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PRIMEIRA INFÂNCIA

A importância de contar histórias para seu filho

A narração de histórias desenvolve a linguagem, apresenta o mundo da arte, amplia o universo de significados e ainda proporciona um momento simples e único de conexão entre pais e filhos


13/03/2015 17:09
Texto Stephanie Kim Abe
Educar
Foto: Aline Casassa
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"Do mesmo jeito que jogamos a criança para o alto, demonstrando amor, contar pequenas histórias também é uma forma de enriquecer o afetivo", diz Gilka Girardello, profa. da UFSC

"Era uma vez uma menina que usava chapeuzinho vermelho". Ou " nos fundos do rio, vive uma bela sereia chamada Iara". Ou ainda: "quando eu era pequena e ficava na casa da bisa Maria, sempre me pendurava no pé de manga que era beeem grande". Seja qual for a sua preferida, todas essas frases são maneiras legítimas e interessantes de começar a narração de uma história. E, se parar para pensar, você também vai se lembrar de um causo que lhe foi contado com carinho pela tradição oral.

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"A arte de contar histórias sempre teve uma função básica de passar o conhecimento de geração para geração", diz Regina Machado, criadora e curadora do encontro internacional BOCA DO CÉU de Contadores de Histórias. Tanto que as histórias do começo da matéria datam de tempos memoriais, indefinidos, mas que vêm sendo transmitidas ao longo dos anos e das gerações.

É da natureza do ser humano contar histórias e estamos o tempo todo contando-as: no ônibus na volta da escola, no trabalho, quando nos reunimos para jantar. Contamos como foi o dia, o que fizemos, o que vimos, o que experimentamos. "A narração de histórias é um ancestral que a gente tem com a palavra. Desde sempre o homem precisou contar histórias para entender a vida", diz Lili Flor, arte educadora da dupla Lili Flor & Paulo Pixo.

Com momentos de convivência e diálogo com os filhos cada vez mais raros hoje em dia, dado o tempo que passamos separados cada um em frente à sua própria tela, fica ainda mais difícil tirar um momento do dia para praticar essa tradição oral. "Por isso que, na atualidade, o contar história é também o resgate da afetividade. Vemos o distanciamento da troca, do olho no olho", completa.

Nesse sentido, a narração de história, ainda que muitos não a vejam assim, é um tempo fundamental de brincadeira com o filho. "Do mesmo jeito que jogamos a criança para o alto, demonstrando amor, contar pequenas histórias também é uma forma de enriquecer o afetivo", diz Gilka Girardello, professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Mas, além de ser um momento lúdico e de conexão com o filho, o ato também é importante para o crescimento dele de diversas formas. Isso porque o contar histórias:

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Ajuda no desenvolvimento narrativo do bebê
Quando começamos a entender o que é uma história? Desde muito cedo, como explica Gilka Girardello, professora do Centro de Educação da UFSC: "tem estudos da psicolinguística que mostram que antes de um ano de idade a criança já é capaz de ter uma noção de organização da ação no tempo. Ou seja, percebe que uma coisa acontece antes, causa outra que acontece depois etc. Essa amarração narrativa é uma história".

A compreensão narrativa é, portanto, um aprendizado que vai nascendo com a aprender da linguagem. Ao contar histórias, usamos ao mesmo tempo: palavra, gestos, ritmo, melodia e entonação diferentes. "Essas nuances na voz humana faz com que o bebê se interesse mais pela fala, e assim possa enriquecer a sua própria linguagem também", diz.

É toda essa riqueza da mensagem verbal e gestual que será amarrada e formará um repertório para o bebê, ajudando-o no preparo de seu discurso narrativo. Esse primeiro passo é importante para o desenvolvimento cognitivo, principalmente quando o bebê começa a falar - já que é a partir da linguagem que ele organiza o seu pensamento.

"Claro que quando as contamos, o bebê não entende todas as palavras. Mas ele já começa a associar as histórias ao prazer, à imaginação, ao afeto. E depois ele mesmo vai começar a contar o ‘era uma vez’ para as bonecas, para os bichinhos de brinquedo ou falar para si próprio", diz Gilka.

É fundamental também a interação entre o pai e o filho nesse contar história. É o que a pesquisadora Maria Cecilia Perroni chama de "jogo do contar": a criança fala "a bola", a mãe pergunta "o que aconteceu com a bola?", e ela responde "chutaram para longe", e assim em diante. "Essa co-criação vai fazendo com que a criança vá emendando uma ação na outra e organize narrativamente a sua fala", explica a professora Gilka.
2. Amplia o universo da imaginação
"Era uma vez um cachorro que sabia voar". Mesmo que a criança já saiba que um cachorro não costuma voar, ela vai ficar atenta. Essa mistura de realidade com ficção atrai os pequenos e é o que permite o desenvolvimento do imaginário, do fantástico. "Você conta uma história e por mais que você o faça, que você coloque adereço, que você conte, quem constrói a imagem final é quem está ouvindo. Para cada um chega de um jeito. Você não dá aquela imagem pronta, como se fosse um filme", diz Carla Passos, atriz e arte-educadora do Instituto Brincante.

Além disso, o encontro com o filho durante o contar a história é um momento de relação mais aberta, longe daquela postura de "não", por exemplo, que permeia o papel dos pais, como defende Lili Flor, arte educadora da dupla Lili Flor & Paulo Pixo: "se a criança só aprende a ouvir não, ela fica travada, não tem esse espaço do imaginário. Ao passo que a criança que desde os primeiros anos de vida percebe a palavra, ela tem muito mais desenvoltura".

"Quando terminar a história, os pais podem dizer: ‘e acabou-se a história’. Esse final vai fazer com que o filho entenda que o contar história é uma janelinha para outra dimensão, que é outra realidade", sugere Gilka Girardello, professora do Centro de Educação da UFSC.
3. Apresenta o mundo da arte e da literatura
O contar histórias é o primeiro encontro da arte com a palavra. Porque é uma forma de arte, mesmo quando é um ato completamente despretensioso. "Um arroz com feijão é um tipo de experiência. Mas o mesmo prato, preparado como arte culinária, expande a relação com a comida. O mesmo ocorre com a palavra. A narração, de forma bem lúdica e divertida, pode contar com elementos artísticos que farão dessa uma experiência poética profundamente enriquecedora", diz Gilka Girardello, professora do Centro de Educação da UFSC.
4. Explora os sentidos e constrói novos significados
As histórias são uma forma de tratar de diversos assuntos do ser humano: falam de amores, têm aventuras, trazem humor, colocam desafios, mostram superação, ensinam valores. "A narração de histórias está muito ligada à formação das pessoas, à construção do caráter da pessoa. A história não só traz vários ensinamentos, mas também faz com que nos identifiquemos nas personagens", diz Carla Passos, atriz e arte-educadora do Instituto Brincante.

Medos, angústias, sofrimento, dúvidas, paixões, coragem. São sentimentos que todos temos e nos identificamos nas histórias. Ao conta-las ao bebê, possibilita-se que ele tome conhecimento dessas emoções, comece a explorá-las, entendê-las. "As histórias têm essa função de fazer com que a criança pergunte o sentido das coisas e tenha os seus sentidos extirpados (tato, olfato, audição)", diz Regina Machado, criadora e curadora do encontro internacional BOCA DO CÉU de Contadores de Histórias.

 

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