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Como educar os filhos?

Educar para Crescer convida dois especialistas para tirar dúvidas de pais


16/08/2013 16:17
Texto Iana Chan
Educar
Foto: Dreamstime
Foto: criança
Limites e coerência são dois princípios importantes na hora de educar

Criar filhos inteligentes, responsáveis, tolerantes, com boa autoestima... Educar é um desafio diário para todos os pais, sem exceção. As dúvidas que vêm com essa responsabilidade foram tema de palestra promovida pelo Educar para Crescer.

Dois profissionais com mais de 20 anos de experiência na área da Educação falaram para os funcionários da DGB, holding de logística e distribuição do Grupo Abril, em mais uma edição do projeto Cruzando Pontes, uma iniciativa do Grupo Abril que convida especialistas para falar com os funcionários do grupo sobre importantes temas da sociedade.


A importância dos limites
"A palavra-chave para educar os filhos é não." Assim começou a exposição da psicóloga Rosana Augone, especializada em psicologia infantil e com mais de 30 anos de experiência na área. Essa palavrinha mágica é muito importante na formação da criança e, apesar de parecer fácil dizê-la, os pais penam para manterem-se firmes no "não".

Dar limites de forma coerente é o principal desafio nos sete primeiros anos da criança - que são também os mais importantes na vida dela, pois é a fase construtora, quando as bases da personalidade são estabelecidas.

Muitos pais não querem ser autoritários e essa insegurança de errar ou traumatizar os filhos atrapalham a construção de uma autoridade saudável e necessária. "O pai não pode ficar em cima do muro. Dizer ‘não’ e depois ceder ou dizer ‘sim’ e depois mudar de ideia é muito ruim para os pais, que perdem autoridade, e para as crianças, que ficam sem referência", explica. Isso acaba ensinando, sem querer, que se o filho fizer birra ou seduzir os pais, é possível conseguir tudo o que querem.

O resultado? As crianças não amadurecem e podem permanecer nessa fase de desenvolvimento, em que são impacientes manipuladoras, intolerantes, inseguras, egocentradas e cheias de si.

Rosana concluiu dizendo que não existem receitas para educar as crianças, mas é importante que os pais sejam coerentes na hora de dizer sim e não, sabendo os limites do que elas podem ou não fazer vão se modificando conforme o tempo. "Por mais duro que os pais sejam, eles educam com amor. Se vocês não fizerem isso em casa, as crianças vão aprender os limites fora de casa e da escola, onde

Os três pilares para uma educação saudável, elencados pela psicóloga Rosana Augone:

a) Aprender a dizer não, para que a criança aprenda limites e outras regras sociais de convivência
b) Dar autonomia, de maneira que a criança aprenda a fazer suas próprias escolhas e serem responsáveis pelas consequências delas
c) Não se esquecer de elogiar, pois quando a criança sabe quais são suas qualidades - e defeitos-, sua autoestima é fortalecida.

Parceria entre família e escola
Os efeitos da falta de limites e de coerência em casa acabam gerando problemas mais tarde, na escola. E foi exatamente sobre a relação entre a família e a escola que falou o pedagogo e cientista social Laércio Carrer, coordenador de Ensino Fundamental no Colégio Albert Sabin. com mais de 23 anos de experiência como educador.

A criança que vem de uma educação sem limites chega na escola acostumada ter seus desejos individuais atendidos, mas o espaço escolar é coletivo. "A criança perde a "exclusividade" que tinha em casa e precisa aprender a dividir a atenção com outros colegas e a conviver com o diferente", disse Carrer.

O conflito, porém, se estende para a relação entre a família e a escola. Para Carrer, alguns pais têm a expectativa de que o professor seja o segundo pai dos filhos. "Quando existe essa oposição entre família e escola todos perdem: a escola, os pais, os educadores e, principalmente, os filhos", concluiu.

Ele alerta que esse processo acaba produzindo uma sociedade pouco saudável. A escola é o espaço da diferença, que deveria enriquecer a ligação com a divergência e a diversidade, porém, Carrer explica que hoje as crianças não são ensinadas a aceitar o diferente. "Aí nasce o preconceito. Isso é um aspecto sério para a construção de uma sociedade saudável. Vemos o outro não como próximo, mas como adversário", apontou.

Três dicas para a construção de uma parceria entre família e escola, pelo pedagogo Laércio Carrer:

a) Conhecer a escola, entender seu projeto pedagógico, para saber se a instituição responde às expectativas da família.
b) Entender que a escola é aliada na educação do filho e estabelecer o respeito mútuo
c) Apenas o diálogo pode resolver a confusão sobre qual é o papel da escola e o papel da família.


Dúvidas dos Pais
Confira abaixo algumas perguntas feitas pelos funcionários da DGB:

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Como escolher a escola do meu filho?
Laércio Carrer: É importante ter contato com a escola e com o projeto pedagógico (quais são os valores, as linhas de ensino), procurando uma proposta consistente. Conversar com a família de alunos da escola também pode ser interessante. A escola precisa estar afinada com os valores da família. O perfil do filho também deve ser levado em conta nessa escolha, pois a escola não pode ser um sofrimento para ele.

