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SAÚDE

Gagueira infantil: o que você precisa saber

O distúrbio na fala pode acometer crianças de até 12 anos e é passageiro, mas deve ter acompanhamento médico


10/01/2013 10:36
Texto Marion Frank
Educar
Foto: Mauricio Melo
Com o cuidado adequado, a criança que sofre de gagueira aprende a lidar com o distúrbio, alcançando fluência no falar.

O pai tem, o avô também. Gagueira, em 55% dos casos, é distúrbio determinado por fatores hereditários, mas há casos em que ela se faz notar na infância sem se saber bem por quê. "É a chamada gagueira de desenvolvimento", conta Ísis Meira, psicóloga e fonoaudióloga especializada nesse distúrbio de fluência. "Na criança, ela surge a partir de três anos e isso, sem a presença de lesão ou efeito psicológico".

Para falar, é preciso que ocorra a ação sincronizada entre inúmeros circuitos cerebrais. Quem sofre do problema da gagueira tem dificuldade com esse processo - problema que pode ser passageiro, persistindo, em geral, até 12 anos. "O importante é trazer a criança para avaliação tão logo os pais reparem em alguns sintomas - retraimento na hora de falar ou respiração afetada pela fala", exemplifica a especialista. Saiba mais sobre gagueira infantil:

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Nervosismo não é gagueira
Se seu filho tem tropeços ao falar em situações específicas, como falar em público, fique tranquilo, pois isso nada tem a ver com o problema da gagueira.

A gagueira está relacionada com a continuidade e o fluxo da fala - o diagnóstico só é feito quando o distúrbio aparece de forma sistemática e persistente. "Não é apenas repetir sílabas, mas também criar interrupções", diz Ísis. "A cada gago corresponde um tipo de gagueira, ela é única."
2. Hesitação pode ser gagueira
A criança que sempre hesita ao falar pode ter gagueira. Ela prefere ficar em silêncio, envergonhada da sua situação. "É uma criança bastante sensível, que se sente incomodada com o problema da sua fala, o que cria muita tensão, daí ela fazer movimentos atípicos com a cabeça e o próprio corpo", aponta Ísis Meira.
3. Gagueira não determina inteligência
Criança que sofre de gagueira é tão inteligente quanto a que não tem esse problema. Estudos comprovam que não existem diferenças cerebrais entre gagos e não gagos, o que existem são diferenças de função - áreas do cérebro que são ativadas com a gagueira, o que não deveria acontecer. "O que precisa ficar claro é que a criança com gagueira é criança normal, inteligente, e merece ser tratada como tal", salienta a especialista.
4. Atenção na sala de aula
A forma de o professor agir com a criança que sofre de gagueira é vital para a sua saúde emocional em sala de aula.

Ela não pode ficar isolada, nem ser tratada de modo especial. "O professor precisa encontrar o meio termo, ter a sensibilidade necessária para encontrar o modo correto de lidar com a criança gaga", alerta Ísis. "Ela sempre será alvo de bullying, por isso, o professor precisa ter pulso firme com a classe".

O professor pode ajudar:
- Inicialmente, até que o gago se ajuste à turma, faça perguntas que possam ser respondidas com poucas palavras.
- Se cada criança tiver que responder a uma pergunta, chame a que gagueja no início, porque a tensão e a ansiedade podem aumentar enquanto ela espera sua vez.
- Informe à sua classe que ela terá o tempo de que precisar para responder às questões e que você quer que todos raciocinem bem antes de responder e não apenas que se expressem rapidamente.
- Oriente os pais a procurarem a ajuda de um fonoaudiólogo.
5. Cuidados em casa
Em casa, a família não deve tratar a criança gaga de modo diferente ou vai correr o risco de fazê-la se sentir ainda pior, um peixe fora d’água.

É preciso dar espaço a quem tem gagueira na hora de falar. "O tempo que essa criança necessita para se comunicar é outro, longo, a família precisa aprender a escutar, evitando, por exemplo, que todos falem juntos... Agora, se todos ficarem em silêncio só aguardando, a criança gaga vai se sentir intimidada e se retrair", garante Ísis. É preciso, portanto sensibilidade para encontrar a conduta ideal.
6. Gagueira tem tratamento
Com o cuidado adequado, a criança que sofre de gagueira aprende a lidar com o distúrbio, alcançando fluência no falar.

Há inúmeros modos de tratar o problema, mas Ísis Meire faz da observação o seu trunfo. "Cada gago forma uma gagueira, que compromete determinada ação muscular - eu procuro trabalhar de modo a desconstruir essa gagueira", diz a especialista. Com os gagos, ocorrem disfunções musculares em três áreas do corpo, a cervical (pescoço, ombro), a área oral (boca, face) ou a da respiração.

"Se for localizada na boca, procuro inibir a ação muscular errônea nessa região, estimulando o que precisa funcionar para evitar a gagueira", adianta Ísis. Apesar de não existir receita milagrosa para esse distúrbio de fluência, há, porém, uma certeza: a capacidade de recuperação vai depender da atitude pessoal. "Já tive pacientes que ficavam envergonhados e sofriam num canto, enquanto outros agiam como líderes...", destaca a especialista.

 

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