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FAMÍLIA

10 dicas para entender seu filho adolescente

As alterações hormonais típicas da adolescência trazem uma série de mudanças comportamentais. Saiba como agir diante de questões como queda no rendimento escolar e início da vida sexual


12/06/2013 14:39
Texto Marina Azaredo
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Foto: Ana Paula Amorim/Divulgação
Foto: O filme <i>Desenrola</i> conta a história das primeiras experiências sexuais de Priscila, comuns à vida de muitas adolescentes
O filme Desenrola conta a história das primeiras experiências sexuais de Priscila, comuns à vida de muitas adolescentes

No filme Desenrola, Priscila (Olívia Torres) não vê a hora de transar pela primeira vez. Ela não pensa em outra coisa e acha que a pior coisa do mundo seria morrer virgem. Quando a sua mãe viaja a trabalho e ela fica sozinha em casa, decide que o momento chegou. E aí Priscila não economiza esforços para ter a primeira experiência sexual com Rafa (Kayky Brito), irmão de uma colega de escola e bonitão da turma. Mas Rafa, além de bonitão, é "galinha". E nem tudo acontece como ela esperava...

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A história de Priscila é ficção, mas se parece muito com a realidade dos adolescentes hoje. A descoberta da sexualidade tem se dado cada vez mais cedo e deixado muitos pais de cabelo em pé. Não só pela questão sexual em si - gravidez e DSTs são as maiores preocupações -, mas também porque traz várias alterações de comportamento. Como agir com aquele menino doce e estudioso que se transformou em um adolescente agressivo e relapso com os estudos? E aquela menina que de repente começou a morrer de vergonha dos pais?

"A família tem de se reinventar para lidar com o adolescente de hoje", afirma Lélia Reis, psicóloga e pesquisadora do grupo Sexualidade Vida (CNPq/USP). De acordo com ela, muitas vezes os pais constroem uma fantasia acerca do que o filho deve ser, e a adolescência chega para mostrar que as coisas não são bem assim. E que é preciso paciência, bom humor, abertura, desprendimento e muito diálogo para lidar com os adolescentes do século 21.

