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Diabetes: os perigos da doença em crianças

A Diabete Mellitus, tipo mais comum entre crianças e adolescentes, é grave e precisa de atenção dos pais e da escola


12/08/2014 18:15
Texto Camilo Gomide
Educar
Foto: Photl.com
Foto: criança comendo salada
É preciso prestar atenção nos horários que a criança tem que tomar insulina e sempre controlar a taxa de glicemia
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Seu filho tem diabetes? Você sabe quais são os cuidados que precisam ser tomados com a doença? Conhece os sintomas? Sabe se a escola dele está preparada para ajudá-lo? Normalmente associada a adultos e idosos, a diabetes também pode se manifestar em crianças e adolescentes. O tipo da doença que costuma atacar os jovens é a Diabete Mellitus, ou Diabetes tipo 1 (DM1), que atinge cerca de 4,9 milhões de pessoas em todo o mundo (International Diabetes Federation, 2003).

A Diabetes Mellitus é genética e em 50 % dos casos se manifesta na infância ou no início da adolescência. Em praticamente todos os casos, requer a aplicação de insulina diária. "A diabete tipo 1 é genética e autoimune, ou seja, o indivíduo nasce com ela e o próprio organismo produz anticorpos contra a célula beta, que produz a insulina", explica Vaê Dichtchekenian, o endocrinologista pediátrico do Hospital Israelita Albert Einstein. Por não produzir insulina, o organismo do diabético não consegue obter energia da glicose que consome e nem eliminar a substância. Em decorrência disso, começa a queimar gordura pra obter energia. Esse processo acaba acumulando um monte de ácido no corpo e pode levar a uma perigosa desidratação.

A criança com diabetes não controlada, além de outros problemas mais sérios, corre o risco de ter seu desempenho escolar prejudicado. O excesso de glicose no sangue, hiperglicemia, que produz o acúmulo de ácido, deixa a pessoa muito fraca. Alguém nessas condições fica incapaz de desenvolver qualquer atividade e precisa ser tratada urgentemente. O contrário, a falta de glicose, ou hipoglicemia, também é prejudicial. "Com um quadro de hipoglicemia a pessoa já se sente mal na hora e os neurônios não funcionam direito", explica Dichtchekenian.

Embora seja uma doença perigosa, podendo levar à morte, os diabéticos podem levar uma vida perfeitamente normal, desde que sejam tomados os cuidados necessários. Para tanto, é preciso que você e a escola de seu filho estejam preparados. O Educar para Crescer, com a ajuda do endocrinologista pediátrico Vaê Dichtchekenian e da psicóloga voluntária da Associação de Diabetes Juvenil Gláucia Margonari Bechara, preparou um tira dúvidas sobre a diabetes.

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Como identificar os sintomas?
"A criança sempre começa a perder peso, beber muita água e fazer muito xixi. O apetite aumenta bastante, mas ela continua perdendo peso. Ela começa a se sentir muito fraca. Câimbras também são comuns", explica Vaê Dichtchekenian. Se o seu filho apresenta esses sintomas, procure um médico para fazer o teste de glicemia.
2. Como deve ser a alimentação de um diabético?
"O mais saudável possível e sem açúcar e doces em hipótese alguma", recomenda Dichtchekenian. O açúcar, no entanto, é a única restrição imposta pelo pediatra. "Pode comer de tudo, principalmente, legumes e vegetais. O mais importante é que seja uma dieta balanceada. A criança diabética tem de se alimentar como qualquer outra de sua idade, não pode se desnutrir. Mas é muito importante que se calcule a dose de insulina a ser aplicada de acordo com o que a criança comeu".
3. Porque é importante fazer exercícios físicos?
"Cada molécula de glicose que entra no músculo não sai mais. Isso tanto em pessoas diabéticas quanto nas que não tem a doença. A única maneira de eliminar essa molécula é se exercitando, vale qualquer exercício. Se o diabético não se exercitar essa molécula do músculo não vai embora e ele terá hiperglicemia", diz Vaê Dichtchekenian.
4. Qual os cuidados diários que alguém com Diabetes Mellitus precisa ter?
Nunca esquecer o horário da insulina; controlar sempre a taxa de glicemia (não deixar ultrapassar 200mg/dl de glicose, ou baixar de 60mg/dl) ; alimentar-se regularmente e jamais pular uma refeição; exercitar-se regularmente e consultar um endocrinologista ao menos três vezes ao ano; um oftalmologista uma vez ao ano; um dentista uma vez ao ano e um nutricionista duas vezes ao ano.
(Fonte: Associação de Diabetes Juvenil)
5. O que a escola precisa saber?
"A escola tem de saber que a criança é diabética e se tiver uma nutricionista ela tem de fazer um cardápio individualizado pra criança", diz Dichtchekenian. É muito importante que toda a equipe pedagógica (diretor, coordenador, funcionários e professores) conheça as necessidades de uma criança diabética. Saber identificar os sintomas da hiperglicemia ou hipoglicemia e ministrar as injeções de insulina é bastante útil.
6. Ensinar aos colegas sobre diabetes é importante?
Sim, é preciso ensinar aos alunos sobre doenças como a diabetes. "Informar os outros alunos sobre diabetes, os cuidados, os limites e como lidar com algum aspecto diferente, como a alimentação, por exemplo, pode ser uma tarefa adicional de fundamental importância. Além de ser uma responsabilidade, claro, ensinar a olhar para o outro", explica a psicóloga Gláucia Margonari Bechara.
7. O que a criança com diabetes precisa saber?
Por mais que a equipe pedagógica da escola possa ajudar, a criança precisa ter autonomia. São os pais, especialmente, que terão esta tarefa fundamental de ensinar aos filhos que muitas coisas eles poderão fazer, mas outras não. "É preciso estar claro para a criança o tratamento a ser realizado, a forma correta de usar a medicação, os hábitos alimentares saudáveis, realizar exercícios físicos e fazer a auto monitoração da glicemia, principalmente quando há um sinal de que algo não está bem. Isso é fundamental para um tratamento eficaz, além de a criança poder dar conta dela mesma. O auto cuidado é muito importante porque em algum momento a criança terá que desenvolver esta habilidade", diz a psicóloga Gláucia Margonari Bechara.

 

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