso, o melhor a se fazer é seguir indicações de familiares ou amigos próximos. "Não se escolhe pediatra vendo as páginas amarelas", diz pediatra Tadeu Fernandes, da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Vale também perguntar ao obstetra, que pode facilitar a conversa entre os dois profissionais, necessária nos últimos meses da gestação. "Que os obstetras incentivem a consulta pré-natal dos pediatras, de repente indiquem alguém. São uma boa fonte de referência", diz Paulo Poggiali.

Leve em consideração o local do consultório ou hospital onde o pediatra indicado atende (quanto mais perto de casa, melhor) e faça uma visita prévia, para conhecer o lugar onde o seu filho vai ser cuidado e saber se você se sente confortável ali.

Outras medidas de prevenção

Além de levar seu filho sempre ao pediatra, veja a seguir algumas outras atitudes que garantem a boa saúde dele:

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Garanta o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida
O leite materno é um alimento completo, que possui vitaminas, proteínas, açúcares, gorduras e água em quantidades suficientes para suprir as necessidades nutricionais e calóricas do recém-nascido. O aleitamento materno ainda previne contra problemas motor-orais, já que ajuda no desenvolvimento dos ossos e músculos da face, e protege o bebê contra alergias, infecções, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer.

Além disso, é essencial para a construção emocional do bebê, já que garante uma vivência única entre a mãe e o filho. "O mais importante para a criança ter saúde é estimular o aleitamento materno e contato físico com a mãe", diz o pediatra Cícero Kluppel, do Hospital Pequeno Príncipe.

Saiba mais sobre como os hábitos alimentares da criança são formados desde a barriga da mãe.
2. Dê atenção e carinho
É importantíssimo ter contato físico e criar vínculo com o seu filho. "Quando a mãe tem contato físico com o bebê e conversa com ele, ela o está preparando para o desenvolvimento de seu ego e superego, como ser humano. Ela vai proporcionar o estímulo para o desenvolvimento da linguagem e da sua identidade", explica o pediatra Cícero Kluppel, do Hospital Pequeno Príncipe.

Estar perto é também observar e prestar atenção ao desenvolvimento do filho. Na consulta de puericultura, os pediatras também dão orientações sobre o que é preciso observar para garantir que o desenvolvimento psicomotor do bebê esteja ocorrendo normalmente - como se ele já começa a sentar na idade correta, como estimulá-lo, se existe a necessidade de consultar um fisioterapeuta ou um neurologista. "De um modo geral, as mães sabem o que os filhos precisam, de um modo inconsciente. Nosso papel é estimular essa relação mãe e filho", explica o pediatra Cícero Kluppel, do Hospital Pequeno Príncipe.

Saiba mais sobre a importância de criar vínculo com o seu filho
3. Mantenha a carteira de vacinação sempre em dia
O pediatra também alerta para a importância de vacinar o filho e manter a carteira de vacinação em dia, como forma de prevenir doenças e garantir a saúde dele.

Ao receber uma vacina, o bebê recebe uma dose dos agentes causadores da doença, mas que estão inativos. A partir daí, o seu organismo reconhece aquele agente estranho ao corpo e passa a produzir anticorpos para combatê-lo. Assim, se ele entrar em contato futuramente com esse vírus ou bactéria causador da doença, o organismo já está pronto para enfrentá-lo.

Veja quais vacinas devem ser tomadas nos primeiros anos de vida do bebê
4. Desencane da automedicação
Não deixe que o seu filho pegue um vidro de remédio e o tome, seja sem ou com o seu consentimento. Evitar a automedicação, ou seja, medicar a criança sem orientação,é uma das melhores formas de prevenção de acidentes. "Todo medicamento tem de ser dado com a recomendação médica", explica o pediatra Paulo Poggiali, segundo vice-presidente da SBP.

A maioria das doenças que acometem as crianças são viroses. É preciso, portanto, medicação, suporte e tempo. E a garantia desse cuidado e melhor diagnóstico é maior se a consulta é feita com um pediatra que já a conhece. "O médico que não conhece a criança pode acabar passando um remédio que pode ser para um sintoma de algo diferente do que ele está diagnosticando. Um médico que já a conhece, que tem a ficha e o histórico dela, pode ter uma atenção diferenciada", diz Poggiali.