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1 - Quando começa a adolescência?
A adolescência é precedida pela puberdade, que começa com o desenvolvimento das glândulas sexuais. Geralmente, isso acontece entre os 9 e os 13 anos para as meninas; e entre os 10 e os 14 para os meninos. No sexo feminino, a puberdade é caracterizada pelo surgimento das mamas, gordura corporal, pêlos pubianos e pelo início do ciclo menstrual. No sexo masculino, aparecem os músculos, os pelos pubianos e a voz engrossa. Depois dessa fase inicial, vem o que chamamos de adolescência propriamente dita. No entanto, a puberdade - e consequentemente a adolescência - tem chegado antes. "Hoje todas as questões que envolvem essa fase acabam vindo mais cedo, desde as mudanças no corpo até uma série de alterações comportamentais", afirma o psiquiatra Jairo Bouer. Há controvérsias sobre o fim da adolescência e início da idade adulta. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que ela acaba aos 18 anos, quando o jovem atinge a maioridade, mas especialistas defendem que ela só acaba após os 20 anos.
2 - Por que a adolescência hoje começa mais cedo?
Hoje, as crianças começam a receber estímulos muito mais cedo. Com a facilidade de comunicação, tudo ficou mais rápido, inclusive a chegada da adolescência e a descoberta da sexualidade. Quem nunca viu meninas muito novas com as unhas pintadas e usando sapatos de salto alto? "Percebemos que as crianças de 9, 10 anos já estão preocupadas com o aspecto físico", afirma Birgit Möbus, psicopedagoga da Escola Suíço-Brasileira, de São Paulo. Mas atenção: essa aceleração no processo de amadurecimento é natural, mas não acontece para todos ao mesmo tempo. Por isso, é importante não forçar a criança a "crescer" antes da hora. Cada um tem o seu ritmo e o do seu filho pode ser um pouco mais lento do que o de outras crianças.
3 - É normal mudar de comportamento na adolescência?
Sim. Todas as transformações físicas que chegam com a adolescência provocam também alterações comportamentais. É comum que aquele menino doce e carinhoso se torne mais agressivo e menos dado a demonstrações de afeto. Que a menina que antes não desgrudava da mãe agora não queira nem que os pais a busquem na escola. "Os adolescentes podem ficar irritados, agressivos, violentos, aparentar depressão", afirma Lélia Reis, psicóloga e pesquisadora do grupo Sexualidade Vida (CNPq/USP). De acordo com ela, é normal que, nesse período, aconteça um afastamento da família. "O adolescente quer buscar as próprias ideologias, fazer parte de um grupo, mostrar a sua individualidade", explica. Por isso, não ache que é o fim do mundo se o seu filho pintar o cabelo de azul ou começar a ter alguns segredos. Além disso, uma característica marcante da adolescência é o imediatismo. "Eles querem tudo para agora, não pensam muito nas conseqüências. Prova disso é que eles se apaixonam como quem troca de roupa", completa Lélia.
4 - A adolescência afeta o desempenho na escola?
Todas as mudanças hormonais que acontecem nesse período trazem também mudanças de comportamento - em casa e na escola. No ambiente escolar, é comum que as notas caiam um pouco e ele deixe de ser um aluno tão aplicado. "É uma fase em que a pessoa passa por muitas adaptações físicas e psicológicas. Com tantas mudanças, acaba acontecendo uma queda de rendimento", afirma Lélia Reis, psicóloga e pesquisadora do grupo Sexualidade Vida (CNPq/USP). Mas, em geral, não há motivos para preocupações. Fique atento, monitore, acompanhe a vida escolar do seu filho (sem intromissões em excesso) e entre em ação apenas se você perceber que o seu filho está realmente passando por dificuldades e se o seu processo de aprendizagem está comprometido.
5 - Como atrair a atenção dos adolescentes para o conteúdo da escola?
Não há como negar que não é uma tarefa fácil. Se antes era difícil competir com o menino bonito sentado algumas carteiras mais adiante, agora há outros concorrentes: o computador, o celular, as redes sociais, a paquera virtual... Por isso, é preciso que o educador entenda o universo dos adolescentes. "Nossos professores passam por uma orientação para trabalhar com alunos dessa idade", conta Birgit Möbus, psicopedagoga da Escola Suíço-Brasileira, de São Paulo. "Os adolescentes muitas vezes não sabem o que fazer com toda a informação que recebem. É papel dos professores estar aberto para ouvir", diz ela. Com diálogo, é possível entender o gosto dos adolescentes e, assim, tentar aproximar a matéria da realidade deles. Que tal trabalhar um conteúdo de Português com uma música do Restart?
6 - Como lidar com filhos adolescentes?
Não tente se transformar em um amigo do seu filho. É muito importante continuar sendo pai ou mãe, o que significa estabelecer limites quando necessário. Mas isso não quer dizer que você precisa se tornar um inimigo do seu filho. Pelo contrário. "Os pais devem continuar se posicionando como pais, impondo limites e dando uma bronca, quando for preciso. Mas é importante estar aberto para o diálogo", afirma o psiquiatra Jairo Bouer. Ele ressalta que a família não precisa ter uma postura invasiva, forçando o diálogo, mas é preciso estar aberto para os questionamentos do adolescente e, se possível, estabelecer uma conversa a partir deles. "É possível dialogar sem invadir a privacidade dos adolescentes", diz ele.
7 - Como falar de sexo com os adolescentes?
O principal conselho dos especialistas é não forçar a barra. "É importante criar um diálogo desde a infância, mas sempre evitar uma postura invasiva, que pode acabar gerando uma situação constrangedora", afirma o psiquiatra Jairo Bouer. Ou seja, nada de colocar camisinhas na mochila do seu filho só porque acha que já está na hora de ele ter relações sexuais. "Os pais devem esperar que os filhos deem sinais de que já estão prontos para falar abertamente sobre sexo", aconselha Jairo. Também é importante ter uma postura igual com meninos e meninas. Muitos pais incentivam os meninos a começar logo a vida sexual e tentam impedir que as meninas façam o mesmo. É errado. Uma boa maneira de introduzir o assunto em casa sem invadir a individualidade dos filhos é dar a eles livros sobre sexo, voltados especificamente a adolescentes.
8 - Com que idade é normal começar a ter relações sexuais?
De acordo com o psiquiatra Jairo Bouer, as meninas costumam começar a vida sexual por volta dos 15 anos e os meninos, por volta dos 16. "Os pais precisam entender que isso vai acontecer e que é normal", afirma. Mas hoje há até casos de iniciação sexual precoce, com meninos e meninas tendo relações aos 11, 12 anos. "Existe uma banalização do sexo, a sociedade erotiza tudo", explica Lélia Reis, psicóloga e pesquisadora do grupo Sexualidade Vida (CNPq/USP). O fato é que os pais não têm total controle sobre essa questão. Por isso, o melhor a fazer é manter os filhos informados sobre métodos contraceptivos e sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. E não se preocupar com o teor da conversa: isso não vai incentivar a começar a vida sexual se ainda não se sentir preparado. "Falar de DSTs e métodos contraceptivos não instiga o adolescente a transar", diz Lélia.
9 - É normal se masturbar na adolescência?
A manipulação genital começa muito antes da adolescência, ainda na infância, mas se torna mais frequente a partir da puberdade. Faz parte do amadurecimento sexual e do processo de conhecimento do próprio corpo. Portanto, não há motivos para preocupação se o seu filho estiver se masturbando. "Só é preciso orientar, caso perceba que ele está fazendo em público. Isso é mais comum com crianças, que ainda têm certa inocência", afirma o psiquiatra Jairo Bouer. O importante é deixar que o seu filho tenha alguns momentos íntimos, feche a porta do quarto, fique um pouco sozinho. Isso possibilita a descoberta do corpo e do prazer, o que é muito saudável nessa fase. "Normalmente os jovens têm bom senso quando se trata de masturbação", completa Jairo.
10 - Como lidar com a homossexualidade na adolescência?
A questão da homossexualidade ainda é tabu em algumas famílias, mas está cada vez mais presente no universo dos adolescentes. Por isso, é importante tentar agir com naturalidade. "É claro que nenhum pai sonha em ter um filho gay, mas isso acontece. É preciso entender e conversar sobre o assunto", recomenda o psiquiatra Jairo Bouer. De acordo com ele, é muito bom para o jovem poder compartilhar com a família caso tenha uma opção sexual diferente. "Muitas famílias têm dificuldade de lidar com essa questão, mas a tendência é uma tolerância cada vez maior na sociedade. Um exemplo disso é o Baixo Augusta", diz ele, referindo-se a uma região da cidade de São Paulo onde jovens (e nem tão jovens assim) heterossexuais e homossexuais convivem em harmonia.

 

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