Rosana Augone : Colocar uma criança de 2, 3 anos para escolher o escola em que vai estudar é um absurdo, pois ela não tem condições para saber o que é mais eficiente para ela. Os pais precisam saber que a escola também é um espaço social. Os pais precisam se identificar com os outros pais, com a cultura e valores da escola.

Veja 15 critérios na hora de escolher a escola do seu filho Veja as respostas para 15 perguntas comuns na hora de escolher a pré-escola do seu filho
2. Como criar irmãos?
Tenho dois filhos, um de 2 anos e 11 meses e outro de 5 anos. Fui chamada na diretoria, pois o mais velho está com dificuldades na alfabetização, tendo atitudes como se ainda fosse um bebê. Em casa, ele pede para que eu pegue ele no colo. O que eu posso fazer?

Rosana Augone: Ele está enciumado, está querendo ter a mesma atenção do que o mais novo, que provavelmente tem mais cuidados.

Talvez ele esteja se opondo a aprender a ler e escrever, um símbolo de crescimento, para continuar competindo com o irmão. O que você deve fazer é diferenciá-los. O mais novo dorme às oito? Diga para o mais velho que ele pode dormir às oito e quinze. Leve-o na padaria, no banco, dizendo que o caçula ainda é muito pequeno para isso. Valorize o mais velho, crie uma relação de cumplicidade com ele, mostrando que ele tem privilégios por estar crescendo e que ele não precisa ser um bebê para ser amado.

Veja as respostas para as principais dúvidas sobre como criar irmãos
3. Meu filho tem 1 ano e 4 meses, mas sempre que ele pede algo, chora muito. O que posso fazer?
Rosana Augone: De alguma forma ele aprendeu que, quando chora, você cede. E aí está usando esse recurso. Para desistir disso, ele precisa chorar e não conseguir o que quer. Mas isso leva tempo. Na primeira vez, talvez ele chore mais alto, faça mais escândalo. Uma hora, ele vai perceber que esse recurso não funciona mais e terá que arrumar um outro jeito. É preciso aguentar esse choro pra ele poder desaprender que o choro é uma forma de conseguir as coisas.

Leia mais na matéria Como lidar com a birra do meu filho
4. Como reverter uma educação falha em crianças mais velhas?
Rosana Augone: Quanto mais cedo os pais começarem a agir, mais fácil é mudar a criança. Mas é possível corrgir uma educação falha, mesmo quando a criança é mais velha.

O problema mais comum em crianças pré-adolescentes, por volta dos 12 anos, é a falta de limites, a desobediência, o não cumprimento das obrigações escolares ou das regras da família.

Nessa idade os amigos e o lazer são as coisas mais cobiçadas por eles, os programas com os amigos no final de semana, o celular, o videogame, a internet, o tablet, enfim, são essas as "armas" que restam aos pais para negociar e corrigir o comportamento deles.

O que eu sugiro é que, em primeiro lugar, os pais conversem com o filho dizendo que as regras vão mudar e por que isso vai acontecer ( sempre no aspecto positivo, por exemplo:"para que nós possamos parar de brigar com você, para você se dar melhor na escola, para sermos uma família mais feliz..."); dizendo também que ele vai poder ter tudo o que já tem desde que cumpra seu papel (explicitando o problema) durante toda a semana, caso contrário não poderá sair no final de semana, por exemplo.

Outra possibilidade, dependendo do que está sendo mais problemático, é combinar algo diário, como por exemplo: "se você fizer suas lições de casa de hoje poderá ficar com o celular amanhã, ou jogar video game à noite, ou usar a internet", caso contrário: "você vai ficar sem celular por um dia, ou sem video game ou sem internet".

É muito provável que este jovem esteja precisando se apropriar de suas obrigações e entender que suas atitudes precisem ter consequências (positivas ou negativas, de acordo com o que ele escolher).

Isto é importante para que ele se sinta responsável por suas escolhas e não apenas relativo ao que os pais determinaram. Considero muito importante que os jovens tenham obrigações também dentro do âmbito familiar, tarefas simples cuja responsabilidade seja dele, tais como: por o lixo pra fora, levar o cachorro pra passear, arrumar a cama ou molhar as plantas da casa. Ele precisa ser colocado como um membro que pertence àquele grupo familiar e que também precisa ajudar a mantê-lo.
5. Quando é hora de procurar ajuda?
Rosana Augone:Devemos observar o grau de sofrimento da criança ou adolescente e/ou dos pais. A família não tem como diagnosticar o próprio filho e acaba percebendo que há algo a ser tratado só quando começa a ficar mais grave e gerar sofrimento.

No entanto, é preciso que os pais se proponham a ouvir a escola quando ela faz um encaminhamento: eles estão há anos com muitas crianças da mesma idade e, mesmo que não possam fazer um diagnóstico, têm toda a condição de perceber quando algo está fora do esperado para a faixa etária.

 

amigos do educar

 


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