Também não é recomendado usar argumentos como "tome esse remédio que é bom". "Não, tem de explicar que é preciso tomar o remédio porque está doente", explica.

Veja mais sobre como tomar cuidado com a medicação escolar
5. Esqueça o pronto socorro
Não é porque o seu filho está há dois dias com febre que você deve levá-lo ao pronto socorro. É preciso evitar a tal "pronto socorro mania". "O pronto socorro é para aquele que está com risco de vida, que necessita de atendimento que só a estrutura hospitalar vai permitir - como quando a criança tem uma crise convulsiva ou quebra uma perna", explica Paulo Poggioli, segundo vice-presidente da SBP.

Além de não ser um ambiente agradável para o pequeno, onde ele corre riscos de contrair outras doenças, a ida equivocada ao pronto socorro causa a sobrecarga desse serviço, complicando a vida de quem está no hospital e precisa de atendimento urgente e emergencial. A criança deve ter um atendimento ambulatorial, onde terá uma atenção mais global e atenta.

Daí os médicos recomendarem as consultas periódicas, para evitar o desespero dos pais. "Os pais tem de procurar consultar o médico e priorizar a saúde do filho. ‘Ah, mas eu não tenho tempo para ficar marcando consulta’. Tem tempo para viajar, para comprar, para passear, mas não para levar ao médico? A família tem de priorizar a atenção preventiva e ter a responsabilidade de criar uma criança", defende Paulo Poggiali.

Vale também perguntar ao pediatra qual o hospital ou clínica de referência mais perto de casa, para ter um melhor atendimento no caso de emergências.
6. Limpe a casa e deixe o ambiente arejado
Evite mobiliar a casa e principalmente o quarto do bebê com móveis que acumulem pó e poeira, como cortina ou carpete. Nunca esqueça de lavar os lençóis e edredons e estendê-los ao sol, principalmente durante o inverno, quando tendemos a ficar dentro de casa mais fechados.

É importante também avaliar a qualidade e segurança dos produtos e mobília para bebês - prefira, por exemplo, os que tenham certificação de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e sejam regulamentados pelo Instituo Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).
7. Evite o contato da criança com corantes e cheiros fortes
Como o sistema imunológico do bebê está em formação durante os primeiros anos de vida, ele tem algumas limitações em termos de defesa, já que não teve contato com mais substâncias e, inevitavelmente, sujeiras. "Se você expõe o seu filho a produtos que são irritantes, ele pode desenvolver uma alergia ou só uma irritação mais facilmente que uma pessoa adulta", diz o pediatra Cícero Kluppel, do Hospital Pequeno Príncipe.

O mesmo vale para o cuidado com os materiais e procedências das roupas. "A grande maioria das roupas de bebês é feita de material hipoalergênico, de algodão. Então é mais tranquilo", diz. Evite também o contato de metais na pele da criança.
8. Cuidado com as multidões
O bebê pequeno deve ficar dentro de casa e só a partir do segundo ou terceiro mês é recomendável sair com ele, dependendo da necessidade dos pais e das vacinas. Essas saídas devem ser preferivelmente para lugares arejados e abertos, desde que a temperatura permita, ou seja, que não esteja nem muito quente nem muito frio.

No primeiro momento, evite expor o seu filho a multidões. "Lugares com muitas pessoas expõem a criança a fatores patogênicos, porque mais bactérias e vírus circulam nesse ar", explica o pediatra Cícero Kluppel, do Hospital Pequeno Príncipe. Sem contar que também acaba estressando o pequeno. "Procure horários com menor movimento e que o tempo de estadia nesse local, como no shopping, seja o mais abreviado possível", recomenda.

Entenda mais sobre como lidar com o estresse infantil
9. Tenha sempre uma garrafinha d’água
O nosso organismo só funciona bem se bem hidratado, já que todas as reações bioquímicas do nosso organismo precisam de água para ocorrer. Logo, quando o corpo se desidrata, a falta de água afeta o funcionamento dos órgãos - ou seja, ocorre o cansaço, mal-estar, fadiga, náusea, vômito, desmaio, dor de cabeça.

Para garantir a adequada ingestão de líquidos e, consequentemente, o bom funcionamento do corpo humano, ofereça sempre água ao seu filho, mesmo que ele não peça.

Saiba mais sobre a importância da hidratação

 

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